sexta-feira, 18 de maio de 2007

UMA OUTRA ÓPTICA CIVILIZACIONAL

«A teoria da evolução das espécies, selecção por adaptação, revela, na sua contrapartida, um enunciado radical. Se cada espécie se adapta às circunstâncias do meio, cada espécie representa uma leitura das virtualidades desse meio. Cada espécie é uma leitura. A viabilidade de cada espécie é sobrevivência específica porque representa, de facto, uma descrição específica do real. Tantas quantas as espécies. Cada uma delas é, se bem entendo, uma história consistente do meio terrestre. Há, desta Terra, infinitas descrições possíveis... desde que escritas. Mais, dentro de cada espécie, há várias leituras. Tantas quantos os desvios evolutivos.», Maria Gabriela Llansol, Parasceve, Relógio d’Água, 2001, p 37.

Nem a propósito – hoje mesmo, no dia em que a escritora deste texto venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) 2006, pela obra "Amigo e Amiga”, ouvi uma notícia na TSF que revela que quase 60% dos casais portugueses não tem filhos actualmente e 24% apenas conta com uma criança, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), segundo os quais há 25 anos que as gerações não se substituem em Portugal.
Segundo os dados do INE, enquanto em 1960 havia 2,5 milhões de crianças, em 2005 existia apenas 1,2 milhão.
Maria José Carrilho, especialista do INE em demografia, referia que desde o início dos anos 80 que a substituição de gerações é inferior a 2,1 crianças por mulher e que Portugal tem um índice de fecundidade 1,4 crianças por mulher e está abaixo do nível da União Europeia.
Se o tema aqui apresentado é um problema, então deve existir uma solução: Importa remontar, por isso, às causas explicativas a montante e encontrar adiante as soluções.
As mais reconhecidas formas de entropia da questão sabemo-las: crescente individualismo – observável na aposta na carreira, no sucesso e no êxito; consumismo – que se traduz na procura de elevados padrões em termos de qualidade de vida; preservação de uma imagem estética corporal incompatível com a “deformação” provocada pela gravidez (não são assim tão escassas as ocorrências); obliteração da generosidade da doação na abertura à vida a troco de uma ideal obtenção das condições necessárias à recepção de uma nova existência humana.
O fenómeno em causa não é somente local. Aflige a generalidade dos países desenvolvidos.
A solução do problema não é de difícil escrutínio.
Aqueles que desejamos imitar em modernidade já reconheceram o equívoco dessa mesma modernidade e apressam-se agora a regressar a políticas clássicas próximas dos “conservadores e retrógrados” (lembro aqui o caso germânico do apoio monetário à natalidade).
Por cá, ao contrário, apostam-se em orientações político-ideológicas libertárias da “servil” condição da mulher, na esteira da melhor tradição moderna e liberal.
É notável o recuo da nossa taxa de natalidade. Mas isso percebe-se.
As causas deste problema, são, por seu lado, efeitos de uma causa maior – a indiferença, senão mesmo a recusa de Deus. Não se duvide. Sempre que o homem “mata” Deus e o exclui do seu viver, sem que o perceba, aniquila-se, deixa de confiar.
Este movimento é incompatível com a Vida.
A cultura moderna contemporânea, esta civilização do bem estar é ilusória. É obtida à custa do esgotamento dos recursos naturais e da correlativa hipoteca das condições de vida das gerações futuras, associada à recusa da “intromissão” de novos seres, sempre imensamente inconvenientes e retardadores da prossecução dos mais estimáveis objectivos tão laboriosamente arquitectados.
O drama desta cultura é que encontrou um falso instrumento auxiliar de uma correcta “descrição específica do real”. Aprendeu a “ler” o mundo com ópticas de escala próximas de geografias restritas e totalmente quantificáveis. Urge mudar de instrumentação!

Uma grande alegria

As coisas mesmo importantes não se adiam por muito tempo. Nem as tomamos como facultativas. Cumprem-se primeiro, questionam-se depois. Não perguntei a nenhuma das nossas crianças se queriam ou não ser portugueses. E se queriam ou não o nosso amor de pais. Ou que língua queriam falar. Por amor tomámos isso tudo antecipadamente por acertado.
Por hora lá em casa, vivemos em grande expectativa, a azafama é grande com os últimos preparativos e detalhes a cuidar. As roupas estão engomadas, os livrinhos já estão impressos, já chegaram as flores e até o coro está ensaiado - a primalhada vai dar conta do recado. Os miúdos mais velhos são os padrinhos e estão devidamente industriados. É que amanhã o nosso miúdo pequeno vai a baptizar na Capela de S. Marcos. Para ser mais um dos “de Cristo”. Para ser um dos nossos e aprender a esperança.
O tempo é já de festa. Graças a Deus.

Lisboa numa manhã de Maio

Hoje pela manhã, com a família, descemos em passeio a pé a Avenida da Liberdade rumo à Igreja de S. Domingos. Um privilégio de quem trabalha nestas paragens, que considero das mais bonitas de Lisboa. Os meus avós moraram aqui, quase em frente, no 232, no prédio onde mais tarde se instalaram o “Se7e”, o “O Jornal”, e de onde hoje espreitam as memórias mais felizes da minha infância.
A manhã estava radiante e, passeio a baixo, os verdejantes plátanos - que este ano andam histéricos - choviam desesperados os seu pólenes ao vento. Guiado pela paisagem, aproveitando a “galeria” de estátuas, edifícios e monumentos que percorremos, tento explicar aos miúdos a corrente de História e de vidas ancestrais que vêm dar a nós. Que somos parte dum todo.Entramos pela Rua de Sta. Marta, com as suas modestas casas e mansardas de “gelosias” corridas. Com os seus “lugares”, mercearias e preguiçosos sapateiros; talhos e tabernas, rua que dava vida e serventia aos opulentos prédios da rasgada Avenida liberal e burguesa.
No Largo da Anunciada, ao lado da Igreja de S. José, um prédio finalmente recuperado sempre vai dar em mais um hotel… bom para a concorrência?! Pelo menos está restaurado ao fim de vários anos de intermináveis obras. Continuamos a descer e, recuando na História, chegamos aos Restauradores. Ironia dos tempos, a rapaziada entusiasma-se com a “parada” das vacas coloridas que, espampanantes, atraem as objectivas das câmaras dos turistas felizes. Estes, em conjunto com os africanos e demais imigrantes, são nos dias que passam os "indígenas" destas paragens... Que ambiente! E que bonita cidade afinal partilhamos.
Do Rossio explico aos miúdos algumas épocas que vislumbramos. O D. Maria do Garrett, o altivo Convento do Carmo… e não podemos ir mais longe, que se faz tarde para o nosso objectivo primeiro!
Chegados à Igreja de S. Domingos, o órgão toca música barroca. Esta Igreja, com origem num mosteiro dominicano fundado no reinado de D. Sancho II, impressiona-me pela sua carga histórica. Percorremos o corredor central e… percorremos centenas de anos de História, de celebrações, tragédias e contradições. Dos homens. Da nossa Igreja e da nossa cidade. De um povo caminhante, quantas vezes errante.
Parece-me que todos captamos a mensagem que aquelas paredes de pedra queimada nos contam.
Do meu lugar, cá em baixo, "lembrei-O" da minha família e amigos. Sem esquecer o meu País. Que sempre haja caminho… E que a História nunca acabe, afinal.

Publicado há um ano atrás no Corta-fitas

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Ascensão

‘Para onde Eu vou, não podem vocês seguir-me”
E o coração do homem, ficou só, estruturalmente só.
Esperem por mim, não Me esqueçam.
Mas as luzes da cidade são tão brilhantes, e anestesiam a dor, fica dormente a solidão.
Diz-me onde apascentas os Teus rebanhos, para que não me perca, para que não Te perca!
Esperem-Me, lá onde estão, esperem-Me lá onde têm de ir, esperem-Me com os que têm, e com os que nunca chegaram.
Esperem-Me com os que não gostam, e com os que vos foram tirados.
Homem: não és transparente, nem monumental, nem simples, antes indigente. É assim que te quero: sossegado e tranquilo. Mas assutas-te pequeno homem por te veres assim, pequeno filho.
Tiveste medo. Embarcaste numa história que tinha por nome a mentira. Foste traído, e traíste. Magoaste, magoaste-te. Vendeste-te por tão pouco. Deste-te por nada.
Sempre o medo! E em cada gesto torto, e sebento: a súplica. Ontológica, a mesma que estava no início: Onde estás? Vem depressa!
Eu disse que estarei sempre!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Maio, mês de Maria parte 2


Esta imagem, vale mais que 1000 palavras... não vos parece?

Lisboa já está a arder

Oh Costa, vai lá dar uma mãozinha. Não posso, eu comprometi-me com os incêndios. Por isso mesmo, por isso mesmo…
Neste país de Costas, cada português é um bombeiro e Costa é o bombeiro que o país precisa. Na peugada de outros bombeiros que sacrificaram tudo para apagar fogos por essa Europa fora, por esse mundo além, Costa sacrifica-se e sacrifica o Governo para se lançar sobre as chamas alterosas que ameaçam devorar Lisboa!
É bonito!
Grande inimigo dos incêndios, grande esperança da floresta mártir, vê-se forçado a esquecer promessas eleitorais, mas está na hora de centralizar o combate aos incêndios e nada melhor do que ligar mangueiras e agulhetas à capital!
A cidade há-de resistir.

terça-feira, 15 de maio de 2007

NO LAGO NIASSA

A Elisabeth e o Ricardo foram os primeiros casal de leigos da Consolata a trabalhar em Moçambique. Casaram em Setembro de 2000 e em Dezembro partiram para o norte, no Niassa, na fronteira com o Malawi, terra pobre, abandonada pelo poder central. Ali, estiveram seis anos e nasceram três crianças. Trabalharam numa escola secundária,inseriram-se na missão, na pastoral com os missionários, no orfanato para crianças abandonadas, no lar para os meninos que vinham de muito longe e não tinham onde dormir. Não estiveram sentados numa secretária de Maputo "a pensar" no futuro do país como fazem muitas ONG´S. Construiram a sua vida com os outros, no meio deles, no miolo da miséria. Há dois meses tornaram ao país "dos supermercados e dos centros comerciais" e vão começar a vida de novo.Nos primeiros seis meses vivem com um salário mínimo pago pelos Leigos e por cada filho recebem meio salário. Durante o tempo da missão os leigos descontaram para a segurança social o seguro social voluntário equivalente a 16 por cento do salário mínimo.Agora deu-se conta que não têm direito a nada apenas asseguraram tempo de descontos para a reforma. Do abono de família recebem 31 euros por cada filho. O Ricardo não tem direito ao subsídio de desemprego porque foi ele quem se despediu.Que políticas efectivas para o apoio ao Voluntariado? Hoje o coração ao desenvolvimento, aos mais pobres, passa por pequenos projectos e por testemunhos vivos. Como criar condições afirmativas que respondam a isso? Quem olha para o voluntariado como uma actividade menor, de gente idealista e pouco profissional não entende nada do que está contido no acto de Servir.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Este Fim de Semana

Fátima
Lá estive no dia 12, participando nas tradicionais celebrações. Um Santuário transbordante de gente e de fé, uma multidão que comunga do mesmo desejo de oração durante aquelas horas da noite. Sem pompas nem gritarias, marca pela serenidade dos que ali estão e pela e profundidade da sua oração. É bom estar ali como parte dum povo, peregrino da estrada ou da vida, numa simples resposta ao chamamento de Nossa Senhora para que nos encontremos com Deus.

Brazil
Últimos dias da visita apostólica de Bento XVI, calorosamente recebido por todos aqueles que se sabem filhos da Igreja. "Recorre hoje o nonagésimo aniversário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima. Com o seu veemente apelo à conversão e à penitência é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas. Vamos pedir à Mãe da Igreja, Ela que conhece os sofrimentos e as esperanças da humanidade, que proteja os nossos lares e as nossas comunidades. Saúdo especialmente as mães que hoje comemoram o seu Dia. Deus as abençoe com os seus queridos". (Oração do Regina Cæli. Santuário de Aparecida, 13 de Maio).

Polónia
Relizou-se o IV Congresso das Famílias em Varsóvia, Polónia. Este país tem estado sub o fogo cerrado dos sexocratas europeus, que o acusam de homofobia por ter proibido a propaganda homossexual nas escolas e por contrariar as políticas para a família que a UE nos impõe. Peçamos a Deus que ilumine e dê força a este povo de eternos resistentes.


Aproveito ainda para recomendar a leitura do artigo de opinião de J. César das Neves, Acima de Tudo Não Estragar, do Diário de Notícias de hoje, 2ª feira.

domingo, 13 de maio de 2007

13 de Maio

Beatos Francisco e Jacinta Marto a quem Nossa Senhora apareceu em Fátima há 90 anos atrás. Com eles estava também a sua prima Lúcia, que também com eles já está no Céu certamente!
Obrigada Senhora mais brilhante que o Sol por teres escolhido este lugar pequenino, esta gente simples, boa, que é para nós exemplo de Santidade "aqui tão perto".

A Palavra

Evangelho segundo São João - 14, 23-29

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

Da Bíblia sagrada

sexta-feira, 11 de maio de 2007

pappatacci

Em Rossini tudo é imponente. A música é a matéria, expressão irrepetível.Veja-se o final do primeiro acto da "L´italiana in algeri". Mustafá, o muçulmano, rapta uma rapariga italiana, Isabel, quer casar com ela, mas junto com Taddeo que passa por seu tio, ela consegue sair desta embrulhada. O que Isabel canta é o jogo que faz com Mustafá, os alibis que cria , a maneira como o engana a partir de um conjunto de pressupostos culturais. Mustafá é o rei, o poderoso, mas Isabel coroa-o como "pappatacci"( come e cala-te).É Isabel quem controla a situação, Mustafá equivocou-se, a relação é uma sucessão de desencontros.Rossini surge no momento em que a ópera "bufa" (cómica) domina o panorama operático. Este dá-lhe dignidade, confere-lhe respeito, valor artístico.Na sua aparente frivolidade, no divertimento inocúo surge o drama, a dor.Por detrás do riso e da superficialidade esconde-se a solidão,o limite, a procura. Em Rossini o canto é a matéria da alma.
Não duvidem, a ópera é a mais bela das artes de palco.

P.S. - Não vi ninguém de direita tomar posição sobre o abandono de Pinamonti do teatro S.Carlos. Para além das efabulações dos bloquistas e dos habituais frustrados intelectuais do PS mais ninguém toma posição? Estas coisas não interessam para a direita? Garanto-vos que eles vão á ópera...
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"L´italiana in algeri" - Ópera de Rossini, Teatro S.Carlos

Fotografias



Porque me comovi com as fotografias da Exposição Mater 2007, realizada pela Associação Ajuda de Mãe para divulgar o seu trabalho e "enaltecer a coragem que muitas mulheres demonstram ao escolher se Mães, ultrapassando dificuldades várias", aqui fica esta amostra (Palmira Afonso, 19 anos, com o seu bébé Luena de 3 meses).
Obrigado e parabéns a todas as Ajudas de Mãe, Palmiras e Luenas pelo seu testemunho.

Incentivos à natalidade

A nossa filha Maria estava "prevista" para dia 20 de dezembro, data em que completava as 40 semanas de gestação. Acontece que a Maria, vá-se lá saber porquê, decidiu vir ao mundo mais cedo, dia 29 de Novembro, data em que completava 37 semanas.
Quando me dirigi à segurança social para receber a baixa fui informada que assim sendo, não teria direito a nada, porque a bebé nasceu antes do tempo, logo eu em Novembro não teria o tempo de descontos necessário para usufruir do subsidio de maternidade... Portanto, se a Maria do Carmo tivesse nascido dia 1 de Dezembro por exemplo ou depois disso receberiamos a baixa na sua totalidade, como foi dia 29 não tivemos direito a nada.
Até aqui tudo bem, tudo bem quer dizer, tudo mal, mas adiante, tudo bem porque o tempo vai passando e nós vamos esquecendo estes "contratempos" do nosso portugal...
Esta semana fomos forçados a recordar estas coisas... é que descobrimos que não só não tive direito a receber subsidio de maternidade, como ainda tenho que pagar esses 4 meses em que estive em casa sem trabalhar (e portanto sem receber NADA) à segurança social.
Depois de várias cartas e mais cartas agora vou escrever mais uma, desta vez a pedir o "favor" de não me cobrarem o tempo que estive em casa com a minha filha, sem receber baixa nem ordenado... Vamos lá ver se me perdoam esta minha dívida ao estado!
É o país que temos, o estado subsidia abortos sem requisitos, sem ser necessário descontar 6 meses para a segurança social:) Quanto aos bebés que nascem e são o futuro do nosso Portugal, o estado só os ajuda se os seus pais fizerem bem as contas, se planearem bem as datas, e se os bebés não lhes pregarem a partida de nascer umas semanas antes do previsto...

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Um golpe para o centenário

As instruções são claras: - O centenário tem que ser devidamente celebrado. A varanda sublime deve ser ocupada por um dos irmãos legítimos, imbuído das características essenciais: em primeiro lugar deve ser laico, em segundo lugar republicano e em terceiro lugar socialista.
O actual edil pode não corresponder inteiramente aos três graus enunciados, deve por isso ser substituído. O pretexto não interessa, desde que seja eficaz.
Vale a pena recordar que o partido republicano fez da Câmara de Lisboa a sua escada de serviço para chegar ao poder, portanto, esse lugar é nosso e de vital importância para as nossas aspirações. Não podemos correr o risco de ensombrar as comemorações com a presença de estranhos na varanda municipal.
Como sabem, e já foi noticiado, queremos abrilhantar o próximo centenário com a legalização de algumas realidades sociais incontornáveis, fruto dos valores que semeámos naquele longínquo cinco de Outubro, como por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, equiparando a família homossexual às restantes famílias portuguesas. Também não está posta de parte, depois do êxito da liberalização do aborto, uma nova liberalização, desta vez para permitir o consumo de drogas consideradas inofensivas e que já fazem parte do quotidiano dos nossos jovens.
Num primeiro balanço, o preço do centenário é tremendo, em apenas um século reduzimos a escombros oito séculos de história edificados sob o signo pernicioso e arcaico do trono e do altar. Esta conquista só foi possível mantendo a Igreja Católica num guetto e mantendo a questão do regime aprisionada na Constituição… mais avançada da Europa. Não vamos agora desistir ou deitar tudo a perder. É hora de cerrar fileiras sabendo de antemão que nunca seremos devidamente compreendidos pelas camadas mais retrógradas da população.
Por tudo isto, é fundamental que o Governo e a Câmara estejam em absoluta sintonia.
A bem da república, cumpra-se como nele se contém.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

TEXTO DO DIA




“Magnificat anima mea Dominum!”



Como seria o olhar alegre de Jesus! O mesmo que brilharia nos olhos de sua Mãe, que não pôde conter a alegria: – "Magnificat anima mea Dominum!", a sua alma glorifica o Senhor, desde que O traz dentro de si e a seu lado. Ó Mãe!: que a nossa alegria seja como a tua – a de estar com Ele e de O possuir!(Sulco, 95)


A nossa fé não é uma carga, nem uma limitação. Que pobre ideia da verdade cristã manifestaria quem assim pensasse! Ao decidirmo-nos por Deus não perdemos nada; ganhamos tudo. Quem, à custa da sua alma, conserva a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a sua vida por amor de Mim, voltará a achá-la .


Tirámos a carta que ganha, conseguimos o primeiro prémio. Quando alguma coisa nos impedir de ver isto com clareza, examinemos o interior da nossa alma. Talvez haja pouca fé, pouca intimidade pessoal com Deus, pouca vida de oração. Temos de pedir a Nosso Senhor – através de sua Mãe e nossa Mãe – que aumente em nós o seu amor, que nos conceda saborear a doçura da sua presença; porque só quando se ama se chega à mais plena liberdade: a de jamais querer abandonar, por toda a eternidade, o objecto dos nossos amores. (Amigos de Deus, 38)


(Textos de S. Josemaria)

História de algibeira (5)

No dia de Natal de 1903 Raul Brandão publica no jornal “O Dia” uma comovedora reportagem sobre uma visita da Rainha D. Amélia às pobres crianças tuberculosas internadas no Dispensário de Alcântara. O evento terá marcado por certo a miudagem delirante. A ceia compôs-se de “Canja, Peru corado, fruta e bolos”. Raul Brandão, às tantas descreve o diálogo entre a Rainha e um residente de 5 anos durante a distribuição dos presentes:
“- Que queres tu? – pergunta Sua Majestade”
“- Um cavalo – replica imediatamente o bambino indócil”
“- Isso é difícil, mas vamos lá procurá-lo”
Lá se descobre um "por entre um turbilhão de mil fantasias de folha colorida”. Por fim Sua Majestade entrega-o ao “pequenote. E ele vai, sobraçando o brinde, rindo, numa correria de gamo perseguido”.

Fonte e citações: Raul Brandão – Paisagens com Figuras. Inéditos 1887-1930
Organização Vasco Rosa - Âmbar 2006

Bem, bom, bens

O Bem Comum é muitas vezes invocado, pelos nossos governantes e legisladores, para justificar e fundamentar leis e institucionalizar comportamentos.
Mas será esta, na verdade e em verdade, a sua primeira e principal preocupação? Será mesmo o Bem Comum que procuram, ou os bens de alguns? Será o Bem ou o Bom? É que o Bem nem sempre é bom, e o bom nem sempre Bem.

Mas atenção que estas perguntas, também se podem, e devem pôr, a cada um de nós!
Que procuramos? Para nós e para os outros? O bem bom, ou o bom Bem?

Maio, mês de Maria

No ginásio onde vamos, (a S Ideias e eu) está um placard com a informação mensal "importante" para TODAS (sim, o nosso ginásio é só para senhoras!). Este mês pode ler-se :
- "Maio, mês do coração, saiba que não praticar exercício físico equivale a fumar um maço de cigarros por dia... (etc)"
Maio, mês do coração? Sempre ouvi dizer que Maio era o mês de Maria, e de repente aquela afirmação fez-me uma confusão mental tal, que percebi que não consigo conceber a expressão Maio, mês de ... (qualquer coisa que não MARIA), não consigo, pronto, sou uma limitada!
Não que me esteja nas tintas para o coração, vejamos, até reconheço que é um orgão importante, mas Maio é e sempre será o mês de Maria, o mês de Nossa Senhora, o mês da Imaculada, o mês da Cheia de Graça, o mês da Mãe por excelência, o mês de Maria!

terça-feira, 8 de maio de 2007

Bem me parecia que a culpa é toda deles…!

Passo a citar o que li há dias numa daquelas revistas cheias de coisas cientificamente esclarecedoras:
“Os filhos podem ser um verdadeiro perigo para a saúde.
É o que demonstra um estudo feito por investigadores das Universidades de Iowa e Michigan que sustenta que os adultos que vivem com crianças consomem mais gorduras saturadas que aqueles que não têm filhos. A falta de tempo pode influênciar a adopção de tais hábitos alimentares, a somar à ideia de que as crianças só gostam de alimentos pouco saudáveis.”
Pobres Pais! À conta dos tiranos dos filhos são obrigados a comer pizzas, pipocas, gelados e também, como é óbvio, ovos com bacon, linguiça assada, morcela, coratos, queijo da serra, a boa da feijoada e da dobrada – tudo aquilo que as crianças mais adoram.
Pobres Pais! Fica agora claro porque andam cansados, doentes, sem tempo sequer para descascar uma maçã, lavar uma alface ou beber um copo de leite!
Pobres Pais! Para salvaguardar os seus direitos, proponho que os resultados deste estudo sejam obrigatoriamente apresentados em todas as 1ªs consultas da gravidez.
Para que ninguém vá ao engano matar-se à conta destes “verdadeiros perigos para a saúde”.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Só ficar

Hoje gostava de ficar
Só ficar junto a Ti, ficar só por ficar e as pedras do chão contar...

Não pensar em mais nada, nem me invadir de preocupações
afinal que são essas questões, ao pé de Ti, nada são...

O tempo, eterno inimigo, não permite a calma desejada
e eu fico assim prostrada, ao fim de um dia cansado, cansada de tudo e do nada.

Silêncio, quero silêncio, quantas pedras estão no chão?

Silêncio, quero silêncio, para sentir a Tua mão.

Marcha de Lisboa

Este ano as Marchas vieram mais cedo. Desta vez, porém, a musica foi outra. Ouviu-se Bob Marley, Peter Tosh & comp. Mas não só em Lisboa. Também no Porto, e em mais 200 cidades por esse mundo fora, se marchou, este sábado, 5 de Maio, a favor da legalização do cannabis.
Seguem-se 5 sugestões ao socrático governo da república, sempre na linha da frente do progresso e das causas fracturantes:
1º Porque não distribuir gratuitamente haxe aos desempregados e demais infelizes? É que a malta que fuma chamon mantêm-se sempre a rir!
2º Porque não investir em plantações de cânhamo, no interior do país desertificado . É o que se faz em Marrocos, aqui tão perto. Assim os que não se podem rir face ao futuro manteriam a boa disposição face à ‘reinação’;
3º Proibir, quem quer que seja, de aventar a hipótese de o psicopata de VirginiaTech ter-se passado fumando marijuana;
4º Esconder que os miúdos da Casa Pia iam para as suas transes debaixo do efeito de cola e/ou charros;
5º Passar por alto sobre a associação indesmentível entre a violência das claques juvenis do futebol e os charros;

Mas para além destas sugestões uma ultima pergunta: e os neonazis, podem ou não marchar a favor da liberalização do cannabis? Parece que eles preferem o álcool ao chamon. Em todo o caso nunca se sabe, e sobretudo nada se proíba (excepto a existência desse grupo de delinquentes de periferia que põe mais em causa o equilíbrio das novas gerações do que o chamon legalizado…).
Note-se, ainda assim, que a marcha que percorreu Lisboa teve a lealdade de não passar pela ‘av. da Liberdade’. É que, se assim fosse, estaríamos face a um espéctaculo de rara hipocrisia: ver os ‘agarrados’ na avenida que celebra o que eles não são- pessoas livres! Com efeito, não esquecer que liberdade é mais do que poder escolher andar/marchar com uma ‘g’da moca’….
Perdoe-se-me uma última sugestão: que tal metê-los todos nos Restauradores, que é onde começa (ou recomeça, consoante a perspectiva!) a av. da Liberdade e mandá-los fazer um percurso terapêutico-educativo?

Viva a roleta-russa!!!

(A propósito da Marcha em favor da Legalização da Cannabis- Lisboa, 5 de Maio 2007)

“Um estudo divulgado esta semana no Instituto de Psiquiatria do King’s Colegge de Londres estabelece uma conexão com estados paranóicos ao constatar que a THC reduz a actividade na parte do cérebro responsável pelos comportamentos apropriados. Aquela substância fora já apontada como um elemento precipitador de esquizofrenia”. Todavia, a Universidade de Colónia publicou um estudo de sinal inverso: “há outra substância na cannabis (CBD) que ajuda a travar sintomas psicóticos. (…) Há quem já tenha comparado o consumo de cannabis a uma ‘roleta-russa’. Há quem saia ileso, quem alivie o sofrimento e a dor e outros para quem é ‘um desastre total”! (Cf o Público de 6-5-07)

Pe Pedro

Democracias...

A avaliar pelas tristes reacções aos dois resultados eleitorais de ontem, Portugal e França, parece que ainda não é desta que a esquerda percebeu que "o povo é quem mais ordena"...

domingo, 6 de maio de 2007

A Palavra

Evangelho segundo S. João 13,31-33.34-35.

Quando Judas saiu do cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homeme Deus glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora.
Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.
Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».

Da Bíblia Sagrada

sábado, 5 de maio de 2007

Não te esqueças da tua história!

«…os sistemas comunistas naufragaram, antes de mais, pelo seu dogmatismo económico. Mas menospreza-se com demasiada boa vontade o facto de eles terem naufragado, mais profundamente, por causa do seu desprezo pelos direitos humanos,
pela submissão da moral às exigências do sistema e às suas promessas de futuro.A verdadeira e autêntica catástrofe que eles deixaram atrás de si não é de natureza económica; consiste no esgotamento das almas, na destruição da consciência moral(…)
O marxismo introduziu uma ruptura radical: o mundo actual é um produto da evolução
sem qualquer racionalidade; o homem só deve fazer emergir o mundo racional do material bruto irracional da realidade (…) A racionalidade está na linha da funcionalidade, da eficácia e do aumento da qualidade de vida (…) nesta lógica, o ser
humano já não deve ser gerado irracionalmente, mas produzido racionalmente. O homem dispõe do homem como produto, os exemplares imperfeitos devem ser eliminados, para se tender para o homem perfeito, na via da planificação e da produção. O sofrimento deve desaparecer e só existir a vida agradável (…) afirma-se cada vez mais o princípio de comportamento, segundo o qual é lícito ao homem fazer tudo o que é de capaz fazer. A possibilidade como tal torna-se um critério de per si suficiente (…) Só agiremos de modo verdadeiramente ético e não por calculismo,
se virmos no homem um absoluto, que está acima de todos os bens (…) O ser humano não pode tornar-se um produto. Não pode ser produzido, só pode ser gerado. »

do livro “Europa os seus fundamentos hoje e amanhã “ do Cardeal Joseph Ratzinger (editora Paulus).

O repouso e o trabalho

Para expressar o seu descontentamento com a actual lei, que obriga ao encerramento das grandes superfícies nas tardes de domingos e feriados, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) lançou ontem – três dias depois da comemoração do Dia do Trabalhador - uma campanha de sensibilização pública subordinada ao mote “Exija a liberalização das compras aos Domingos e feriados. Liberte- -se”.
Invoca a APED doze argumentos em defesa da abertura do comércio ao Domingo, entre eles, que tal abertura constitui uma imposição do ritmo de vida nas mais diversas aglomerações urbanas e que o número de mulheres que trabalha fora de casa requer a referida abertura.
Ainda que outros argumentos mais fortes não existissem, estes dois seriam já bastantes para justificar não a abertura pretendida, mas precisamente o seu contrário – o encerramento das grandes superfícies aos Domingos.
Face ao ritmo de vida das sociedades modernas e sendo as mulheres e mães de família cada vez mais obrigadas a responder a toda uma série de solicitações, nomeadamente em termos profissionais, urge como nunca que seja reconhecido pela sociedade civil que o Dia do Senhor possa ser também para todos o dia de repouso do trabalho, o dia que permite a compreensão do sentido da existência humana (e também do trabalho).
Se perdermos este sentido, de que nos valerá trabalhar? O trabalho tornar-se-á escravidão, idolatria, o principal sentido da vida e aí para que servirá?
Com a tão pretendida abertura, a era do vazio de Lipovetsky ameaça instalar-se e parece obter o acordo plácido da maioria - segundo um outro argumento da APED, de acordo com um recente estudo da Universidade Católica, mais de 66% dos inquiridos manifestou-se favorável à abertura das lojas ao Domingo à tarde e recusou qualquer impedimento à abertura do comércio nesse dia.
Os portugueses aparecem agora como adoradores de um novo bezerro dourado – sete dias de consumo ininterrupto.
Temos, pois, mais uma intenção pela qual pedir a Nossa Senhora no 13 de Maio próximo – Domingo – que o Dia do Senhor não se perca na cultura portuguesa.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Antes de Ponta Delgada

No fim do Verão a bala engoliu o pensamento. Foi em setembro e nas ilhas o mar engole o eco.O homem, de um dos mais belos livros de filosofia do sec.XIX (a), barba amarelo torrado, renunciou, fundiu o espírito no metal da pistola. O espírito indomável, ferido, leão pungente,barreira absoluta, contraditória, não suportou a matéria, a testa.De todos, no seu tempo, só Camilo o pode chamar por irmão. A vida, elemento sonoro, atravessou-se.Para Antero a vida é uma réstea, a fúria do espírito não cabe nela. A bala espera-o.Columbano, dois anos antes, adivinhou-o. A testa é o erro, vertigem de cor. Todo o drama do sec.XIX português está ali. Na testa, razão à espera de justificação.

(a) " Se pois só a perfeita virtude, a renúncia a todo o egoísmo, define completamente a liberdade, e se a liberdade é a aspiração secreta das coisas, e o fim último do universo, concluamos que a santidade é o termo de toda a evolução e que o universo não se move senão para chegar a este supremo resultado. O drama do ser termina na liberdade final pelo bem." (Tendências gerais da filosofia..)
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Retrato de Antero de Quental - Exposição de Columbano Bordalo Pinheiro, Museu de Arte Contemporânea.

Televisão, inimiga do diálogo

Era uma vez uma família feliz, quando chegavam a casa os filhos brincavam nas suas consolas "PSP" modernas, viam filmes "DVD" na televisão do seu quarto, comportando-se lindamente sem chatearem os seus progenitores até à hora do jantar.
A mãe, chegando a casa cansada, fazia o jantar deitando o olho naquele concurso "O preço certo em euros", soltando uma ou outra gargalhada ao ver aquele senhor "forte" falar nos benefícios da clínica de emagrecimento do dr x.
O pai, que chegava já em cima da hora de jantar, queixava-se do trânsito na 2ª circular e sentava-se na mesa já posta chamando os filhos para virem comer.
Todos sentados à mesa, televisão ligada, pode-se jantar em paz e sossego enquanto se assiste às notícias do mundo e se concentram todas as atenções no pequeno "grande" ecrã. Eis a família feliz.
E esta, hem?

Portas

O que há nele direito que lhe permita representar a direita?
Ei-lo irmão daquele irmão pouco recomendável. Irmão antagónico ou simétrico?
Quem é que reside nele?
O jovem turco que fez da promiscuidade das noticias o conteúdo principal do seu jornalismo?
O mentor do Monteiro que pelas costas lhe mentia?
O pinoca que sai à rua com o fato a condizer com a camisa, a camisa com a gravata, a gravata com o lenço, o lenço com as meias, sem esquecer os botões de punho acertados com a cor do relógio, e todos os dias em tons diferentes?
O professor da Moderna metido numa aliança confusa com poderes escroques?
O deputado que durante dois anos, no parlamento, se remeteu a um silêncio integral para enervar, envenenar, o líder que lhe sucedera no partido?
O actor despudorado que, no final do debate televisivo com o mesmo líder, se intrometeu por entre as câmaras para ir saudar fraternalmente, como Caim, aquele que ele ferira de morte com os seus ardis?
Mas nenhuma destas habilidades o credita como homem direito, antes mesmo de ser homem de direita.
Não que lhe sejam negados os talentos pretorianos. Todavia, a sucessão de gente que pelo caminho repete o refrão ‘Também tu, Paulus?’ torna o seu percurso, no mínimo, sinuoso.
Porque não basta ser tribuno eloquente, invocar referências conservadoras e dar, de quando em vez, uma estocada na esquerda histérica, como, por exemplo, a propósito do ‘submarino’ do aborto (quando se fala em aborto está-se sempre a baixo do nível do mar…), para recolher a adesão dos que não são da esquerda.
A demagogia repugnará sempre aquela direita que tem a nobreza da atitude como um ponto de honra. E que olha para as vitórias e os triunfos conseguidos a golpes de deslealdade como coisas bastardas.
O excesso de imagem construída corrói a veracidade da mesma.
A referência católica não poderá ser táctica ou, tão pouco, estratégica. É vital, incontornável, óbvia. Muito pior do que ser insultado como beato é ser-se tido por alguém com os valores cristãos (expressão à qual se acolhe a massa dos desvitalizados da fé: dos cristãos viúvos de paixão pela glória de Cristo na história!).
Um cristão na política é, antes de mais, um cristão! Fiel nos sacramentos, servidor do próximo –mas não servo de interesses-, ousado no discurso, escrutinador agudo do estado da nação, mas divertido no savoir faire face à menoridade mental da opinião pública!
Não suspeitamos da contagem que lhe atribuiu 75% dos votos na recente vitória. Esmagadora! Todavia, a pergunta mantêm-se: à custa de que comercio conseguiu fazer-se rodear de tal camaradagem unânime?
Pelo que me diz respeito, Portas por Portas, vedeta por vedeta, continuo a preferir Jim Morisson: nele o tom não era declamado. E a sua autenticidade humana permanece dasafiante…

A alegria de viver!

"Os filhos, que são o futuro, são vistos como uma ameaça ao presente; e pensa-se que eles nos roubam algo da nossa vida. Não são sentidos como esperança, mas sim como limitação ao presente". J. Ratzinger

Está por aí uma espanhola - uma tal Yolanda - para ajudar as mulheres (e os homens) de Portugal a desfazerem-se dos filhos. Os portugueses deixam e muitos concordam: são tantos os curriculos dos que querem colaborar na matança - vulgo, "melhorar a qualidade de vida das pessoas" - que a d. Yolanda nem tem tempo de os ler a todos.

Está tudo pronto, segundo a revista do JN, para começar hoje, dia 4 de Maio. Quando aparecer a Inpecção de Saúde vai encontrar 1000m2 onde é seguida a norma europeia e estão cumpridos todos os requisitos; as mulheres aflitas e com a segurança garantida, esperarão no máximo três horas até lhes ser proporcionada a "intervenção cirurgica".

É tudo tão limpo e organizado e tão, mas tão, generoso que até poderíamos não perguntar de onde vem o sorriso mais ou menos forçado da d. Yolanda ao posar para a revista do JN...

D. Yolanda,

Diz que sempre foi comunista, muito implicada nas questões sociais, e que é uma pena agora só termos o sistema capitalista; que um aborto custa entre 375 e 475 euros; diz que não acredita em Deus - no ser humano é que sim; que teve a sua filha e decidiu que não queria mais filhos; diz que se apaixonou por Portugal e que é uma mulher com muita alegria de viver e que não sabe se existe alguém que possa dizer que é feliz; diz que nunca fez um aborto e, numa palavra, define-se como RESPONSAVEL...

Diga lá a verdade, d. Yolanda... dorme bem quando se lembra dos abortos que ajudou a fazer nas "clínicas" de que é RESPONSÁVEL...?

Espero que não saiba o que faz...

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Estranha coincidência

Quando os meus adversários começam a aproximar-se de mim, e quando eu começo a concordar com eles…é porque ‘algo está podre no reino da Dinamarca’!
“ …logo após Abril, os números do aviltamento sobressaltaram os espíritos mais cândidos: quatro milhões de portugueses com ficha na PIDE, e cerca de quatro mil informadores. Agora, na Socratalândia, propõe-se a setecentas mil pessoas que delatem, sugerindo-lhes que praticam uma acção moralizante quando se trata de procedimento desonroso. Este Governo incapaz de cortar cerce a raiz da corrupção, avilta-nos a todos ao acirrar a denúncia. E ao incorrer no crime de corrupção moral, coloca-se na zona da delinquência que propugna punir…a democracia deve suscitar inquietações éticas nos cidadãos, nunca inspirá-los para cometimentos repugnantes…”!
Nunca esperei concordar com Baptista-Bastos …em nada! Estranha coincidência…

Paciência

Essa virtude tão bonita,
que cala aquele que a sente
que o faz sentir mais gente
que a gente a quem a aplica...
Esse nobre pensamento,
de sentir-se tão bem por dentro
que não se explode por fora
quem dera a mim e agora
diria mesmo a toda a hora
gozar de ser paciente!
Porque tanto ela me falta?
Porque foge ela de mim?
Bendita e Santa paciência,
provavelmente és mais ciência
que a dita por todos assim.
Não perco a imensa esperança
de um dia ver de bonança
o meu coração zangado
ficar mais apacientado
e assim desta forma sorrir.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Assim se vai na desportiva rebentando com tudo...

A Srª D. Rita Ferro escreveu, e publicou, um livro. Até aqui, tudo (aparentemente) normal, até porque não se trata sequer da sua primeira obra, e, nos dias que correm, anormal mesmo, é não ter escrito e publicado um livro.
Não conheço a obra a que me refiro, mas não resisto a citar a forma como foi apresentada no jornal onde li esta notícia: “A ultima coisa que fez (Rita Ferro) tem o sugestivo título de ‘Sexo na Desportiva’.” Não é na ‘coisa’ que me quero deter, pois como já disse (é com alívio), que não lhe conheço o conteúdo. Mas, preocupa-me que esta senhora venha ‘confessar’ publicamente, a (des)propósito das suas transgressões amorosas, o ressentimento que guarda da educação que recebeu. Melhor será dizer: que não recebeu! Saiba-se portanto, que o ‘podre’ que a atormenta, é o facto de ter casado virgem com o seu primeiro marido. Segundo a própria, tamanho absurdo foi fruto da dita, educação ultraconservadora.
Espantada, consultei o dicionário, e foi com alívio, que em frente da palavra ‘conservar’ li: manter; guardar bem; não perder! Conservadora, é aquela que conserva. E é disso minha senhora que se trata! De fazer por guardar (no) bem os que nos são confiados, para que não aconteça que, (ultra)experimentando aqui e ali, cheguem ao momento do ‘sim’, sem se conseguirem ultrapassar a si próprios, ficando escravos do consolo instintivo, e daquilo que parece ser o motor da cultura actual: o baixo ventre!!
Por favor, parem para usar a inteligência com a liberdade que conserva, porque na desportiva, vão rebentando com tudo!

terça-feira, 1 de maio de 2007

O Circo

«Código Civil revisto para legalizar casamentos gay.
O Código Civil deverá ser revisto até 2010 “ em matéria de relações familiares, tendo em conta as novas realidades sociais”… A revisão do Código Civil é uma das propostas da Comissão de Projectos para as comemorações do Centenário da República.»
In Correio da Manhã no 1º de Maio

Este é o critério do legislador da nossa república: as novas realidades sociais. Julgava eu, ingenuamente, que era a lei que devia determinar as realidades sociais! Sendo assim para que serve o legislador? Nomeiem observadores, como no futebol, para estarem atentos aos novos usos e costumes, e darem-lhes notas: casamentos gay- 17 pontos; eutanásia 18 pontos; liberalização do aborto até às 20 semanas-19 pontos; pedofilia-11 pontos; fuga aos impostos- depende; consumo de drogas – 15 pontos; fingir que-se-tem-um-curso-para-subir-na-vida 20 pontos; etc, etc, etc.…. Depois só seriam legalizados aqueles que tivessem nota superior a 12 pontos!...

Eis a república no seu melhor: sem princípios, sem valores, sem ética, sobretudo sem virtudes! Emendo, há um princípio que norteia estes (re) publicanos: a cruzada persecutória contra a Igreja Católica, tendo à cabeça O Grande Doutor da Lei, que dá pelo nome de Vital Moreira.

E já agora, ainda no âmbito das Comemorações, poderiam substituir aquela figura feminina que representa a república, por uma outra andrógina ou, porque não, por um travesti (por exemplo por uma figura da pintora Paula Rego)?! Estaria, certamente, mais em consonância com as’ novas realidades sociais’ da república e dos seus governantes!..

Como é Possível?

Em casa somos 7, todos muito barulhentos: a mãe (eu) está sempre a refilar, a dar ordens, a fazer exigências, ou simplesmente a pôr as coisas em ordem; o pai é muito mais calmo e paciente, sempre com coisas pertinentes para dizer, para ensinar, e sempre pronto para conversar; os filhos, na maioria rapazes, que são três, fazem voar constantemente a bola apesar da total proibição da mesma, e quando a bola está parada voam as brigas e as discussões; as meninas, que são só duas e aparentemente mais sossegadas, têm sempre opinião sobre tudo e acabam também metidas na confusão das bolas, das brigas e das discussões. Tudo isto com o pano de fundo de um piano, de uma viola ou de um CD a tocar.

No trabalho, somos a Comunidade Terapêutica para Toxicodependentes do Vale de Acór, com muita gente a trabalhar, muito mais gente para quem há que trabalhar, muitos projectos a desenvolver, desafios constantes a aparecer e problemas sucessivos para resolver. E muito gosto em fazer tudo isto.

Entre o trabalho e a casa é um contínuo desfiar de correrias, no trânsito da cidade, entre a escola e a ginástica de um filho, entre a outra escola e a música do outro filho, entre mais uma escola e mais uma actividade de um outro filho, entre o supermercado e a casa daquele amigo, entre sempre mais alguma coisa que aparece e uma outra que desaparece.

Caos? Às vezes. Confusão? Sem dúvida, embora uns dias menos que outros.

E como é possível aguentar isto, dia após dia, e contente(s)? - também uns dias menos que outros, é verdade…

Só é possível porque há um espaço.

Um espaço que abre a porta da minha vida interior onde me é dado poder ver mais longe que o meu olhar,
poder entender o que a minha inteligência não alcança,
poder escutar para além do que oiço.
E assim aceitar com serenidade o que pode não ser sereno.

Um espaço onde descubro o que está mais além de mim mesma,
o caminho para o outro, para a vida interior do outro.

E é aqui que se aprofunda o amor.
É aqui que cresce o encontro, a relação, a comunhão.
É aqui que o Bem e o Belo são reflectidos com uma luminosidade mais pura.
É aqui que posso dar tempo à escuta da Palavra que não é dita, mas que está lá.
É aqui que posso dar lugar ao Mistério, que não entendo mas que acolho.
É aqui que se torna possível, numa crescente confiança, o abandono e a entrega.

É aqui, no Silêncio.

E só porque há Silêncio é possível não me perder no ruído.
Só porque há silêncio é possível não estar só, não conhecer a solidão e o vazio.
Só porque há Silêncio é possível viver na confusão.

Aqui, imersa no barulho, mas conhecendo o Silêncio.


Nota: Este texto foi escrito como resposta ao desafio lançado pela autora do livro "Um Minuto de Silêncio", após uma troca de comentários neste blogue.

A grande irmã vigia-nos

Com toda a certeza aqui a inquisidora-mor do regime, a D. Câncio não se refere a ninguém desta desprezível casa, definitivamente fora de estrutura, mas que esta frase (...) e também acredito que a maioria dos que falam e escrevem não saibam que não sabem do que falam e creiam estar, como sempre, do lado do bem e da liberdade e etc. (...) é de uma arrogância nacional socialista, lá isso é.

História de algibeira (4)

Ao passar em Alcântara, o Palácio das Necessidades pareceu-me hoje particularmente atraente, talvez devido à transparente e radiosa manhã que se fazia sentir em Lisboa. Gosto daquela casa, onde trabalhei durante um período particularmente feliz da minha vida.O convento foi mandado construir no séc. XVIII por D. João V no local onde existia uma ermida em honra de Nossa Senhora das Necessidades. Tornou-se residência da dinastia Bragança a partir de D. Maria II, ou seja, foi a residência oficial do chefe de estado até 1910.Tendo o Rei D. Carlos desenvolvido uma intensa actividade diplomática, procederam-se no seu tempo a obras de beneficiação tendo em conta os jantares e recepções de Estado. Bombardeado no dia 4 de Outubro de 1910 a partir do rio pelos rebeldes republicanos a bordo do Adamastor, o Palácio das Necessidades foi desde então adoptado para albergar o ministério dos Negócios Estrangeiros, mantendo-se assim ainda hoje a sua vocação para as relações internacionais do estado português.

domingo, 29 de abril de 2007

Uma senhora

Era uma vez uma senhora muito contente.

A vida corria-lhe bem,
pelo menos assim parecia,
pois diante qualquer coisa,
esta senhora sorria.
Sorria na adversidade,
sorria na alegria,
sorria tanto e de vontade,
que sem qualquer caridade,
com ela todos sorriam.

Esta senhora viveu, foi feliz, deixou história.
Dedicou-se de coração, a cada um seu irmão
que pela frente lhe aparecia.

Enfrentou o silêncio, não temeu a solidão
Abraçou o sofrimento, mesmo naquele momento, que ninguém lhe deu a mão...

Rodeada de amizade, sabia estar sossegada,
passava despercebida, (e muito ela fazia!)
e ninguém dava por nada...

No meio da multidão, falava baixinho, segredando
Dizia o essencial, marcava a sua posição
Não se deixava levar por qualquer opinião

Trazia consigo o odor, a essência da Verdade
Transbordava sem esforço, fé, esperança, caridade...

E que bonita ela era, sem causar sensação
Uma beleza discreta, qual janela, porta aberta
onde entra o sol de verão.

Conversão à liberdade

A propósito da leitura do livro dos Actos dos Apóstolos em baixo: o cristão convertido é existencialmente insatisfeito, tem sede de uma verdade maior. Não é feliz por ter, antes por ser. É feliz numa paz interior, de quem é profundamente livre da alienação, porque sabe ao que vem, e a quem serve. Porque aprende a amar. Porque aprende a confiar, porque aprende a entregar-se.
O cristão convertido assume o compromisso de viver em Cristo. Na prossecução da felicidade, no cumprimento desse amor, e porque não é egoísta, procura espalhar a preciosa Palavra redentora. Com humildade aos acomodados e distraídos. Com valentia, não temendo os poderosos do mundo, apregoa a Boa Nova bem alto aos novos fariseus "os de maior categoria". Despreza a sua mundana glória fácil, sendo piedoso e complacente com as modernas “Senhoras devotas”. Porque o cristão convertido acredita no livre arbítrio de toda a criatura de Deus. Acredita que enquanto existir desejo de verdade, enquanto houver um excluído do opulento banquete dos homens, aí encontrará terra fértil para a palavra de Deus. Aí se encontrará Cristo vivo, a felicidade verdadeira e a esperança na ressurreição. Mesmo que ainda tenha de voltar à clandestinidade das catacumbas, e ser humilhado no circo da soberba e da arrogância.
Eu, católico confesso, tenho esperança numa profunda conversão.

A Palavra

Livro dos Actos dos Apóstolos 13,14.43-52.

Quanto àqueles, deixaram Perga e, caminhando sempre, chegaram a Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se.
Depois da reunião, muitos judeus e prosélitos piedosos seguiam Paulo e Barnabé, os quais, nas suas conversas com eles, os exortavam a perseverar na graça de Deus.
No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra do Senhor. A presença da multidão encheu os judeus de inveja, e responderam com blasfémias ao que Paulo dizia.
Então, desassombradamente, Paulo e Barnabé afirmaram: «Era primeiramente a vós que a palavra de Deus devia ser anunciada. Visto que a repelis e vós próprios vos julgais indignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, pois assim nos ordenou o Senhor: Estabeleci-te como luz dos povos, para levares a salvação até aos confins da Terra.»
Ao ouvirem isto, os gentios encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor; e todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé.
Assim, a palavra do Senhor divulgava-se por toda aquela região.
Mas os judeus incitaram as senhoras devotas mais distintas e os de maior categoria da cidade, desencadeando uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e expulsaram-nos do seu território.
Estes, sacudindo contra eles o pó dos pés, foram para Icónio.
Quanto aos discípulos, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

Da Bíblia sagrada

PEREGRINAR

Estamos em época de peregrinações. Ouvi, numa peregrinação, o Sacerdote que peregrinava connosco dizer que peregrinar é regressar a Deus. Não é ir; é voltar.

Fiquei preso a esta ideia. O nosso tempo de caminho é, na maior parte dos dias, uma ida, determinada pelas tempestades da vida, pela programação dos outros, pelos negócios, pelos compromissos, pela rotina…Paramos brevemente em momentos de oração, em especial nas Missas. Mas, fazer durante uns dias um caminho de volta, só mesmo a peregrinação; mesmo mais que os retiros, em que a noção de caminho é mais abstracta.

As peregrinações são ainda um caminho de regresso muito especial, porque desenvolvem a consciência de que voltar para Deus é uma coisa que se faz com os outros, na gratuidade e na desinstalação. É educativo neste sentido, de que associa à volta as capacidades relacionais e a identificação daquilo que é mesmo essencial.

Claro que peregrinar é uma ideia completamente “Fora de Estrutura”, mesmo que venha a ser absorvida pelos mercados sob a forma de Turismo Religioso ou Cultural. Será sempre voltar.

sábado, 28 de abril de 2007

Lidia

Lídia vinha de regresso das praias da costa da Caparica com as suas amigas Fernanda e Catarina quando, a meio da ponte 25 de Abril, se deparou com um carro parado e fora dele um homem mostrando sinais de se querer suicidar.
Lídia pára, sai da viatura e dirige-se ao indivíduo:
- Então bom homem, que se passa ?

Este, numa voz embargada, foi desfiando todo o seu sofrimento e solidão. O seu olhar pedia ajuda, pedia Alguém que lhe desse sentido para o sofrimento. Pedia Comunhão.

Lídia olhou para o homem como se olha para um animal abandonado, e disse:
- Percebo! Tens todo o direito de escolheres a morte. Mas não preferes uma morte menos dolorosa? Comprimidos, gás, sei lá?!...
Veio-lhe então à ideia escrever um texto, poético, sobre o direito à morte.
Voltou apressadamente para o carro, onde a sua amiga Catarina ensaiava ao retrovisor, o seu sorriso mais verdadeiro e Fernanda desesperava, pois o seu-mais-que-tudo ia dar uma entrevista na TV.
Dirigiu-se para casa, onde se pôs de imediato a redigir o texto, concluindo-o assim:
«Onde estiveres serás sempre meu irmão e eu tua irmã».
Depois perguntou-se o que teria de facto acontecido ao coitado do homem: «Ter-se-á mesmo suicidado? Bom, amanhã leio nos jornais. Agora vou dormir, que a praia cansa!».
Guardou o texto na memória do PC. Poderia servir para algum programa da televisão, onde fosse convidada para falar do direito de escolher a morte. E foi dormir…descansadinha.

O homem perdido

Quando a luz se inclina a noite é o deserto. O ritmo das vozes, das conversas, e do ciar dos lobos arruinam a alma. O homem de tez branca, rosto altivo, julga-se inteligente. Tem o farol da descrença, verbo inútil.O cheiro da terra, da infância, o rosto da mãe e a pureza da ameixa jazem no fundo. O homem fala, diz. É inteligente, amargo. No coração tem o erro e a soberba. Mas não sabe, não recorda que lhe falta o silêncio, a escorrência de luz.E o homem fala, diz que sim, adormentado. Não tem nada a dizer,só a ausência, a redundância. Não tem nada dentro dele. Nem as lágrimas. Nem a redenção.

O processo da república

Primeiro foram os cravos, chegou depois a corrupção, modalidade com inúmeros adeptos e praticantes, e hoje, nas páginas de dentro dos jornais, lemos notícias sobre o condicionamento democrático, há mesmo quem afirme que a liberdade de expressão está em risco!
Em pleno Parlamento e nas solenidades de Abril!
Mas a parte de baixo do iceberg é que nos interessa – vivemos numa república de advogados, repleta de ameaças judiciais, onde as leis processuais dão para tudo, porque a Constituição onde assentam, também dá para tudo!
Isto não foi obra do acaso, foi bem pensado, e melhor executado pelo poder político, ou seja, pelos partidos que por estes dias andam de cravo na lapela. Resultado: um universo kafkiano onde quem tem tempo e dinheiro para sustentar processos e sustentar-se dos processos, ganha sempre. O português anónimo, aquele que conta os euros para chegar ao fim do mês, esse, mesmo que tenha razão, recua, aceita, baixa a cerviz. Não tem dinheiro para se defender!
Começa aqui a servidão, acaba aqui a liberdade de expressão, transformada em mera figura de retórica. E nestas circunstâncias... a “claustrofobia democrática” começa a fazer sentido.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O Centro


Nesta vida terrena que temos

Quantas e quantas tentações...

Disparates e afins

Nos passam por ambições!


Tentações de felicidade

Mascarada pelo mal

que parece quase verdade

que ao fim ao cabo a maldade

poderia até quem sabe

elevar a nossa moral...


Como é fácil cair, como é fácil escorregar

em pensamentos que outrora,

mais concentrada que agora,

não me deixaria levar!


E tudo leva ao meu centro, tudo apela ao sentimento

Tudo me centra em mim mesma e me descentra do Centro.


Cada dia recomeço

E peço a Ele que é Centro

que me auxilie nesta luta

de escapar ao sentimento que não passa de momento...

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Em nome da Verdade, não nos resignemos!


“(…) Agora, tudo depende de vós e do vosso inconformismo. Em nome de Portugal, não se resignem!”.
Foi com estas palavras dirigidas aos jovens que o Presidente da República encerrou hoje o seu discurso na Assembleia da República, na 33ª Sessão Comemorativa do 25 de Abril.
Um apelo à não resignação num dia em que se fala de liberdade parece fazer todo o sentido. Mas é preciso mais: a não resignação não pode deixar de ser ligada à Verdade, sendo certo que «somente a liberdade que se submete à Verdade, conduz a pessoa humana ao seu verdadeiro bem. O bem da pessoa é estar na Verdade e praticar a Verdade» - Encíclica Veritatis Splendor citando a Doutrina da Igreja.
E a Verdade ultimamente parece que pouco tem interessado aos portugueses… mas não nos resignemos em nome da Verdade que é muito mais que mera formalidade, mera adequação entre o dizer e o ser.
Isso é apenas coerência. O que nos interessa na Verdade é esse carácter de revelação, desvelação que mostra uma realidade velada.
A nossa inclinação é, portanto, para uma Verdade que aponta para Um Maior a quem ela serve. Neste sentido, falamos de uma Verdade que nos liberta porque nos permite dar conta de uma realidade que nos atrai e na qual procuramos enxertar-nos e que compreendemos como nosso destino.
A liberdade que o mundo nos propõe bem merece o nosso olhar de soslaio, de desconfiança, uma vez que nos querem impor destinos que não são os nossos. Já agora, não deixa de convocar à estranheza que o apelo à mobilização provenha de quem recentemente nos deu uma lição de “verdadeiro” (in)conformismo.
* Pintura - Nossa Senhora dos Peregrinos, Caravaggio, Igreja de Santo Agostinho, Roma

SINAIS

O Presidente da Conferência Episcopal Italiana, D.Angelo Bagnasco, está sob forte protecção policial por ter sido ameaçado de morte, depois de se ter manifestado contra um projecto-lei intitulado ‘uniões livres’.Parece que foram escritas frases como‘Morte a Bagnasco’, ‘Bagnasco atenção ‘ em muros próximos a algumas Igrejas, e em alguns casos apareciam acompanhadas de uma foice e martelo!
Curioso que estes acontecimentos se passem no mesmo local onde, há dois mil anos atrás, pessoas inocentes eram lançadas aos leões, para gáudio do povo e sossego dos poderosos.
Tão longe e tão perto!

Vinte e cinco de Abril de dois mil e sete.

Carta portuguesa

“Está bonita a festa, pá! Fico contente…”!
Estás enganado Chico da Holanda, essa festa nunca existiu, tal como hoje não existe no teu país! E se num primeiro momento recolheu algum consenso, júbilo natural de quem se liberta de um jugo prolongado e sem futuro… a verdade que essa parte de Portugal também guardava, manteve-se silenciosa e pensativa.
Não faças confusões, a verdadeira festa anuncia sempre a unidade, não celebra guerras civis, nessa festa não existem vencedores nem vencidos. Por isso a festa que cantaste não teve eco, emudeceu com o tempo, é hoje um arraial desfeito!
A maioria silenciosa de ontem não a comemora, não usa cravo na lapela, é a mesma que lenta mas seguramente reabilita Salazar. Não são fascistas, adivinhavam o rasto de sangue que deixariam para trás, incomensuravelmente maior do que os treze anos de guerra colonial. Não te esqueças nunca de Timor…onde não havia guerra!
Não eram colonialistas, adivinhavam a Pátria reduzida às fronteiras da primeira dinastia, distante do mar, dependente de Bruxelas, país inviável, região peninsular, tributária de Castela!
Trinta e três anos depois, trinta e três anos apenas, e já existe uma geração disponível para abdicar da independência sem sofismas.
E isto não é preciso adivinhar!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Ateísmo Militante






O que hoje trago ao vosso conhecimento não é uma boa notícia.
Diz-se emergente pela Europa um movimento ateísta que parece estar a robustecer-se, tanto intensa como extensamente.
Tomei conhecimento do facto pelo Jornal de Notícias de Quinta-Feira passada, dia 19 de Abril, no suplemento que esta publicação jornalística dá à estampa do “The Wall Street Journal”. Aí Andrew Higgins expõe a natureza do movimento, bem como a sua emergência e implantação no velho continente.
Ao que parece, segundo o autor, a justificação para o fenómeno assenta em dois pilares básicos.
O primeiro refere-se à pujança numérica dos seguidores de Maomé que, a seu modo, são responsáveis por um revigoramento do fenómeno religioso. Calcula-se que o seu número se estenda aos vinte milhões.

O segundo factor legitimador releva do anterior. Com efeito, a comunidade muçulmana é uma ameaça porque ao contrário das confissões religiosas clássicas – Catolicismo, Protestantismo e Ortodoxia – “…é cada vez mais numerosa, mais palavrosa e, em muitos casos, mais religiosa”.
Em reacção a esta investida do Islão, os ateístas do novo milénio já não se ficam apenas pela produção literária e, portanto, pela mera discussão teórica das ideias. De facto, a mudança a registar é o abandono da velha “Carta sobre a Tolerância” de John Locke, substituindo-a por um activismo transformador. Nas palavras do chamado “alto sacerdote do activismo militante”, Michel Onfray, este afirma que “já não podemos tolerar a neutralidade e a benevolência” (Tratado de Ateologia). E continua, dizendo “…estar para breve uma mudança, e que é tempo de surgir uma nova ordem”.
Este “novo” ateísmo é, de facto, belicoso e está apostado em disputar a identidade da Europa – do zelo milenar da fé passaríamos ao zelo da descrença em Deus.
As metástases da patologia atravessam o continente. O artigo refere não apenas a França, mas também a Inglaterra, a Alemanha e a Itália. Neste último caso, é reportada uma imagem de um ateu atravessando a Praça de S. Pedro no Vaticano empunhando um cartaz onde se lê: “NO GOD – Ateísmo é libertá”. Curiosa é a divulgação no referido cartaz de um site ateu - http://www.nogod.it/ – (Divulgo o site na esperança que um Hacker católico não deixe de realizar o seu dever).
Ainda a propósito de Itália é referido o caso de um ateu que recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos reclamando a culpa da Igreja Católica por fraude. É que a “bendita” criatura afirma que Jesus nunca existiu.
Num estudo realizado recentemente pela União Europeia, relativo aos valores mais representativos da Europa, a religião ocupava o último lugar, atrás dos direitos humanos, da democracia, da paz, da liberdade individual, etc.
O recuo da religião na Europa e, porventura, no mundo já não basta. É necessário passar ao seu extermínio. Não se anunciam tempos promissores para a fé. Mas, para nós cristãos católicos, não é tempo de injustificado desânimo. É tempo de contar armas. Exige-se afirmação da nossa esperança, oração intensa e frequência assídua dos sacramentos. As provações prometem ser muitas. Que S. Paulo, o apóstolo dos gentios, cuja conversão Caravaggio tão bem representou, interceda por nós.

Um armário

Fizeram partilhas lá em casa e tocou-me um armário! Esperava outra coisa, mas foi à sorte!
Preto, enorme, habita no corredor, é armário trabalhado, mas armário, serve para guardar loiça, rimas de pratos, abre-se nos dias de festa para dar à luz o melhor serviço.
Da longa herança, será provavelmente o último companheiro, fiel, impossível de arredar, difícil de vender ou arrumar, irá por certo condicionar o resto da minha vida.
Já não penso em casar, onde teria algum préstimo, mas tem de caber na casa, que mais cedo ou mais tarde, vou ter que alugar! Por causa dele não posso viver na cidade, as duas ou três assoalhadas ao meu alcance, não contam com estes armários. Vou ter que emigrar para a província, sujeitar-me a um desses andares antigos, mais velhos que antigos, com um pé direito razoável, para que o meu armário continue a respirar. Eu ajeito-me em qualquer lado, o armário tem outras exigências.
Ainda pensei em transformá-lo, dividi-lo, dar-lhe outro destino, mas desisti da ideia. Não o quero mutilar, isso seria uma injustiça, hei-de transmiti-lo inteiro. Tal como o recebi.
O meu pai, há muito tempo, adaptou-lhe um pequeno bar, incluso, que ainda existe, e assim continuará. No resto, a função de armário manter-se-á, ali guardarei os meus pertences.
Sei que é de boa madeira, de sucupira, há-de portanto durar mais tempo do que eu, e fico feliz por isso. Foi este armário que me tocou na herança.
Hei-de respeitá-lo e preservá-lo.

domingo, 22 de abril de 2007

A Palavra

Evangelho segundo S. João 21,1-19.

Algum tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades, e manifestou-se deste modo: estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.» Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada.
Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.» Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.» Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para a arrastar.
Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!» Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais roupa, e lançou-se à água. Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes; com efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns noventa metros.
Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e pão. Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora.» Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe. Esta já foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.
Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.» Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.» E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: 'Tu és deveras meu amigo?' Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levar para onde não queres.» E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!»

Da Bíblia Sagrada

sexta-feira, 20 de abril de 2007

História de algibeira (3)

No pico da II Grande Guerra, em relação à qual Portugal com alguma astúcia e ambiguidades se foi mantendo neutro, momentos houve de algum receio e ansiedade de algum ataque ou represália por parte dos contendores. Nesse sentido, a determinada altura “foi decidido camuflar a cidade de Ponta Delgada. (…) A cidade vista do mar – era esse o principal problema – tornou-se irreconhecível a partir de uma certa distância. As torres mais altas das igrejas levaram nuvens e esbateram-se nos céus. Tal empena do hospital virou colina verdejante com casinhas. As fachadas tinham grandes árvores e mais vegetação. Os depósitos de nafta eram ingénuas verdes pastagens com idílicas cabanas.” *

* In “Percurso Solitário” por Augusto de Ataíde – Bertrand Editora, 2006

quinta-feira, 19 de abril de 2007

A diferença

Fomos ver o filme “As vidas dos outros” ( que bonito filme. A não perder! Assim como o post sobre o mesmo, da nossa amiga e colega blogista SIdeias)o no final falavamos sobre a diferença entre o cinema Europeu e Americano. Este, o espectáculo, a aventura a acção, a tecnologia, a representação como uma tentativa de imitação do real.Histórias com “final feliz". E saímos da sala, vamos beber um copo e ter conversas triviais. Do filme apenas um “é giro, t’á bem feito!”. O nosso, a simplicidade, a interioridade, o tempo, o real tantas vezes magistralmente representado.Com ideias. Saímos, talvez em silêncio a pensar, e depois vamos beber um copo e continuamos a pensar.

No dia seguinte assistimos ao debate na tv, entre Paulo Portas e Ribeiro e Castro. No final voltamos a pensar na diferença entre as duas cinematografias....e fomos dormir!

PS: pensando melhor, talvez o cinema americano também tenha ideias, e boas. A diferença é que gosta mais de si próprio do que das suas ideias!!...

A Polónia, o Euro e a Europa



“A organização do Euro 2012 foi atribuída a … Polónia / Ucrânia!”
Por mero acaso, estava mesmo aqui, na praça central de Póznan, rodeada de centenas de polacos, quando após alguns segundos de suspense, cheios nervosismo e ansiedade, a feliz notícia foi anunciada.
Toda a gente gritou, chorou, pulou, e a festa começou. E a festa vai começar mesmo, pois o Euro vai ser muito mais que um acontecimento futebolístico: o Euro vai ajudar a trazer à Polónia progresso, desenvolvimento, auto-estradas, “um Hotel de 5 estrelas aqui em Póznan!” (dizia-me uma polaca comovida). O Euro vai ser o grande empurrão da Polónia para a Europa. Após longos anos de um regime comunista e a poucos anos da entrada na EU é por isto que o povo anseia. E por isto festa é tanta. E tudo isto é bom.
Mas quem visita a Polónia hoje não pode deixar de respirar uma outra realidade, dificilmente encontrada na “Europa” – por todo o lado se sente a vivacidade de um povo crente, transbordante de esperança e de fé.
Querida Polónia, nestes tempos de mudança, aqui fica o meu brinde: que o Euro e a Europa te tragam a riqueza que não tens e por que anseias; mas não deixes que com ela se apaguem as tuas raízes, a tua cultura, os teus valores - a tua maior Riqueza.
Nasgrowie!

A Rusga...

A rusga efectuada esta noite à sede do PNR e outros locais conotados com a chamada "extrema direita", fez-me remontar ao passado, àquele tempo em que volta não volta, lá entrava a polícia de rompante pelas sedes da (na altura) oposição. Lembram-se (os mais velhos)? Já se sabia como era: nas vésperas de algum acontecimento mais "provocatório", arrebanhavam-se os cabecilhas das ditas organizações, garantindo assim o insucesso do mesmo. E também na altura, eram sempre encontradas muitas armas e muitos panfletos subversivos. E também nessa altura faziam-se muitos presos e relatórios a informar a população de que aquela gente não passava de uma grande malandragem.

Então, após mais de 30 anos de "liberdade" e "democracia", o que é que mudou? Pelos vistos, nada! Ou, mais rigorosamente, mudaram apenas as moscas.

Na minha humilde opinião, não considero que este acontecimento seja grave por si só. Agora, tal como nesse tempo distante, ter-se-á muito provavelmente apanhado algum malandro, algum possível terrorista ou, no mínimo, gente mais violenta que convém manter sossegada. Estou convicto portanto que agora, tal como no passado, contas feitas, terá sido tomada a melhor medida.

O que é grave então?

O grave é apercebermo-nos que existem dois pesos e duas medidas. É apercebermo-nos que existem os "Nós" e os "Eles". É apercebermo-nos que, quem é de esquerda, faça o que fizer, está sempre safo.

O que é grave é que membros activos das FP-25 tenham sido branqueados pelo regime.

O que é grave é conhecer-se a história terrorista da esquerda neste país e nesta europa e "ninguém" parecer preocupar-se com o facto de a termos no poder. O que é grave é ter-se branqueado essa mesma história.

O que é grave, é os regimes ocidentais fecharem os olhos às ferozes ditaduras que existem por esse mundo fora, todas de esquerda. É chamarem ditador ao Alberto João enquanto louvam o Sr. Fidel Castro.

O que é mais grave ainda, é que aqueles que pensam diferente tenham de viver amordaçados.


É por reacção contra a ditadura que o povo se radicaliza. Foi assim no passado com recurso à extrema esquerda. É assim agora com recurso à chamada "extrema direita".

A culpa, essa, será sempre do(s) ditador(es). Não se venham depois queixar!

Novas oportunidades

A ideia é boa, partiu do Ministério da Educação e visa “dar resposta aos baixos índices de escolarização dos portugueses através da aposta na qualificação da população”, no fim de contas, um incentivo para uma aprendizagem contínua, independentemente da idade. A promoção desta iniciativa é que não é feliz e enferma de todos os vícios da contracultura dominante – a finalidade parece ser ‘o sucesso pelo sucesso’, ou parafraseando Shakespeare em Ricardo III – ‘o meu reino por um canudo’!
Ainda por cima à custa do aviltamento de algumas profissões!
O deputado Manuel Alegre chamou a atenção para mais esta infelicidade, ‘imprópria de um país democrático’, segundo disse, e eu concordo com ele.
Explico: já repararam nos ‘outdoors’ espalhados pela cidade onde aparecem Judite de Sousa a tomar conta de um quiosque, ou Carlos Queiroz a fazer jardinagem! Pois bem, o que é que isto quer dizer?
Que ser jardineiro é feio, é mau? Que é um castigo para quem não estuda?
Ou que tomar conta de um quiosque é negativo? E que devíamos todos estudar para engenheiro?!
Bem, se eu fosse mauzinho, que não sou, excepto quando o Belenenses perde, diria o seguinte: a Judite de Sousa fica bem no quiosque dos jornais, mas não pode ser, porque os quiosques são por natureza privados e ela gosta muito de ser funcionária pública!
Quanto ao nosso professor Queiroz, também não pode ser, porque o lugar de jardineiro é inacessível para ele, quando muito, adjunto de jardineiro!
Mas eu não sou mau e vou dar-lhes uma nova oportunidade.

Uma Imagem

Terminou a entrevista e Judite de Sousa despede-se. Por trás vê-se o futuro líder do partido a levantar-se em direcção ao adversário. Supostamente foi cumprimentá-lo. Um homem com tantas horas de televisão sabe que isto é um truque. Depois aparece um plano geral e estão novamente os três sentados.Enquanto passa o genérico do final do programa vê-se o mesmo homem levantar-se, dirigir-se a ele, e ir cumprimentá-lo novamente. Em breves instantes diante do país cumprimenta-o duas vezes. Este homem foi o mesmo que obrigou o outro a fazer um Congresso Extraordinário, que lhe tirou o grupo parlamentar, que provocou uma rixa em Óbidos. Esta imagem define um carácter. Vale um homem.
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Entrevista de Paulo Portas e Ribeiro e Castro - Eleições

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Olá amigos visitantes! Talvez muitos de vós tenham já recebido, de algum amigo, nos vossos respectivos mails, e até reenviado, as linhas que se seguem. De qualquer modo, dado o carácter completamente ‘fora de estrutura’ dos intervenientes, pareceu-me adequado que aqui fossem divulgadas as “melhores participações de seguros do ramo automóvel em Portugal (1998) (a própria data é já completamente 'Out'!)”
Dedico-as a todos os que sintam necessidade de se rir um pouco, no dia de hoje! Um Abraço!

1. O falecido apareceu a correr e desapareceu debaixo do meu carro.
(das duas uma: ou era atleta ou mágico!)
2. Para evitar bater de frente no contentor do lixo, atropelei um peão.
(o importante é que não acertou no contentor do lixo!!!)
3. O acidente aconteceu quando a porta direita de um carro apareceu de esquina sem fazer sinal.
(autêntico caso de Ficheiros Secretos!)
4. A culpa do acidente não foi de ninguém, mas não teria acontecido se o outro condutor viesse com atenção.
(desde que a culpa não seja de ninguém...)
5. Aprendi a conduzir sem direcção assistida. Quando girei o volante no meu carro novo, dei comigo na direcção oposta e fora de mão!
(a culpa aqui é do carro ser novo!)
6. O peão bateu-me e foi para baixo do carro.
(estes peões, francamente!)
7. O peão não sabia para onde ia, então eu atropelei-o!
(ao menos assim o caso ficou resolvido...)
8. Vi um velho enrolado, de cara triste, quando ele caiu do tejadilho do meu carro.
(It's raining men...ALELUIA!!!)
9. Eu tinha a certeza que o velho não conseguia chegar ao outro lado da estrada, por isso atropelei-o.
(Cá está a boa acção do dia!)
10. Fui cuspido para fora do carro, quando este saiu da estrada. Mais tarde fui encontrado, numa vala, por umas vacas perdidas.
(não percebo, então se as vacas estavam perdidas, ele foi achado ou perdido?!?)
11. Pensei que o meu vidro estava aberto, mas descobri que estava fechado quando pus a cabeça de fora.
(no coments!!!)
12. Bati contra um carro parado que vinha em direcção contrária.
(ora aqui está uma coisa perigosa! Os carros parados são os piores...sobretudo se vierem em direcção contrária!)
13. Saí do estacionamento, olhei para a cara da minha sogra e caí pela ribanceira abaixo.
(nova campanha da DGV:"Se conduzir, não leve a sogra")
14. O tipo andava aos ziguezagues de um lado para o outro da estrada. Tive que me desviar uma porção de vezes antes de o atropelar.
(mas o importante é que conseguiu! Há que ir tentando sempre e ter orgulho na pontaria!)
15. Já conduzia há 40 anos, quando adormeci ao volante e sofri o acidente.
(isso é perfeitamente normal!)
16. Um carro invisível veio de não sei onde, bateu no meu carro e desapareceu.
(Mais um caso para Mulder e Scully...)
17. O meu carro estava estacionado correctamente, quando foi bater de traseira no outro carro.
(eu bem digo que os parados são os piores!!!)
18. De regresso a casa, entrei com o meu carro na casa errada e bati numa árvore que não é minha.
(Antes fosse!)
19. A camioneta bateu de traseira no meu pára-brisas, em cheio na cabeça da minha mulher.
(e só não foi na cabeça da sogra graças à nova campanha da DGV...)
20. Disse à polícia que não me tinha magoado, mas quando tirei o chapéu percebi que tinha fracturado o crânio.
(vais sempre a tempo, amigo!)

Quase nada

Enquanto subia ainda hesitava, olhei pela porta e estavas sentada na parte de dentro de um trabalho humilde, à espera de nada, que a vida é certeira e não se enganava.
Fui ao teu encontro, não era esperado, não era para vir, brinquei como dantes, mas o teu sorriso pedia um abraço – estou triste, disseste – na rua parada, eu seco por dentro, os braços nos braços, num imenso abraço, perdido no tempo.

Quem me diz onde é a estrada?

Chamaram-me a atenção para o novo video clip do Pedro Abrunhosa, "Quem me leva os meus fantasmas". Lá estive a ver - com muito gosto - e, curiosamente, os rostos e os olhares dos "sem abrigo", filmados uns após outros, fizeram-me lembrar uma sucessão do género - embora para cada rosto mais prolongada - no filme "O grande silêncio", sobre os monges da cartuxa...

Os pobres-indigentes e os pobres-voluntários a deixarem-se olhar pela camâra sem os trejeitos de quem ainda pode ter alguma coisa a perder; uns, com o olhar mais dorido e perdido, incomodam a forma como vivemos; os outros, de olhar sossegado e penetrante incomodam as escolhas que fazemos; os que não têm casa e não parecem esperar nada de ninguém e os que "moram à sombra do Omnipotente" (Sl 90) e sabem bem em quem puseram a sua esperança; para uns, o movimento das ruas do mundo e a solidão; os monges, afastados das nossas cidades acompanham o mundo num silêncio cheio de Presença.

"Quem me leva os meus fantasmas"?

O Pedro Abrunhosa na apresentação do tema diz que, mais importante do que dar respostas, é fazer perguntas e fá-las em nome de todos os pobres, dos que perguntam e dos que não querem perguntar, em seu próprio nome:

"Quem me leva os meus fantasmas?"
"Para onde vamos?"
"Quem nos cura?"
"Quem nos salva da vida que nós próprios contruímos?"

...

"Quem me salva desta espada?"
"Quem me diz onde é a estrada?"





Junto a estas perguntas uma outra, fundamental : " Senhor, para quem havemos de ir...?"

terça-feira, 17 de abril de 2007

VIDINHA

A escuridão ilumina a terra e divide-a em fragmentos, pedaços soltos e movimentos. Só se vê o inantígivel, o rasgo agudo da espiga. A terra é a junção. Dos sulcos e das fibras de torrões que juncam os elementos orgânicos. A palha e a seiva, o girassol e o trevo, o mel e os homens. A terra foi a infância. Dos homens, de todos os homens, quando o trigo ainda não era. Agora habitam a terra cobertos pela noite.Estão aqui, nas gretas escavadas do escuro da meia noite. Somos ambos iguais. A terra é o encontro. Entre os homens que foram e as lágrimas esgotadas pelo orvalho.
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Viagem a Serpa

Os dotôres

Como bons latinos que somos, nós os portugueses adoramos os tratamentos formais e valorizamos incrivelmente um bom “estatuto”, de preferência bem “cristalizado”. Receio que o fenómeno não tenha tanto a ver com vaidades pessoais, mas antes com o anseio secreto de mais uma fórmula de “providência social”, e de amortecedor das agruras da competição profissional. Pouco dados a grandes liberalidades, parece-me que genericamente somos uma gente insegura.
Crescendo no meu mundo bem português, sempre vivi rodeado de doutores e doutoras, a começar com os “Stôres” do ensino preparatório, ao “Doutor” que vinha à nossa casa para receitar um qualquer antibiótico… para mais tarde aprender que também havia “Professores Doutores” (o que não significava que leccionassem obrigatoriamente qualquer cadeira) e depois descobrir que havia um título, “Bacharel”, que não tinha grande sucesso em Portugal.
Assim cresci e assimilei as variadas e distintas formas de tratamento social. Às tantas, tive a sensação que o "dotôr" funcionava como mais um nome próprio, necessário para alguns figurantes da minha vida, quase sempre com um estatuto hierarquicamente superior ao meu.
Agora os tempos mudaram. Desde há alguns anos, com as universidades e escolas superiores a debitarem dezenas de milhares de "dotôres" por ano, e porque não podemos ser todos "dotôres" e assim estragar a panelinha, o título passou a ser atribuído consoante o lugar de cada um na hierarquia. A secretária é licenciada em línguas e literaturas modernas, mas é simplesmente da D. Carolina que se trata. Já o chefe, que frequentou meia dúzia de cadeiras de uma obscura licenciatura, é o "Sôdotôr", literalmente “sem saber ler nem escrever”. Esta foi a lógica que se implantou. O Engenheiro, se é o "manda-chuva", assim é tratado. O outro, o assistente com o mesmo curso da mesma universidade, será, sempre e simplesmente, o Manel. Ai vida dura!
Acontece-me muitas vezes, quando corrijo o meu interlocutor ao telefone informando-o que não sou "dotôr", sentir quão inconveniente eu fui. Apercebo-me nessa altura de um mal-estar do outro lado da linha, como quem me diz que “isso” para o caso não tem importância nenhuma. Que esse tratamento me fora atribuído como mera formalidade reverencial. É então que caio em desgraça e vertiginosamente passo a ser apenas o Xôr. João.
Curiosamente, na indústria hoteleira em que trabalho, um meio extremamente hierarquizado, até há poucos anos pura e simplesmente não havia "dotôres". Talvez por esta carreira nunca ter sido considerada muito prestigiante, antes algo servil.
Mas hoje, ironicamente, integram-se nesta indústria, nas chefias intermédias e cargos técnicos (recepção, comercial etc.), muitos jovens licenciados cujo reconhecimento do título de "dotôr" ainda não tem sentido, nem é valorizado. Têm que ir à luta, conquistar um lugar cimeiro na hierarquia para que o precioso tratamento um dia “conquiste” a luz do dia. E talvez, quem sabe, um lugar no cartão de visita.

Este texto (mais actual que nunca) foi originariamente publicado no Corta-Fitas em Novembro de 2006.

Parabens Santo Padre (atrasados...)


Sua Santidade, o papa Bento XVI completou ontem 80 primaveras. Na impossibilidade de lhe virmos prestar a devida homenagem no dia de ontem aqui ao nosso "fora", não queremos deixar passar mais tempo.
Transcrevemos um excerto do livro "O sal da terra" no qual o Papa então cardeal, responde a algumas questões:
- "Nasceu a 16 de Abril de 1927 em Marktl am Inn, na Alta Baviera. Era Sábado Santo. Isto diz-lhe alguma coisa?
- Sim. Acho que foi muito bem assim, na véspera da Páscoa - já, por assim dizer, a caminho da Páscoa, que ainda não chegou, que ainda está Velada-. Julgo que é um dia muito bom, que sugere a minha concepção da história e a minha própria situação: à porta da Páscoa, sem todavia ainda ter entrado.
- Os seus pais chamavam-se Maria e José. Foi baptizado apenas quatro horas depois de nascer, às oito e meia da manhã. Dizem que era um dia tempestuoso.
- Claro que não me lembro. Os meus irmãos contaram-me que tinha caído muita neve, que estava muito frio, embora fosse o dia 16 de Abril. Mas na Baviera isto não é nada excepcional. (...) Nessa altura ainda não existia a festa da Vigília Pascal. A Ressureição era, portanto, celebrada de manhã, com a benção da água que depois serve de água baptismal durante todo o ano. E porque, em consequência, a liturgia do baptismo se realizava na Igreja, os pais disseram: "Jetzt is er scho do, der Bua" (em dialecto bávaro), "Já cá está o rapazinho", então é claro que ele será baptizado nesta hora liturgica que é a verdadeira hora do baptismo para a Igreja. E a coincidência de, recém-nascido, quando a Igreja preparava a água do baptismo e, por isso, com a primeira água, ter sido o primeiro baptizado da água nova tem significado para mim, porque me coloca de modo especial no contexto pascal e liga o nascimento e o baptismo de modo muito significativo. "
nota: este domingo dia 22 vai ser baptizada a Maria do Carmo nossa filhota. Rezem por ela!

Nandinha

Espero que esta te vá encontrar com saúde.
Tenho sofrido tanto, tanto, que nem sequer consigo enamorar-me doutro assunto que não de mim, da minha carreira e futuro, nacional e internacional. As minhas sentidas desculpas (acredita, estou a ser sincero) por não ir ao teu encontro, Nandinha!
Certamente terás visto a campanha odiosa que me movem. E tu, meu mais que tudo (afora a minha carreira, prestigio, ambições, manipulações, falcatruas, disparates, dislates, etc), estás comigo. Sim, porque vejo no silêncio das tuas crónicas a respeito dos meus estudos (que os fiz!!! Seis anos e meio e média de 14!!!Upa, upa!) não uma omissão, não uma falta de ética ou idoneidade, não duplicidade de critério. Porque tu, Nandinha, a intrépida que não se cansa a denunciar a hipocrisia da sociedade portuguesa face à mentira do aborto, tu que denunciaste a dona Lúcia como embusteira, tu tens consciência, e és dona do teu corpo, e ninguém pode obrigar uma mulher como tu contra a sua consciência, e eu sei reconhecer no teu silêncio a consciência de estares diante de um segredo de estado. Eu sei, aliás, que no teu estado estás por tudo: desde que eu, o teu pri-pri (pri-meiro-ministro de-pri-mente) esteja contigo…
Mas escrevo-te, Amor da minha vida (acredita, estou a ser sincero- afora a minha carreira, o prestigio, as ambições, as manipulações, as falcatruas, os disparates e os dislates, etc), para jurar que, a ti, eu nunca te menti. Nunca, nunca. Bem, menti-te um bocadinho quando disse que era engenheiro mas também não era isso que era importante na nossa relação: havia o amor, a poesia, a fantasia, a ficção, a aberração de não ser importante a verdade do nosso amor! De resto, eu, como ninguém, fiz exame oral numa destas 4ªfeiras à noite: milhões de portugueses a verem e a aprovarem-me com distinção. Porque uma carreira como a minha, ou um amor progressista como o nosso, já não têm nada que ver com a verdade.
Prontus (também não fiz exame de português elementar, portanto não sei bem se é assim que se escreve prontus): uma última confidência! Essa de ser engenheiro sem estudos veio-me à ideia ao ver o Pátio das Cantigas. Se alguém tem a culpa é o Vasco Santana. Ele também enganou as tias mas depois levou-as a passear ao jardim zoológico. Eu também gosto muito de passear. Um destes dias vamos a Itália, que é a terra do nosso idolatrado Pinóquio!

O teu

J. Só/

Maus sinais

Questionava-me há uns dias à mesa com um grupo de amigos, quais serão a prazo as consequências, os sinais exteriores de uma sociedade progressivamente mais individualista e impiedosa, sem identidade ou "interioridade", dominada pelo hedonismo, pelos predadores sem Deus e pela ilusão das aparências. Alguém me sugeriu que em certas metrópoles dos EUA poderiam ser auscultados esses sinais.Ontem, ao ouvir a noticia sobre o fenomenal crime perpetrado na Universidade Tecnológica da Virgínia, perguntei-me se não será este tipo de loucura parte da resposta.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

VIVA O PAPA!


A bênção de Bento

(No 80 aniversário do Papa Bento XVI)

Homem de fé: homem de Jesus.
Homem de Jesus presente ao caos do mundo: sereno.
Homem irritante: sem assessor de imagem.
Homem tímido, talvez a sentir-se a mais nos deveres de representação,
mas sem representar nada mais do que é sua missão.
Suceder a alguém muito grande sem se comparar, devorar, e dar-se contente e agradecido. Homem mestre: falar porque tem qualquer coisa para dizer e saber dizê-lo, exactamente. Homem de uma palavra que desperta nos outros certeza e ambição: discípulos.
Fluir a dizer a beleza:
a verdade a convidar os homens para a comungarem no bailado intenso da vida.
A Igreja: o homem, os homens, alegres e livres porque Deus é amor!