quinta-feira, 19 de julho de 2007

Foi Assim

Não posso dizer que conheça a Zita Seabra para além daquilo que, ao longo destes trinta e tal anos, tem sido de domínio público. Talvez tenha sido por isso mesmo que este artigo de João Carlos Espada no expresso de Sábado passado me tocou tão fundo.

Neste artigo conseguimos perceber o doloroso percurso de alguém que tentou dedicar a sua vida à verdade e ao bem que a ela é inerente. Fala-nos de quem foi descobrindo rumos que compreendia serem mais certos, assumindo os seus erros com a coragem e a frontalidade de quem, humildemente, se sabe imperfeito.

Entre os muitos problemas da esquerda, talvez o mais grave seja a sua incapacidade de reconhecer o erro. Por um lado expulsaram das suas vidas os conceitos de pecado, arrependimento, perdão e reconciliação, como sendo medievalidades impostas pela Igreja Católica e que convém evitar a todo o custo.

Mas, por outro lado, não é possível vivermos condignamente se não conseguirmos encontrar o perdão (aos outros e a nós próprios) que nos leva à reconciliação. Como resultado, a esquerda só consegue conceber que existam os bons, que são eles próprios e que nunca podem falhar, e os maus, que são os outros, para onde são atiradas todas as culpas. Sempre que algo corre mal... é a direita, os patrões, os americanos, a Igreja, ou quaisquer outros genericamente designados por fascistas, imperialistas, conservadores ou reaccionários.

Olhar para este percurso relatado por JCE (percurso que ele próprio também já percorreu) só me pode trazer a esperança de que, um dia, cada um de nós possa conseguir desfazer-se do seu orgulho e optar por querer seguir o verdadeiro Caminho.

Ainda não li o "Foi assim" mas fá-lo-ei tão breve quanto possível.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Ecce Filius tuus

Foi nesta data, há 310 anos, que se encontrou com Jesus um homem que tão eloquentemente O pregou: Pe António Vieira, sj! Da Baía para uma outra, mais segura, onde o nosso coração pode verdadeiramente repousar!
Hoje também, a nível litúrgico, celebramos um outro grande expoente português: o nosso querido frei Bartolomeu dos Mártires, recentemente
beatificado, a 4 de Novembro de 2001! Pergunto-me em que escola se fizeram tão grandes homens e a melhor resposta que encontro, a partir de Jesus, é: o seu Baptismo – filiação divina – e a sua filiação em Maria.
Que pretendo dizer eu com isto? Eu, nada! Vieira explicou-o tão claramente que aqui coloco as suas palavras, para melhor me dar a entender! E à Senhora do Carmo, peço apenas que no-lo conceda!

''Quando Cristo deu a S. João o cuidado de servir à Senhora, as palavras que disse foram estas: Mulier, ecce Filius tuus: Mulher, eis aí teu filho. Deinde dicit discipulo: Ecce Mater tua: João, eis aí tua Mãe. Mãe e Filho, de que maneira? Mãe tinha S. João, mas era Maria Salomé: Filho era, mas do Zebedeu. Pois se estes eram seus pais, como se chama João filho da Senhora, e a Senhora Mãe de João? É porque João tornou a nascer nesta hora, e nasceu só da Virgem por força das palavras de Cristo. Autores houve, e entre eles expressamente S. Pedro Damião, que disseram, que assim como as palavras, Hoc est Corpus meum [«isto é o meu corpo»], ditas uma vez por Cristo, tiveram força para converter o pão em corpo do mesmo Cristo; assim as palavras, Mulier, ecce Filius tuus, tiveram força para fazer a S. João, e o converterem de filho do Zebedeu em filho de Maria. De maneira, que S. João teve dois nascimentos: um nascimento natural, com que nasceu filho do Zebedeu; outro nascimento sobrenatural, com que nasceu filho da Mãe de Deus. Pelo primeiro nascimento nasceu nas praias do Tiberíade; pelo segundo nascimento nasceu ao pé da cruz. Pelo primeiro nascimento nasceu de geração humilde; pelo segundo nascimento nasceu da mais ilustre e real prosápia que havia no mundo, filho de uma Senhora, herdeira de um rei morto à mão de seus inimigos: Jesus Nazarenus Rex Judaeorum [Jesus de Nazaré rei dos Judeus].''

[Excerto do Sermão do Padre António Vieira proferido na Capela Real em 1642, no dia do nascimento do Rei D. João IV e da festividade de S. José, 19 de Março]

terça-feira, 17 de julho de 2007

Nação Carente

Dediquei-me, há pouco mais de ano e meio, numa hora nocturna com tanto de insónia quanto de vivíssima lucidez, a comentar o atrevimento do então Presidente Sampaio, que por esses dias se dedicava a publicitar a obra que encomendara à pintora oficial de regime, de cujo nome, por ora, não me quero lembrar. Trata-se de um conjunto de quadros que foram colocados a ornamentar a capela do palácio de Belém. Tendo deparado no último sábado com uma entrevista da mesma ‘passionária’ no jornal semanário que frequento e face aos episódios eleitorais que, uma vez mais em Julho, nos guilhotinaram, permito-me partilhar convosco o meu desgosto, mas deixando também, certamente, antever algo do que preenche o meu gosto. Face a circunstâncias que se alteraram, algumas metáforas perderam a pertinência. Por causa de um ou outro constrangimento cortei algumas linhas. Mas, ainda assim, requentado, aqui fica este longo gemido.





Sua Excelência Soberana
anã rã pã
disforme de bom gosto
cegou,
encomendou,
capitulou
e transferiu assim
-contente-
a morgue da Rego para o Palácio!

Mulher exposta descomposta,
mulher embriagada de ressentimentos,
mulher feia no rosto da obra,
mulher configurada desfigurada,
ei-la que berrou,
ou entornou,
ou secou,
ou espirrou –isso-
ou expirou
- ela diz que pintou-
a Anunciação,
a Purificação,
a Natividade,
a Adoração,
a Fuga para o Egipto,
a Lamentação,
a Piedade

que são outros tantos nomes gratuitamente deslocados para descrever as suas insónias,
dificuldades em concentrar-se,
má disposição crónica e desgostos vários
que, afinal, sempre os temos!

E eis, por isso, que nos permitimos sugerir-lhe com toda a sinceridade, com generosidade mesmo:
ela que pinte a mãe, o pai, os irmãos e os filhos e os primos e os vizinhos e mais quem quiser.
Que imprima as suas cores e tensões e todas as outras geniais e comerciais intuições.
Mas ela que nos deixe sossegados.
Ela que nos respeite os sacrários.
Ela que entre para a história pelo lado do mérito.
Ela que faça o flirt ao presidente enviando-lhe postais com outros temas,
como, por exemplo:
Os Painéis de São Vicente (Nuno Gonçalves): o presidente a fazer compras no El Corte Inglês com 40 empresários amigos;
Lição de Anatomia (Rembrandt): outros amigos do presidente a mexer nas vísceras das vítimas (vg, Fidel de Castro, Eduardo dos Santos...);
A Rendição de Breda (Velázquez): o presidente solidário a visitar uma sala de chuto;
Os Fuzilamentos de 3 de Maio (Goya): o presidente a ver o telejornal das privadas;
O Império das Luzes (Magritte): enquanto no céu de Lisboa a luz dança, as janelas abertas do palácio mostram que por ali é noite;
Gótico Americano (Grant Wood): retrato de família;
O Juízo Final (Miguel Ângelo): o presidente de joelhos diante das vítimas do aborto;
Natureza Morta: o presidente a falar à nação que prefere o canal da bola.

Mas está visto que o presidente, que pensa, não pode aceitar a sugestão.
Porque ele pensa o pensamento prensado por outros,
hoje já com um certo travo a azedo, empada de antiga ética laica e republicana,
respeitosíssima dos direitos de todos os cidadãos, iguais face à lei,
mas capaz de uma escapadelasita passional legitimadora de se achincalhar os católicos.

Que fazer, por conseguinte,
já que o presidente é culto, burguês,
e gosta de tertúlias,
das pastelarias de Lisboa e dos pasteis de Londres?
Que fazer, então,
agora que deu em apreciador de pasteis de massa envenenada
made in England,
lá por entre as brumas onde se passeiam feiticeiras castiças


Daí que viva a república!
E que venha de Inglaterra uma vez mais o ultimato!
Que venha de Inglaterra uma vez mais a aliança secular da rainha vitoriosa,
corsáriasita de pincel na mão,
a insinuar-se junto do sucessor angustiado pela necessidade de deixar a sua marca na história.
Ela que venha impor o mapa que retalha a geografia de uma fé.
Sim, que venha o bolo inglês amargado.
Que venha a ancestral democracia imperial desembaraçar-nos da mínima convicção católica.
Que venha outro sorriso liberal à Blair brandir argumentos cirúrgicos contra os inimigos da liberdade.

Porque a democracia tem coisas destas:
o supremo magistrado da nação
–sabichão da flacidez dos ungidos do Senhor,
cansados da história-

encomenda a violação
e recomenda e não se emenda:
a religião que seja bombardeada
já que é perigosa a sua química potência de destruição maciça
capaz de atingir, tingir,
de arrepiante castração o Portugal moderno.
Importe-se a libertação:
e que importa o seu vómito de despeito?
Porque, note-se, o presidente é um democrata!
Ele preocupa-se com o Iraque!
Ele visita minorias!
Ele é um homem ousado,
embora de atrevimentos já um pouco usados;
Ele é um homem de faro e dá-se bem com os resíduos sólidos por tratar;
Ele é um homem marcante no cenário da cultura, com especial gosto por cenas tristes;
Ele recomenda sem cessar fogo: a ONU!
Mas o presidente é covarde: vai nu!
Nu no 25 de Abril de 74: no abrigo de sua casa!
Nu na casa que é de um povo e que profanou agora!

A autonomia da arte não licencia ao inquilino inquinar a capela.
A autonomia da arte não licencia o desaforo;
A autonomia da arte não licencia a desforra;
A autonomia da arte não licencia o vómito institucional.
A autonomia da arte não licencia a exibição das menoridades espirituais do génio da pequenota.

Enfim, lamentamos dizê-lo naquele estilo porreirinho,
Presidente é de mau gosto!
Presidente és vesgo no gosto!
Presidente és um desgosto!
Presidente tens mao gosto!

Talvez que vomites esta argumentação assanhada e te aprontes a exclamar:
Eis a intolerância! Eis a reacção!
Ah! Ah! Já ouves os passos da inquisição?
Ei-la aí, então, vizinha de pesadelos microscópicos
ampliados nessa cabeça ruiva, rasa de percepção.
Acorda:
o inimigo desta vez é a besta que não permite que o teu povo vá mais longe
do que pequena área da TV, caixinha alarve,
alarde da autonomia do intelecto
alienado, confiscado, ofuscado, vulgarizado, pasteurizado,
já sem sabor nenhum senão a pacote.
Sim, acorda!
O teu povo está
distraído da actividade de pensar
a qual é ligeiramente mais complexa do que ler o Record
ver novelas,
contabilizar sondagens,


Mas tu não estás isentado de percebê-lo,
tal é o espectáculo
boçal que nos legam as nossas elites,
elas também alienadas na sua falta de ambição de sentido e significado,
esgotadas na luta entre o estar bem e o bem estar,
própria desse navegadores adoentados,
descendentes daqueles de 500 que,
receosos,
ficaram por cá,
encarregues de guardar os quintais uns dos outros.

No mais e ao resto liberalizar:
aborto, droga,
nados mortos onde se a cultura se afoga
com a benevolência do regente de cabeça ruiva,
ruça de percepção.
É que nem a vizinhança da Torre vos salva,
Excelência Soberana anã rã pã,
do contágio da mesquinhez,
coveiro da necrópole da Rego no Palácio...

(E tu, Paula, bate, continua a bater:
não serias a primeira de tal nome a cair da besta
aterrando finalmente por terra.
Coragem! Ânimo! Rasgo! Originalidade!
Dois mil anos mais à frente,
cem anos depois,
continua a arranhar nas cenas sagradas e no Padre Amaro.
Deus é mais generoso do que nós:
talvez que um dia resvales para dentro
...e sossegues!)

Conhece-te a ti próprio

A empresa onde trabalho iniciou recentemente um programa de formação para quadros superiores que visa acima de tudo o desenvolvimento de competências pessoais e interpessoais, mais do que competências técnicas. E iniciou, como de esperar, com um diagnóstico extensivo de gostos, preferências e atitudes próprias segundo um questionário de modelo americano mas de aferição europeia (valha-nos isso).

O resultado deste questionário é um perfil pessoal, não de competências mas sim comportamental, orientado em 4 eixos, todos positivos (não quero entrar em pormenores técnicos, porque não é a altura para isso). A apresentação dos outputs começava por uma auto-avaliação em que, confrontados com os pólos, escolhíamos o nosso lado.

Eu considero-me uma pessoa bem conhecedora de mim próprio e, confrontado com os meus resultados, deparei-me com 2 situações:

- O que pensava que era, não o era pelas razões que pensava
- O que pensava que não era, até o sou

Parece quase semântico, mas não - cada uma delas pôs o dedo na ferida. Não estou numa fase existencialista da minha vida por isso acolhi os resultados com pragmatismo, condensando duas máximas socráticas: Só sei que nada sei de mim próprio.

O resto é filosofia.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

6 coisas que me chatearam nestas autárquicas

1 – Abstenção. O Tuga não quer mesmo “saber”, a não ser que venha para a rambóia na cámineta do partido com as despesas pagas, "a mais" ao garrafão. Houve quem levianamente rezasse ao S. Pedro para que nos levasse o Sol, o que, como se viu, não serviu de nada. É o “sistema” posto em causa e uma brecha no regime.
2 – A eleição de Sá Fernandes, o socialista de esquerda (!). O anti-sistema a mamar do “sistema”.
3 – O PSD e o seu Negrão. Foi o que se viu, a noite das facas longas é já daqui a pouco. Uma telenovela a não perder, nos meses que se seguem.
4 – CDS. Um partido inteiro a meter água, esvaído de ideias... e de pessoas. E aqueles cartazes que eram um susto!
5 – Um país cor-de-rosa. Com a da direita em autofagia, e uma mãozinha do 5º poder, a jacobinada vai tomando conta do "sistema". O problema é que o “sistema” já tresanda...
6 – Ver a bandeira portuguesa da monarquia arrastada nas mãos dum imbecil, como se este símbolo nacional fosse um mero franchising para obtenção de resultados... pessoais.

domingo, 15 de julho de 2007

Eis a Barbárie!

Hoje, 15 de Julho de 2007. Um dos dias mais negros da nossa história. A partir de hoje passa a ser legal (o que não quer dizer que seja legítimo) a matança indiscriminada de crianças por nascer. É um Estado bárbaro, este que dá o poder ao mais forte para eliminar, de uma forma brutal, o mais fraco. Este é um acto de uma extrema violência. E a violência gera violência. Quem aborta, sem reconhecer nisso um mal, ganhará um inimigo implacável, que lhe fará uma guerra surda e destruidora: a culpa. Os transtornos psicológicos, os desequilíbrios afectivos e sexuais, as depressões, o vazio e falta de sentido e sobretudo a solidão, são os vários rostos desse inimigo tão cruel. É uma guerra que vai corroendo por dentro lentamente.
Ontem, 14 de Julho, comemorou-se a tomada da Bastilha. O inicio da revolução republicana laicista. Dois acontecimentos tão distantes no tempo, mas tão próximos no conteúdo. Quando Deus deixa de ser o centro da história colectiva e individual, é o homem, com os seus instintos mais primários, que passa a ocupar esse lugar. E eis então que a barbárie se instala no poder. Assim é hoje em 2007, como o foi outrora em 1789!

Compreensão

Um ser amado que desilude.
Escrevi-lhe.
É impossível que não me responda
aquilo que eu me disse a mim mesma
em seu nome.

Os homens devem-nos
o que imaginamos que nos vão dar.
Pagar-lhes esta dívida.

Aceitar que sejam diferentes
das criaturas da nossa imaginação,
é imitar a renúncia de Deus.

Também eu sou diferente
daquilo que imagino ser.
Saber isto,
é perdoar.

Simone Weil

É tudo tão verdade!

Entra hoje em vigor a lei que permite o aborto por iniciativa da mulher até às 10 semanas de gestação.
Toda a vida é única e preciosa porque Dom de Deus.
Deixo aqui Almada Negreiros e a Verdade dos gestos simples, invocando todas as mulheres que, mesmo no meio de muito sofrimento, acolhem o Dom da Maternidade.

“Mãe! Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas!
Tinta cor de sangue encarnada, sangue verdadeiro, encarnado!
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando eu voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras. Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa. Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!”
«A Invenção do Dia Claro»

sexta-feira, 13 de julho de 2007

A canção nacional

Que estranho, afinal ninguém aprecia a canção nacional! Mas como tinha previsto, a Judite, aquela que não quer trabalhar num quiosque, essa mesmo, a mulher do ex-Seara do CDS, pois lá estava ela a entrevistar o Vieira do Benfica, o que já foi ex-amigo do Porto, o padrinho do Mantorras, esse mesmo, e nem sei se posso chamar àquilo entrevista, pareceu-me mais uma conversa em família, com um ponto alto no final… e a república na maior expectativa – Então, ainda vai contratar mais jogadores? Quando? Quantos? E os olhos de Judite rebrilhavam! Se não me diz agora, pergunto logo ao meu marido! Vieira sorriu… e continuaram ambos a varrer para debaixo do tapete uma série de coisas que gostava de saber. Também era só eu que gostava de saber e por isso não havia interesse em aprofundar, por exemplo, quem é que anda a dar golpes especulativos na Bolsa de Lisboa?!...São apenas chinesices ou há mais alguém metido ao barulho?! Enfim, nada de interessante.
Já a terminar Vieira queixou-se, e cito, que “os outros grandes andam atrás de nós”! E parece que sim, o Benfica pediu dinheiro à Caixa Geral de Depósitos para fazer um centro de estágio no Seixal, depois resolve hipotecar esse mesmo centro à mesma Caixa, e apareceram logo os outros dois clubes do estado a quererem fazer o mesmo! Isso não vale, é ‘copianço’.
Bem, vou ficar por aqui, à espera da próxima entrevista laudatória, que se calhar é já com o comissário ribeirinho.
Saudações ribeirinhas…

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Eis a Civilização!

" Nada deve ser anteposto ao amor de Cristo
Nada, absolutamente, deve ser preferido a Cristo"
Da regra de S.Bento, patrono da Europa

China - 1; Portugal - 1.36

Muito recentemente falou-se neste blogue da barbárie do governo chinês, que persegue quem tenha a veleidade de ter mais de um filho. Ora por cá, dissimuladamente, vai-se passando algo com contornos cada vez mais semelhantes.
Dia 9 foi revelado pelo INE o Índice Sintético de Natalidade (ISN): 1.36. Este é o valor mais baixo de sempre, que coloca Portugal no podium dos raros países europeus com taxa de natalidade decrescente.
Olhamos para a esmagadora maioria dos nossos parceiros europeus e vemos uma assumida preocupação com a reduzida taxa de natalidade. E, com sucesso, têm vindo a ser adoptadas medidas de apoio às famílias com filhos. Ainda há pouco, em Espanha, foi anunciada a atribuição de um subsídio de nascimento de 2500€.
E nós? Sabemos bem o que por cá se passa.
É incompreensível a violência exercida sobre o povo chinês, que não pode livremente decidir sobre um dos direitos e deveres mais básicos e bonitos do Homem.
Mas é também incompreensível que aqui, no centro do mundo moderno, o nosso governo vá destruindo o desejo e a possibilidade dos portugueses de terem filhos, através da disseminação de uma cultura e de uma política desenvergonhadamente anti-natalísta e penalizadora das famílias.

História de algibeira (10)

Sobre a infância do Rei D. Carlos:


Um dos companheiros de D. Carlos e D. Afonso lembrava-se sobretudo, quase sessenta anos depois, de “um barco com rodas, patins e uma caixa cheia de ferramentas com as quais escangalhávamos tudo quanto apanhávamos a jeito”. D. Carlos e o irmão usavam quase todo o Palácio (da Ajuda). Os corredores e as grandes salas do “andar nobre” serviam para deslizar em patins com rodas. No jardim botânico, entretinham-se a arreliar os macacos da enorme colecção de animais do rei.

In “D. Carlos”, por Rui Ramos, da colecção Reis de Portugal (Círculo de Leitores, 2006)

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Nomeações ribeirinhas

Em plena campanha eleitoral para a Câmara de Lisboa, o governo de Sócrates resolveu nomear um comissário para a zona ribeirinha da cidade que por coincidência é o mandatário da candidatura do Costa do governo, à mesma Câmara! Dir-se-á que é um gesto que contempla a oposição social democrata não fosse o recente abandono do PSD por parte do mesmo José Miguel Júdice! Então como interpretar a oportunidade de tal nomeação por parte de Sócrates?! Deixo isso ao critério do eventual leitor, enquanto vou tentando recordar o destino fascinante de certas personalidades da vida portuguesa, e estou a pensar num conjunto de jovens que nasceram para a política a seguir ao 25 de Abril!
Este Júdice, por exemplo, é um dos antigos juniores de Sá Carneiro, que pelos vistos antecipou academias de Alcochete e Seixal com inesperado sucesso! Todos os seus pupilos se converteram ao euro, em euros, e deixaram de ter qualquer paridade com a comunidade a que pertencem. Estão vocacionados para tarefas especiais, práticamente apartidárias, possuem uma natureza incolor, inodora, que dão jeito a qualquer equipa que queira ganhar títulos. Desses mesmos que estão a pensar.
Acresce que o nosso Júdice tem alguma tendência para a vitimização, e já não lhe chegam para isso as lágrimas do Mondego, porque secam no estio, precisa agora de um estuário para chorar à vontade. Vem de borla, o que é ainda mais perigoso. Temos baba e ranho de certeza.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Ditaduras

Quando há tempos, em conversa, chamava a atenção para o facto das grandes ditaduras deste século serem todas de esquerda, levantou-se de imediato um coro de protestos.

Após algum tempo de discussão mais acesa, um dos presentes virou-se para mim e, num tom muito sério disse:

"É que isso (as referidas ditaduras) não é esquerda, é... uma esquerda... humm... de direita!".

Não fosse o tom realmente circunspecto do interlocutor, a coisa teria passado com uma boa gargalhada. No caso, deitei-me a cismar que a situação era bem mais séria do que eu pensara.

É certo que a esquerda nos tem vindo a prometer muito paraíso, o que é sempre uma boa forma de vender. Mas ter conseguido que uma larga maioria da população não consiga associar ditadura e esquerda, é obra!... Dei por mim a pensar se seria o único a conseguir ver por detrás da propaganda...

Evidentemente a conversa ficou por alí, não fosse alguém lembrar-se ainda de apelar a uma qualquer legitimidade revolucionária e dar-me, ali mesmo, "o devido correctivo"...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Duas Notícias

Duas pequenas notícias na página 31 do Diário de Notícias de hoje (não consigo incluir os links porque, de tão pequenas, não aparecem no site do jornal) chamaram-me a atenção.

Uma dizia assim: «CHINESES MULTADOS POR FILHOS A MAIS - Penalização. Dois mil funcionários violaram regra do filho único em Hunan e governo quer aumentar multas». E segue explicando que o governo chinês persegue com multas, que pretende cada vez mais pesadas, quem (principalmente os mais ricos) tenha a veleidade de ter mais de um filho. É certo que eles já são muitos, mas não deixa de ser triste e muito grave que isto esteja a acontecer. Estou certo que o Partido Comunista terá de responder um dia por estas e todas as outras loucuras que tem vindo a protagonizar impunemente ao longo de tantos anos.

A outra, de título «KACZYNSKI NA MISSA DA RÁDIO MARIA», conta a ligação dos gémeos Jaroslaw e Lech Kaczynski, actualmente no governo e presidência polacos, à estação de rádio Maria, referindo a forte adesão do povo a esta emissora. A notícia até é bonita e oferece-nos uma visão de esperança por aquele povo tão sofredor e tão ligado à Igreja.

No entanto, estraga tudo com o seu sub-títu-lo: «Fundamentalismo. A estação ultraconservadora católica apoiou os gémeos nas eleições de 2005».

O autor não vem identificado mas, seja lá quem ele for, aconselho-o antes de mais a cultivar-se um pouco quanto ao significado dos termos empregues e a aprender que a Igreja Católica, por definição, nunca poderá ser fundamentalista nem tão pouco ultraconservadora.

Se, como eu suspeito, o autor pretende demonstrar-nos que a Igreja Católica, assim como a rádio Maria e os actuais governantes polacos, são uns fanáticos e "medievais" religiosos, aconselho-o a olhar um pouco para si próprio: Quem é afinal o medieval e fanático anti-religioso senão aquele que ataca desta forma uma tão significativa maioria do povo polaco, que escolheu democraticamente aqueles dirigentes e está tão ligado àquela emissora de rádio?

E ataca tão fanaticamente porquê? Só porque não pensam como ele?...

Intendente,18h20

A hora de ponta é a hora maior. É quando a rua fica nervosa, os dealers medem a distância, e a praça, a poeira, os cheiros e a desconfiança tocam no fundo. Ao longe, todos tomam posição. É preciso um recanto, um esconso, o limão é podre. Não existem rostos, nem traços de lembrança. Caminha-se em frente, a raiva espetada. Ninguém vê, ninguém sabe. Os nomes são falsos, becos saturados de cansaço. Eles chegam, andam, um vai e vem, a praça é feita de centímetros. O que vale é o delírio, o esquecimento. As horas são soltas, violentas, ritmadas pela música que se ergue dos bares. O sorriso já não vale, é uma cumplicidade.Tudo vai em frente, atado, a rastejar. A hora de ponta está inquinada de fel, gesso, pó de talco e cortes de vazio.

domingo, 8 de julho de 2007

Depois de 07/07/2007


Conhecemos bem o número sete e o que ele representa – a plenitude, a perfeição, a totalidade, …
Embora compreendendo mal a não inclusão entre os candidatos às novas Sete Maravilhas do Mundo de monumentos ligados à Universalidade e Beleza Cristãs, como por exemplo, a Capela Sistina, a Basílica do Santo Sepulcro e tantos outros lugares da Terra Santa, entre muitos outros, não deixa de ser significativo ver a organização do evento passar por Portugal.
Numa altura em que abunda o desânimo, o desinteresse e a falta de “garra”, devíamos ter bem presente que estaremos para sempre ligados à abertura do Mundo a Novos Mundos e à beleza da transmissão da fé cristã.
Também não deixa de ser significativo que a Grande Muralha da China seja anunciada a primeira nova maravilha precisamente sete dias depois do Papa Bento XVI ter publicado a “Carta aos Bispos, aos presbíteros, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos da Igreja Católica na República Popular da China”.
Tudo isto merecia ser pensado e não deixar que passado o evento apenas ficasse do mesmo a actuação de Jennifer Lopez (esquecendo-se os 1,5 milhões de euros que ela recebeu pela interpretação de duas canções…).

sexta-feira, 6 de julho de 2007

História de Algibeira (9)

Acontece com a biografia de D. Maria II de Maria de Fátima Bonifácio da colecção Reis de Portugal editado pelo Círculo de Leitores: toda a conjuntura política, conspirações e pronunciamentos, manifestos e marchas são devidamente testemunhadas; do Duque de Palmela a Costa Cabral, do Duque de Saldanha a Sá da Bandeira todos os protagonistas dessas salgalhadas são devidamente revisitados. No fim, pouco encontramos da própria D. Maria II, seus amigos, acontecimentos e traços “privados” como seria de desejar numa boa biografia. Será o desprezo pela “pequena história”?Por um estranho vício, sobreavaliamos por sistema o “jogo” do poder político e seus protagonistas. Fica-nos a faltar aquilo que os molda, e os nós de toda uma teia que transforma a realidade. Quase sempre aparentes “faits divers”.

Afinal era golpe...

“Hoje percebe-se que havia uma vontade de nos querer tirar da Câmara” observou Carmona Rodrigues quando se ficou a saber que o tribunal decidiu arquivar as acusações ao antigo vice-presidente Fontão de Carvalho no chamado caso EPUL! E acrescentou – “Não podemos ficar calados perante aqueles que usaram o que estava a passar-se no sistema judicial para tirar ilacções políticas”.
Tudo isto aconteceu num dia em que as sondagens não conseguem empurrar o ‘Costa do governo’ para a maioria esperada, nem conseguem interromper a ascenção de Carmona, que sobe paulatinamente nas intenções de voto dos lisboetas, preparando-se para ultrapassar Negrão!
Já por aqui tinhamos denunciado a instrumentalização da figura do arguido como pretexto para golpes políticos palacianos; já tinhamos também denunciado o apetite voraz de que é vítima a Câmara Municipal de Lisboa! Que não obstante o pregão de falência técnica, leva tanta gente a interessar-se por ela, ao ponto de perder a cabeça ou de trocar de afeições políticas e partidárias. Tudo em nome de Lisboa...coitada.
Faltam poucos dias para as eleições, e enquanto a polémica sobre o aeroporto jaz em conveniente silêncio, eu só espero que Lisboa resista a tanto enlevo, tanta jura de amor, tanto plano e promessa de obra!
Não vai ser fácil.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

BONS EXEMPLOS, BONS LIVROS

Estou a acabar de ler a biografia do Padre Pedro Arrupe, SJ, escrita pelo Padre Pedro Miguel Lamet, SJ. Um calhamaço de 2003, das edições Tenacitas (também SJ), muito bem escrito. Mas o que ressalta é a dinâmica da Igreja Católica, a sua presença permanente na história do Homem, onde quer que ele esteja, quem quer que ele seja.

A biografia é a de um Padre Jesuíta, com formação em medicina, que às tantas, entusiasmado com o exemplo de São Francisco Xavier, deixou crescer em si o desejo de ser missionário no Japão de entre as duas últimas guerras mundiais. Acabou por lhe ser dada essa oportunidade e vivia a poucos kilómetros de Hiroshima quando deflagrou a bomba atómica. A experiência foi indelével, como facilmente aceitamos.

É, depois, a biografia de um quadro de uma grande ordem religiosa, que culmina na biografia de um Padre Geral da Companhia de Jesus. A partir deste ponto, o biógrafo é obrigado a contar a interacção complexa do Padre Pedro Arrupe com o Papa e com a Cúria Romana, visto que ela passa a representar uma parte importante da vida do biografado.

Percebe-se que o autor, Sacerdote, luta para não faltar à caridade dentro da Igreja, quando relata os contextos em que o seu admirado e amado Padre Geral se vê obrigado a abdicar das suas perspectivas para obedecer ao Papa. Tudo isto são bons exemplos, desde o respeito do autor pela sua própria condição sacerdotal, a que atribui um papel para lá do mero autor literário, até à obediência do Padre Geral, num contexto em que muitas eram as forças centrífugas (é o que se depreende do livro).

Mas há mais – há um caminho da Igreja que orientou a enorme dinâmica da Companhia de Jesus, transformando-a numa nova dinâmica. Uma Orientação inexaurível, que se manifestou em parte no exercício da Autoridade (aqui no sentido etimológico do termo) do Papa. O autor relata o exercício gradual desta autoridade, até ao ponto em que se pode dizer que o Papa deu, em pessoa, uma ordem directa ao Padre Geral da Companhia de Jesus, um sénior, que a acatou, não sem que tenha chorado ao recebê-la e ao acatá-la.

Tudo isto é a vida da Igreja, num patamar muito para cima do meu, mas em que reconheço o Bem, na defesa de princípios em que verdadeiramente se acredita, na liberdade individual bem intencionada e na dinâmica de grupos que cria, mas balizadas pela inserção na Igreja e submetidas, como disciplina que valoriza a liberdade, à sua Autoridade. Temos de fazer com que os bons exemplos, mesmo se longínquos, não fiquem Fora de Estrutura.