domingo, 7 de outubro de 2007

Variações sobre a degenerescência

“Maria Albertina como foste nessa de chamar Vanessa à tua menina! …Maria Albertina não é um espanto, mas é cá da terra, tem outro encanto…”.

Lembro-me de António Variações, e hoje, perante o interesse que desperta, dou comigo a pensar nas razões submersas da sua popularidade! Não tinha grande voz, nunca estudou música, o seu destino trágico, igual a outros ícones do seu tempo, contribuiu sem dúvida para compor a personagem, mas parece-me que a sua aura mergulha em águas mais profundas.
“Para a frente não havia nada…”, diria numa das canções que são afinal a história da sua vida. Segue recordando, passo a passo, a partida, a aventura da emigração, a vida difícil do deslocado, a alma que não cabia dentro do corpo, “só estou bem onde não estou…”, os erros assumidos sem a facilidade da justificação, ”cabeça que não tem juízo, o corpo é que paga…”! A ética ficou sempre de pé e nunca renegou a tradição. Tradição no único sentido conhecido: – sou um herdeiro, não renegarei a herança.
É por aqui que eu vou, é por aqui que a sua mensagem permanece – assumir a herança significa, por exemplo, não ter vergonha de usar o nome dos antepassados, significa não ter a petulância e a vaidade de escolher nomes por catálogo, sem significado, só porque estão na moda, ou simplesmente porque sim. A tradição é caminho comum, o contrário da tradição é degenerescência. Alguns chamam-lhe o homem novo, e a história ri-se.

sábado, 6 de outubro de 2007

Graças!

Por duas ou três vezes tive o privilégio, ou foi-me concedida a Graça, de entrar no mosteiro da Cartuxa de Évora. Talvez nunca me tenha sentido tão perto do céu como ali. O silêncio, o canto dos pássaros nos jardins do claustro, o cemitério apenas com umas pequenas cruzes de madeira,
a liturgia e o canto gregoriano, que harmonia e paz! Tudo tão povoado de Deus. E o sorriso e olhar daqueles monges, tão límpido e transparente! Velhos de 70,80, 90 anos, felizes como as crianças felizes! Neles vi o rosto de bondade do nosso Criador.
Recordo-me de um tele-filme sobre a Cartuxa de Évora, realizado pelo Padre António Rego para o programa 70x7, onde se ouvia repetidamente uma voz de um monge dizer: «Nós os cartuxos estamos no mundo não para falar aos homens de Deus, mas para falar dos homens a Deus.»
Acredito que Deus os ouve.
Bem haja S.Bruno e os seus irmãos ou filhos espirituais, pelo Bem que são para cada um de nós, por nesta comunicação-comunhão com Deus nos aliviarem de tantas dores, suportando-as eles com a sua vida abnegada, mas também de nos encherem de muitas alegrias.Bem hajam pela fonte de Graças que são para o mundo inteiro.
Gois, no dia de S.Bruno

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O grande equívoco


Na luta pelo poder, o PRP destruíra o inegável liberalismo da Monarquia. A Republica, longe de ser “democrática” (…) sobrevivera graças ao terror popular. (…) para lá da retórica oficial, estabelecera na prática uma ditadura de massas.

Vasco Pulido Valente - O Poder e o Povo, 1976 - Edição Gradiva 2004


Conhecemos, pela história dos últimos anos da monarquia liberal, como foi brutalmente gizado o assalto ao poder por uma minoria urbana do PRP, com o apoio de uma espécie de grupo terrorista, a Carbonária Portuguesa. E conhecemos bem o ciclo caótico e arbitrário que caracterizou a ditadura popular entre 1910 e 1926. Ignorar isto é, como se diz hoje, branquear um crime histórico. Mais, a implantação da república em Portugal resultou em dezasseis anos de estagnação económica, repressão e caos. Dessa forma abriram-se as portas ao regime de Oliveira Salazar, e à história e frustrações que tão bem conhecemos.
Após 97 anos de tantos equívocos, branqueados pela ignorância e cobardia, parece-me que os fundamentos da república se baseiam ainda hoje em ancestrais e recalcados “complexos” sociais. Um enorme entrave ao desenvolvimento e progresso do nosso país.

Capelanias

António Lobo Antunes deu recentemente duas entrevistas – uma ao Diário de Noticias, publicada na edição de dia 30/9 e outra à revista Visão publicada na edição da semana passada- entrevistas essas que me parecem duas peças que merecem ser lidas com atenção e pensadas enquanto reveladoras da complexidade da alma humana.

Transcrevo alguns excertos da entrevista dada à Visão, que me surgem especialmente significativos:

“(…)
As noites passadas num hospital duram mais?
São infinitas. E é aí que aparece o desamparo. Não estou a falar de mim, estou a falar de uma maneira geral. É óbvio que senti tudo isto. Sofri muito e, ao mesmo tempo, toda esta experiência também me enriqueceu. Sai-se disto com mais amor pela vida e com a sensação de que é uma honra estar-se vivo.

Na guerra, já tinha visto a morte de perto.
Na guerra, era mais fácil porque era uma qualquer coisa de exterior, podia sempre agarrar numa arma. (…) Eu agora tinha a morte dentro de mim. (…) Quando ia às sessões de radioterapia, encontrava pessoas de todas as idades. Lembro-me sobretudo de uma rapariga de 20 anos que usava uma cabeleira postiça. Percebia-se logo que a cabeleira era postiça, mas ela usava-a com tanta dignidade que era como se fosse uma coroa. Uma coroa de rainha. E era, de facto, uma rainha que ali estava.

A doença torna-nos mais doces ou, pelo contrário, mais amargos?
No meu caso, fez com que se acabassem os disfarces, as máscaras, as meias-frases e as meias-tintas. Agora digo o que penso e o que sinto. Estou a falar com as cartas viradas para cima. E é a primeira vez que o faço. Não há nada escondido, não há nada na manga, não há truques nem tentativas de a impressionar e de a comover.

Sente-se mais livre?
Foi muito difícil. Enfim, muito difícil é exagero...

Exagero porquê?
Porque, ao lado, vi pessoas que estavam muito piores que eu. Pessoas sem esperança, à espera da morte. As minhas hipóteses eram grandes e, por isso, às vezes, sinto-me culpado. Mas é verdade que me sinto mais livre, sinto-me muito mais livre. Livre para escrever, livre para viver, livre para amar. No outro dia, com os meus irmãos, disse ao João [o neurocirurgião João Lobo Antunes] que ele tinha escrito um texto muito bonito. E um deles comentou que nós não dizemos essas coisas uns aos outros. Eu agora digo, eu agora digo. E isso foi uma conquista porque, de repente, tornou-se evidente que esta é a única maneira de viver. Claro que tem que haver dignidade, e que não podem existir pieguices, mas acabaram-se as contenções. O meu avô morreu e, ainda hoje, sinto remorsos por não lhe ter dito que gostava muito dele (…)”.

Ao ler esta entrevista vi-me confrontado com muitas ideias, tendo pensado o quanto actual é a chamada à realidade do sofrimento vivido nos hospitais, sofrimento esse com o qual, mais tarde ou mais cedo, todos nos deparamos.
Como se pode pretender, como o faz o projecto de decreto-lei para regulamentar a assistência religiosa nos hospitais, apresentado pelo governo, que a assistência tenha de ser pedida pelos doentes por escrito e assinada?
Haverá alguma ideia, ainda que mínima, do sofrimento que se vive nos hospitais? Da fragilidade que ali se vive e que muitas vezes a única força que encontra é a presença do padre e através dele Daquele Outro que a tudo dá sentido?
Claro que não, mas o que se pretende mesmo é afrontar a Igreja e o seu património desinteressado de séculos no cuidado espiritual dos que sofrem. O que move os capelães portugueses não é a integração nos quadros da função pública, nem o respectivo salário, como afirmou aos órgãos de comunicação social o Padre José Nuno, coordenador das capelanias católicas. Mas desgraçadamente é este o quilate do argumentário dos lacaios que suportam as teses governamentais que, curiosamente, não escondem a sua origem maçónica.
Embora não tenha muitas esperanças, aguardemos que a promessa do primeiro ministro, que já se benze em cerimónias de inauguração de escolas e até agradece aos Bispos Europeus a preocupação com África e com o ecumenismo e lhes reconhece um papel a desempenhar numa agenda mais humanista, promessa essa de que a assistência religiosa nos hospitais terá “solução melhor”, se cumpra.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O tempo de Marques Mendes

A grande dificuldade de um político é conciliar o seu tempo com a época em que vive. Integrar as suas ideias, os seus valores, projectar e adivinhar o futuro. Marques Mendes não o fez, não ficará para a história do PSD como Sá Carneiro ou Cavaco. Mas teve grandes intuições, afirma um tempo. Foi formado nas bases do PSD, conhece o aparelho por dentro e por fora, os militantes, tem um sentido de dever. Durante anos foi Ministro dos Assuntos Parlamentares e muitos dos seus combates no Parlamento foram lições de estratégia política. Ajudou a afirmar a Direita Portuguesa, esteve com Cavaco, Barroso, lutou contra Portas e o "Independente". A história do PSD nos anos de ouro é a história de Marques Mendes. Foi fiél a príncipios, valores, ideias. Conquistou o cargo de Presidente num momento difícil e teve coragem. Não teve medo, afrontou o mais duro, os militantes, os seus exageros. Disse não a Valentim, a Isaltino, à confusão na Câmara. Perdeu e foi ás "directas", supremo saufrágio do caciquismo. Acreditou nas instituições e aí percebeu que o seu tempo não é este tempo. Não chega dizer mal da justiça, que os tribunais não prestam, os juízes comprados. Isso é Maio de 68, o hedonismo feliz da guitarra de Bob Dylan. O estado de direito, da afirmação plena do bem comum, constrói-se na relação e crença com as instituições ( De Gaspari). O futuro do Estado, como agente de bem, só se faz com as instituições. E aí morreu Marques Mendes. Chamaram-lhe "inocente", "vendido ao Ministério Público", que a partir de agora qualquer indiciado era culpado. Ficou sózinho, na solidão, a natureza humana repugna a perca. Vai-se embora, não tem mais nada a dizer, não vai ao Congresso. O silêncio de um homem grande é terrível, abre fendas na terra, no coração.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Ainda o tratamento por tu

Creio que o tratamento dos pais por 'tu' corresponde a um desejo de maior proximidade e comunicação na família, o que eu mesmo considero estimável. Todavia, o mesmo resultado poderia ser alcançado doutros modos...
No entanto, parece-me que seria importante considerar que tratar os pais por 'tu' esconde, ou falsifica mesmo, a realidade, que os colocou (aos pais e aos filhos) em patamares de responsabilidade diferente. Assim, o 'tu', que indicia 'igualdade', é uma formalidade que depois irá ser desmentida no uso da legitima autoridade paternal, que, se o for, não é nunca um exercício de 'igualdade'. A diferenciação de tratamento, que JSM nos convida pertinentemente a reflectir no seu post, apenas pede que se acolha a realidade: há papeis diferentes, nomeados diferentemente. Parece-me que esta questão tem ainda que ver com duas outras: o medo que o tema 'autoridade' evoca na mentalidade dos educadores, estereotipadamente democráticos, e algum eco de sentimentalismo 'roussouniano/marxista' que sugere uma sociedade sem classes (coisa que sempre resvalou para uma sociedade sem classe...). Lembro, aliás, que segundo Zita Seabra, todos os camaradas tratavam Cunhal por 'tu' e ele, na volta, agradecia e mandava 'democraticamente' neles todos - sob farsa da igualdade, a ditadura do mais forte. As pessoas que conseguem fazer distinções são sempre as pessoas que se distinguem- da música à ciência, do desporto à esolha dos vinhos. O cristianismo ensina, promove e multiplica as distinções: Deus/homem; céu/terra; Liturgia/vida de trabalho; Amor/ascese. E cada uma destas 'realidades' tem nomes, farda, formalidades próprias. Não por 'formalismo' mas por desejo de unidade, que é uma coisa muito diferente desta moda ideológica da igualdade que teima em tratar similarmente o que por natureza é diferente.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Cântico do Teu Canto

(Nos 10 anos da proclamação de
Stª Teresa do Menino Jesus e da Santa Face
como Doutora da Igreja)


Filha nascida no auge da literatura
de ódio
ao Pai.

Primavera inocente no tempo
da angústia.

Mãos postas sem artifício.

Rola a espreitar
a oportunidade
do voo.

Asas tenras de águia
dócil.

Olhar lince lance de criança,
confiança.

Face esplêndida
de misericórdia evidente.

Desejos infinitos na carne,
coração.

Canto
da boca limpa,
de um só beijo
desejado.

Amor de todos
na dádiva de tudo.

O longe trazido perto
para dentro do Coração
que é como
a Casa.

Rosa do canteiro
onde o Príncipe se encanta.

Madre virgem que guarda
e aguarda
num pequeno caminho
o encontro
face a face.

Tanta a beleza
de santa Teresa
do Menino Jesus
mansa face.

O tratamento por tu

Nos povos primitivos a linguagem era naturalmente primitiva, foi portanto com muito esforço que conseguimos sair do ambiente das cavernas, das pinturas rupestres, dos primeiros sinais de escrita, que podiam significar muitas coisas ao mesmo tempo, até chegarmos à actual riqueza vocabular e verbal. As relações humanas, cada vez mais complexas, exigiam uma linguagem e uma gramática cada vez mais complexa. É portanto fácil distinguir o grau de civilização de um povo pela sua riqueza vocabular, índice seguro de que passaram por muitos e variados cabos de esperança e de tormenta!

Felizmente que os portugueses têm verbos e expressões para tudo e mais alguma coisa, ao contrário de outros povos que medem a sua grandeza apenas pelo tamanho dos obuses! Para dar dois exemplos, os franceses têm poucos verbos e assim “avoir” pode querer dizer duas coisas – ter e haver! Nos ingleses, “you”, significa ao mesmo tempo ‘tu’ e ‘você’! Ou seja, os ingleses praticam e entendem-se actualmente numa linguagem primitiva! A simplificação, neste caso, não corresponde a nenhum avanço civilizacional no campo das relações humanas, que se tornam menos claras, mais pobres em termos de significado, o que constitui um indubitável retrocesso.

Mas a linguagem é a expressão da realidade e por isso não admira que “com orgulho e erro” assistamos à tentativa de justificar procedimentos deseducativos e rudes, à luz de uma ideia de falso progresso, como se fosse tudo “igual ao litro”! Assim, os pais aceitaram que os filhos os tratassem por ‘tu’, porque é moderno, para encurtar distâncias geracionais, porque acham que pais e filhos são a mesma coisa, ou por outro motivo ainda mais obscuro! Outros tratamentos, que marquem a distinção, a diferença, a cerimónia, tendem a ser abolidos, em nome do igualitarismo dominante, em que vale tudo, inclusivamente a falta de respeito pelo outro. Pelo próximo.

E assim vai o mundo… e a barbárie.

sábado, 29 de setembro de 2007

Foi ontem...

28 de Setembro contra o ‘inevitável’!

A história é escrita pelos vencedores que uma vez chegados ao poder justificam o lance com a inevitabilidade dos acontecimentos! A ideia é perigosa e pretende fazer crer que o dia de amanhã será sempre melhor que o de ontem! Assim, e no limite, só para citar dois exemplos, a bomba de Hiroshima tornou-se inevitável e a invasão do Iraque também! E o mundo ficou melhor, conclui o mesmo raciocínio!
Contra esta lógica, contra os chamados ‘ventos da história’, se rebelaram num dia 28 de Setembro de 1974 muitos portugueses, a maior parte eram jovens, que não queriam abdicar do sonho de um Portugal ultramarino. Por serem jovens não pensavam em si, sentiam-se responsáveis pelas populações africanas, temiam uma catástrofe. Só isso.
Foram a jogo e perderam.
Ganharam os que hoje se sentam no Parlamento, os que ocupam as magistraturas, os que ao longo de trinta anos se instalaram em Belém.
O Atlântico foi trocado por Bruxelas; as inevitáveis guerras civis aconteceram em todos os territórios que administrámos durante séculos; e até naqueles, como Timor, onde não existia a sombra de qualquer conflito, conseguiram os vencedores de Setembro de 74, ali semear a guerra e a discórdia!
África é hoje um continente assolado pela fome e pela destruição...sem fim à vista! As populações que foram enganadas, ou pura e simplesmente obrigadas a aceitar as ‘actuais independências’, abandonam o continente em massa, arriscando a morte na viagem!
Era também contra isto que aqueles jovens se manifestavam, agrupando-se para o efeito em pequenos partidos de que hoje poucos se lembram, que o tempo injustamente esqueceu.
Nada tenho contra o desenvolvimento, contra a verdadeira independência, mas pergunto, se era este o inevitável desfecho daquele dia em que lutámos contra o ‘inevitável’!

Publicado no Interregno em 28 de Setembro de 2006.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

É Preciso Ter Muita Lata!

Recebi hoje um e-mail. Daqueles e-mails bem intencionados que correm centenas de caixas de correio devido a contínuos forwards que amigos e conhecidos vão fazendo para amigos e conhecidos.

Seguido ao título - CAMPANHA DA ALFREDO DA COSTA PARA EQUIPAR UNIDADE – é-nos comunicado que “a Maternidade Alfredo da Costa está a precisar da ajuda dos portugueses para equipar a sua nova unidade de bebés prematuros”. Segue-se uma súplica do Dr. Jorge Branco, Director da maternidade: "Até ao momento [sexta-feira à tarde] ainda só recebemos 20 mil e poucas chamadas. Não tenho outra opção senão pedir ajuda!".

Pois é. Para salvar vidas, não há outra opção se não pedir a todos nós, portugueses, que participemos na campanha “1 euro por uma vida”. Só assim a Maternidade Alfredo da Casta pode comprar incubadoras, ventiladores, jet-ventilation e bombas e infusoras para suporte de vida a bebés prematuros.

E o Dr. Jorge Branco já não dorme com a angústia dos portugueses poderem não responder ao seu apelo, e assim não conseguir salvar os bébés que, coitados, nascem prematuros na sua maternidade.

É preciso ter muita lata!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Ei-las!

"...São muitas as questões que deveriam ser analisadas rigorosamente antes de assumir esta medida. O que parece não afligir ninguém, excepto os próprios toxicodependentes que sabem, por amarga experiência, que este caminho não conduz a uma luz ao fundo do túnel, mas condena a um túnel definitivamente sem luz.

Os decisores políticos, nestas matérias, são os "donos" dos destinatários, falam por eles, falam deles e, temo, raramente com eles.

As salas de chuto representam mais uma capitulação, de todos nós, face a esses e tantos "outros". Dá-se de barato que pouco ou nada se pode fazer por eles e entregam-se à sua circunstância, em vez de os tratar, reintegrar e devolver à vida, às suas capacidades e ao seu futuro.

Tentadoramente mais fácil, esta medida vistosa tem ainda a vantagem de se verem livres deles. Mas esta vantagem está camuflada pelas vestes da falsa compaixão e, por isso, não etiquetável de politicamente incorrecta. Fácil, indolor, invisível.

Desde o Admirável Mundo Novo, de Huxley, até ao New Age, passando pelo post-modernismo, as sociedades vão-se afogando no seu próprio modelo de individualismo libertário. Com a crescente complexidade dos problemas, a sua globalização, a fragmentação social, a perda de raízes e referências, as novas doenças, as desigualdades estratificadas, o aumento do abandono e da solidão, o desânimo generalizado, a depressão em cadeia, podemos dizer que a receita não provou. Hoje, os homens estão mais sós, mais vulneráveis, mais tristes e perdidos no seu interior. E se há coisa que este mundo admirável não previu foi tempo e paciência para cuidar deles. Daí ter-se vindo a especializar em medidas light, do tipo, "coitados, deixem-nos lá!". E é isso mesmo o que vamos fazer: pô-los e deixá-los lá."

Artigo de Mª José Nogueira Pinto publicado no DN há cerca de um ano.

Esta semana, com a implementação da distribuição de seringas, algumas prisões transformam-se nas primeiras "Salas de Chuto" do nosso País.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Prisão de Paços Ferreira...

Na manhã de 13 de Abril de 2008 o guarda prisional recolheu um paqueno saco de plástico dado pelo enfermeiro e colocou-o em cima da mesa, na sala asséptica defronte da enfermaria. O saco continha uma grama de heroína e uma quarta de cocaína, depois de devidamente controlada pela equipa médica. Ao lado, no canto superior esquerdo da mesa, repousava uma seringa. Depois, autorizado pelo enfermeiro, o guarda prisional dirigiu-de ao altifalante e chamou o 201. Passados cinco minutos o 201 cumprimentou o enfermeiro, e este perguntou-lhe como estava. Disse-lhe que tinha dormido mal e o sanitário respondeu-lhe que estava tudo pronto, se os braços estavam lavados, se não havia hematomas, nem restos de sangue. Fê-lo entrar na sala, o 201 sentou-se à mesa, abriu o saco de plástico, preparou a mistura, procurou o golpe, mas o gesto tornou-se insuficiente. Perante o fracasso, tocou a campainha que estava ao alcance da mão e, passados segundos, na sala asséptica, entrou o médico de serviço de bata asséptica. Este, perante a ânsia do 2001, amarrou o garrote com mais força, procurou com minúcia, encontrou e desferiu a carga. Um quarto de hora depois, o 201 disse ao médico que "a branca" não era da melhor, que há quinze dias se sentia assim. O médico acedeu, disse que sim, era do lote antigo, na próxima semana dos Serviços Centrais chegava uma com um grau de pureza maior, que para o seu caso já tinha feito a requisição. Antes do 201 sair, o enfermeiro entrou na sala, lavou-lhe o braço, recolheu o saco de plástico e a seringa solta, e com um pano limpou a mesa com umas luvas assépticas, e disse ao guarda prisional que agora a seguir podia chamar o 414.

Os Filhos e o Tempo…


O tempo passa muito depressa e os filhos crescem muito depressa, tão depressa que muitas vezes nos sentimos incapazes perante o tempo, como se o nosso dia a dia fosse uma corrida contra o relógio. O que é gastar bem o tempo com os filhos? Momentos de conversa, brincadeiras e jogos são momentos importantes ou perdas de tempo? Tempos gastos com repetição exaustiva de procedimentos são momentos perdidos ou ganhos?
Certamente já sabemos a resposta a estas questões, sabemos que a educação dos filhos, além de dedicação, amor, doação… exige tempo, e tempo que pode parecer-nos por vezes perdido, tempo que ilusoriamente poderia sempre ser ocupado com mil e um afazeres domésticos, de trabalho ou de lazer pessoal. É mais fácil dar a comida ao bebé do que deixá-lo comer sozinho e sujar a cozinha, é aborrecido ter de repetir 10 vezes a cada 30 segundos que não se atiram as coisas para o chão, é mais cómodo arrumar os brinquedos pela nossa mão, do que esperar a ajuda da criança a fazê-lo ainda que incentivado e controlado por nós.
O tempo gasto no convívio e educação é tempo precioso, bem aproveitado e que ainda por cima dará frutos futuros.
Que fazem os pais com o seu tempo? O tempo passa, é único e irrepetível, que fazemos nós dele? Como podemos aproveitar bem o tempo com os nossos filhos?
Analisemos pois as 24h do nosso dia, certamente uma boa parte deste tempo é passada a trabalhar, algumas horas a dormir, ambas actividades importantes! Mas como ocupamos o tempo que dispomos para a nossa família? O “resto” do tempo, que alguns dirão certamente que não é muito com razão… mas que por não ser muito, exige disciplina, alguma criatividade, paciência e organização! Se cairmos na tentação de não organizar minimamente o tempo livre, este com facilidade se transformará em ócio.
Para a criança brincar é o seu “trabalho” diário e o acto de brincar deve ser respeitado pelos adultos. Sempre que possível, mesmo que seja durante apenas alguns minutos, os pais devem brincar com os filhos, jogar um jogo, ler um livro, praticar um desporto. É muito importante para os filhos o tempo que os pais passam com eles, e aqui mais importante do que a quantidade é a qualidade de tempo. É diferente estar junto dos filhos a ler o jornal, estar perto dos filhos em frente ao computador, ou estar efectivamente a brincar com os filhos, a rir com eles, a desfrutar da sua presença.
Diria que todos os dias, nem que sejam 15 minutos, devemos brincar efectivamente com os nossos filhos, permitir que eles sintam que estamos ali para eles, só para eles naquele momento.

A Grande Família

O Tibete que, com toda a legitimidade, deseja ser um país livre e independente, teve a trágica sina de ter caído sob o jugo do imperialismo comunista chinês. A prórpia China é também, como todos sabemos, um dos (infelizmente) muitos países onde a esquerda ainda consegue impor ao povo todos os seus horrores!

Por esse motivo, a forma vergonhosa como o governo PS tratou o Dalai Lama - líder espiritual e político do povo Tibetano - favorecendo uma relação amigável com a tirânica China, em nada nos espantou.

Afinal, como não compreender a necessidade que o nosso governo de esquerda tem de pactuar com o primo vermelho do oriente? Quem não entende a necessidade de união entre as várias Famílias descendentes do velho marxismo?

Na mesma linha de pensamento, Portugal está a preparar-se para receber de braços abertos um dos maiores carrascos da actualidade africana, o senhor Mugabe. E parece que (para além dos ingleses) ninguém está grandemente preocupado com o assunto. Imaginem o que não seria a agitação se esse senhor se chamasse, por exemplo, Pinochet. A propósito, como os juizes espanhois que tentaram tramar este último devem andar por aí muito distraídos, lanço aqui um alerta para que não deixem escapar esta excelente oportunidade de levarem o senhor Mugabe ao banco dos réus, tão cedo ele ponha o pé em terra europeia.

Acabámos da assistir à triste figura do partido comunista, a celebrar os 90 anos da revolução bolchevique - que, como sabemos, foi a maior desgraça humanitária de toda a história, dizimando milhões de inocentes e destruindo todo um património económico, cultural e espiritual dum grande povo... e de muitos outros que por eles vieram a ser tiranizados

Pior do que isso, ouvimos o partido comunista a apelar à realização dessa mesma revolução em Portugal. Isso é duma gravidade sem igual! Jerónimo de Sousa deveria estar, neste momento, a partilhar a mesma cela com esse "skin-head" que por aí anda também a apelar à violência. No entanto, nada aconteceu, nem se ouviu a mais leve reprimenda das autoridades governamentais.

De novo, as Famílias protegem-se. O Don poupa, mais uma vez, o primo comunista...

Mas nós, o povo, estamos atentos...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A Presidência Europeia e Sócrates

Diz-se que na escola primária não ia brincar para o pátio, com medo dos grandes do Liceu. Parece que tal recalcamento impede-o, ainda hoje, de receber o Dalai Lama.
Diz-se, também, que quando chegou a vez de estudar geografia confundia o Kosovo e Vizela. Daí, talvez, a desfaçatez com que hoje pretende redesenhar o mapa dos Balcãs.
Pelos 14 anos, quando botou corpo e despontou o buço, julgou-se capaz de desafiar o mundo. Foi por essa altura que decidiu que um dia iria discutir com o Presidente da América o Afeganistão, o Médio Oriente e, de novo, Vizela, ou melhor, o Kosovo.
Nunca foi aceite como aluno no elitista St Julian’s, de Carcavelos. Parece que remonta a essa época o seu já famoso desentendimento com o inglês. Jurou vingar-se. Estava escrito nas estrelas que haveria de dar uma festa em Lisboa para Robert Mugabe.
Chegado a casa, via o seu retrato sobre a credencia do pequeno hall de entrada. Também sobre a televisão havia o retrato que tirara de lacinho azul, embora a fotografia fosse a preto e branco. No quarto da mãe , ainda, estava um retrato grande do José vestido com uma fantasia infantil. E sobre a sua própria cama havia um retrato de grande formato, com o cabelo comprido, as calças boca de sino, os colarinhos grandes e os sapatos de salto alto. Embora fosse já no rescaldo das modas dos anos 70, verdade é que essas coisas chegavam mais tarde ao interior. Nunca duvidou que iria dar à Europa um Tratado Constitucional.
Estamos em crer que a grande obsessão do pequeno José Sócrates foi a leitura do livro do Guiness.

domingo, 23 de setembro de 2007

Memórias de Outono

Esperava um dia cinzento e húmido para escrever esta peça. É sobre as memórias que me desperta o Outono, com as tonalidades mornas e amareladas das folhas no chão. Do fumo bem cheiroso das castanhas a assar num triciclo ao fim da tarde. Ou da gota de chuva puxada pelo vento que estala na cara, anunciando o fim da do jogo da bola no Jardim da Burra, ali à Estrela. Há trinta e tal anos. Hoje até está o céu azul, e esta estação traz-me sempre memórias de infância. O Outono lembra-me o início das aulas, a escola primária e as minhas primeiras paixões, medos e emoções. Confesso que eu era malandro e não gostava muito da escola. Às tantas frequentei a Escola da Câmara Nº 6, na Rua da Belavista à Lapa, depois da minha mãe e das suas amigas, à época influenciadas por alguma revolucionária teoria pedagógica, tirarem os seus filhos dos colégios e organizarem uma turma na qual inscreveram os filhos, todos juntos, mais ou menos ingénuos meninos “bem”. Desta forma, aos oito anos, todos os dias me deslocava sozinho para a escola, para um mundo novo, louco e exigente. E todos os dias lá me encontrava com o professor Júlio sempre no estrado, enquadrado pelos planisférios e as figuras do Estado Novo. Lembro-me do seu aspecto austero e magro, enorme (?), dentro do seu fato escuro, com um ameaçador de ponteiro na mão. Eu, um verdadeiro cábula, “levava” reguadas todos os dias. Fosse por mau comportamento, ou porque não tivesse feito os trabalhos de casa, ou por causa dos erros de ortografia. Lembro-me da expressão ameaçadora do professor Júlio, apanhando-nos num flagrante rebuliço. E vociferava: “Isto não é nenhuma república!!!”. Eu, sem perceber bem, relacionava essa palavra com o senhor solene e careca emoldurado na parede. E tenho a vaga impressão que já na época me apercebera de que o meu pai não gostava nada disso.
O Outono era definitivamente uma época misteriosa e mágica, quando as intermináveis férias grandes acabavam naqueles dias já tão curtos. E lembro-me dos preparativos, quando chegava a casa com a minha mãe, vindos de comprar uma pasta nova, ou umas galochas pretas para eu levar para a escola. Então é que nunca mais chovia. Vaidoso, eu acabava por levar as botas de borracha mesmo com bom tempo e os pés suados.
Nesse tempo, tinha direito a cinco escudos diários para ir para a escola. Para ir de autocarro, o número nove, de Campo d’ Ourique até à Estrela. Fi-lo sozinho desde cedo. Sempre alerta, tinha que ter cuidado, não aparecessem alguns “ciganitos” do Casal Ventoso que me roubassem a bola de futebol e me espetassem uma “pêra”. O mundo de facto sempre foi perigoso. Regressávamos a casa normalmente em pequenos bandos pela Calçada da Estrela, a chutar nas pedras ou fazer corridas, pisar as folhas secas, ou chapinhar nas poças de água. Passávamos pelo Jardim da Estrela, respirávamos o fumo das castanhas e assustávamos os pombos esbaforidos. Depois subia a pé a Rua Domingos Sequeira para chegar a Campo D’Ourique já sozinho. Sempre a pé, pois que pela certa tinha gasto o dinheiro para o transporte em guloseimas, cromos ou outra coisa qualquer. Que o meu mundo era enorme nessa altura lembro-me bem. Lembro-me do Pedro, do Eduardo, do José Filipe do Manel e do Carrelhas. Lembro-me dos jogos da bola organizados por uma das mães, todos “à Sporting” na relva verde de Belém, contra uns indígenas quaisquer. Todos queríamos ser o Yazalde, o número nove. E lembro-me dos cinco tostões de tremoços, dos coloridos “esticas” e das pevides vendidas por uma velhinha à porta da escola. Das correrias para a "pendura" no eléctrico, ou daquela clandestina revista “de mulheres nuas”. Mas da Escola é que não gostava. Ao adormecer, rezava (!) angustiado para que um terramoto, incêndio ou outra catástrofe a fechasse por uns dias. De forma a ganhar tempo para (de novo não) fazer os “deveres” sempre adiados. E assim escapasse dumas valentes reguadas que invariavelmente me levavam às lágrimas.
Um dia de Outono como este, antes de chegar à escola, encontrei o meu primo homónimo que já frequentava a 4ª classe e me desafiou a faltar com ele. Nunca pela cabeça me passaria tal atrevimento, tão afoito. Alinhei, assustado, e não mais me esqueci daquele dia de emoções fortes. Toda a jornada deambulámos pelo bairro, até tão longe, bem longe de qualquer vista indiscreta. Fugidos até às Janelas Verdes, chegámos mesmo até Alcântara. Para ver os barcos, os guindastes, e toda aquela azáfama. Sem nunca termos a certeza do caminho de volta. Um saboroso crime estava feito, uma exaltada angústia misturava-se com as imagens da minha casa protectora, dos meus irmãos e da minha incauta mãe. Tudo tão longe. E logo, aflito, afastava da ideia a figura gigante do meu pai zangado, volvendo às explorações e correrias com o meu primo. Começava cedo a minha relação íntima com a cidade, com os seus sons, recantos e cores. Comecei cedo a ser gente, e terá sido este o meu primeiro grande segredo, na construção do homem que sou hoje.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

História de algibeira (19)


No século XIX, com o desenvolvimento das vias de comunicação, as visitas de estado tornaram-se acontecimentos correntes na gestão das relações entre os países europeus. Atingida (tardiamente) a plena ligação de Portugal à rede europeia de caminhos de ferro, D. Carlos, o rei-diplomata, empreendeu viagens diversas e foi anfitrião em Lisboa dos mais ilustres chefes de estado da época, como o monarca espanhol Afonso XIII e o presidente da França Émile Loubet.
Uma das visitas mais espectaculares terá sido a visita do seu tio Eduardo VII de Inglaterra, em 1903, em promoção da velha aliança, e a caminho de Paris. Além do habitual banquete no Palácio das Necessidades, e do serão no São Carlos, o programa da visita incluiu uma caçada às rolas e uma tourada na praça de touros do Campo Pequeno.
Lisboa esteve em grande festa durante três dias, e o testemunho que guardamos hoje desse grande evento é o conhecido parque de Lisboa, que foi baptizado com o nome do ilustre convidado: Eduardo VII.

Na foto (daqui): Eduardo VII à chegada, no Terreiro do Paço, acompanhado pelo chefe de Estado D. Carlos I

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Aquilino Ribeiro

Aproveitando a deixa pertinente de JSM, acrescento mais duas palavras sobre a trasladação da decência nacional, hoje acontecida.
Nascido no Portugal que se esvaía na degradação política do final do século, Aquilino ganhou direito a um lugar no panteão.
Não porque seja um escritor impar. De facto, porquê ele e não, por exemplo, o príncipe Almada, ou Pascoaes, sempre grandioso, ou, também, o Régio poeta, que despertou para a poesia (quase) todos os que se lhe seguiram. E porque não, ainda, Torga, como nenhum outro entusiasmado com a sua terra, ou Sofia de Melo Breyner, não por rendição ao critério das quotas mas por genuíno mérito da autora? Trata-se de reparar uma injustiça histórica? Então que dizer de Herculano e de Camilo, ausentes do panteão?
Certa vez, pouco antes de 1 de Fevereiro de 1908, dois homens ajustavam o manuseamento de uma bomba. Esta veio a explodir, e aqueles morreram. Nessa circunstância o agora novo inquilino do panteão foi preso. É que era ele o dono do quarto/campo de treinos onde os dois ensaiavam. Acresce que, posteriormente, participou também no regicídio! Por conseguinte, pode dizer-se que se ajeitava bem nesse ambiente hoje só comparável com o mundo do terrorismo.
Portanto, e obviamente, o mérito que trouxe este homem ressentido com a nobreza até ao panteão, este humanista medíocre e pequeno escritor regional até às luzes da ribalta, deve ser encontrado, não nas páginas da literatura, mas por entre os papéis que registam os que se acoitavam na maçonaria. É ai que se encontra a razão de ser da tolerância do regime para com este homem intolerante .
Enfim, é caso para dizer que o panteão está inquinado com a publicidade da Loja.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Coincidências

Correm hoje os novos dias da Bastilha, homicidas e violadores preparam-se para ser libertados em nome dos direitos dos arguidos, misterioso apelido onde cabem os mesmos homicidas e violadores. O risco para as verdadeiras vítimas existe e não é de desprezar, mas na assembleia pontificam o medo e a cumplicidade, ela é soberana, nela não se vislumbra oposição!
Arautos bem situados asseguram que o descanso dos portugueses será igual à paz… dos cemitérios!

No mesmo tempo e lugar prepara-se a trasladação dos restos mortais de um escritor para o denominado Panteão Nacional. “Arguido” de ser promotor do crime de regicídio, ou conivente com os regicidas, não deixa de ser uma triste coincidência a sua elevação à categoria de vulto nacional!
Os mortos devem descansar em paz, mas neste caso, são os vivos que não deixam descansar ninguém.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Scolari

(Devidamente autorizado pelo próprio, Pope dá a conhecer ao grande público alguns dos mail’s mais significativos, de entre os vários milhares que ‘atascaram’ a conta pessoal de Scolari nos últimos dias)

Mail enviado pelo DE (não foi possivel decifrar a sigla)

Luís Filipe
Seu sangue italiano teve mais uma erupção.

Falhou no resultado, falhou no soco.
E depois de ter dado com a mão nele você deu um pontapé na verdade,
nesses esclarecimento que posteriormente prestou, algo nebulosos…
Não foi bonito não!

Mail enviado pela Administração de Portugal dos Pequeninos

Nós, em nome das crianças indefesas de Portugal, vimos expressar o nosso mais veemente protesto, afirmar os nossos direitos e dizer que jamais poderemos tolerar o mau exemplo que V.Exª nos deu. Que se assobie o hino dos visitantes, que o árbitro seja empalado com ordinarices, que se insulte o adversário com palavrões, que se finja durante todo o jogo haver faltas que não existiram, isso são manifestações de tolerância desportiva. Mas saiba que nós mesmos temos um limite: violência não!

Mail enviado, às 02h37 do dia 13/09/07
pelos leitores de A Bola

É só isso.
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte

Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará

Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz

Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
(com a colaboração de Vanessa da Mata)

Mail enviado 72 horas depois dos lastimáveis acontecimentos
pela Presidência da Republica


Maria chocada.
Netos inconsoláveis.
Eu, que tenho pautado a minha magistratura presidencial pela coragem (vide, referendo de 11 de Março último ou a recepção ao Dalai Lama), fiquei deveras en-cavacado (espécie de paralisia facial/institucional, que só me permite afirmar os gestos políticos que são de prever mantenham a minha popularidade em alta).
Conselheiros, que habitualmente me sugerem prudência, dizem que é agora que poderei mostrar que tenho sentimentos viris.