sábado, 20 de outubro de 2007

Petição


Queridos amigos Convido todos a assinarem a
"Petição contra a discriminação dos pais casados e viúvos em sede de IRS"

É só irem ao site:

http://www.apfn.com.pt/Noticias/Out2007/apfn061007b.htm

e clicar onde diz: Assine e divulgue!

Peço também que a divulguem junto de todos os vossos familiares e amigos,

Muito obrigada, sei que posso contar com todos!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

História de algibeira (20)

Inaugurada a 30 de Setembro de l889 a Linha do Estoril, começou por ter o seu início em Pedrouços e não no Cais do Sodré, como viria a acontecer anos mais tarde. Para apanhar o comboio, o alfacinha, vindo do lado da Baixa Pombalina, tomava um dos vapores da empresa Lisbonense e rumava à estação de Pedrouços, para aí fazer transbordo e seguir viagem em direcção a Cascais. A viagem de omnibus ou de "americano" além de morosa não era muito agradável, pois a estrada municipal que ligava Lisboa aos arredores, para além do Aterro (Santos), era poeirenta e esburacada, sendo o caneiro de Alcântara mais um obstáculo para quem o quisesse fazer por via terrestre.


Texto adaptado de "Memórias da Linha de Cascais" de Branca de Gonta Colaço e Maria Archer

Em directo de Essen, na Renânia do Norte-Vestefália

A minha grande esperança Sr. Ministro,

Exmo Sr. Ministro da Saúde,
Dr. Correia de Campos,

Hoje ao ler o jornal, fiquei contente - queira perdoar-me o excesso de sentimento -, mesmo muito contente, de me ser dado viver neste tempo. Não quero com isto dizer, que a vida corre sempre de feição, mas pressinto uma grande esperança, Sr. Ministro!
Por exemplo, há um ano atrás, comprei uma casa. Como deve calcular o Sr. Ministro, este foi um passo de grande responsabilidade. Comprometi-me, então, com o banco, a completar o pagamento da habitação dentro dos próximos 45 anos (já só faltam 44!! E estou até a pensar dar uma grande festa, com os meus amigos, para festejar os meus 75 anos, na que será, a minha casa!). Confesso, que não contava com a subida exorbitante da renda, nem com o aperto financeiro que viria a seguir, agravado com todos os aumentos, que aliás, o Sr. Minitro também deve sentir. O Minipreço, tornou-se o meu supermercado de eleição... A minha grande esperança Sr. Ministro, é pensar que não faltará muito até poder entrar num supermercado, e furtar sem receio, os bens essenciais de baixo valor. Sim, porque acredito num governo coerente, que para resolver o problema da sobrelotação das prisões, da delinquência juvenil, da celeridade da justiça, irá descriminalizar o furto!
Depois de mudar para a minha nova casinha, tive o azar de conhecer a admnistradora do meu condomínio. Ai, Sr. Ministro, pessoa difíiiicil!!!... Daquelas que nos incomodam mesmo a vida. Num dos muitos acessos de fúria que tenho tido com esta questão, nunca me passou pela cabeça “limpar-lhe o sarampo”, porque, não sendo eu especialista na matéria, calculo que o código penal diga que “limpar o sarampo” a alguém é crime. Seria incapaz de viver num país que dissesse o contrário, e estou certa que o Sr. Ministro concordaria comigo. A minha grande esperança Sr. Ministro, é dentro em breve, poder sugerir-lhe a eutanásia! Sim, porque é disto que se trata não é?! De ajudar pessoas difíceis?!
Sr. Ministro, já vão longas estas linhas, e tenho medo de me perder. Soube que teve mais uma maçada por causa do aborto. Aqueles fanáticos da Ordem dos Médicos, a virem dizer que o Código Deontológico condena o aborto, e a falarem de respeito pela vida humana, e esses moralismos rebuscados. Não se faz! Se o código penal foi alterado, e diz que é bem assim, é porque é bem assim!
A minha grande esperança Sr. Ministro, assenta na capacidade de inovação! De ir lá, bem ao fundo, onde estão os alicerces, as bases de tudo, a Pedra Angular, e revoltar tudo! Poder imaginar as nossas crianças (se ainda houver crianças...) a crescer num país assim, seguro. Adaptável, mas seguro. Moldável, mas seguro. Comove-me muito Sr. Ministro. Queira perdoar-me o excesso de sentimento, mas diria até, que estou com vontade de chorar...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Pobreza versus abundância

Assinalou-se ontem o Dia Mundial da Alimentação e hoje o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza.
Existem dois milhões de pobres em Portugal. Um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês e 32% da população activa entre os 16 e os 64 anos seria pobre se dependesse só do seu trabalho.
Isabel Jonet, presidente da Federação dos Bancos Alimentares contra a Fome, alerta que há mais pessoas a pedir ajuda do que em anos anteriores. Em 2006 foram 216 mil as pessoas que receberam alimentos e este número, segundo refere a mesma, tem sido engrossado por aqueles a quem chama “novos pobres”, pessoas que, embora com emprego e salário, já não têm dinheiro no final do mês para suportar todas as necessidades da família.
Estamos, pois, perante um “novo” tipo de pobreza, o qual é alarmante. Já não são só os desempregados e idosos que necessitam de recorrer à ajuda de instituições sociais, são também aqueles que, por lhes faltar o Essencial, procuram, ainda assim, satisfazer-se com bálsamos que, não satisfazendo, atraem irresistivelmente.
Há uma má imagem da pobreza que é cultivada por uma outra mentalidade social próxima de uma cultura de abundância.
No entanto, nem toda a pobreza é negativa. Dir-se-ia que existe um bom nome para a pobreza: santidade. Dessa não se fala, porque de Deus já pouco se fala.
A pobreza por amor ao Céu gera abundância para todos e isto sucede por motivos de partilha.
Uma sociedade de partilha não tem pobres, uma vez que é caritativa, fraterna.
Ora, a pobreza material só existe e é má porque é sintoma de uma pobreza espiritual, o que é ainda pior.
“Pobres sempre os tereis convosco” (Jo 12,8), diz o Senhor. Os maiores pobres de entre todos são, sem dúvida, os de espírito e é desta pobreza que resulta a pobreza material dos outros. Para os pobres que amam o Céu, a sua riqueza é relativa, isto é, é relativa aos outros, diz respeito também aos outros e não apenas ao legítimo proprietário.
Mas a dificuldade ou problema maior está no facto de se ter perdido a noção de que, em relação aos bens materiais, a única relação possível a ter com eles é a de administração e não de posse.
A pobreza torna-se ainda mais chocante no sentido em que à ausência ou posse diminuta de bens se junta o factor psicológico, que gera mais sofrimento e que insiste no facto de, perante os outros, não sermos agentes com posses. E tudo isto faz sofrer…

terça-feira, 16 de outubro de 2007

O zero absoluto existe

Andava à procura de um título que definisse o programa de prós e contras que a televisão pública emitiu ontem à noite, encontrei-o com a ajuda de alguém a quem recorro nestas emergências e que me sugeriu que conjugasse o verbo existir com o “Z” daquilo que não existe, não fui tão longe, mantive o “X” que retrata bem este país empatado, incógnito, de pais incógnitos e cuja memória se reduz à cantoria do hino!
Na plateia estavam combatentes do Ultramar, estavam alguns patriotas, muitos traidores, estavam refugiados, estava um guerrilheiro da Frelimo, um ministro da Guiné, estavam comissários de Abril para bater palmas, a irresponsabilidade era o mote, a justificação do injustificável o objectivo. Cabia à moderadora levar o programa até ao fim dentro das baias do politicamente correcto, que consiste afinal em relativizar tudo para que todos tenham razão! Um outro objectivo, exterior ao debate mas que foi patente ao longo da emissão, teve a ver com a publicidade a uma ‘série’ que a RTP vai transmitir em breve, cujo tema é a última guerra que travámos em África. Segundo o autor, a obra destina-se especialmente à juventude que não conheceu a ‘guerra colonial’. Fico a aguardar e só espero que não se transforme em mais uma campanha de alfabetização.
Tentando sair do zero absoluto confirmo aquilo que sei: cumprimos o serviço militar obrigatório na convicção de estarmos a defender a Pátria, independentemente do regime que vigorava na altura; estávamos também a defender as populações que em nós confiavam e não se sentiam minimamente representadas pelos chamados movimentos de libertação; fomos vencidos e esbulhados de territórios que estavam à nossa guarda e isto aconteceu no jogo das grandes potências, durante a guerra-fria, e não soubemos ou não conseguimos resolver a tempo os desafios políticos que esse mesmo tempo nos colocou; resta-nos a dignidade de assumir a derrota sem procurar extrair daí quaisquer vantagens ideológicas ou partidárias, e pelo respeito que nos merecem os que se bateram, não nos devemos enganar com vitórias morais.
Uma nota final com vista ao futuro: como monárquico, mas sobretudo como português, sempre senti que o regime republicano não tinha capacidade para agregar e desenvolver uma comunidade de estados ou autonomias em redor de um projecto comum. Projecto esse que tem na língua, mas principalmente na vivência secular a sua trave mestra. Hoje, face às dificuldades que o mesmo regime tem em lidar com as autonomias regionais, a anterior convicção reforçou-se. Portanto, o espectáculo de recriminação mútua que todos os dias as sucessivas repúblicas nos oferecem, é inútil e aproxima-nos cada vez mais do zero absoluto.

domingo, 14 de outubro de 2007

Agradecer

Vim hoje contente da missa. Não que normalmente não venha, entenda-se, mas hoje vim especialmente contente. E são coisas tão simples e tão óbvias as que normalmente mais nos encantam. “Um deles … voltou atrás … para Lhe agradecer”, conta Lucas no Evangelho de hoje. Era exactamente isso que me estava a escapar nestes dias – olhar para trás, para o que acontece, e agradecer. Agradecer o que é bom e nos alegra, mas agradecer também o que não esperamos, o que não entendemos, o que nos entristece. Agradecer. É tão simples!
Desculpem a confidência, mas não resisti, porque fiquei mesmo contente.

sábado, 13 de outubro de 2007

Nota solta

Leram o jornal de hoje? A afirmação vem na primeira página. Repito na primeira página em letras gordas. "A maçonaria tem um defeito tenebroso protegem-se todos uns aos outros", disse. Na primeira página de um jornal de referência. Isto é um facto político!!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

António de Oliveira...Ascenção

No meu último escrito neste blogue surge um comentário do António de Oliveira ... Ascenção que me parece demasiado pertinente pelos problemas que levanta e que merece uma reflexão que tem de ser feita de uma forma autónoma e que não cabe num mero apêndice de comentário. O problema é este: O que é a Direita em Portugal e qual a sua filiação? O PSD é um partido de Direita? E Marques Mendes foi um político que afirmou uma tradição de Direita? O problema político mais difícil em Portugal pós - 25 de abril é definir a Direita e dar-lhe uma identidade histórica. Quando se nomeia um problema a partir do nome é este que lhe dá configuração. Criticar Marques Mendes e afirmá-lo como um político menor não tem grande valor, e este só o ganha quando esta crítica é feita a partir de um nome: António de Oliveira. Desculpem, o nome é incompleto, António de Oliveira ...Ascenção. A verticalidade de um nome está na verticalidade da acção. E Marques Mendes foi um político que afirmou uma conduta fundamental: dialogou com as instituições, acreditou nelas, confiou nos poderes autónomos. Hoje começa o Congresso do PSD e vamos ver os Luís Filipes, Gomes da Silva, Mendes Botas a denegrir os poderes que não são os seus. Isto não é a Direita, não filia uma tradição.Porque o problema está no nome, na nomeação. António de Oliveira não é um nome, não afirma. O apelido Ascenção é do lugar da História, da atitude, da génese. Era bom que esta discussão fosse em frente, que não termine, porque ninguém pode criticar a Direita com este nome. O essencial é nomear a origem, dizer o começo, afirmar a Direita, dizer o lugar do apelido no pensamento português.

Os filhos e o tempo...


O tempo passa muito depressa e os filhos crescem muito depressa, tão depressa que muitas vezes nos sentimos incapazes perante o tempo, como se o nosso dia a dia fosse uma corrida contra o relógio. O que é gastar bem o tempo com os filhos? Momentos de conversa, brincadeiras e jogos são momentos importantes ou perdas de tempo? Tempos gastos com repetição exaustiva de procedimentos são momentos perdidos ou ganhos?
Certamente já sabemos a resposta a estas questões, sabemos que a educação dos filhos, além de dedicação, amor, doação… exige tempo, e tempo que pode parecer-nos por vezes perdido, tempo que ilusoriamente poderia sempre ser ocupado com mil e um afazeres domésticos, de trabalho ou de lazer pessoal. É mais fácil dar a comida ao bebé do que deixá-lo comer sozinho e sujar a cozinha, é aborrecido ter de repetir 10 vezes a cada 30 segundos que não se atiram as coisas para o chão, é mais cómodo arrumar os brinquedos pela nossa mão, do que esperar a ajuda da criança a fazê-lo ainda que incentivado e controlado por nós.
O tempo gasto no convívio e educação é tempo precioso, bem aproveitado e que ainda por cima dará frutos futuros.
Que fazem os pais com o seu tempo? O tempo passa, é único e irrepetível, que fazemos nós dele? Como podemos aproveitar bem o tempo com os nossos filhos?
Analisemos pois as 24h do nosso dia, certamente uma boa parte deste tempo é passada a trabalhar, algumas horas a dormir, ambas actividades importantes! Mas como ocupamos o tempo que dispomos para a nossa família? O “resto” do tempo, que alguns dirão certamente que não é muito com razão… mas que por não ser muito, exige disciplina, alguma criatividade, paciência e organização! Se cairmos na tentação de não organizar minimamente o tempo livre, este com facilidade se transformará em ócio.
Para a criança brincar é o seu “trabalho” diário e o acto de brincar deve ser respeitado pelos adultos. Sempre que possível, mesmo que seja durante apenas alguns minutos, os pais devem brincar com os filhos, jogar um jogo, ler um livro, praticar um desporto. É muito importante para os filhos o tempo que os pais passam com eles, e aqui mais importante do que a quantidade é a qualidade de tempo. É diferente estar junto dos filhos a ler o jornal, estar perto dos filhos em frente ao computador, ou estar efectivamente a brincar com os filhos, a rir com eles, a desfrutar da sua presença.
Diria que todos os dias, nem que sejam 15 minutos, devemos brincar efectivamente com os nossos filhos, permitir que eles sintam que estamos ali para eles, só para eles naquele momento.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Uma boa causa

Poucos dias passados sobre o cinco de Outubro, e com um estranho sentido de oportunidade, André Abrantes Amaral surpreendeu-nos com um texto no Insurgente arrogando a inviabilidade da monarquia e onde vitupera os monárquicos portugueses. Tenho a dizer que compreendo alguns dos argumentos apresentados. Como o André, eu reconheço que o sistema monárquico sempre foi mais maltratado pelos próprios simpatizantes do que pelos seus opositores. A primeira razão sempre foi a sua manifesta incapacidade de pragmatismo e unidade em torno do "fundamental". Depois sempre houve o frívolo ruído oriundo do típico “marialva” ou pseudo fidalgote “de bigode retorcido” ansioso dum estéril protagonismo social. Tudo gente simpática aos poucos mas activos jacobinos da nossa praça.
Também sou forçado a concordar com o André, que os desafios práticos e concretos da realidade portuguesa, o nosso endémico atraso cultural e económico, a mentalidade paternalista, dificilmente seriam resolvidos pela simples deposição da república.
Mas acontece que, como diz o André, a república em Portugal nasceu de um equívoco. E a mim parece-me que há demasiado tempo que fazemos tábua rasa a demasiados equívocos. E, impassíveis, adulteramos a nossa história, mascaramos o presente e comprometemos o futuro.
Assim, não me parece sábio que se deixe cair o ideal monárquico, mesmo que ele aparente ser despropositado. Poucos anos antes do regicídio, a monarquia aparentava fimeza, os republicanos eram apenas uma franja marginal no palco político. Mas as agendas da história reservam-nos sempre espantosas surpresas.
Por mim, parece-me que somos um povo confuso nos valores e uma sociedade sem referências. Um país cujas cidades ostentam os nomes de Elias Garcia e Cândido dos Reis (quem conhece as suas obras?) nas suas mais importantes artérias. Um país que só no futebol descobre os seus símbolos é um país sem alma, em deficit de identidade. Confundido, estéril. Os símbolos de uma nação inspiram a ética e um ideal comum...
Finalmente, também concordo com o André que a discussão da “monarquia” poderá ser “bafienta”. Assim sendo, cabe então a nós elevar-lhe o nível! Estranho por exemplo, como num pais pretensamente civilizado, tardam em assumir-se núcleos de monárquicos nos partidos políticos. Custa-me a perceber de que se escondem os tão valorosos (e conhecidos) simpatizantes monárquicos na vida pública nacional. Será bafienta cobardia, ou apenas medíocre calculismo?
A monarquia é um assunto sério, e eu acredito que pode comportar a regeneração nacional. Para já, cabe à minha geração não deixar morrer a discussão, antes revitalizá-la, enriquecê-la. A largueza de perspectivas só pode beneficiar o pais, sem prejuízo da gestão corrente do Portugal possível. Pode ser amanhã, na próxima geração ou daqui a duzentos anos. A monarquia constitucional, é um sistema intemporal e civilizado, é um ideal legítimo e patriótico. Preparemo-nos para o são e sério debate, pois a res publica merece e oportunidades não faltarão nos próximos anos.

Publicado originalmente no Corta-fitas

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Petição contra a discriminação dos pais casados e viúvos em sede de IRS

O código do IRS prevê que todos os pais, à excepção dos casados ou viúvos, possam deduzir até 6.500 EUR por filho.

Isto está certo? Isto faz sentido?

Num gesto de cidadania responsável, várias associações de família, optaram por levar à mudança da lei, uma vez que leis iníquas não contribuem para a dignificação do povo a que se destinam, pelo contrário.

Nesse sentido, está a decorrer na internet uma petição para ser entregue ao Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, para acabarem com esta discriminação.

A fim de não prejudicar as finanças públicas, é sugerido que esta dedução passe a ser igual a metade do actual valor (ou seja, 3.250 EUR por filho) para todos os pais, independentemente do seu estado civil, uma vez que, infelizmente, hoje em dia o número de filhos de pais casados ou viúvos já é só metade do número total de jovens e crianças, ou seja, é igual ao número de filhos de pais com outro estado civil.

Assine e divulgue!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Ontem escrevi uma carta...

Ontem sentei-me e escrevi uma carta!
Escrevi a uma amiga que está longe, e já não vejo há muito.
Escrever uma carta leva tempo.
Mas escrever uma carta, é já estar um pouco com a pessoa a quem se escreve.
É imaginar a excitação de pegar no envelope, ja carimbado, já viajado. Que notícias?!..
É sentar-me junto a quem lê, isto tudo enquanto escrevo.
É pegar no papel, e na caneta! Que saudades! É ter o braço cansado, depois de meia página de notícias.
Escrever uma carta leva tempo.
Mas que bem que me faz, reparar no tempo! Porque este tempo, é reparador da ausência da pessoa a quem escrevo.
Assim, posso dizer que ontem estive com a minha amiga!

(com pena de ter estado tanto tempo ausente... qualquer dia ‘falo’ do meu tapete de arraiolos, que também, com o tempo que leva, me faz reparar em muitas coisas...)

domingo, 7 de outubro de 2007

Variações sobre a degenerescência

“Maria Albertina como foste nessa de chamar Vanessa à tua menina! …Maria Albertina não é um espanto, mas é cá da terra, tem outro encanto…”.

Lembro-me de António Variações, e hoje, perante o interesse que desperta, dou comigo a pensar nas razões submersas da sua popularidade! Não tinha grande voz, nunca estudou música, o seu destino trágico, igual a outros ícones do seu tempo, contribuiu sem dúvida para compor a personagem, mas parece-me que a sua aura mergulha em águas mais profundas.
“Para a frente não havia nada…”, diria numa das canções que são afinal a história da sua vida. Segue recordando, passo a passo, a partida, a aventura da emigração, a vida difícil do deslocado, a alma que não cabia dentro do corpo, “só estou bem onde não estou…”, os erros assumidos sem a facilidade da justificação, ”cabeça que não tem juízo, o corpo é que paga…”! A ética ficou sempre de pé e nunca renegou a tradição. Tradição no único sentido conhecido: – sou um herdeiro, não renegarei a herança.
É por aqui que eu vou, é por aqui que a sua mensagem permanece – assumir a herança significa, por exemplo, não ter vergonha de usar o nome dos antepassados, significa não ter a petulância e a vaidade de escolher nomes por catálogo, sem significado, só porque estão na moda, ou simplesmente porque sim. A tradição é caminho comum, o contrário da tradição é degenerescência. Alguns chamam-lhe o homem novo, e a história ri-se.

sábado, 6 de outubro de 2007

Graças!

Por duas ou três vezes tive o privilégio, ou foi-me concedida a Graça, de entrar no mosteiro da Cartuxa de Évora. Talvez nunca me tenha sentido tão perto do céu como ali. O silêncio, o canto dos pássaros nos jardins do claustro, o cemitério apenas com umas pequenas cruzes de madeira,
a liturgia e o canto gregoriano, que harmonia e paz! Tudo tão povoado de Deus. E o sorriso e olhar daqueles monges, tão límpido e transparente! Velhos de 70,80, 90 anos, felizes como as crianças felizes! Neles vi o rosto de bondade do nosso Criador.
Recordo-me de um tele-filme sobre a Cartuxa de Évora, realizado pelo Padre António Rego para o programa 70x7, onde se ouvia repetidamente uma voz de um monge dizer: «Nós os cartuxos estamos no mundo não para falar aos homens de Deus, mas para falar dos homens a Deus.»
Acredito que Deus os ouve.
Bem haja S.Bruno e os seus irmãos ou filhos espirituais, pelo Bem que são para cada um de nós, por nesta comunicação-comunhão com Deus nos aliviarem de tantas dores, suportando-as eles com a sua vida abnegada, mas também de nos encherem de muitas alegrias.Bem hajam pela fonte de Graças que são para o mundo inteiro.
Gois, no dia de S.Bruno

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O grande equívoco


Na luta pelo poder, o PRP destruíra o inegável liberalismo da Monarquia. A Republica, longe de ser “democrática” (…) sobrevivera graças ao terror popular. (…) para lá da retórica oficial, estabelecera na prática uma ditadura de massas.

Vasco Pulido Valente - O Poder e o Povo, 1976 - Edição Gradiva 2004


Conhecemos, pela história dos últimos anos da monarquia liberal, como foi brutalmente gizado o assalto ao poder por uma minoria urbana do PRP, com o apoio de uma espécie de grupo terrorista, a Carbonária Portuguesa. E conhecemos bem o ciclo caótico e arbitrário que caracterizou a ditadura popular entre 1910 e 1926. Ignorar isto é, como se diz hoje, branquear um crime histórico. Mais, a implantação da república em Portugal resultou em dezasseis anos de estagnação económica, repressão e caos. Dessa forma abriram-se as portas ao regime de Oliveira Salazar, e à história e frustrações que tão bem conhecemos.
Após 97 anos de tantos equívocos, branqueados pela ignorância e cobardia, parece-me que os fundamentos da república se baseiam ainda hoje em ancestrais e recalcados “complexos” sociais. Um enorme entrave ao desenvolvimento e progresso do nosso país.

Capelanias

António Lobo Antunes deu recentemente duas entrevistas – uma ao Diário de Noticias, publicada na edição de dia 30/9 e outra à revista Visão publicada na edição da semana passada- entrevistas essas que me parecem duas peças que merecem ser lidas com atenção e pensadas enquanto reveladoras da complexidade da alma humana.

Transcrevo alguns excertos da entrevista dada à Visão, que me surgem especialmente significativos:

“(…)
As noites passadas num hospital duram mais?
São infinitas. E é aí que aparece o desamparo. Não estou a falar de mim, estou a falar de uma maneira geral. É óbvio que senti tudo isto. Sofri muito e, ao mesmo tempo, toda esta experiência também me enriqueceu. Sai-se disto com mais amor pela vida e com a sensação de que é uma honra estar-se vivo.

Na guerra, já tinha visto a morte de perto.
Na guerra, era mais fácil porque era uma qualquer coisa de exterior, podia sempre agarrar numa arma. (…) Eu agora tinha a morte dentro de mim. (…) Quando ia às sessões de radioterapia, encontrava pessoas de todas as idades. Lembro-me sobretudo de uma rapariga de 20 anos que usava uma cabeleira postiça. Percebia-se logo que a cabeleira era postiça, mas ela usava-a com tanta dignidade que era como se fosse uma coroa. Uma coroa de rainha. E era, de facto, uma rainha que ali estava.

A doença torna-nos mais doces ou, pelo contrário, mais amargos?
No meu caso, fez com que se acabassem os disfarces, as máscaras, as meias-frases e as meias-tintas. Agora digo o que penso e o que sinto. Estou a falar com as cartas viradas para cima. E é a primeira vez que o faço. Não há nada escondido, não há nada na manga, não há truques nem tentativas de a impressionar e de a comover.

Sente-se mais livre?
Foi muito difícil. Enfim, muito difícil é exagero...

Exagero porquê?
Porque, ao lado, vi pessoas que estavam muito piores que eu. Pessoas sem esperança, à espera da morte. As minhas hipóteses eram grandes e, por isso, às vezes, sinto-me culpado. Mas é verdade que me sinto mais livre, sinto-me muito mais livre. Livre para escrever, livre para viver, livre para amar. No outro dia, com os meus irmãos, disse ao João [o neurocirurgião João Lobo Antunes] que ele tinha escrito um texto muito bonito. E um deles comentou que nós não dizemos essas coisas uns aos outros. Eu agora digo, eu agora digo. E isso foi uma conquista porque, de repente, tornou-se evidente que esta é a única maneira de viver. Claro que tem que haver dignidade, e que não podem existir pieguices, mas acabaram-se as contenções. O meu avô morreu e, ainda hoje, sinto remorsos por não lhe ter dito que gostava muito dele (…)”.

Ao ler esta entrevista vi-me confrontado com muitas ideias, tendo pensado o quanto actual é a chamada à realidade do sofrimento vivido nos hospitais, sofrimento esse com o qual, mais tarde ou mais cedo, todos nos deparamos.
Como se pode pretender, como o faz o projecto de decreto-lei para regulamentar a assistência religiosa nos hospitais, apresentado pelo governo, que a assistência tenha de ser pedida pelos doentes por escrito e assinada?
Haverá alguma ideia, ainda que mínima, do sofrimento que se vive nos hospitais? Da fragilidade que ali se vive e que muitas vezes a única força que encontra é a presença do padre e através dele Daquele Outro que a tudo dá sentido?
Claro que não, mas o que se pretende mesmo é afrontar a Igreja e o seu património desinteressado de séculos no cuidado espiritual dos que sofrem. O que move os capelães portugueses não é a integração nos quadros da função pública, nem o respectivo salário, como afirmou aos órgãos de comunicação social o Padre José Nuno, coordenador das capelanias católicas. Mas desgraçadamente é este o quilate do argumentário dos lacaios que suportam as teses governamentais que, curiosamente, não escondem a sua origem maçónica.
Embora não tenha muitas esperanças, aguardemos que a promessa do primeiro ministro, que já se benze em cerimónias de inauguração de escolas e até agradece aos Bispos Europeus a preocupação com África e com o ecumenismo e lhes reconhece um papel a desempenhar numa agenda mais humanista, promessa essa de que a assistência religiosa nos hospitais terá “solução melhor”, se cumpra.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O tempo de Marques Mendes

A grande dificuldade de um político é conciliar o seu tempo com a época em que vive. Integrar as suas ideias, os seus valores, projectar e adivinhar o futuro. Marques Mendes não o fez, não ficará para a história do PSD como Sá Carneiro ou Cavaco. Mas teve grandes intuições, afirma um tempo. Foi formado nas bases do PSD, conhece o aparelho por dentro e por fora, os militantes, tem um sentido de dever. Durante anos foi Ministro dos Assuntos Parlamentares e muitos dos seus combates no Parlamento foram lições de estratégia política. Ajudou a afirmar a Direita Portuguesa, esteve com Cavaco, Barroso, lutou contra Portas e o "Independente". A história do PSD nos anos de ouro é a história de Marques Mendes. Foi fiél a príncipios, valores, ideias. Conquistou o cargo de Presidente num momento difícil e teve coragem. Não teve medo, afrontou o mais duro, os militantes, os seus exageros. Disse não a Valentim, a Isaltino, à confusão na Câmara. Perdeu e foi ás "directas", supremo saufrágio do caciquismo. Acreditou nas instituições e aí percebeu que o seu tempo não é este tempo. Não chega dizer mal da justiça, que os tribunais não prestam, os juízes comprados. Isso é Maio de 68, o hedonismo feliz da guitarra de Bob Dylan. O estado de direito, da afirmação plena do bem comum, constrói-se na relação e crença com as instituições ( De Gaspari). O futuro do Estado, como agente de bem, só se faz com as instituições. E aí morreu Marques Mendes. Chamaram-lhe "inocente", "vendido ao Ministério Público", que a partir de agora qualquer indiciado era culpado. Ficou sózinho, na solidão, a natureza humana repugna a perca. Vai-se embora, não tem mais nada a dizer, não vai ao Congresso. O silêncio de um homem grande é terrível, abre fendas na terra, no coração.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Ainda o tratamento por tu

Creio que o tratamento dos pais por 'tu' corresponde a um desejo de maior proximidade e comunicação na família, o que eu mesmo considero estimável. Todavia, o mesmo resultado poderia ser alcançado doutros modos...
No entanto, parece-me que seria importante considerar que tratar os pais por 'tu' esconde, ou falsifica mesmo, a realidade, que os colocou (aos pais e aos filhos) em patamares de responsabilidade diferente. Assim, o 'tu', que indicia 'igualdade', é uma formalidade que depois irá ser desmentida no uso da legitima autoridade paternal, que, se o for, não é nunca um exercício de 'igualdade'. A diferenciação de tratamento, que JSM nos convida pertinentemente a reflectir no seu post, apenas pede que se acolha a realidade: há papeis diferentes, nomeados diferentemente. Parece-me que esta questão tem ainda que ver com duas outras: o medo que o tema 'autoridade' evoca na mentalidade dos educadores, estereotipadamente democráticos, e algum eco de sentimentalismo 'roussouniano/marxista' que sugere uma sociedade sem classes (coisa que sempre resvalou para uma sociedade sem classe...). Lembro, aliás, que segundo Zita Seabra, todos os camaradas tratavam Cunhal por 'tu' e ele, na volta, agradecia e mandava 'democraticamente' neles todos - sob farsa da igualdade, a ditadura do mais forte. As pessoas que conseguem fazer distinções são sempre as pessoas que se distinguem- da música à ciência, do desporto à esolha dos vinhos. O cristianismo ensina, promove e multiplica as distinções: Deus/homem; céu/terra; Liturgia/vida de trabalho; Amor/ascese. E cada uma destas 'realidades' tem nomes, farda, formalidades próprias. Não por 'formalismo' mas por desejo de unidade, que é uma coisa muito diferente desta moda ideológica da igualdade que teima em tratar similarmente o que por natureza é diferente.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Cântico do Teu Canto

(Nos 10 anos da proclamação de
Stª Teresa do Menino Jesus e da Santa Face
como Doutora da Igreja)


Filha nascida no auge da literatura
de ódio
ao Pai.

Primavera inocente no tempo
da angústia.

Mãos postas sem artifício.

Rola a espreitar
a oportunidade
do voo.

Asas tenras de águia
dócil.

Olhar lince lance de criança,
confiança.

Face esplêndida
de misericórdia evidente.

Desejos infinitos na carne,
coração.

Canto
da boca limpa,
de um só beijo
desejado.

Amor de todos
na dádiva de tudo.

O longe trazido perto
para dentro do Coração
que é como
a Casa.

Rosa do canteiro
onde o Príncipe se encanta.

Madre virgem que guarda
e aguarda
num pequeno caminho
o encontro
face a face.

Tanta a beleza
de santa Teresa
do Menino Jesus
mansa face.

O tratamento por tu

Nos povos primitivos a linguagem era naturalmente primitiva, foi portanto com muito esforço que conseguimos sair do ambiente das cavernas, das pinturas rupestres, dos primeiros sinais de escrita, que podiam significar muitas coisas ao mesmo tempo, até chegarmos à actual riqueza vocabular e verbal. As relações humanas, cada vez mais complexas, exigiam uma linguagem e uma gramática cada vez mais complexa. É portanto fácil distinguir o grau de civilização de um povo pela sua riqueza vocabular, índice seguro de que passaram por muitos e variados cabos de esperança e de tormenta!

Felizmente que os portugueses têm verbos e expressões para tudo e mais alguma coisa, ao contrário de outros povos que medem a sua grandeza apenas pelo tamanho dos obuses! Para dar dois exemplos, os franceses têm poucos verbos e assim “avoir” pode querer dizer duas coisas – ter e haver! Nos ingleses, “you”, significa ao mesmo tempo ‘tu’ e ‘você’! Ou seja, os ingleses praticam e entendem-se actualmente numa linguagem primitiva! A simplificação, neste caso, não corresponde a nenhum avanço civilizacional no campo das relações humanas, que se tornam menos claras, mais pobres em termos de significado, o que constitui um indubitável retrocesso.

Mas a linguagem é a expressão da realidade e por isso não admira que “com orgulho e erro” assistamos à tentativa de justificar procedimentos deseducativos e rudes, à luz de uma ideia de falso progresso, como se fosse tudo “igual ao litro”! Assim, os pais aceitaram que os filhos os tratassem por ‘tu’, porque é moderno, para encurtar distâncias geracionais, porque acham que pais e filhos são a mesma coisa, ou por outro motivo ainda mais obscuro! Outros tratamentos, que marquem a distinção, a diferença, a cerimónia, tendem a ser abolidos, em nome do igualitarismo dominante, em que vale tudo, inclusivamente a falta de respeito pelo outro. Pelo próximo.

E assim vai o mundo… e a barbárie.