terça-feira, 20 de novembro de 2007

Defensor de Chávez

Por estes dias, neste verão, visitou Portugal a 14ª reencarnação do Dalai Lama. O governo da república achou por bem não receber oficialmente tal dignitário para não ferir as susceptibilidades de Pequim.
Por esses dias, neste verão, o governo da nação não conseguiu haver-se com adolescentes mentais, com barba mal semeada, que lançaram mão da colheita transgénica de um malfadado lavrador.
Por estes dias, já inverno, o governo da república esforça-se por conseguir trazer a Lisboa Mugabe, reencarnação ágil dos ódios tribais facínoras africanos. Acresce a vontade de Lisboa em ver consumada a humilhação da Servia cristã ortodoxa face ao Kosovo que se pretende entregar à Albânia, oferecido pelos EUA à hegemonia muçulmana internacional (dizem as más línguas que a troco de alguma contenção árabe no médio oriente em relação a Israel).
Por estes dias, ainda, homens de barba rija, nas barbas das autoridades que representam a soberania e o governo da nação, brincam a sério aos cowboy’s nas ruas das nossas cidades.
Por estes dias, também, de manifesto mau tempo, um herói boçal que trafica petróleo numa gigantesca estação de serviço na América do Sul, é recebido por estes lados como Chefe de Estado. Embora seja incapaz de articular uma ideia, é muito rápido a puxar do rifle dos insultos e a disparar. Foi capaz, mesmo, de irritar o rei mais vegetariano que a Espanha deu ao mundo, notável pelo seu estômago abrangente (primeiro papou o Franco, depois banqueteou-se socialista, mastigou convicções católicas, e agora consegue usar os sapatos apertados que o actual Primeiro Sinistro lhe ofereceu, sem dar sinais de indigestão…), mas manifestamente indisposto pelo indecoro do gaúcho gorducho.
Serviram estes dias, portanto, para dar a conhecer o ADN de José Sócrates, descodificado nestes seus gestos. Com soberana probabilidade percebe-se que o componente químico primário de que são compostos os seus cromossomas e o material de que são formados os seus genes é, não o ácido desoxirribonucleico, mas, isso sim, gel pinoca, para a fotografia, geleia adocicada, para oferecer aos hóspedes, gelado rijo, tal a frieza da sua ética, e gelatina trémula, tal a inconsistência desta milésima reencarnação da safadeza.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Jogos&Vidas

Ao pegar no jornal de fim-de-semana, começo sempre por uma rápida olhadela às inúmeras brochuras de publicidade e suplementos que avolumam o saco, por forma a deitar logo para o lixo a maior parte da papelada. Ontem, ao cumprir esta função, dei de caras com um “Especial Jogos”: uma selecção dos melhores jogos para a PlayStation, a pensar nas crianças, das mais pequenas às maiorzinhas. Entre outros, fiquei a conhecer o Assassin´s Creed.
“Experimenta a arte de um assassino! Assassin´s Creed é o jogo da próxima geração que irá redefinir o género de acção. Tu és um assassino, um guerreiro envolto em mistério e temido pela sua crueldade. As tuas acções podem lançar o ambiente circundante no caos”.

(…)

Na semana passada fui visitar um amigo ao EPL de Lisboa. Condenado recentemente a 5 anos, esta é mais uma reincidência na prisão, provocada por uma vida de drogas e crime. (Tenho no entanto que sublinhar que o conheci também numa outra”vida”, capaz de gestos de amizade sincera e de sinais de grande bondade de coração).
À despedida disse-lhe: “os meus filhos mandam-te um abraço”.
Sorriu e perguntou: “ o João continua a brincar com pistólas? Diz-lhe que se deixe disso.”
Enchi-me de razão e respondi: “não acho mal que ele brinque com pistólas na idade certa….”, e continuei o meu raciocínio, aproveitando mais esta oportunidade para lhe dar um pequeno sermão.
Ouviu, e no fim insistiu: “Ok, mas de qualquer modo diz-lhe que não brinque com pistólas.”

domingo, 18 de novembro de 2007

Sto. António dos Olivais

É verdade que passei uma boa temporada em Coimbra, vivi em Sto. António dos Olivais. Lembro-me que ouvia Lloyd Cole de mais, e que um dia uma bem intencionada alma me ofereceu um gatito siamês para minha salutar companhia. Acho que o animal chegou demasiado crescido às minhas mãos, já elegante e lustroso. Desde então tentámos com afinco domesticarmo-nos mutuamente, mas a causa era perdida - foi curta e inglória a sua passagem na minha vida. O bichano, além de não me ligar peva, possuía uma estranha extravagância: subir às arvores que não sabia descer. Uma noite, de madrugada, acordei estremunhado com os seus miados aflitos. Espreitei ensonado para o quintal, e lá estava ele, empoleirado num tronco da alta árvore. Na noite seguinte ao chegar a casa, àquela pacata rua de província, o gato lá permanecia, balanceante, num ramo ainda mais alto e mais frágil, com um miar mais sonoro e desesperado. Pressenti os olhares estremunhados e recriminatórios dos meus vizinhos, ocultos pelas suas térreas gelosias. Ao terceiro dia, finalmente entrou em casa despenteado, rouco e a coxear. Dei-lhe uma reconfortante refeição, e nessa noite ambos dormimos um sono profundo e retemperador. Que eu me lembre, a cena repetiu-se mais duas vezes. À medida que o tempo passava, o bicho subia mais alto, para os mais frágeis e trémulos ramos, ao nível de um segundo andar. O pânico da vertigem impelia-o para o alto. Atirei-lhe com pinhas, chamei os bombeiros, a situação era desesperada. Até que o gato caía de maduro, pelo cansaço ou pela força do vento.
O bicho era bonito. Olhos verdes claros, por detrás duma mascarilha castanha a condizer com as botas e luvinhas, sobre um pelo sedoso bege claro. Uns dias mais tarde o bichano desapareceu. Foi algum incauto forasteiro que o roubou, atraído pela fidalga figura do estúpido animal. Ou então um vizinho mais zeloso lhe deu um curativo fatal. Para bem da boa vizinhança.
Demorou algum tempo mais para que eu próprio, pelo meu pé, descesse da minha árvore.

sábado, 17 de novembro de 2007

Sócrates e o Tratado de Lisboa

A menos de um mês de ser (ass)assinado o Tratado de Lisboa

Leis psicológicas que desconheço, acasos e escolhas pessoais, podem fazer de uma pessoa alguém inchadíssimo no seu ego, sempre ávido de sucesso e visibilidade.
Sócrates tem no seu ADN o registo de uma grande combatividade e voluntarismo. Fantástico e de valorizar numa nação desde há 30 anos muito, muito cansada.
Mas isso não prenuncia que se esteja diante de alguém notável, embora se note muito a sua presença.

Pode um homem menor ficar para a história como um grande personagem? Apenas como anedota, ou melhor, como um nome acerca do qual se contam histórias mais ou menos engraçadas. Não acredito que quem tem por conteúdo principal do seu pensamento registar-se no Guiness europeu de novidades seja um personagem notável. Os acordos de Lomé (1975) não celebrizaram o Togo nem o seu primeiro ministro, cujo nome não sei, nem quero lembrar... Tão pouco Lomé II (1979). Nem Lomé III (1984). Ou ainda Lomé IV (1990); mas, no seu âmbito próprio, convenhamos que foram marcos muito importantes na história dos tratados celebrados pela União Europeia.

Não acredito que o que falta ao mundo, e a esta parte do mundo que se chama Europa, seja um tratado que arruma as competências das partes em torno da proeminência dos países grandes e das vantagens económicas deixadas aos países pequenos.
Um Tratado que não deixa os povos pronunciarem-se é coisa de tratantes.
Um Tratado que assim nos trata obriga-nos a dizer-lhes para irem tratar-se.
Um Tratado que faz da Europa um club de bem estar sem ideais, sem responsabilidades, sem pretensões de correr riscos fora de muros, choca os seus mortos. De tal modo que conseguiram por Carlos Magno, Afonso Henriques, Filipe o Belo, D. Manuel e Carlos V, Napoleão, Bismarck e Disraeli abraçados e a chorar. Enigmaticamente, porém, qual Gioconda sagaz, algures no além, vê-se Salazar a sorrir(-se)…

Creio que desta vez, e com razão, os povos da Europa, a seu tempo, se encarregaram de fazer uma oportuna e legítima IVG.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Stop:)


Código do(s) Aborto(s)

Notícia última hora stop ministro saúde exige Igreja stop
deixe considerar aborto como pecado stop por isso ser
contra lei "Caso a Igreja se recuse a mudar cabe ao
Ministério Público instaurar uma acção administrativa
especial tendente à ilegalidade deste pecado. É uma lei
que tem de ser cumprida" stop sublinhou ministro do
governo democrata stop esperam-se mais "exigências"
para próximos tempos stop

Apresentações...

Foi-me pedido que me apresentasse com mais detalhe. Deixo, por isso, para um próximo post a promessa de desenvolver o tema com que me iniciei neste blogue. Assim, e fazendo por conservar a minha índole reservada, avessa a publicitar-me em fotografias pessoais de frívola promiscuidade, escolho dizer-me por contraste, avançando com alguns traços do meu perfil intelectual.
Já é dizer qualquer coisa de mim confiar-vos que MAC tem tido paciência para me ouvir. Muitas vezes passeamos juntos, longamente, e verdade é que sucedendo-se os dias e os anos vemos o tempo confirmar a nossa comunhão. Obviamente, falta-me a unção do Pe Pedro. Também não trago comigo a fascinante verve de JSM. Quanto ao seu notável exercício de pedagogia monárquica, se nem sempre me convence percebo-a sempre original! Partilho com J Távora o gosto pela história e por estórias. Não tenho a serenidade laboriosa de PL. Invejo a vivacidade dos post’s da Rita. Na SIdeias sinto o pulsar de uma mão artista. Encanta-me na Xana o seu cuidado e saber maternal. Ao Gito, sobretudo, admiro-o. A.Z. representa para mim a combatividade pertinente: sem subterfúgios, presente. Entusiasma-me a ironia ousada do Pope. E tenho muita pena da longa ausência doutros/as escribas deste blogue, há muito arredados/as desta lide.
Por conseguinte, é assim que me lanço nesta aventura de partilha de ideias e ideais.
Porque é isto, na verdade, que me impressiona neste blogue: notável espaço de liberdade face ao marasmo contemporâneo onde impera o totalitarismo das vulgares utopias de esquerda e dos seus recalcamentos anti-católicos. Mas marasmo, também, ociosidade mental e omissões militantes, dos que não pensam assim…

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O rio

O rio é feito de crostas, de laços de memória, pedaços de pérolas encalhados nos escolhos. Todos os dias ele está lá. Ninguém o sabe, ninguém o vê. Compram casas por 7oo mil euros para terem um friso, uma fantasia , um cubo de água. Compram restos, esconsos. Quando o vejo, de frente, de Santa Apolónia a Alcântara, roliço, esventrado, na curva do vento, sei que esta é a terra, a cor do sangue. Lisboa não existe, é um caroço, escroque ressequido. Lisboa é o rio, a história e a água. Os barcos de quinhentos e os homens de quinhentos. Que foram em frente, o fim do rio é não terminar. Como há duzentos anos, neste mês, dia vinte e nove, às sete da manhã, quando se foram embora. Dez mil aristocratas, os homens de oitocentos partiram, lambidos pelo vento. Em sete de Março de 1808 o Tejo desaguou no Rio de Janeiro. Como nos anos 60 quando os homens partiam para o Ultramar e as mães enxugavam as lágrimas nos folhos de água parda. O rio é a terra, grandeza e miséria, sebo e cristais de prata. É a pérola que brilha, vaso onde os homens escondem a alma.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Sem nome


Era tão pequeno

que ninguém o via.

Dormia sereno,

enquanto crescia.

Sem falar, pedia

- porque era semente-

ver a luz do dia

como toda a gente.

Não tinha usurpado

a sua morada.

Não tinha pecado.

Não fizera nada.

Foi sacrificado

enquanto dormia.

Esterilizado

com toda a mestria.

Antes que a tivesse

taparam-lhe a boca

-tratado parece,

qual bicho na toca.

Não soltou vagido.

Não teve amanhã.

Não ouviu "-Querido..."

Não disse: "-Mamã..."

Não sentiu um beijo.

Nunca andou ao colo.

Nunca teve o ensejo

de pisar o solo,

pezito descalço,

andar hesitante,

sorrindo no encalço

do abraço distante.


Nunca foi à escola

de sacola ao ombro,

nem olhou as estrelas

com olhos de assombro.

Crianças iguais

à que ele seria,

não brincou com elas

nem soube que havia.

Não roubou maçãs,

não ouviu os grilos,

não apanhou rãs

nos charcos tranquilos.

Nunca teve um cão,

vadio que fosse,

a lamber-lhe a mão,

à espera do doce.


Não soube que há rios

e ventos e espaços.

E invernos e estios.

E mares e sargaços,

e flores e poentes.

E peixes e feras-

as hoje vigentes

e as de antigas eras.


Não soube do mundo

Não viu a magia.


Num breve segundo,

foi neutralizado

com toda a mestria:

Com as alvas batas,

máscaras de entrudo,

técnicas exactas,

mãos de especialistas

negaram-lhe tudo

(o destino inteiro...)


- porque os abortistas

nasceram primeiro.


Renato de Azevedo

Distorções

A ressonância cresce ritmada. Um som profundo e arrebatador emerge das entranhas da terra cadenciado, ameaçador. As loiças do armário tilintam; o ar, o soalho, os vidros vibram. Alerta, com os meus sentidos atentos, procuro identificar a “ameaça”. Nada a temer! É só um “ganda som” a troar do porta-bagagens de um pequeno carro utilitário que chegou à minha porta exibindo a última maravilha da tecnologia de hipermercado.

Há dias, um colega meu dizia, orgulhoso, que "sacara" mais 200 horas de música para um qualquer fantástico “gadjet” portátil. Assim, ele gaba-se de possuir, de forma quase gratuita, uma fonoteca infindável, um ruído permanente e acessível em todo o lado: no carro, no escritório ou em casa. A Internet, e os modernos softwares de compactação de ficheiros de musica, MP3 e quejandos operam milagres. Agora, quaisquer quatro gigas chegam para arrecadar toda a música do mundo até à mais antiga, a dos anos oitenta. Finalmente, vendem-se dispositivos de leitura de todas as cores para todos os gostos e em tamanhos e formatos impensáveis.
Mas o que está a dar, de resto, é o “cinema em casa” e o magnifico “surround”. O estrondo para todas as bolsas. Nos modernos equipamentos sonoros 5.1, o patego ouve um soco como uma batida dum bombo: até treme o ar. Um respirar temeroso soa como se fosse um ciclone. A cada gesto do herói, estrondosos ruídos movimentam-se no espaço - de trás para a frente e da esquerda para a direita. Com esta generosa tecnologia de ponta, podemos até ouvir um concerto que roda e salta sem parar à nossa volta. De trás do sofá, p’rá frente do retrato dos sogros. Em movimentos hipnóticos e surreais, um qualquer violoncelo surgirá em ameaços ao meu encontro, ou em movimentos laterais bem ritmados. Uma emoção sem fim. Não importa se ouvimos Bach, um uivar de cão ou um míssil a rasar. Para alegria e entretenimento geral, todos os efeitos se transformam em pura adrenalina, movimento, ritmo, enfim, numa animação feérica.
Alguém quer saber que a natureza não produza semelhantes sonoridades? Ou que os sons (frequências) “médios” aparentem provir de uma lata de coca-cola? O que interessa é a estridência dos cinco canais de som, apoiados pela estrela da companhia, o celebre “subwoofer” com a potência de uma máquina de lavar. Por fim, nada nem ninguém escapa a essas baixas frequências em alta intensidade. Não há mais subtileza, tonalidade, cor ou textura sonora. E está tudo a ficar surdo.
Aos cinco anos, os meus avós ofereceram-me um "transístor". Desde então sempre tive música perto de mim. Aos oito, fui com os meus tios ao S. Carlos e fiquei arrebatado pelo vigor de uma orquestra sinfónica. Pelos dez anos, aprendi o que era uma alta-fidelidade (atente-se no termo) quando a minha tia Isabel trocou de gira-discos e me proibiu de mexer no novo, mesmo que fosse com os olhos. E a delícia que era para os meus ouvidos o efeito (inconsciente) da estereofonia, e da amplitude da modelação das frequências sonoras? Até ter o meu primeiro emprego, nunca consegui ter um som de jeito, mas tentava, lá isso tentava. Construí colunas na aula de Trabalhos Manuais com altifalantes comprados na Feira da Ladra, fiz ligações perigosas entre vários aparelhos. No final salvava-me com a telefonia em FM que me oferecia já uma boa sonoridade.
Já adulto, depois de casado, fui “compondo” um sistema de som de que hoje me orgulho e me satisfaz. Bem tratada pelos diversos componentes, a minha música sai em plena e robusta liberdade de duas pesadas colunas Tannoy. À antiga, a estereofonia basta-me: quando bem instalada projecta um espectro de palco, com o relevo e dinamismo necessários. É aquilo que presenciamos num concerto, acústico ou amplificado seja no CCB ou no S. Luís. De resto, é fechar os olhos e deixar-me embalar pela infinita paleta de texturas, de cores e tons, todas as nuances sonoras que a arquitectura da minha sala permite. E, sossegado, ouvir uma obra-prima. Assim tenha eu tempo e disponibilidade interior para a arte e para a beleza. Para adivinhar o absoluto e assim ligar-me ao que é maior, divino e grande no homem.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

“Porque não te calas?!”

Hugo Chavez terá uma vida inteira para digerir o insulto, e um dia talvez perceba que a história não se apaga facilmente. Por muito que isso custe, o índio teve que engolir e calar, sujeitando-se mais uma vez à voz de comando dos conquistadores. E existem mil razões para a razão do monarca, muito para além daquelas que suscitaram a aplaudida intervenção. Em primeiro lugar porque a Venezuela só existe através da Espanha, tal como o petróleo e o desenvolvimento, a escravatura ou a liberdade. E Chavez é ele próprio um produto de todas aquelas contradições. Depois, tornou-se claro que a legitimidade ocasional dos eleitos não era nada se comparada com o peso da representação histórica que o Rei transporta consigo. Com o incidente a Espanha ficou mais forte e as republicas sul-americanas ficaram menos órfãs. Afinal, a justa repreensão ficou em casa e o mundo hispânico compreendeu que tinha identidade própria. Quem por certo também compreendeu a mensagem foi o poderoso vizinho do norte – há que contar com a Espanha.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O Ser e o não ser

Quando todo eu não estou em tudo

Quando tudo não é para O Todo

Fico só eu sem sentido.

Pouco mais que nada.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

As duas faces do escudo

No dia de hoje, numa intervenção perante empresários portugueses e chilenos, Cavaco Silva elogiou o Governo liderado por José Sócrates.
"As autoridades portuguesas estão a avançar com reformas profundas na administração pública, na justiça, na segurança social e em muitos outros domínios", afirmou Cavaco Silva.
O presidente da República realçou também os investimentos "muito, muito fortes" em domínios como a educação e formação profissional, sublinhando que são "uma condição de sucesso para vencer os reptos da globalização".
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Também neste mesmo dia, no discurso de abertura do ano académico 2007-2008 da UL, o reitor desta universidade, António Sampaio da Nóvoa, falou na necessidade de mudança e apontou o dedo ao Governo enquanto responsável por alguns entraves a essa mudança, como a "falta de modelos claros e transparentes de financiamento".
Referiu ainda que nos últimos dois anos Portugal foi o único país da Europa que reduziu o investimento no ensino superior, sustentando que “ao não favorecer a iniciativa, ao valer-se de argumentos de autoridade, ao debilitar as instituições, este Governo cria o desânimo entre todos aqueles que, genuinamente, se batem pelo progresso e pela inovação", sublinhando que "nada é pior do que a ilusão da mudança que deixa tudo na mesma".
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Será que estes dois senhores, ambos professores universitários com provas dadas e com reconhecido percurso académico, estão a falar do mesmo país?
Qual deles se terá enganado? Será que um por estar cá vê as coisas demasiado próximas e por isso lhes perde a perspectiva?
Ou será que outro por estar demasiado longe perdeu a mesma perspectiva por nem sequer vislumbrar as coisas de que fala? DESCUBRA VOCÊ MESMO.

Nos 90 anos da tomada do poder pelos Bolcheviques

Em homenagem ao povo Russo e aos povos de todos os territórios invadidos pela União Soviética, aqui ficam dois poemas de Anna Akmátova (1889,Odessa-1966,Komarovo) também chamada de 'Anna de Todas as Russias'.


Pó cheira a raio de sol,
Mel bravo à liberdade,
Boca da moça a violeta,
E o ouro não cheira a nada.
A reseda cheira à água,
Amor á maça rescende,
Mas agora já sabemos-
Só o sangue cheira a sangue...
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Não, não estava sob um céu estrangeiro,
nem me protegiam asas estranhas.
estava com o meu povo, no lugar
em que infelizmente o meu povo estava.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Nuno Alvares Pereira

Ainda a celebrar o dia do Beato Nuno, 6 de Novembro, transcrevo, da Crónica do Condestável, um excerto da sua resposta face aos receios dos seus homens na véspera da batalha dos Atoleiros:

...Quanto a sermos poucos e eles muitos não deveis por isso duvidar que estais praticando uma grande obra: não vos esqueceis que já aconteceu os poucos vencerem os muitos. Rogo aos que quiserem ir comigo a esta batalha que atravessem este riacho.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

"Todos os tempos são de martírio"

Faz hoje um ano que Idalina Gomes, uma leiga missionária portuguesa, e o Pe. Waldyr dos Santos, jesuíta brasileiro, foram assassinados em Moçambique, na Missão de Fonte Boa.
Conheço Fonte Boa por lá ter passado alguns dias há cerca de 8 anos e vi o que significa ser ali missionário, ser testemunha do Bem e da Graça junto daqueles que nada têm, muitos deles nem existência para efeitos civis, nascendo e morrendo sem nunca serem inscritos em qualquer livro do Registo Civil.
Os missionários ali são tudo – padres, freiras, catequistas, mas também amigos, professores, médicos, aqueles que fazem o transporte de doentes, dos mortos para que possam ter um enterro junto dos seus nas respectivas aldeias, … seria impossível continuar a descrição.
A vida e morte dos missionários tem que ser semente, semente para aqueles que continuam a partir por um BEM MAIOR e para aqueles que ficam e que aceitam ser testemunhas do Evangelho no modo como tentam viver o dia a dia, cumprindo, em obediência, em sacrifício e abandono, as solicitações do trabalho, da família e tudo o mais a que vão sendo chamados.
Hoje, no dia em que a Igreja faz memória do nosso Beato Nuno de Santa Maria, o qual, renunciando às honras do mundo, escolheu um caminho de humildade e obediência, para, a exemplo de Cristo, servir melhor os homens, lembro todos aqueles que continuam a doar a sua vida ao serviço dos mais pobres, trabalhando de forma silenciosa pela liberdade e justiça no mundo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Fátima

A oração é um precipício, um abismo.De todos os níveis da existência, este não tem um suporte artificial. Não vale a razão, os sentimentos, a poesia. Está para lá do sensível, das aprendizagens, dos dados maneiristas. É uma filiação, uma descoberta pessoal, intíma, de sentido. Não é um desafogo, um vale de lágrimas, enxugar os desabafos. Está antes e depois. Quando rezo estou no tempo que ocupo agora, mas que não é o meu. É uma busca, uma travessa, uma relação. O drama de ser cristão é o drama da oração. De me ligar a Deus a partir do tempo que é o tempo de Deus e da minha provisoriedade. De saber que tudo que aprendi como pessoa e como homem não chega, é parco, sofrível, pequeno. Que os livros da escola, da filosofia, das viagens, do amor e da poesia são sobras. Que aquilo que sou é uma filiação. Que para entrar dentro dos meus actos, das minhas palavras, no ser inteiro, é necessário uma ruptura, falésia aberta. Entrar no oração e na Palavra é o risco, suprema fenda. Mas a história de cada vida é carregada de tojos de cimento, hangares de espera, de solidão e sobras de pão. A dor é não entregar o meu tempo ao tempo que é de Deus. Sentado, na noite funda, no santuário vazio, sobram-me os actos, as cordas da insciência.

Disponibilidade

Agradeço ao MAC o convite amigo para participar neste impressionante blogue.
Temperamentalmente reservado, ouso publicar as minhas opiniões que procurarei apresentar de modo tão educado quanto convicto. Assim, e não abdicando de dizer o que penso, creio-me aberto a poder, eventualmente, esgrimir argumentos, desejando, no entanto e tanto quanto possível, não me envolver em disputas pessoais com os meus leitores.

Mas começo por apresentar-me perante a geografia política actual, dizendo da minha orfandade, não principalmente porque a esquerda é hoje poder mas, isso sim, e o que reputo mais grave, porque a direita esvaiu-se!
Ou seja, quero com isto dizer que concordo com o que o PSD afirma de si mesmo, quando insiste em dizer que não é um partido de direita! E basta olhar, por exemplo, para Cavaco, para confirmá-lo. Polícia sinaleiro do regime, obcecado com o rigor financeiro das contas do estado, mostra-se tímido face à deriva das referências estruturantes da nação, como sejam a defesa da dignidade da pessoa humana, desde o princípio da vida, ou a luta pelo integro funcionamento das instituições -vide o novelo que envolve o PGR…- ou, ainda, na incapacidade de promoção de um ideia de Portugal própria, face ao franchising ideológico de Sócrates.

Congruentemente, não concordo com o que o PP diz de si mesmo, apresentando-se como o partido representante da direita! Porque deve manter-se, a bem da distinção (elevação) dos ideais, a distinção (separação) entre uma compreensão da matriz que é própria à direita e aquela outra própria ao partido de Portas: grande defensor dos negócios dos privados mas tendencialmente omisso perante as responsabilidades sociais do estado e dos indivíduos; liberal nas referências culturais, já sem qualquer filiação filosófica efectiva no pensamento personalista cristão, pelo que moralmente hedonista (vide PP e homosexualidade…); populista nas oportunidades de demagogia e por isso incapaz de entusiasmar as elites.

Enfim, serve este meu primeiro post para ‘oferecer’ a minha disponibilidade perante um novo partido que tarda em se apresentar que seja direito e pela direita.
Mas deixo para um próximo post o que eu mesmo quero dizer com isto de ser de direita, hoje!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Fieis Defuntos

"Mas se Deus não existe- se Deus não existe que me fica no mundo?
Sou nada no infinito. Fui tudo e sou nada. Leva-me a força bruta. Sou acaso na mistificação.
Sou menos que nada no monstruoso impulso.
Se Deus não existe tanto faz gritar como não gritar.
Não tenho destino a cumprir: saio do nada para o nada. "

Raul Brandão, Humus

"Não é a 'morte' que virá buscar-me. É Deus."
Stª Teresa do Menino Jesus e da Santa Face,
Caderno Amarelo

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Halloween

Entristece-me intimamente a ingénua adesão dos miúdos pequenos ao estéril folclore da triunfante cultura invasora. É com ou sem a nossa conivência que os seus ritos e liturgia entram sorrateiramente pelas nossas casas adentro.
Ao mesmo tempo que a desgarrada militância laicista promove o esvaziamento das nossas ancestrais tradições cristãs, em nome do progresso e duma presumida superioridade intelectual, os fundamentos da nossa identidade colectiva são sistematicamente ameaçados.
Sem nada para lá pôr no seu lugar, o povo espoliado e confuso agarra-se em desespero às abóboras ocas, luzinhas mágicas, pais natais, pozinhos de perlimpimpim e demais “espiritualices” alternativas.
Enfim, o progresso.