"Por um dia fui irlandês!"
António Bagão Félix
(Ex-ministro das Finanças)
Fonte: Jornal ‘Público’ em 19/06/08
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A Mourinho falta-lhe tudo: a grandeza, a força de espírito, o cheiro das maçãs depois da chuva. Mourinho não quis responder em Português: a língua da terra escura, do fel e da azia. Negou tudo: os socalcos, as caravelas e o livro do homem cego que escreveu a epopeia. Quando se está fora e se negam as raízes, o vento desfere golpes mortais. Mourinho não tem génio. No desporto as vitórias não equivalem a linhas de poemas depois do sol cair. Ganhar é tudo mas a luta dos homens é mais bela. Aqui não existem histórias de provocação, de tácticas, de empresas de imagem , de marketing. Mourinho tem tudo isso, o resto e a inteligência. Ganhar pode ser a mais bela forma de demência. Mourinho na conferência de imprensa falou em italiano, em inglês, e quando um jornalista lhe faz a pergunta em português, escondeu os dedos e escondeu-os em tubos de mercúrio. A língua constrói a pessoa, é o segredo, a dádiva. Quando se diz o nome, nomeá-lo, - a água, a folha, o lírio - é dizer o que sei de mim na relação com as coisas. Negá-lo é um roubo, um abjecto. Um tempo que ama este homem é um tempo oco, à deriva, sem fundo.
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A catedral de Chartres é o mais belo dos lugares. De todos os lugares. Onde diante das pedras lavadas pela fé se coloca a essência: os homens, cada criatura e o Criador. Deus e o Homem. Este diante do Pai, à procura do Pai. Tudo é grande, desmesurado, imenso, ampliado. Deus está dentro, no lugar de Deus. Uma catedral, qualquer catedral, é o maior símbolo vivo da unidade do povo crente. Em Chartres existe cada homem em busca de si, à procura, imerso na história de outros homens que são a sua história. As pedras e os vitrais, a luz e a cripta de Chartres não são antigos, nem de hoje. São o lugar sempre actual do sacrifício e do amor, da fé e do saber, da busca e da presença, do testemunho e da glória. É o lugar actual de todos os tempos, da pobreza e do trigo. De homens esculpidos na História de Deus no Homem. A grandeza de Chartres não é o eu, o espelho do eu, a redoma do eu. É o eu projectado no lugar que afirma o que sou e a verdade mais funda que me habita. Em Chartres só existe a verdade: a luz que explode dos vitrais é a luz de Deus. Dentro, recortado pelas linhas da sombra e da claridade, só resta o silêncio, o longo silêncio da vergonha e da compaixão, da mentira e da redenção. Chartres é o Lugar. Todos o procuramos: um traço, um abrigo,um gesto, um beijo, uma palavra , um verbo. Seguramente que a sabedoria e o acolhimento da vida só se realiza quando encontramos um Lugar, peregrinação eterna. É Chartres. Lugar de Deus, do Homem, das lágrimas puras.
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Três notas sobre esta viagem fabulosa:
a) A missa na cripta da Catedral. Um longo corredor escuro ao fundo, pinturas do sec.XIII, o coração esmagado pela beleza da fé.
b) A lição antológica dada pelo Padre Pedro diante da Catedral, sobre a História da Europa e do Cristianismo nos séculos XII / XIII. Ficará gravada na memória para sempre.
c) Do lado direito da Catedral, a uns 4oo metros, encontramos um jardim e, descendo as escadas, no patamar inferior, à beira da estrada, uma pequena homenagem a Peguy, um dos maiores escritores do sèculo XX. Uma frase na parede frontal e o rosto de Peguy colado na pedra. A fronte, saliente, adivinha-lhe a inteligência. As heras quase cobrem a frase e o jardim está algo descuidado. Este tempo esqueceu Peguy, esqueceu a essência.
Um imenso obrigado a todos: a Sara, Catarina, Sofia, a Carla e o Nuno, o Abrantes, o Paulo e o primeiro de todos nós, o Padre Pedro.
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« A razão de ser dos governos democráticos e republicanos
é o estabelecimento de toda a liberdade e de toda a
tolerância compatíveis com a ordem: praticamente em terras
da Europa latina, liberdade de cultos e tolerância religiosa
são expressões que equivalem a dizer que o cidadão é livre
de ser tudo quanto quiser, contanto que não seja católico (...)
O partido republicano, entre nós, não se tem contentado
em ser um partido político; tem sido também um partido
filosófico que, baseado no racionalismo positivista, repele
quase unanimemente a solução católica do problema dos
destinos humanos (...). A República, depois de implantada,
deixou de ser um partido para ser a nação: tanto pertence ao
ateu impenitente como ao católico piedoso. Não pedimos à
República o privilégio, mas o direito comum (...).
O futuro da República depende da paz religiosa.»
D. Manuel Clemente, citando Manuel Abúndio da Silva ( 1911 ) , no seu
livro Portugal e os Portugueses recentemente editado pela Assírio &Alvim.
Palavras lúcidas e proféticas, diz D. Manuel... e digo eu!
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Bob Geldof como músico é uma nulidade. Representa o pensamento de esquerda e as suas ilusões etéreas. É um artista rock e como todos os outros não é grande coisa. A América, da música popular, criou o blues e o jazz de New Orleans. O génio do Sul é um imenso tormento. A peso de ouro veio dar uma Conferência a Lisboa. E Geldof disse a verdade sobre Angola. A única verdade. Dizer mal do MPLA e da sua nomenclatura é um ultrage, uma ofensa, uma traição. A ex-colónia é uma barreira, um monstro com a maior taxa de mortalidade infantil do mundo. Só existe uma dor, um erro crasso. Que tenha sido Bob Geldof a dizê-lo e não outro. É aqui que se perde o carácter, a coragem, a solidão imensa com que os homens legitimam o futuro.
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... este datadíssimo desenho animado produzido pela RTP nos obscuros anos 70 e que ditava o recolher obrigatório da miudagem. Suspeito que isto só acontecia com a cumplicidade da polícia de costumes - e dos meus pais que também estavam feitos. Estes Meninos Rabinos que antes de dormir se atreviam a “rezar a Jesus”, hoje, no mínimo seriam rotulados de ignorantes ou marginais... Ecos de uma época cinzenta e triste em que era possível conceber um família com cinco filhos, qui sas fruto dum deficiente planeamento familiar. Uma cambada de infelizes pois então.
Versão adaptada do original no Corta-fitas
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João Távora
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João Távora
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Passados 34 anos a cangalha ideológica é a mesma, o rastreio do pensamento idêntico. Nada muda, os personagens de sempre, os discursos iguais. É esta a tristeza de Abril. Não haver o rasgo, o gesto, a denúncia. Os capitães, os militares, um referente que a história sedimentou. Nada mudou de Abril, os gestos solidificados na argamassa de um tempo que quis ser memória. Mas a memória só existe quando é presente, quando se actualiza, quando a História se diz do que foi. Mas nada disto existe no 25. Só os afectos das histórias apagadas que se querem recordações. A memória não é só recordação. É espirito vivo, interior, de dentro. Onde está o poema, o quadro, o filme, o choro? Onde está a alma e a eternidade para sempre? A memória é recordação quando é vida, quando se passa nas veias e na carne. O 25 de Abril não produziu uma obra de arte, o espanto, o arrebatamento, a grandeza. E esta é uma dor enorme, palha de aço. Quando um facto não produz e não é capaz de produzir um objecto artístico é porque morreu ou nunca existiu. Ou é um souvenir, objecto de plástico, eternamente infantil.
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Muito se tem dito e escrito sobre o assunto. Hoje li este artigo que achei clarividente. Por isso aqui o deixo.
"Desculpem se trago hoje à baila a história da professora agredida pela aluna, numa escola do Porto, um caso de que já toda a gente falou, mas estive longe da civilização por uns dias e, diante de tudo o que agora vi e ouvi (sim, também vi o vídeo), palavra que a única coisa que acho verdadeiramente espantosa é o espanto das pessoas.
Só quem não tem entrado numa escola nestes últimos anos, só quem não contacta com gente desta idade, só quem não anda nas ruas nem nos transportes públicos, só quem nunca viu os "Morangos com açúcar", só quem tem andado completamente cego (e surdo) de todo é que pode ter ficado surpreendido.
Se isto fosse o caso isolado de uma aluna que tivesse ultrapassado todos os limites e agredido uma professora pelo mais fútil dos motivos - bem estaríamos nós! Haveria um culpado, haveria um castigo, e o caso arrumava-se.
Mas casos destes existem pelas escolas do país inteiro. (Só mesmo a sr.ª ministra - que não entra numa escola sem avisar…- é que tem coragem de afirmar que não existe violência nas escolas…)
Este caso só é mais importante do que outros porque apareceu em vídeo, e foi levado à televisão, e agora sim, agora sabemos finalmente que a violência existe!
O pior é que isto não tem apenas a ver com uma aluna, ou com uma professora, ou com uma escola, ou com um estrato social.
Isto tem a ver com qualquer coisa de muito mais profundo e muito mais assustador.
Isto tem a ver com a espécie de geração que estamos a criar.
Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs.
E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano.
E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.
Durante anos, foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido.
Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho.
E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse.
A aluna que agrediu esta professora (e onde estavam as auxiliares-não-sei-de-quê, que dantes se chamavam contínuas, que não deram por aquela barulheira e nem sequer se lembraram de abrir a porta da sala para ver o que se passava?) é a mesma que empurra um velho no autocarro, ou o insulta com palavrões de carroceiro (que me perdoem os carroceiros), ou espeta um gelado na cara de uma (outra) professora, e muitas outras coisas igualmente verdadeiras que se passam todos os dias.
A escola, hoje, serve para tudo menos para estudar.
A casa, hoje, serve para tudo menos para dar (as mínimas) noções de comportamento.
E eles vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã.
E nós deixamos."
Alice Vieira, Escritora, In Jornal de Notícias, 30.3.2008
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Rita LM
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Mas vivos para nós e para os outros
- da filosofia do Projecto Homem -