sexta-feira, 18 de julho de 2008

A Net e o hábito de bem ler...

"Antes era um mergulhador no mar das palavras. Agora sobrevoo a superfície como num Jet Ski." Quem escreve é Nicholas Carr, ex-director da Harvard Business Review, na The Atlantic Monthly, uma das revistas mais lidas pela elite progressista norte-americana. Provocatoriamente intitulado "Estará o Google a deixar-nos tolos?", as suas reflexões deram muito que falar.

"Tenho a sensação - diz Carr - de que a Internet está a entorpecer a minha capacidade de concentração e de observação. A minha mente está a habituar-se a recolher informação tal como a distribui a Net: um fluxo de partículas minúsculas que se movem a grande velocidade." O receio de Carr não se refere aos conteúdos da web. Vai mais longe. A sua preocupação reside no facto de a web poder estar a ferir os nossos mecanismos mentais. Inquieta-o o modo de ler próprio do internauta, a maneira e os critérios de seleccionar, de memorizar. E mais ainda, o efeito demolidor que poderia ter sobre a capacidade de concentração.
"Antes eu não pensava como pensava, mas sentia que o meu conhecimento se fortalecia ao ler. Submergir-me num livro ou num artigo de fundo era fácil. A minha mente podia seguir a narração ou as voltas do argumento, e podia passar horas a percorrer os atalhos da prosa." Assim recorda Carr os felizes tempos anteriores à glaciação Internet. "Isto parece-me cada vez mais estranho. Agora a minha concentração começa a dispersar-se depois de duas ou três páginas. Fico inquieto, perco o fio à meada, começo a procurar coisas para fazer." A leitura perde parte do seu sereno encanto: "Sinto que o meu cérebro fica à deriva, que tenho de forçá-lo a voltar ao texto. A leitura profunda que acontecia naturalmente converteu-se numa luta".
O autor não pretende suscitar alarmes gratuitos e incendiários, mas alertar para um mal que requer soluções. Sustenta que se trata de algo generalizado e de facto apoia-se em entrevistas a outros intelectuais internautas que partilham da sua perplexidade perante o fenómeno. Assim, Bruce Friedman, editor de um blog especializado em Medicina, disse que também ele tem notado como a Internet está a alterar os seus hábitos mentais: "A minha capacidade de ler e de assimilar um grande artigo na web ou impresso está quase perdida". Carr tem em conta o relato pessoal deste patologista da Michigan Medical School, que afirmava também que agora é capaz de digitalizar breves passagens de texto em múltiplas fontes da Internet, mas "já não consigo ler Guerra e Paz". "Perdi a capacidade de o fazer - admitia Friedman. Até uma entrada no blog de mais de três ou quatro parágrafos é demasiado para assimilar." (...)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Sydney

Regresso. Retoma a minha participação no Fora de Estrutura.
Verdade que eu mesmo estive fora...
Acidentes informáticos vários impediram-me de reentrar em cena na data prevista.

E por hoje limito-me a lembrar o gesto largo, ultramarino, transoceanico, do Papa de Roma que por estes dias visita terra neo-pagã em nome da pretensão da fé: atravessar a história, as histórias, dizendo da presença de Deus connosco- Jesus.

De sublinhar a presença de uma delegação de 300 jovens do país com maior percentagem de católicos da Oceania: Timor-leste. Também a de 500 peregrinos da India. Do Bispo 'Costa' do Bangladesh, de 30 birmaneses... Da China cerca de 250 participantes. Enfim, tudo gentes e paragens que souberam pela primeira vez de Jesus e do missão do Seu Papa pela voz e pela entrega de gentes daqui, de Portugal.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Vamos assinar!!!



Comunicado
Dia da Natalidade - 9/9/2009
A APFN saúda a iniciativa dos produtores de "Barrigas de Amor" de lançamento de uma petição no sentido de ser criado o "Dia da Natalidade" no dia 9/9/9, associado aos nove meses do período normal de vida intra-uterina, para que seja um dia de homenagem às mães mais recentes e de ocasião para, de forma mais especial, alertar governantes e sociedade em geral para a necessidade de se apoiar e acarinhar os jovens pais e mães para que Portugal possa vencer o cada vez mais rigoroso Inverno Demográfico em que tem vindo a mergulhar nos últimos 26 anos.
Para subscrever esta petição, basta ir ao site http://www.barrigasdeamor.com/ e escolher a opção "Dia Nacional da Natalidade - Um dia especial para as mamãs", a meio no lado esquerdo.

A APFN solicita a divulgação desta iniciativa para que seja um grito bem forte da sociedade civil, na linha do que a APFN tem vindo a clamar há dez anos!

13 de Julho de 2008

APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
Rua José Calheiros,15
1400-229 Lisboa
Tel: 217 552 603 - 917 219 197
Fax: 217 552 604

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Sujidade

É preciso "sujar". De facto casa arrumada não é compativel com crianças a brincar. É preciso que voem almofadas às vezes...

Confesso que às vezes me custa tanta desarrumação, tanta confusão... tanta "sujidade" :) Mas reconheço que é preciso, faz parte, é saudável, é mesmo desejável:)
Às vezes dou uns ralhetes... Mas cá no fundo entendo bem este desejo incontrolável de BRINCAR!!!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Conversas em família

Sempre foi assim, dirão os resignados! É verdade mas tem vindo a piorar como aliás era inevitável que acontecesse – só existem adeptos de três clubes, a comunicação social só fala de três clubes, o bolo das receitas televisivas vai quase todo para os três clubes, o poder público e o orçamento de estado apoiam escandalosamente estes três clubes e como o campeonato português, reduzido a três clubes, só pode dar prejuízo, a única salvação é o dinheiro da UEFA. Mas como cada vez temos menos hipóteses (e menos lugares de acesso) às competições europeias o dinheiro já não dá para os três, se calhar nem chega para dois, vai daí a guerra tremenda de sobrevivência, em que vale tudo e envolve todos. Uns por querer, outros sem querer.
A corrupção começa e acaba aqui.
Alguém está interessado em mudar isto?! Se estivesse… mudava primeiro o resto.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Uma História de verdade


Já com alguns artigos e conteúdos, o projecto da Plataforma do Centenário da República está finalmente on line, a caminho de 2010 com diversas e promissoras iniciativas manga. Agora que temos nomeada uma Comissão Organizadora com uma forte marca de moderação em vias de ser empossada, a Plataforma do Centenário prepara-se também para ser um contributo sério para uma rememoração lúcida da nossa revolução de Outubro.

Nasceu!

É simplesmente um mistério
um milagre na minha frente
Como posso ser eu digna
Desta menina contente

Entrega-se de verdade
Sem qualquer hesitação
Sem medo ou desconfiança
que não lhe dê eu a mão

É um tesouro do Céu
Que caiu não programada
Não podia ser mais linda,
desejada e amada...

sábado, 5 de julho de 2008

Georges Bernanos (1888-1948)

Ainda antes de acabar o dia, deixo aqui um nome: Georges Bernanos.



Escritor católico françês, com obra públicada a partir da decada de 20 do século passado, diz com grande lucidez e compreensão, nos seus livros e pela boca dos seus personagens, os contrastes que marcam o coração de cada um de nós: A angústia, o medo da morte, e a Esperança; a raiva e a ternura; a fragilidade do homem e os seus limites dolorosos e a Graça de Deus que tudo pode; o orgulho e a ferida de sempre, e o desejo de recuperar a limpidez da infância que há-de finalmente deixar "ver a Deus"...



Faz hoje precisamente 60 anos da sua morte, a 5 de Julho de 1948.



Certamente que Deus tem junto de Si aquele que pelo seu trabalho, vivido sobretudo como vocação, pelas suas escolhas e palavras- não raras vezes violentas e polémicas- em procura da Verdade, e pelo amor aos homens e à Igreja, não deixou de O desejar, e de n'Ele afirmar o seu olhar e a sua Esperança...



"Há algumas semanas atrás parti para o Paraguai, esse Paraguai que o nosso dicionário Larrousse, de acordo com o Bottin, qualifica de Paraíso Terrestre. Não encontrei por lá o Paraíso Terrestre, mas bem sei que não deixei de o procurar, que o procurarei sempre, que sempre procurarei esta estrada perdida, apagada da memória dos homens. É provavel que eu pertença, por nascimento a esse povo da espera, à raça que nunca desespera, para a qual o desespero é uma palavra desprovida de sentido, análoga à palavra nada. E somos nós quem tem razão!" (GB, Nous autres Français, 1939).




N.B. A não deixar de ler, do mesmo autor, o "Diário de Um Pároco de Aldeia",1936, traduzido para o Português e editado pela Verbo -colecção Livros RTP- em 1972.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Reconhecimento de um milagre


Por estes dias andei pelo Alentejo.

Naquele Alentejo onde é possível o encontro com a imensa planície, com a possibilidade de ver para além daquilo que se avista, com o silêncio que fala para além do que se pode ouvir, com a beleza imensa que jamais conseguiremos ver em toda a sua plenitude, com a percepção que tudo é muito maior do que alguma vez se possa pensar e com a enorme Liberdade que de tudo isto advém.

Naquele Alentejo no qual, mesmo em alturas em que parece que se vai perdendo a nossa identidade, em cada monte há uma pedra, uma ribeira, uma edificação que nos fala da nossa História, daquilo que somos como Povo.

Estive, entre outros lugares, no Mosteiro Flor da Rosa, no Crato, que foi edificado por ordem de D. Gonçalves Álvares Pereira, pai de D. Nuno Álvares Pereira, local que a este para sempre estará ligado e onde actualmente se encontra instalada uma das Pousadas de Portugal. E é com muita alegria e dando Graças pela feliz coincidência, que leio que o Papa Bento XVI abriu ontem as portas à Canonização do Beato Nuno de Santa Maria, ao autorizar a promulgação de dois decretos que reconhecem um milagre atribuído ao futuro Santo português e as suas virtudes heróicas.

Também relativamente aos pais de Santa Teresinha do Menino Jesus - Luís Martin e Maria Zélia – foram reconhecidos milagres.

Acrescente-se ainda que no também no dia de ontem não me deixou indiferente ouvir que as primeiras palavras de Ingrid Betancourt depois da sua libertação foram para agradecer a Deus tal libertação.

Finalmente, ontem também foi apresentada proposta de alteração ao Código Deontológico dos Médicos, proposta essa na qual o aborto e a eutanásia deixam de ser consideradas faltas graves.

Dos exemplos recolhidos lembro Eric Voeglin que afirmava do espaço político ser um lugar de tensão. Mutatis mutandis o mesmo podemos dizer do espaço social, ou melhor, do espaço sócio-religioso. De um lado os que manifestam reservas em relação à vida, do outro os que se esgotam em promovê-la – um milagre é na sua essência uma afirmação da força da vida. É curiosa a relação entre esta realidade que é o milagre e a própria vida. O milagre parece ser uma outra forma de expressão da vida, talvez a sua mais poderosa forma de expressão e, ao mesmo tempo, um sinal de que a Vida esconde potencialidades que ninguém poderá suster.

Por fim, parece que existe uma afinidade profunda entre quem tem casa, quem tem lugar onde habitar e quem tem história, lugar onde o tempo desenha o futuro e a vida. Quem, empobrecido por esta ausência, concebe artificialismos que distorcem a relação com a história e os lugares, assume tendência para manipular, instrumentalizar, dominar, precisamente porque não há enraizamento, nem relação.

Liberdade

A Ingrid que se levantava
e que ontem foi atada,
que ontem foi silenciada,
Ontem foi libertada!

A Ingrid que foi escutada,
que contra os cartéis se levantava,
que por ser escutada, assim foi calada,
Ontem foi libertada!

A Ingrid que ontem foi dada,
que de todo o mundo foi tornada,
ontem por todo o mundo esperada:
Ontem lá foi libertada!

A Ingrid lá de casa,
pelo meu Pai lá tornada,
que ontem lá foi pensada,
que ontem lá foi conversada,
Ontem lá foi libertada!

A Ingrid que é lá de casa,
e por ser lá de casa, é amada,
A Ingrid que ontem lá foi atada,
Ontem lá foi libertada!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Muita parra…

De tempos a tempos a sociedade venal toma consciência da sua venalidade e numa espécie de remorso colectivo procura entre os seus alguém com a marca da incorruptibilidade, alguém que faça justiça por forma a sossegar as consciências mais sensíveis. Isto é absurdo e nunca resulta, ainda que a reputação desses super justiceiros não cesse de aumentar! Infelizmente, a cada purga, sucede o mesmo que com os parasitas intestinais, explodem de novo, e com mais vigor, mal se apercebem que se tratou apenas de um episódio de desinfestação isolado, digamos, ‘para inglês ver’.
Curioso, ou talvez não, que os escolhidos, aqueles a quem a sociedade outorga a condição de serem um bocadinho mais sérios que a maioria, sejam elementos com um passado juvenil de completo desrespeito pelas leis então vigentes e com fortes tendências totalitárias. Que esperar então destas (mediáticas) operações justiceiras?!
O costume: muita parra e pouca uva.

sábado, 28 de junho de 2008

Parabéns Sofia!

A Sofia é diferente
A Sofia não corre nem salta
fica sossegada, às vezes chora

Sorri muitas vezes mas não sabemos se nos conhece
Gosto de pegar nela mas nem sempre ela gosta que lhe pegue...

A Sofia hoje faz 2 anos, 2 anos de luta pela vida, 2 anos uma luta que quase todos nós, por muitos anos que façamos provavelmente nunca saberemos como é lutar assim.

A Sofia apanhou uma meningite aos 6 meses e desde aí mudou a vida de todos nós, melhorou a vida de todos nós e ensina-nos tanto! E... tem "só" 2 anos!!!

Hoje portanto é dia de festa! Já estamos de saida para a casa dos amigos papás da Sofia. Parabéns!!!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Para descontrair...


A doença encarnada

“Primeiro estranha-se, depois entranha-se…” passe a ilustre publicidade a uma cerveja qualquer, a verdade é que sucede comigo esta coisa estranha: uma palavra, uma frase, uma imagem… e lembro-me logo do Benfica! Por exemplo, fala-se em Vale e Azevedo, esse estranho réu, acossado pela justiça depois de deixar a presidência do Benfica… e lembro-me naturalmente do Benfica!
Fala-se em árbitros e ‘apitos’ e eu imagino a inocência do Benfica! Fala-se em certidões e certificados, vejo o congresso do PSD, oiço a Manuela Ferreira Leite, que é do Sporting, e lembro-me outra vez do Benfica! Mas há palavras e associações menos óbvias que imediatamente me fazem lembrar o Benfica: semi-reboques, o pó dos pneus, lavandaria Alcides, rolhas Madaíl, até o Platini e a sua juventude, me fizeram por estes dias pensar no Benfica! Enfim, um horror.
Esta doença, incurável em Portugal, só me dá descanso quando entram em acção os outros doentes encarnados, sábia e profusamente distribuídos pela nossa comunicação social. Seja pela maior gravidade da doença, seja o meu egoísmo entranhado, parece que as maleitas dos outros acabam por aliviar as minhas penas!
Saudações azuis.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O mundo, o gasóleo e os miudos


Dizia Carl Rogers que "Aos mais novos devem ensinar-se as verdades mais antigas" e dizia Chesterton que "os adultos realizados de hoje fazem aquilo que querem pois quando eram crianças não foram livres de fazer o que lhes apetecia".
Ora aqui está pano para mangas de pensamento (será que isto se diz?) então mas e a tecnologia? O aumento do gasóleo e todas as suas consequências? Os computadores? As "Psp", os mp3 e...?
Estamos nos tempos modernos, porém, talvez todos os tempos se tenham denominado modernos na altura que eram tempo...
E se não era o ruca era a barbie, se não era o action man era o tom sawyer (sim, nós gostávamos, mas vamos analisar: o melhor amigo dele vivia numa árvore, era um sem-abrigo, estavam sempre a faltar à escola... será que "antigamente" é que os desenhos animados eram educativos?).
Muitas coisas mudam, quase tudo, e na educação dos miudos os estímulos estão em constante mutação. Surgem coisas novas todos os dias, tintas para o banho, computadores falantes, livros mirabolantes...
Mas por muito que aumente o gasóleo há valores que vieram para ficar. Valores que sempre foram importantes na educação do ser humano e que continuarão o seu trabalho se nós pais formos capazes de os passar para que os nossos filhos sejam verdadeiros homens e mulheres, realizados e que "fazem aquilo que querem" na idade adulta.
Se uma criança mente e se a mentira não é corrigida como devemos nós esperar que em adolescente não nos dê a volta? Se com 1 ano não é incentivada a arrumar o quarto, como poderemos imaginar que vá ser uma pessoa ordenada? Se faz o que quer, como vai adquirir a virtude da obediência???

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O brilho da política

“Falhei, falhámos… há-que dizê-lo” e estas palavras ecoaram na sala de congressos com a grandeza das coisas simples! Angelo Correia ressuscitava a política e eu que olhava distraídamente para o televisor fixei-me no discurso de despedida do velho tribuno social democrata: “Saio de palco… mas não saio da política… continuo no PSD… ‘não viro casacas’… e se nos próximos combates precisarem de mim… chamem-me que eu vou… é disso que eu gosto”!
O congresso emocionado, eu também… a política sem emoção não é política.

Manias

Ter a mania que se manda e comanda é, arrisco-me a dizer quase inato no ser humano, e inevitavelmente "sai furado" muitas vezes...
Pensamos que vai ser ASSIM e depois não é nada ASSIM como pensámos, é aliás tudo ao contrário.
Depois vem a flexibilidade, a capacidade e adaptação ou não à situação, que normalmente nos obriga e bem, a sairmos da nossa comodidade, do nosso cantinho, do nosso aconchego e perceber que o mundo não gira de facto à nossa volta.
Com os filhos isto é notório, arrisco-me novamente (e já me estou a arriscar muito num texto só...) a dizer que é notório desde o primeiro momento, desde aqueles momentos em que pensamos que são totalmente dependentes de nós e que nós é que mandamos de facto neles.
E atenção, porque de facto parece-me que quem deve de facto mandar são os pais!
Mas... e quando não podemos mandar nada???

sábado, 21 de junho de 2008

Capacidade de brincar

Brincar é bom, e seria melhor ainda se soubessemos de facto "brincar" mais com a vida.
A Maria anda com a mania de se esconder, esconde-se por trás da nossa cama, mas não se esconde verdadeiramente... uma vez que se baixa, mas deixa a cabeça de fora para ver que a procuramos:) Pergunta o papá, (vendo-a perfeitamente!) "Onde está a maria? Não a vejo..." Ela risse, ri a bom rir e depois aparece, como se estivesse de facto desaparecida. A mãe entra no jogo, faz a mesma jiga joga e ela ri satisfeita. O mano ri-se também, mas olha para nós como se fossemos tontos... Deve pensar "mas eles não a estão a ver??? que pais taralhocos..."
Brincamos ao esconde esconde com os filhos, mas temos pouca capacidade de procurar quem está à vista de facto, pelo facto de ser adulto. Que mania que com os adultos não se brinca, quem disse?
Brincar é bom brincar:) É tão bom brincar!!!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

"Por um dia fui irlandês!"

”A Europa do pensamento único não se pode queixar. Tem o que merece. A Irlanda-modelo, sempre referenciada como uma via de desenvolvimento a imitar, virou Irlanda-pesadelo. Neste referendo, os irlandeses disseram "não" à batota. Sim, porque é de sofisticada batota que se trata, depois de tantos e variados expedientes ao longo dos tempos. Aquando do "não" dinamarquês a Maastricht e do "não" da Irlanda a Nice, foi institucionalizada a prática do referendo pós-referendo, de maneira a dar uma nova e generosa oportunidade ao povo de se penitenciar perante o directório europeu. Tudo isto porque os eleitores do "não" (ao contrário dos do "sim"...) nunca estão suficientemente esclarecidos e por isso é necessário "educá-los" com mais referendos. Com a Constituição Europeia chumbada na Holanda e em França, a táctica mudou. Já não eram a pequena Dinamarca ou a Irlanda a bater o pé, mas a grande e soberba França. Por isso, em vez de um novo e punitivo referendo de resultado imprevisível, a solução foi um "novo" tratado, com a garantia de não se voltar a cometer a imprudência de dar voz aos eleitores. Por azar esqueceram-se não dos gauleses, mas dos irlandeses que, coitados, teriam que votar por obrigação constitucional. De início, a "Europa Única" estava descansada perante tão confortável margem das sondagens. Até se dizia, tranquilamente, que não havia plano B para um improvável "não" (em bom rigor, um plano C, pois que o B já se havia esgotado na esperteza de um tratado travestido). Finalmente, os irlandeses, que nunca foram militantemente eurocépticos como os ingleses e já haviam votado seis vezes antes sobre a Europa (cinco vezes "sim" e uma vez "não") tiveram a ousadia de rejeitar o tratado, numa consulta popular que ultrapassou em afluência todos os anteriores actos (cerca de 53%). Não deixa de ser espantosa a reacção dos grandes países e da Comissão. Dizer-se que o tratado não está moribundo é, em primeiro lugar, desrespeitá-lo, pois o que lá está escrito é que ou é assinado por todos ou não avança. Dizer-se que menos de dois milhões de eleitores não podem condicionar a vontade dos europeus é uma falácia, pois os outros povos não foram ouvidos e seria até provável que em alguns países se viesse a chumbar o tratado. Sentenciar-se que nestas consultas se vota mais a pensar na política nacional que na Europa é o argumento habitual para interpretar um "não", que todavia jamais vi referido para interpretar um "sim". Aliás, neste caso irlandês a quase totalidade das forças políticas no governo ou oposição estavam do lado do "sim" e nem se pode falar de um voto de protesto quanto à política interna. Inqualificável foi também a reacção de alguns líderes europeus (a começar pelo hegemónico eixo franco-alemão) ao repreender a Irlanda (recordam-se de algum puxão de orelhas aos franceses por ocasião do seu "não"?). A verdade é esta: o Tratado de Lisboa não exprime, ética e politicamente, um contrato envolvente, transparente e responsabilizador com os cidadãos. O tratado é uma charada quase indecifrável de remissões, excepções, alterações e repristinações que lhe retira um carácter desejavelmente comum e amigável. É um rendilhado técnico que introduziu 356 emendas aos 413 artigos do Tratado da UE e do Tratado sobre o funcionamento da UE, contém 13 Protocolos anexos com valor idêntico ao próprio tratado, mais 65 Declarações de Estados-membros relativas às disposições dos tratados! Uhf! Gostava de saber quantos deputados em Portugal terão lido tão vasta documentação aquando da ratificação parlamentar... Por tudo isto, a Europa do pensamento único não se pode queixar. Tem o que merece. Um voto "sim" numa consulta desta natureza implica uma explicação cristalina, transparente, acessível do que vai mudar. Na ausência de tudo isto, o "não" aparece como legítimo e natural. Com a agravante, na Irlanda, de ser perceptível que o Tratado de Lisboa favorece os Estados mais populosos e retira influência aos países mais pequenos. Um pouco de sensatez e humildade ficaria agora bem à ortodoxia europeia, de maneira a enxergar que afinal o problema europeu não é irlandês. É europeu! E, ironia das ironias, a Irlanda porta-estandarte do projecto de progresso, paz e democracia na Europa é agora quase convidada a uma separação. Tudo por causa do... povo se pronunciar livremente sobre um projecto de tratado que, no preâmbulo, refere a necessidade de "uma União cada vez mais estreita com os povos da Europa em que as decisões sejam tomadas ao nível mais próximo possível dos cidadãos" e no seu artigo nono que "a cidadania da União acresce à cidadania nacional, não a substituindo". Por medo, cobardia, apoplexia tecnocrática, diletantismo ou atestado de inferioridade conferido aos povos, o "gravy train" europeu não gosta definitivamente de dar voz aos cidadãos! Em Portugal, o Governo também mandou às malvas a sua promessa de "referendo popular, amplamente informado e participado"... Por tudo isto, e independentemente da minha posição de princípio pró-europeia, por um dia fui irlandês!”

António Bagão Félix
(Ex-ministro das Finanças)

Fonte: Jornal ‘Público’ em 19/06/08

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Irlanda não é porreira!

Tudo leva a crer que o ´não’ vença hoje na Irlanda deixando os tratantes de Lisboa à beira de um ataque de nervos.
Mal vista pelos ‘porreiros/pá’ nesta sua insistência (e obrigação constitucional) em referendar o Tratado, a Irlanda não quer ser empestada pelos abortos, eutanásias e casamentos homossexuais, o que para os burocratas de Bruxelas, para esquerda unida e afins, é considerado um pecado mortal. E já vão avisando que o processo de ratificação ‘para lamentar’ irá prosseguir normalmente nos restantes estados da união, porque para os ‘porreiros’ a democracia tem que ser bem utilizada, ou seja, o povo só deve votar se ganharmos alguma coisa com isso.
Nesta base, a Irlanda está orgulhosamente só!