quarta-feira, 1 de outubro de 2008

CRIANÇA, SABES COMO ME CHAMO


Criança __ sabes como me chamo __
Tens um olhar meigo __ que me atrai __
E que me fala __ de uma entrega pura e simples __
«Quero guiar o teu barquito…» __
Eis o que dizes.

Ó que espanto tremendo
Como consegues __ com a tua mão de criança,
Com a tua voz de criança __ como consegues
Acalmar as vagas __ bramosas __
E o vento?

Se tiveres medo __ ou estiveres cansado __
Enquanto a tempestade __ estronda,
Não hesites __ se quiseres __ em pousar
A tua cabecita loura __
Sobre o meu peito.

Como tens um sorriso espantosamente meigo
Quando dormes __ ou dormitas __ não sei,
Não tenhas medo __ Com o meu doce canto __
Quero embalar-te __ sou um Mudo muito terno __ sabes?
E tu __ uma criança que não esqueço.


escrito por Santa Teresa do Menino Jesus em Dezembro de 1896 - morreu a 30 de Setembro de 1897 celebrando-se em 1 de Outubro a sua festa litúrgica

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A importância de saber chegar a casa




Mário Cordeiro, pediatra, disse na semana passada numa conferência organizadapelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal deOeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados seos pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicareminteiramente aos seus filhos durante dez minutos.'Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativatão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar,largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles,para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmentee voltam para as suas brincadeiras.'Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para elessentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são umaprioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidosou até encurtados conforme as circunstância do momento ou de cada dia. Aideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com osfilhos e dedicar-lhes toda a atenção.Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóveltem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia.Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, osnervos e stress acumulados, e ainda a falta de atenção ou disponibilidadepara estar com os filhos, dá origem a uma espiral negativa de sentimentos,impaciências e birras.Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quandoos vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamara sua atenção da pior forma. Por tudo isto e pelo que fica dito no iníciosobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dosseus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nasnossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor.


in Boletim de Julho da Acreditar

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Revisão da Lei do Aborto

Assine aqui a Petição para a Revisão da Lei do Aborto, se ainda não o fez.

E visite o blog Portugal pro Vida para outras informações sobre este tema.

domingo, 21 de setembro de 2008

Moral de uma história imoral

Gonçalo Portocarrero de Almada - Público, 20080920

Quer uma relação para toda a vida? Faça um contrato de trabalho, mas não case! A disparatada ideia de um matrimónio indissolúvel esteve em voga nos últimos dois mil anos. Modernamente, achou-se que era muito monótono um casamento para sempre e, por isso, inventou-se o casamento a prazo, ou seja, precário.Ao princípio, a lei entendia dever proteger os interesses dos filhos e do cônjuge contra os quais era pedido o divórcio. Mas como um tal conceito de culpa ou de responsabilidade parecia contrário à moralidade laica, entenderam agora os deputados que o matrimónio deve ser revogável em qualquer caso, mesmo a pedido do cônjuge faltoso. Esta moderna liberdade democrática mais não é, portanto, do que uma nova versão do antigo repúdio.A possibilidade do despedimento do cônjuge, sem necessidade de nenhuma razão, não tem contudo paralelo na legislação laboral, onde se exige que a entidade patronal seja mais respeitosa dos direitos dos seus assalariados. Quer isto dizer, em poucas palavras, que o patrão pode agora mandar bugiar a sua patroa sem necessidade de se justificar e até mesmo depois de a ter sovado, mas já não pode despedir com a mesma liberalidade a sua secretária, pois, para um tal desatino, a lei exige-lhe uma justa causa. A incongruência entre os dois regimes legais é de feição a concluir que o Estado prefere as empresas às famílias; ama mais o lucro do que a moral. Mas também ensina que quem quiser uma duradoira relação pessoal deve optar pelo contrato de trabalho e nunca pelo matrimónio, do mesmo modo como quem pretenda um vínculo contratual facilmente rescindível deve casar-se e nunca enveredar por um contrato laboral. Quer estabelecer uma relação estável, com uma pessoa do outro sexo, contando para o efeito com todas as garantias legais? Pois bem, estabeleça com essa pessoa um contrato de trabalho e fique descansado, porque o Estado vai assegurar o fiel cumprimento desse pacto, ao contrário do que aconteceria se com ela casasse, porque o matrimónio é um vínculo tão precário que nem sequer se necessita nenhuma razão para proceder à sua extinção. Se o problema é, pelo contrário, conseguir uma pessoa que assegure o serviço doméstico, sem perder a possibilidade legal de a despedir se a sua prestação não for satisfatória, mesmo que a lei não contemple esse caso para a rescisão do respectivo contrato laboral, a solução é simples: recorra a uma pessoa do outro sexo e case-se com ela, pois mesmo que não tenha qualquer razão que justifique legalmente o seu despedimento, o Estado garantirá a possibilidade de dela se divorciar quando e como quiser. Quer uma relação para toda a vida? Faça um contrato de trabalho, mas não case! Quer uma relação precária, de que se possa desembaraçar quando quiser e sem necessidade de nenhuma causa justa? Case, pois não há vínculo jurídico mais instável no sistema jurídico português! Moral desta história imoral: empregue a pessoa que escolheu para parceiro de toda a sua vida e case com a sua mulher-a-dias!
Sacerdote, licenciado em Direito e doutorado em Filosofia

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Fica-lhes mesmo bem!

Enquanto se procede a obras de melhoramento no hemiciclo em S. Bento, os trabalhos desta legislatura prosseguem provisoriamente na belíssima Sala do Senado que para o efeito foi remodelada. Além da ausência do barrete frígio, compraz-me saber que os nossos depreciados deputados da república actuem, mesmo que temporariamente, sob a vigilante figura do rei D. Luís (o popular) imponentemente representado na cabeceira da sala.

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Fica-lhes mesmo bem!

Enquanto se procedem a obras de melhoramento do hemiciclo em S. Bento, os trabalhos desta legislatura prosseguem provisoriamente na belíssima Sala do Senado que para o efeito foi remodelada. Além da ausência do barrete frígio, compraz-me que os nossos depreciados deputados da republica actuem, mesmo que temporariamente, sob a vigilante figura do rei D. Carlos, um dos nossos últimos grandes chefes de estado, imponentemente representado na cabeceira da sala.

Publicado também aqui

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Uma grande mulher




Sarah Palin foi mayor de Wasilla e governadora do Alaska. Está casada e tem cinco filhos.

Se tivermos em consideração o discurso habitual sobre as dificuldades que as mulheres sentem em conciliar a carreira profissional e a vida familiar, Sarah Palin pode muito bem ser admirada por todas as mulheres como uma mulher modelo.

Curiosamente, a nomeação de Sarah Palin como candidata à vice-presidência não foi bem recebida pelas feministas. E percebe-se porquê. Nas felizes expressões de Harvey Mansfield, Sarah Palin conduziu a sua vida profissional with the force of a man e a sua vida familiar with the grace of a woman.

Sarah Palin está muito próxima de se tornar vice-Presidente dos Estados Unidos da América sem que para isso tenha abdicado da sua condição natural de mulher. Em vez da liberdade sexual, Sarah Palin escolheu um só homem. Em vez do divórcio, Sarah Palin está casada há cerca de duas décadas. Em vez do aborto, Sarah Palin tem 5 filhos (o mais novo com síndrome de Down).

A vida de Sarah Palin revela que é possível a uma mulher ser igual aos homens sem ela mesma se tornar num homem. Poderia e deveria ser um motivo de contentamento para todas as mulheres. Mas para as feministas não é.


(Ver Harvey Mansfield Was Feminism Necessary? Forbes.com)
Publicada por Nuno Lobo em 1:28 AM

sábado, 13 de setembro de 2008

Pedro Hispano Portugalense


A História da Igreja lembra hoje,
no ano de 1276,
a eleição papal de João XXI.

A revista Acção Médica
(órgão oficial da Associação dos Médicos Católicos),
a respeito deste papa português,
dedicou o seu número
de Novembro de 2007
“Pedro Hispano Portucalense – Papa João XXI
no 8.º Centenário do seu Nascimento.

Para uma melhor aproximação
a esta obra de referência,
sugiro aos interessados,
para além da eventual aquisição
da mesma, uma visita ao site
oficial da Acção Médica:
http://amcpporto.no.sapo.pt/index.html

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Começou a escola...


Segunda feira iniciámos uma nova fase da vida da criançada...escolinha!!! Até fomos comprar mochilas do noddy! Cada um escolheu a sua e como "bons manos" que são acabaram por escolher iguais (para mim foi melhor assim... não vá o mano querer a da mana e vice-versa!)Tinha o cuidado de nos ultimos meses passar com eles com muita frequência à porta da escola, dizia-lhes sempre "aqui é a escolinha, depois vocês também vêm para a escolinha brincar com os meninos!!!" ou qualquer coisa do género. Eles próprios já sabiam que era a escola, mas de fcato não percebiam o que era "a escola" propriamente dita...



Posto isto, nunca pensei que fosse tão difícil deixar os miúdos na escola... Bolas, a escola é uma coisa normal, todos os meninos vão para a escola, mais cedo ou mais tarde... Faz bem à saude:) aprendem, brincam! Então... porque é que custa tanto lá deixar os piruças? Porque choram tanto e chamam insistentemente "MAMÃ" "MAMÃ" MAMÃAAAAAAAAAAA" Deixam-nos com uma miscelânia de sentimentos e os mais variados (e tontos também!) pensamentos assombram o nosso cerebro "Será que estou a fazer a coisa certa?" "Será que a escola é uma coisa boa" "Não era melhor ficarem em casa?" "Vão chorar todo o dia?" "Será que vão comer?"


Será que...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Aos que Alto vivem!

Pois, que querem?
Não me dá para escrever…
Assim, com a alma um pouco triste.
Se aqueles a quem amamos não estão bem,
como podemos nós estar bem?
E são tantos, Senhor, os que,
por ora, não parecem estar bem!

É preciso, no entanto,
que estejamos por inteiro,
e permaneçamos assim,
não excluindo um átimo de vida,
para podermos,
pelo tudo e pelo nada,
Louvar a Deus,
que nos anima a prosseguir.

Conheço algumas companheiras
e companheiros de viagem
que têm sido bravos,
nisto de se darem por inteiro
ao que Deus lhes dá,
e que acabam por brilhar para nós
(os que vamos ainda, apenas, a ¾ ou outros avos tais):

‘Para ser grande, sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago
A lua toda brilha,
Porque alta vive.’ (Ricardo Reis)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Um filho a qualquer preço no mercado da fertilidade

Há falta de informação sobre a eficácia dos tratamentos e das suas repercussões psíquicas
No ano passado nasceram em Espanha sete mil crianças com técnicas de reprodução assistida. Um facto que começou por ser uma prática isolada está a converter-se num recurso frequente. Enquanto a tecnologia continuar a avançar e os casais estiverem dispostos a dar tudo para terem um filho, vale tudo. A falta de informação sobre a eficácia dos tratamentos e das suas repercussões psíquicas, aliada a uma legislação quase sem limites, jogam a favor de um negócio florescente.
Assinado por M. Ángeles Burguera Data: 23 Agosto 2008


Enquanto nos Estados Unidos já há bastante tempo que se falava de um negócio (cf. Aceprensa 40/07), na Europa começam a ouvir-se mais vozes críticas, trinta anos após o nascimento da primeira bebé-proveta na Grã-Bretanha.
Da pílula ao bebé proveta. Escolhas individuais ou estratégias médicas?: é o título de um estudo apresentado recentemente em Paris e que analisa a dura experiência dos casais submetidos a processos de fecundação in vitro (FIV).
Annie Bachelot, psicossocióloga do Inserm e autora de uma parte desta investigação afirma: "É uma autêntica corrida de obstáculos. A FIV, pelo seu sistema de trabalho, impõe obrigações muito pesadas, tratamentos dolorosos e um alto risco de fracasso; alguns sentem que se está a instrumentalizar o seu corpo: as mulheres porque se convertem numa máquina de produzir ovócitos, e os homens porque se vêem reduzidos a simples dadores. Muitos insurgem-se contra este tipo de medicina, que classificam de veterinária, demasiado estandardizada e anónima".
Mais fracassos que êxitos
As consequências negativas também provêm da falta de informação sobre os índices de fracasso das técnicas. "Depois de cada ciclo de FIV, mais de 25% dos casais abandonam o processo e muito poucos ultrapassam a quarta tentativa". Entre os que continuam, pode dar-se uma espécie de fuga para a frente, às vezes inclusivamente encorajada pelo médico, embora em muitos outros casos também seja refreada. Chegados a este ponto, é habitual orientar os pacientes para a consulta de psiquiatria: porque parece que estão a arriscar mais que o simples desejo de ter um filho", afirma Bachelot.
A realidade francesa, semelhante à espanhola, revela que "há pouca informação sobre a taxa de êxito nas técnicas de fecundação in vitro. As clínicas apresentam percentagens de 20 a 30 por cento", afirma o doutor Guillermo López, director de Ginecologia da Clínica Universitária de Navarra. "Na medicina, uma técnica com um índice de 70% de fracasso não deve ser admitida nem usada. Mas neste sector vale tudo. Como as famílias procuram desesperadamente ter um filho, aceitam tudo o que lhes oferecem: todas as novidades, todos os suplementos que lhes podem dar mais garantias de êxito. E assim, todo o processo técnico se torna mais caro: uma indústria muito rentável e com imensas possibilidades de progresso".
Efeitos psíquicos
Na opinião de Guillermo López, estas técnicas têm repercussões psíquicas nas pessoas que a elas se submetem não só quando não há êxito - com a FIV há muitos abortos espontâneos, que geram sempre grande frustração -, mas até quando existe descendência. "Embora nesta clínica não façamos reprodução assistida por motivos éticos, chegam às nossas consultas bastantes casais com dramas terríveis, tanto pelos fracassos da técnica como pelo facto de saberem - mesmo depois do êxito - que possuem embriões congelados e que, se não quiserem ou não puderem enfrentar uma nova gravidez dentro de cinco anos, têm que decidir o destino a dar-lhes. Outro elemento que também tem influência na dificuldade de ter filhos é a idade dos pais. A média da idade da primeira maternidade entre as mulheres espanholas era de 29,3 anos em 2005 e mais de metade dos primeiros partos (56,1%) correspondia a mães com mais de 30 anos. "Isto é uma brutalidade, porque significa que muitas mulheres têm os filhos depois de fazerem 35 anos ", explica Margarita Delgado, demógrafa do Conselho Superior de Investigações Científicas de Madrid (El País, 24-11-2007).
Depois do boom da contracepção das quatro últimas décadas, segue-se agora o extremo oposto: a reprodução sem sexo e a toda velocidade. A mesma sociedade que atrasa os nascimentos por motivos laborais ou sociais acaba por ver na infertilidade um tipo de limitação e está disposta a pagar a gestação por um alto preço - entre 3 000 e 6 000 euros por ciclo -, desde que se assegurem e se esgotem todas as possibilidades.
A ausência de filhos, mesmo nas mulheres que vivem sós, é vista como uma inferioridade. Impõe-se, portanto, a corrida à gestação, mesmo com a sensação de se estar a converter o próprio corpo num mero instrumento.Em muitos casos falta paciência para esperar a chegada da concepção. E falta também o conhecimento de outras possibilidades. "Em bastantes centros de reprodução assistida oferecem-se técnicas in vitro com prazos breves, seis ou doze meses depois da primeira consulta. A micro cirurgia tubárica, por exemplo, que se usa para a reconstrução de estruturas, tem uma taxa de 70% de êxito na gravidez, muito superior à da FIV. Há muito pouca informação acerca de tudo isto ", comenta o director de Ginecologia da Universidade de Navarra.
E por que não "mães de aluguer"?
Na corrida dos casais à descendência, além das motivações pessoais, há também a influência do marketing das clínicas de fertilidade. Existe um negócio crescente à volta da doação de óvulos, que costuma ser o grande recurso no caso de a mãe ter mais de 40 anos. Apesar de a legislação espanhola não autorizar a venda de óvulos, a compensação à dadora pelos incómodos causados pode chegar a mil euros por processo. Este facto contribui para que em Espanha haja bastante mais doações que noutros países, como em França, onde não é permitido pagar. Além disto, oferecem-se serviços de congelação de espermatozóides e de óvulos.
Também se verifica uma crescente tendência a ampliar o tipo de clientela da fecundação assistida e a admitir técnicas que a princípio se rejeitavam sem qualquer dúvida. Nos começos, a fecundação assistida destinava-se apenas a casais com problemas de fertilidade. Mas rapidamente se estendeu também a mulheres sozinhas, sem nenhum problema reprodutivo, excepto o de não ter parceiro ou de serem lésbicas (é assim em Espanha, embora isto não seja aceite em países vizinhos como França e Itália); na Andaluzia já se anunciou inclusivamente que os serviços de Saúde Pública irão financiar este desejo reprodutivo de mulheres que vivem sozinhas para que nenhuma fique discriminada (ver Aceprensa 69/08).
Um filho a qualquer preço está também a contribuir para dar uma perspectiva favorável a práticas que em princípio eram rejeitadas por se considerarem indignas. Por exemplo, a legislação espanhola não permitia a existência de "mães de aluguer". Mas no início de Julho de 2008, os especialistas europeus reunidos em Barcelona no XXIV Encontro Anual de Medicina Reprodutiva já solicitaram a legalização em Espanha das mães de aluguer. Segundo Anna Veiga, médica do Centro de Medicina Regenerativa de Barcelona, "valeria a pena despenalizar este processo, embora se devesse aplicar de modo pormenorizado", não por motivos estéticos ou utilitários, mas por motivos médicos.
A linha de fronteira é difícil de marcar, tanto aqui como noutras técnicas já generalizadas. Nalguns países recorre-se a barrigas de aluguer quando há células germinais de um casal, mas falta o útero, como consequência de uma extracção cancerosa. Uma vez realizada a fecundação in vitro, o embrião resultante transfere-se para um útero contratado para prosseguir a gestação.O recurso a mães de aluguer já é tolerado na Bélgica e nos Países Baixos, e está autorizado no Reino Unido, Canadá, Grécia e Estados Unidos. É possível encontrar anúncios com ofertas deste tipo na Internet, na área denominada turismo reprodutivo. Com esta prática, acrescenta-se uma condição à busca genérica de descendência: assegurar que a criança tenha os genes dos seus pais.A possível legalização das mães de aluguer, que actualmente se debate no Senado francês, levantou também vozes de alarme. O ginecologista René Frydman, que admite e pratica a fecundação artificial, adverte (Le Monde, 30-06-2008) que se está a valorizar mais o aspecto genético que a paternidade "de intenção", isto é, a que está presente em fórmulas como a adopção, ou inclusivamente na doação de gâmetas.
Os que se opõem à maternidade de aluguer consideram que as mulheres que são pagas para se porem ao serviço de casais inférteis estão a prostituir-se e que os filhos vão ficar prejudicados. "A gravidez não consiste apenas em trazer dentro de si um bebé, é uma experiência fundamental que envolve os dois protagonistas: a futura mãe e o filho em gestação. Ainda estamos nos começos da descoberta da complexidade e riqueza da interacção entre a mãe e o bebé no útero", afirma Frydman, ao mesmo tempo que recorda o esforço psíquico que terá de fazer uma mãe de aluguer para não ficar vinculada pelos laços que se criam entre ambos.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Geografia da Felicidade (I)

A semana passada deparei-me com um programa na SIC Notícias que dava conta da transformação do Convento das Bernardas, em Tavira, num empreendimento residencial de luxo.

O Convento das Bernardas, actualmente em ruínas, foi o único da Ordem de Cister na região Sul. Foi mandado construir, em 1509, por D. Manuel I, como acção de graças pelo insucesso que teve, no "Algarve de além mar, em África", um cerco mouro, à cidade de Arzila. Posteriormente, o edifício terá sido cedido a D. Fernando Coutinho que, em 1530, o concluiu e o entregou às Monjas de Cister, que durante três séculos ali viveram uma vida de oração e de trabalho.

Impressiona que também tenha sido de Tavira, após quase 14 anos de permanência no Algarve, que saiu no dia 10 de Julho último a Irmã Miriam Godinho, regressando à Abadia em França de onde veio com o propósito de fundação da Ordem de Cister em Portugal, o que não foi avante.

Impressiona que aquele que foi o convento de uma Ordem caracterizada pela austeridade, austeridade essa que bem vi nas vezes que estive com a Irmã Miriam em Faro e em Tavira, seja agora, exactamente na mesma altura em que a única Monja Cisterciense de nacionalidade portuguesa regressa a França, transformado num condomínio de luxo, em que o preço médio de construção ronda os 3200 euros por m2, indo os apartamentos T0, com áreas entre os 79,5 metros quadrados e os 99 metros quadrados, ser comercializados por valores entre os 200 e os 300 mil euros.

Não obstante a importância da recuperação do edifício, tudo isto diz bem acerca do valor que os espaços sagrados têm para o pensamento contemporâneo. De norte a sul do país assiste-se a uma transformação/recuperação (degradação) dos lugares outrora consagrados ao culto, à oração, à penitência e à contemplação em modernas (?) unidades cativas do desenvolvimento turístico.
Com aparato desconcertante descartam-se experiências de felicidade verdadeira por hodiernas concepções mais esclarecidas do dever ser de felicidade, bem mais próximas de exacerbado movimento de excitação dos sentidos do que de um sereno apelo ao desenvolvimento de experiências comprometedoras de racionalidade.

O valor comercial das celas de acordo com as tipologias disponíveis seleccionam os candidatos a uma inefável experiência de posse associada a um carrossel de outras benesses que estas coisas sempre trazem, mas há aqui uma ilusão que ofusca a mente dos futuros beneficiários destes lugares: são herdeiros da herança nietzschiana da morte de Deus – por isso adulteram o uso do espaço sagrado – e, porventura, ignoram-no e, por outro lado, admitem ter alcançado um absoluto que os inebria/aliena do sentido da realidade.

No meio deste turbilhão de eventos e de estridente alarido vimos partir, parece que sem retorno, a Irmã Miriam. É difícil não estranharmos e não nos interrogarmos perante este aparente recuo do Céu face à mundaneidade.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Cheira a mar

Não se trata de não fazer nada
Trata-se de mudar,
mudar de ares, mudar de cheiros
brincar e o mar cheirar...

Não se trata de fazer o que se quer
já lá vai o tempo que nada se fazia
é-se feliz sem saber...
a fazer o que ninguém faria...

É o sorriso dos miúdos
as gargalhadas o seu saltar
que fazem a gente grande
sem medos feliz ficar

E ficamos mesmo assim
contemplando a brincadeira
cada conquista cada salto
que enche uma vida inteira

E aqueles momentos há
em que apetece o silêncio
em que apetece a solidão
(no meio da confusão)
e nesses instantes percebo
que não sou eu a escolher
e que isto me descentra
daquilo que é o meu querer.

sábado, 9 de agosto de 2008

«Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus».

Hoje, na festa de Santa Teresa Benedita da Cruz, morta em Auschwitz neste mesmo dia do ano de 1942


“(…) Porque era judia, Edith Stein foi deportada juntamente com a irmã Rosa e muitos outros judeus dos Países Baixos para o campo de concentração de Auschwitz, onde com eles encontrou a morte nas câmaras de gás. (…) Poucos dias antes da sua deportação, a quem lhe oferecia uma possibilidade de salvar a vida, a religiosa respondera: «Não o façais! Por que deveria eu ser excluída? A justiça não consiste acaso no facto de eu não obter vantagem do meu baptismo? Se não posso compartilhar a sorte dos meus irmãos e irmãs, num certo sentido a minha vida é destruída».

(…) O amor de Cristo foi o fogo que ardeu a vida de Teresa Benedita da Cruz. Antes ainda de se dar conta, ela foi completamente arrebatada por ele. No início, o seu ideal foi a liberdade. Durante muito tempo, Edith Stein viveu a experiência da busca. A sua mente não se cansou de investigar e o seu coração de esperar. Percorreu o árduo caminho da filosofia com ardor apaixonado e no fim foi premiada: conquistou a verdade; antes, foi por ela conquistada. De facto, descobriu que a verdade tinha um nome: Jesus Cristo, e a partir daquele momento o Verbo encarnado foi tudo para ela. Olhando como Carmelita para este período da sua vida, escreveu a uma Beneditina: «Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus».

(…) Santa Teresa Benedita da Cruz conseguiu compreender que o amor de Cristo e a liberdade do homem se entretecem, porque o amor e a verdade têm uma relação intrínseca. A busca da verdade e a sua tradução no amor não lhe pareciam ser contrastantes entre si; pelo contrário, compreendeu que estas se interpelam reciprocamente. No nosso tempo, a verdade é com frequência interpretada como a opinião da maioria. Além disso, é difundida a convicção de que se deve usar a verdade também contra o amor, ou vice-versa. Todavia, a verdade e o amor têm necessidade um do outro. A Irmã Teresa Benedita é testemunha disto. «Mártir por amor», ela deu a vida pelos seus amigos e no amor não se fez superar por ninguém. Ao mesmo tempo, procurou com todo o seu ser a verdade, da qual escrevia: «Nenhuma obra espiritual vem ao mundo sem grandes sofrimentos. Ela desafia sempre o homem inteiro». A Irmã Teresa Benedita da Cruz diz a todos nós: Não aceiteis como verdade nada que seja isento de amor. E não aceiteis como amor nada que seja isento de verdade! (…)”

Da Homilia do Papa João Paulo II na Cerimónia de Canonização de Edith Stein - 11 de Outubro de 1998

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A Jornada Mundial da Juventude em Sydney deixa marcas

A imprensa australiana continua impressionada com o êxito da Jornada Mundial da Juventude em Syney, e com as marcas que deixou a religiosidade alegre dos jovens que participaram.

Assinado por Aceprensa Data: 6 Agosto 2008
“Como diria o Antigo Testamento, foi uma semana de Revelações”, escreve The Daily Telegraph (21-07-08), de Sydney. O jornal chama a atenção para “a extraordinária eclosão de boa vontade que vimos nestes dias”, e que afectou tanto os residentes de Sydney como os visitantes.
“Quando peregrinos de todo o mundo chegaram ao estado, os lares e os corações abriram-se à experiência de acolher jovens das mais diferentes culturas e ficar a conhecer os seus costumes. Por sua parte, eles nunca deixaram de mostrar a sua alegria, a sua generosidade e o seu optimismo, tendo presente que também os que partilham a sua fé estavam incluídos nestas celebrações abertas a toda a Austrália”.
Ao falar do ambiente destes dias, o diário assinala que “a ameaça de protestos contra a Jornada nunca se concretizou, a forte presença policial foi desnecessária e por sua vez a politiquice ficou à margem e o estado assumiu o seu papel de ser o anfitrião do mundo.”
Agora que o Papa regressou a Roma, “esperamos que deixe atrás de si um pouco dessa boa vontade que se espalhou durante a sua visita. Esse resultado responderia a todas as nossas orações.”
Um contraste chamativo
A alegria e a amabilidade de milhares de jovens católicos “acabaram por derreter o coração cínico de Sydney”, escreve Miranda Devine no The Sydney Morning Herald (24.07.08), que dá exemplos como os dos condutores dos autocarros, que, apesar de terem acabado o seu turno, recolhiam jovens que tinham ficado sós sem transporte, ou das famílias que espontaneamente ofereciam os chuveiros das suas casas aos visitantes acampados nas escolas da vizinhança.
“Católicos ou não, a grande maioria das pessoas quer encontrar amor e bondade nas suas vidas, e o contraste ente as caras radiantes dos peregrinos e as máscaras crispadas dos difamadores que lançavam preservativos dava nas vistas. Nem tudo é o que parece”.
Para muitos habitantes de Sydney, foi uma descoberta esta nova geração de jovens. “Não era a lendária juventude de bebedeiras, drogas e doenças sexualmente transmissíveis, mas sim um grupo de pessoas sociáveis, maduras e que abraçavam sem complexos o renascer de uma fé ortodoxa no século XXI”.
Num país como a Austrália, que passa por ser um dos mais secularizados, a experiência da Jornada da Juventude demonstrou que a religião interessa. Tony Abbott, que escreve no The Australian (22-7-08), destaca-o assim:
“Aos australianos não nos surpreende que dezenas de milhares de pessoas viagem por meio mundo para ir aos Jogos Olimpícos, porque sempre temos olhado para o desporto com devoção religiosa. Mas rara vez nos entusiasmamos com a religião. Por isso a presença de mais de 100.000 jovens vindos para a Jornada Mundial da Juventude foi um choque cultural. Tinham-nos dito que a religião era para velhos, não para jovens e estudantes universitários”.
A religião interessa
“Nunca até agora uma cidade australiana foi testemunha de tal manifestação de exuberância popular religiosa”, escreve Abbott. “O êxito extraordinário da Jornada Mundial da Juventude surpreendeu muitos (…) Inevitavelmente haverá a tentação de considerar a JMJ como produto de um excesso de turistas religiosos, uma fugaz interrupção do secularismo habitual. Mas creio que seria um erro. Pela primeira vez desde que os australianos de origem irlandesa perderam o sentimento de pessoas desamparadas, a JMJ considerou boa sua paixão de ser católico.” “Por uns dias, os católicos saíram do gueto mental em que muitos se tinham encerrado e é improvável que tornem a estar na defensiva e sem oferecer resistência”.
Abbott pensa que isto poderia ajudar os pragmáticos australianos a “compreender que a religião pode ser importante para seu próprio benefício”; e se “as boas notícias sobre a religião podem monopolizar as primeiras páginas durante uma semana, talvez os meios de comunicação pudessem reconsiderar a quase total supressão do jornalista de informação religiosa”. Ao menos por uma semana, “os australianos parecem ter aceite que o interesse por Deus está ‘gravado nas nossas almas’, como disse Bento XVI. Por uma semana, a religião foi associada ao puxar pelo melhor e não pelo pior das pessoas”.
O articulista assinala que desta vez a imprensa “pôs o foco da atenção nos ensinamentos da Igreja, não nas suas falhas. E não há dúvida que o Papa aproveitou brilhantemente esta oportunidade. As suas intervenções não se centraram em denunciar o pecado, mas sim em celebrar a vida”. A JMJ “foi também o triunfo do cardeal Pell, ainda que “não seja dos que procuram a popularidade destacando o trabalho da Igreja com os pobres e minimizando a necessidade do esforço pessoal e da importância dos sacramentos. Pell é um homem cortês, de oração, um sacerdote com zelo pastoral, mas também com o instinto do chefe guerreiro de que a Igreja necessita numa cultura profundamente secularizada.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Sem título

Há dias assim em que apetece escrever sem motivo ou reflexão levado na corrente das ideias até que o pensamento retenha uma palavra um nome…
Soljenitsine é um nome difícil de pronunciar mais difícil porém foi sobreviver com esse nome!
Depois do exílio depois do livro que desmascarou o paraíso soviético depois de um longínquo ‘gulag’ reservado a dissidentes morreu pacificamente na sua terra.
Morreu sem alarido e nem depois da morte se desvendam os segredos que a mãe Rússia guarda em silêncio – o escritor não reconhecia a sua Pátria nas vestes de um modelo importado, advogava o regresso do Czar, o reencontro com a tradição, mas disso não interessa falar.
Para a posteridade Alexandre Soljenitsine.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O desencontro

Quando pensou que tinha descoberto o tecto do mundo e o centro da terra, aquele povo zangou-se com o seu Deus. De repente estranhou-O, pois no seu sábio parecer, Ele deixara de lhe dar espectáculo: nem aparecia nas revistas nem tinha morada no hi5. Tornara-se assim como que desinteressante, discreto e passivo... um Deus pouco interventivo; para mais sem resposta aos seus interesses imediatos e sem os critérios da pequena verdade instituída. Um Deus que não punha ordem no desacerto e na perversão (por sinal cunhos sempre alheios) tornara-se numa grande desilusão, enfim, uma inutilidade. Insurgiram-se contra Ele, porque afinal desejavam-nO à sua imagem e semelhança. E depois, que fazer com um Deus que não obedece aos homens "evoluídos", que não corresponde às suas expectativas?
Mas isso não era grave, pois afinal, para o equilíbrio da economia, bastavam-lhes os seus modernos pequenos deuses, mais palpáveis e descartáveis, sempre sorrindo nas revistas ou novelas, coleccionáveis como cromos ao gosto de cada um. E como era importante "o gosto de cada um"!
Aquele povo, sôfrego de redenção, acomodou-se então a um novo mundo, apequenado pelas auto-estradas e pela fibra óptica, onde até se vivia mais depressa, muito depressa mesmo, sem silêncios ou pontos mortos. Para um ou outro mal, logo se conceberam pílulas milagrosas, que afinal a química ainda irá a resolver a existência.
Iludindo o espaço e as sensações, criaram-se janelas e mais janelas, interactivas, electrónicas e portáteis. Através delas e dumas teclas podiam espraiar-se por novos caminhos, brilhos e experiências. Mesmo sem espaço, sem relação, sem compromisso e sem silêncio. Fórmula infalível para que a criatura jamais sentisse a vertigem da sua imensidão interior. De modo a nunca arriscar um estranho e diferente encontro.
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Publicado também no Corta-fitas

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Sydney: o maior encontro de jovens crentes confirma a sua vitalidade!


Resposta jubilosa de 400.000 jovens à chamada do Papa

A Jornada Mundial da Juventude de 2008 foi um êxito para a Igreja Católica e para o seu pontífice de 81 anos, o Papa Bento XVI. A 20 de Julho assistiram à missa de encerramento umas 400.000 pessoas, que por umas horas fizeram do hipódromo de Randwick um lugar mais populoso que a capital do país, Camberra. A Jornada Mundial da Juventude converteu-se no maior encontro de jovens no mundo moderno globalizado, uma festa da fé.
Assinado por Michael Cook Data: 26 Julho 2008



Depois de anos a receber assobios nos bastidores, voltou a subir o pano e Deus foi recebido com fortes aplausos. Como disse com toda a naturalidade uma jovem que comentava o facto para a televisão australiana, antes não estava na moda ser católico em Sydney, mas agora "volta a ser cool". Não é de estranhar que o anúncio de que Madrid acolherá as JMJ em 2011 fosse recebido com tanto júbilo.
A resposta dos jovens foi impressionante. Uns 110.000 peregrinos, segundo dados oficiais, atravessaram o mundo para vir à Austrália, apesar do aumento das tarifas aéreas e da enorme distância desde a Europa e a América. Muitos procedentes do estrangeiro tiveram que poupar durante meses e aguentar vinte ou trinta horas de voo até Sydney. E apesar das informações negativas dos meios de comunicação e do apoio escasso de muitas escolas católicas, juntaram-se-lhes 100.000 peregrinos australianos. No último dia, na missa de Bento XVI, no hipódromo de Randwick, juntaram-se mais vários milhares. E tudo sem nenhum incidente de relevo, facto surpreendente para tal concentração de jovens.
O Vaticano e o cardeal George Pell de Sydney tinham pensado a JMJ como uma catequese, um festival de cultura católica, de doutrina e oração. Para os peregrinos que chegaram mais cedo, as dioceses organizaram palestras à volta de assuntos controversos como a doutrina católica sobre sexualidade, ou bioética, ou fé e razão. Durante a semana imediatamente anterior pregaram bispos de todo o mundo.
De facto, um dos aspectos surpreendentes das JMJ em Sydney foi a naturalidade com que os jovens sintonizaram com formas tradicionais da devoção e da doutrina católica que para a geração Woodstock eram relíquias da época pré-conciliar. Mas não, disse a juventude de hoje.
Uma nova era

Durante os dias que culminaram na missa de encerramento, viam-se jovens em fila à espera para se confessar e para passar momento de oração diante da Eucaristia nas igrejas. Vários milhares percorreram a pé os 9 quilómetros até Randwick passando pela emblemática Harbour Bridge - fechada ao trânsito, coisa que só tinha acontecido outras duas vezes na história -, muitos entoando cânticos ou rezando o terço, outros a jogar à bola ou a dizer piadas. Alguns exibiam grandes letreiros onde se podia ler "Gostamos do nosso Pastor Alemão". Depois da vigília de sábado à noite, os jovens ficaram a dormir no hipódromo à espera da missa do dia seguinte. As confissões prosseguiram durante toda a noite e pela madrugada; a tenda onde estava exposto o Santíssimo Sacramento estava cheia de jovens a rezar.
E até os jornalistas mais empedernidos tiveram de reconhecer que os peregrinos eram gente alegre, cheia de vitalidade e normal, e não os sombrios fanáticos desmancha-prazeres que alguns esperavam. Um grupo chamado a "Liga Não ao Papa" - um conjunto de drag queens, homossexuais, ateus (e, acreditem ou não) de raelianas lésbicas - lançou uma chuva de preservativos sobre os peregrinos que cruzavam a ponte. Mas a cena não provocou mais que risos e consternada perplexidade. "Eles têm as suas opiniões - dizia uma rapariga neozelandesa de 18 anos -. Nós temos as nossas crenças e não vamos mudá-las por causa deles".
Está claro que Bento XVI se alegrou com a celebração. Agora responde com mais espontaneidade ao entusiasmo e ao afecto da multidão. Mas ainda que tenha tido umas boas-vindas de uma estrela do rock, tinha vindo como Papa "ao fim do mundo" decidido a dar um novo impulso à Igreja na Austrália e a instar com os jovens para se comprometerem com Deus.
Para prencher o vazio espiritual

O assombroso de Bento XVI é que um homem da sua idade, tímido, modesto e sem carisma especial, convença pela sua perspicácia, rigor e clareza. Os seus discursos na Jornada Mundial da Juventude atingiram um alto nível. Transmitiam ideias, sem floreados de retórica, e iam directos ao coração do conflito entre religião e cultura secularista.
Dirigindo-se a todos os australianos, o Papa lamentou na homilia da missa de encerramento, que "em muitas das nossa sociedades, junto com a prosperidade material, se está a desenvolver o deserto espiritual: um vazio interior, um medo indefinível, um larvar sentido de desespero". E em diversas ocasiões atribuiu este vazio à praga do relativismo, à crença de que não há verdade.
Na cerimónia de acolhimento aos jovens em Barangaroo, o Papa começou por denunciar as "feridas que marcam a superfície da terra: a erosão, a desflorestação, o desperdício dos recursos minerais e marítimos para alimentar um consumismo insaciável".
Mas daí passou à degradação do ambiente "social", "o habitat que criamos nós mesmos". Este também "tem as suas cicatrizes; feridas que indicam que algo não está no seu lugar". Entre os exemplos citou "o abuso do álcool e das drogas, a exaltação da violência e a degradação sexual, apresentados frequentemente na televisão e na Internet como uma diversão". "Como é possível que a violência doméstica atormente tantas mães e crianças? Como é possível que o seio materno, o lugar mais humano mais admirável e sagrado, se tenha convertido num lugar de indizível violência?", continuou a interrogar-se.

Os Erros de Galileo

Se perguntarmos ao comum dos mortais se é a Terra que anda à volta do Sol ou o Sol que anda à volta da Terra, é-nos dada invariavelmente e sem qualquer hesitação a primeira afirmação como certa e a segunda como errada. No entanto, qualquer especialista na matéria confirmará, também sem qualquer hesitação, que isso é falso.

Baseado no sistema de Copérnico, Galileo afirmava que o Sol se encontra imóvel no centro do Universo e qua a Terra, bem como os outros planetas, se movem à sua volta. Ora, não só o Sol não se encontra no centro do Universo, como não existe um único corpo em todo esse Universo que se mova à sua volta.

O que acontece realmente é que a Terra e o Sol giram ambos à volta dum ponto imaginário do espaço, a que se dá o nome de centro de massa do sistema Terra-Sol. A única razão pela qual nos possa parecer que a Terra roda em torno do Sol, deve-se ao facto deste ser muito mais pesado que a Terra, o que coloca o tal centro de massa do sistema muito próximo do centro do Sol. Tivessem os dois um peso (em bom rigor deve dizer-se “uma massa”) semelhante e vê-los-íamos a girar em torno um do outro, como duas pessoas colocadas em pontos opostos dum carrossel.

De facto, a bem do rigor, não nos podemos limitar ao sistema Terra-Sol e teremos de considerar a totalidade do Universo, onde cada corpo se move sob a influência de todos os outros, num bailado de extrema complexidade. É interessante também percebermos que é hoje aceite, com Einstein, que não existe nenhum ponto privilegiado em todo o Universo e é tão verdadeiro (ou falso) dizer que a Terra anda à volta do Sol, como dizer que o Sol anda à volta da Terra.

Temos portanto que a única verdadeira contribuição de Galileo em todo este processo é a de que não há qualquer razão de peso para afirmarmos que a Terra se encontra imóvel no centro do Universo. E isto apenas numa perspectiva puramente mecânica, porque está ainda por determinar se não será a Terra o ponto privilegiado de onde irradiará no futuro toda a vida, inteligência, cultura ou espiritualidade do Universo.

É evidente que à época não se conhecia nada disto e os “erros” de Galileo são absolutamente admissíveis, não invalidando em nada o seu valor como cientista (pese embora o facto de ele se ter aqui apoiado mais numa “grande fezada” do que num verdadeiro trabalho científico).

O que já não considero em nada admissível é que se continue, nos dias de hoje, a afirmar peremptoriamente algo que se sabe ser errado. Porque é que se insiste em transmitir recorrentemente este erro aos alunos da escola, está ainda por esclarecer. Provavelmente só a História o virá a fazer, a seu tempo.

terça-feira, 29 de julho de 2008

A educação dos filhos

Pode parecer "ingrato", pois todos os pais têm apenas uma e só uma oportunidade na vida de educar bem os seus filhos, convém pois que a aproveitem e proporcionem aos seus filhos a melhor educação possível.

É certo que as crianças são também fruto do meio que as rodeia e das relações que estabelecem com outras pessoas que não os pais, mas também não há dúvidas em relação ao papel determinante dos pais na formação do carácter dos filhos.

Bom, proponho-me isto por vários motivos, em primeiro lugar por ser mãe, e como mãe sentir o desejo enorme de formar bem os nossos filhos, não se tratando apenas de preservar o seu carácter mas sim de o formar! Em segundo lugar como psicóloga que trabalha com crianças e seus pais, e que tem constatado sérias dificuldades e pedidos de ajuda por parte destes que aflitos e com razão sentem que a boa vontade e o querer não chegam...


A educação dos filhos é a maior responsabilidade que temos a nosso cargo, sendo que a nossa tarefa é formar "adultos" e não crianças, devemos desde cedo apostar em educar o seu autodominio, ou seja, a capacidade de se negarem a si próprios, de desfrutarem as coisas boas da vida com moderação, de prescindir dos "louros" e gratificações, de ser "senhor/a" de si. Desde cedo também devemos apostar na educação da coragem, coragem em superar as dificuldades, mesmo a falta de conforto físico e a dor. Certamente já reparámos que muitas vezes as crianças caem, e por vezes se ninguém olha para elas continuam a sua brincadeira levantando-se contentes da vida, mas se olhamos ou tecemos qualquer comentário desatam num pranto... Aqui começa a educação da coragem:)!

O ser prudente, ser capaz de fazer bons raciocinios das coisas e das pessoas, de perceber o que é bom e o que é mau o que é feio e o que é bonito, também não pode ser descurado desde a infância, o mesmo acontece com a noção de justiça, que implica a aceitação do outro, esse outro que tem direitos e que também me cabe a mim tratar da sua felicidade.

Como é que nós passamos estas coisas tão importantes às crianças? Bom, em primeiro lugar, passamos pelo exemplo, pelo exemplo que nós pais damos aos nossos filhos e pelos exemplos que proporcionamos que eles vejam dados por outros. As crianças imitam com satisfação os pais e outros adultos! Em segundo lugar passamos estas coisas pela prática dirigida, ou seja, por aquilo que as crianças são levadas a fazer uma e outra vez pelos pais repetidamente, até apreenderem um determinado comportamento. E em terceiro lugar, mas não menos importante, as crianças também aprendem através da explicação verbal que lhes é dada, pois as palavras também são muito importantes na educação.

Para sermos bons pais, como certamente já constataram, temos efectivamente de ser pessoas melhores, devemos esforçar-nos por isso, por ser "pessoas exemplo" - exemplares. Portanto, graças aos nossos filhos, também nós podemos (e devemos) aperfeiçoar o nosso carácter e engrandecer o nosso coração! É também a nossa capacidade de liderança que os ajuda a formar o seu carácter.