segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Exposição no Parlamento Europeu sobre João Paulo II

A exposição reflecte o contributo de João Paulo II para a unidade e o espírito europeu
Bruxelas. No edifício principal da sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas, inaugurou-se a 14 de Outubro uma exposição sobre João Paulo II, que destaca o seu contributo para a unidade e o espírito europeu. "As raízes comuns do espírito europeu. 30 anos depois da eleição de João Paulo II, 20 anos depois da sua visita ao Parlamento Europeu" é o título deste evento situado num espaço muito concorrido de passagem para os outros edifícios. A exposição tinha sido anunciada com grandes cartazes nas esquinas e colunas com uma grande fotografia de João Paulo II.
Assinado por Ana Gonzalo Castellanos Data: 8 Novembro 2008

Atractiva, muito bem planeada, a exposição apresenta grandes painéis com fotografias das visitas de João Paulo II a cada uma das 27 capitais europeias - visitou-as todas pelo menos uma vez - acompanhadas de textos em inglês e na língua em que o Papa as pronunciou, incluindo grego, sobre as raízes cristãs da Europa. Mais seis painéis traçam a vida e a obra dos padroeiros da Europa, S. Cirilo e Metódio, S. Bento de Núrsia, Santa Catarina de Sena, Santa Brígida da Suécia e Edith Stein. Vários painéis reproduzem recortes de jornais de todos os países europeus da época da eleição daquele Papa jovem e alegre. Em idiomas que ainda não estavam incluídos entre os da União Europeia como o letão, o polaco ou o checo, lê-se: "o lutador da liberdade", "o Papa da esperança"...
Nesse momento, 1978, muitos países que hoje fazem parte da União Europeia não existiam sequer como países independentes, ou estavam então muito longe de imaginar que fariam parte dela em tão curto espaço de tempo ou do papel que o Papa desempenharia para fazê-lo realidade. De facto, o Papa visitou muitos deles quando estavam ainda do outro lado da cortina de ferro.
Entre os organizadores da exposição contam-se vários parlamentares europeus, entre eles um dos seus vice-presidentes, Alan Bielan, e o presidente da Comissão dos Assuntos Externos, Jacek Saryusz-Wolski. O Comité honorário é composto por mais 16 euro-deputados, de várias nacionalidades.
Uma grande bandeirola rodeia e une os painéis na parte superior, mostrando a seguinte inscrição em latim e em grego: "Non erit Europa unitas donec ipsa spiritus quadem unitas fiet".


Visita ao Parlamento Europeu em 1988

A 11 de Outubro de 1988 João Paulo II dirigiu-se ao Parlamento Europeu reunido em sessão plenária em Estrasburgo, onde disse: "É meu dever sublinhar com força que se o substrato religioso e cristão deste continente tivesse ficado à margem do seu papel de inspirador da ética e da sua eficácia social, estaríamos a negar não somente toda a herança do passado, mas até a comprometer gravemente um futuro digno de cada homem europeu, crente ou não crente".
João Paulo II visitou nove vezes a sua Polónia natal, sete vezes França, cinco vezes Espanha, quatro vezes Portugal, três vezes a Áustria, a República Checa, a Alemanha e Eslováquia, duas vezes a Bélgica, Hungria, Malta, a Irlanda e a Eslovénia e uma vez a Bulgária, a Dinamarca, a Estónia, a Finlândia, o Reino Unido, a Grécia, a Letónia, a Lituânia, o Luxemburgo, a Holanda, a Roménia e a Suécia.
A exposição reflecte o contributo de João Paulo II ao espírito de unidade e solidariedade, ao espírito europeu e às suas raízes profundamente cristãs.
Eis aqui algumas citações compiladas nos painéis e no rico catálogo publicado por ocasião da exposição:
"Sei que sois fiéis à memória daqueles a quem chamais "pais da Europa", como Jean Monnet, Konrad Adenauer, Alcide De Gasperi, Robert Schuman. Tomarei deste último a concepção de uma intuição central dos fundadores: "Servir a humanidade por fim livre do ódio e do medo, uma humanidade que aprende de novo, após largas rupturas, a fraternidade cristã" (Discurso ao Conselho da Europa, Estrasburgo 8 de Outubro de 1988).
"A Europa tem necessidade de redescobrir e tornar-se consciente dos valores comuns que forjaram a sua identidade e que formam a sua memória histórica. O ponto fulcral da nossa comum herança europeia - religiosa, jurídica e cultural - é a singular e inalienável dignidade da pessoa humana" (Mensagem ao Presidente da Comissão dos Ministros do Conselho da Europa, 5 de Maio de 1999).
"A história do mundo é rica em civilizações perdidas e culturas brilhantes cujo esplendor há muito se extinguiu; enquanto que a cultura europeia se renovou e enriqueceu sem parar no diálogo, às vezes difícil e conflituoso, mas sempre fértil, com o Evangelho. Este diálogo é o fundamento da cultura europeia". "A política e a economia são certamente necessárias mas não suficientes para curar o homem europeu ferido que aparece frágil e vulnerável. A Europa não encontrará o equilíbrio e a força vitais se não se renova com as suas raízes profundas, as raízes cristãs. A Europa, como disse Goethe, fez-se peregrinando e o cristianismo é a sua língua materna" (Discurso aos estudiosos europeus no Simpósio pré-sinodal sobre : O cristianismo na Europa, 31 de Outubro de 1991).
No painel dedicado às cinco visitas que João Paulo II fez a Espanha recolhe-se a seguinte frase pronunciada no aeroporto de Quatro Ventos a 3 de Maio de 2003. "Ela (Maria) vos ensinará a não separar nunca a acção da contemplação, assim contribuireis melhor a fazer realidade um grande sonho: o nascimento da nova Europa do espírito. Uma Europa fiel às suas raízes cristãs, não fechada em si mesma mas sim aberta ao diálogo e à colaboração com os demais povos da Terra, uma Europa consciente de estar chamada a ser farol de civilização e estímulo de progresso para o mundo, decidida a juntar os seus esforços e a sua criatividade no serviço da paz e da solidariedade entre os povos"
Durante a inauguração da exposição, a 14 de Outubro, os organizadores recordaram que este espírito que deu vida à unidade europeia, e o contributo de João Paulo II para revitalizá-lo, não é só uma recordação do passado. Trata-se sobretudo de uma rica herança da qual a Europa se deve alimentar no futuro.

Ana Gonzalo Castellanos

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Viver e trabalhar em casa

o regresso do trabalho em ambiente doméstico

As mudanças que ocorrem actualmente no mundo do trabalho poderão conferir uma nova forma à casa de família, fazendo dela uma escola ideal de vida.
Assinado por www.mercator .com Data: 3 Novembro 2008

O que faz de uma simples casa uma casa de família? E que tipo de casa de família promove hoje com mais acuidade o bem-estar e o desenvolvimento de todos os indivíduos que nela habitam? Estas e outras questões serão discutidas em Novembro, num congresso que terá lugar em Londres, e que é o segundo de uma série de congressos organizados pela Home Renaissance Foundation. O congresso de Novembro terá como título: Excellence in the Home: From House to Home.
Um dos principais intervenientes neste congresso será Charles Handy, filósofo da gestão, cujas obras acerca da forma como o trabalho tem mudado, e dos efeitos que essas mudanças têm na nossa vida e na vida das organizações, são famosas muito para além do Reino Unidos. Charles Handy fará uma comunicação intitulada: «A casa do futuro. O trabalho em casa». Elizabeth Handy, sua mulher, fotógrafa de retrato que recorre a uma técnica muito específica de familiarização, vai montar, nesse mesmo congresso, uma exposição sobre a casa de família e as pessoas que a constituem.
Nesta entrevista a MercatorNet, Catherine McMahon, membro da Home Renaissance Foundation, questionou Charles Handy sobre a visão que ele tem da casa de família como local de trabalho. ***
Há algum tempo que a casa de família é o local onde as pessoas recuperam do dia de trabalho, para no dia seguinte voltarem a sair, a fim de despenderem as horas produtivas num escritório. Como lhe parece que será a casa do futuro?
Para começar, há-de ser mais do que um local onde se dorme, como tem sido, até certo ponto, na última geração: um local aonde as pessoas vão dormir, tomar uma ou outra refeição, para depois voltarem a sair.
Em minha opinião, a casa do futuro será um local onde as pessoas vivem, trabalham, dormem e descansam; será mais um centro de reunião. Isso deve-se, por um lado, ao facto de ser cada vez mais conveniente as pessoas levarem trabalho para casa; e, por outro lado, ao facto de ser mais dispendioso para as organizações albergarem pessoas durante o dia, quando elas podem perfeitamente fazer a maior parte do seu trabalho fora do escritório. Além disso, a circulação de pessoas tem-se tornado cada vez mais dispendiosa e difícil, pelo que se vai tornando natural que cada vez mais pessoas trabalhem mais tempo em casa se puderem.
Há coisas que não se podem fazer em casa; tem de haver quem nos atenda no supermercado. Mesmo aí, contudo, o serviço é cada vez mais autónomo, de maneira que são necessárias cada vez menos pessoas. Se a senhora quiser ir ao cabeleireiro, também terá de sair de casa. Mas grande parte do trabalho do futuro terá por base a informação; e, uma vez que tudo o que tem de ver com a informação pode ser feito em casa, serão cada vez mais as pessoas que ficarão em casa – mas essas pessoas também saem, não estão sempre fechadas, porque têm necessidade de se encontrar com outras pessoas.
Esta tendência já está a ter impacto na arquitectura. No outro dia, falámos com uma arquitecta que nos disse que, actualmente, todas as casas que planeia têm escritório, porque as pessoas que trabalham em casa precisam de um espaço para esse efeito. Mas também é necessária uma área comum, e é cada vez mais corrente as pessoas quererem combinar a área de lazer com a área onde cozinham e onde tomam as refeições. Teremos, portanto, uma zona comum, com uns a cozinhar, outros a comer, outros a ver, uns a gritar, outros a brincar – uma área que será ampla, que será a zona principal da casa.
De momento, o design urbano empurra as pessoas para irem trabalhar fora de casa, e muitas delas passam imenso tempo em transportes. O que podemos fazer para convencer as autoridades a reconhecerem a importância da casa de família na vida das pessoas?
Eu defendo que o tempo gasto em transportes é muito caro; é caro para a organização e é caro para o indivíduo. Quando pensamos que, na sua maioria, os edifícios de escritórios só estão ocupados durante 40 horas por semana – das cerca de 160 horas possíveis –, percebemos que é uma despesa enorme. É portanto, obviamente, do interesse das organizações ter escritórios pequenos, fazendo deles locais de reunião, em vez de serem locais onde as pessoas se sentam a trabalhar. A ideia é mandar as pessoas trabalhar para casa e só as chamar quando têm de trabalhar em conjunto, de colaborar de forma pessoal, em vez de o fazerem por telefone ou por correio electrónico.
Por outras palavras, a economia – que é a principal alavanca das alterações sociais – vai dizer cada vez mais: por favor, não circulem tanto. É mau para a economia, é mau para a bolsa dos indivíduos, é mau para o ambiente, e por aí fora.
É preciso ser muito virtuoso para trabalhar em casa e trabalhar de forma efectivamente estruturada. É de esperar que as pessoas trabalhem bem em casa?
Sim, claro, é necessário aprender a trabalhar em casa, e é necessário aprender a gerir as pessoas que trabalham em casa. Mas tem de se confiar em que farão o trabalho, e deixá-las decidir quando. Nem toda a gente começará a trabalhar às 8.30 da manhã; algumas pessoas hão-de trabalhar noite dentro, porque é nessa altura que os filhos estão a dormir e que há silêncio em casa, e podem muito bem ir às corridas durante o dia. Pois muito bem. Se um empregador começa a telefonar aos empregados de hora a hora, para verificar se eles estão a trabalhar, isso é um disparate. O empregador tem de lhes dizer: “Quero este relatório na segunda-feira; tanto me faz que o faça no sábado, no domingo, ou na sexta-feira.” A meu ver, esse é o melhor tipo de gestão: o trabalho está feito? É de boa qualidade? Foi feito a tempo e horas? Era aquilo que se pedia? O empregado é que decide quando e como o fará, e com quem conversa nos intervalos. Parece-me que isso é substituir a tirania pela liberdade.
As crianças, ou pelo menos os adolescentes, passam cada vez mais tempo ao ar livre, em actividades ou com os amigos, do que em casa com a família. Como transformar a casa da família num local onde os miúdos gostem de estar? É bom andar na rua a fazer coisas; os jovens não gostam de estar permanentemente com os pais. Mas parece-me que as refeições são momentos marcantes na vida, e que os filhos devem estar em casa à hora das refeições, pelo menos de algumas. Acho mesmo que uma família que come em conjunto não se desfaz. O que me entristece na vida moderna é o facto de os miúdos terem mentalidade de nómadas: vão ao frigorífico e levam a comida para o quarto. Tenho estado em casas onde não existe uma mesa de refeições, de maneira que a família não tem sitio onde comer em conjunto. Cada um deles pega num prato, serve-se e senta-se no sofá, diante da televisão, a comer. Não tem mal nenhum fazer isso de vez em quando. Mas parece-me que fazer as refeições em conjunto faz parte da vida familiar.
Para isso, tem de haver uma mesa comum, de preferência na cozinha – e não noutra sala, porque isso torna as coisas excessivamente formais. A cozinha tem de ser o local onde, para além de se cozinhar, também se come; idealmente, será aberta para um espaço comum. Mas as pessoas também precisam de privacidade, para além dos espaços destinados à vida em comum.
Acha que as actuais tendências, em termos de concepção das casas, são em geral boas, más ou indiferentes? O que lhe parece que temos de melhorar? No meu livro, conto que, ao longe de 25 anos, nós fomos mudando a cozinha de lugar em nossa casa, porque a função da cozinha se foi alterando à medida que a família foi aumentando. Tivemos a possibilidade de fazer isso, porque tínhamos uma casa vitoriana, cujos compartimentos não tinham sido concebidos para actividades específicas; eram simples espaços. O problema de grande parte das habitações modernas é o facto de os quartos, as salas, a cozinha, etc., serem determinados à partida, o que não permite grande flexibilidade, de maneira que, quando a família aumenta, ou se altera, torna-se necessário mudar de casa. Parece-me preferível ter compartimentos multifuncionais. As famílias mudam; os filhos saem de casa; os filhos voltam para casa… Temos de ser nós a fazer o espaço; não pode ser o espaço a fazer-nos a nós.
Seja a mãe ou o pai a fazê-lo, é importante alguém tomar conta dos filhos e da casa. Não lhe parece que a sociedade devia reconhecer melhor o valor desse trabalho e – não necessariamente remunerá-lo, mas – valorizá-lo de alguma maneira? Sem dúvida nenhuma. Acabamos de fazer um estudo em Suffolk, em Inglaterra, sobre as pessoas que são as encarregadas da própria família, e chegámos à conclusão de que havia 98.000 pessoas que tinham abandonado a carreira para tomar conta de algum membro da sua família. Recebem um subsídio por isso, um subsídio mínimo, dado pelo governo, por esse trabalho incrivelmente valioso, que poupa imenso dinheiro ao país. Depois, há o trabalho de educar os filhos, de cozinhar, e por aí fora – que são tarefas incrivelmente valiosas. Volta e meia, ouve-se dizer que o trabalho de uma dona de casa, ou de um dono de casa, vale 30.000 euros por ano, mas como é que isso se avalia efectivamente?
Precisamos imenso de encontrar uma maneira de reconhecer formalmente o valor desse trabalho; é uma coisa em que ando a pensar há muitos anos. A verdade é que não sei como fazê-lo. Mas tenho a impressão de que toda a gente reconhece – em particular numa altura em que são cada vez mais os homens que o fazem – que é de facto trabalho, que não se trata de uma espécie de lazer; de maneira que a cultura está a mudar, e são cada vez mais as mulheres, e alguns homens, que dizem: O meu trabalho é cuidar dos miúdos.
Numa das famílias que andámos a fotografar para este congresso, é o marido que fica em casa. Faz uns trabalhos no computador, mas a sua principal actividade é cuidar da casa, dos filhos e cozinhar durante a semana. A mulher cozinha aos fins-de-semana. Parece-me que, quantos mais homens se dedicarem a essa tarefa, mais se reconhecerá que se trata de trabalho a sério.
Para mais informações sobre o congresso Excellence in the Home: From House to Home, ver www.homerenaissancefoundation.org

domingo, 2 de novembro de 2008

Ler os outros

(...) Portugal deixou de olhar para o céu à procura de horizontes e passou a olhar para o chão á procura de migalhas. (...) Hoje ser monárquico é exactamente o mesmo que ser português... pertencer a uma minoria que luta contra a corrente à espera que os ventos da História nos salvem deste triste fado ou que a mente dos homens se lembre de que nem só de pão (que nos escraviza e prende á terra) vive o homem, mas também de horizontes e ideais (que nos libertam e fizeram de Portugal aquilo que um dia foi... um projecto e não uma jangada á deriva. (...)

Ricardo Gomes da Silva na caixa de comentários deste texto de Simão Reis Agostinho no blog do Centenário da república.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A preferência pelo casamento continua vigente

Favorecer o casamento contribui para evitar a desestruturação familiar e a pobreza infantil

A coabitação não substituiu o casamento e quase 80% dos que atravessam essa situação desejariam casar-se, segundo uma pesquisa realizada na Grã- Bretanha e que serviu de base a uma informação do think tank Civitas intitulado "Dúvidas sobre a família". A investigação revela que a preferência pelo casamento continua a vigorar e que o casamento é realmente " mais popular que nunca, com independência do sexo, das ideias políticas ou do estatuto económico", segundo afirma a sua autora, Anastasia de Waal, directora da instituição britânica.Assinado por M. Ángeles Burguera Data: 25 Outubro 2008

De acordo com os dados recolhidos, sete em cada dez cidadãos ,entre os 25 e 35 anos, desejam casar-se e o principal motivo é estabelecer um compromisso estável. No entanto, esta preferência maioritária vê-se travada por circunstâncias económicas, especialmente entre pessoas com baixos níveis de rendimentos.
Com estes resultados, De Waal salienta a necessidade de modificar as políticas familiares actuais, que dão pouca atenção aos efeitos de desestruturação, como a pobreza dos lares monoparentais, e que não tomam medidas para modificar as causas que a provocam. "Conservadores e trabalhistas assumem que a pessoa que não se casa fá-lo simplesmente porque assim o decide", e não por outros motivos, como os económicos. Na sua opinião, a política mais progressista adquiriu uma posição neutral, potenciando a diversidade, sem dar importância ao tipo de família. A consequência é que cada vez se identifica mais a família pobre com o que os progressistas consideram "família moderna".

Maior risco de pobreza infantil

Segundo a informação do think tank Civitas, as políticas falham num dos objectivos principais: erradicar a pobreza infantil. Esta situação concentra-se nas famílias monoparentais, como resultado de situações de desemprego e de ruptura entre progenitores não casados. Os dados da pesquisa revelam que as crianças nascidas de uniões livres têm o dobro de possibilidades de ver a separação de seus pais em relação aos nascidos de pais casados. Assim, o estudo assinala que 70% dos filhos nascidos no casamento vivem com ambos os progenitores até aos 16 anos, percentagem que se reduz a 36% entre os nascidos de pais não casados.De Waal sugere também que tudo o que possa contribuir para dar estabilidade no emprego fortalecerá a família, dado que há maior tendência a separarem-se ou a conviverem entre as pessoas de menos rendimentos ou com falta de trabalho. Na mesma linha , propõe potenciar o cuidado compartilhado dos filhos e estabelecer ajudas para que os progenitores assumam as responsabilidades adquiridas perante os descendentes. "A ênfase política que se põe nas mulheres deveria passar a favorecer a paridade de responsabilidades. Seria muito útil que as políticas familiares incluíssem os homens, começando desde o cuidado dos filhos, para que, inclusive, quando a relação entre os adultos termine, a responsabilidade para com os filhos permaneça". A informação constata, além do mais, que há muita pobreza ligada à tendência, entre os pais separados, a deixar de pagar as pensões que lhes correspondem.A necessidade de aprovar medidas políticas que favoreçam o casamento viu-se reforçada recentemente com os resultados de outra investigação da Universidade de Essex, que analisa as consequências negativas, a longo prazo, para as crianças que cresçam só com um dos seus progenitores. "Os filhos de famílias monoparentais têm menor rendimento escolar, menos possibilidades de conseguir bons empregos e sofrem mais problemas de saúde", assegura o professor responsável da informação, John Ermisch. O estudo oferece alguns dados, classificados como "preocupantes", sobre o crescimento do número de nascimentos fora do casamento: a proporção alcançou 44% do total em 2006, perante os 9% registados em 1975.M. Ángeles Burguera

domingo, 26 de outubro de 2008

Excerto II


"As excentricidades só impressionam as pessoas normais. As excentricidades não impressionam as pessoas excêntricas.É por isso que as pessoas normais vivem vidas muito mais interessantes do que os excêntricos, que estão sempre a queixar-se de que a vida é uma maçada. É também por isto que os romances recentes morrem num instante, enquanto os velhos contos de fadas duram eternamente.Os heróis dos velhos contos de fadas são miúdos normais; as aventuras que esses miúdos vivem é que são espantosas; e espantam-nos porque eles são miúdos normais.No moderno romance psicológico, porém, o herói é fora do vulgar; o centro não se encontra no centro. Daí que nem as mais terríveis aventuras consigam afectá-lo devidamente, e que o livro seja monótono.Pode-se construir uma história com um herói sobrevivendo entre dragões; uma história com um dragão sobrevivendo entre dragões não é história nenhuma.Os contos de fadas retratam o comportamento que uma pessoa sã de mente terá num mundo de doidos; o sóbrio romance realista da actualidade retrata o comportamento que um lunático terá num mundo sem interesse."

Chesterton, in Ortodoxia

Excerto



"O mundo moderno assenta, todo ele e em absoluto, não tanto na ideia de que os ricos são necessários (que é uma ideia sustentável), mas na ideia de que os ricos são dignos de confiança, coisa que (para um cristão) é insustentável.O leitor terá ouvido com frequência, em discussões sobre os jornais, as empresas, as aristocracias e os partidos políticos, o argumento de que os ricos não podem ser subornados.Mas a realidade é que o rico é subornável; ele até já foi subornado. É por isso que é rico.Ora bem, a razão de ser do cristianismo é justamente a tese segundo a qual um homem que está dependente dos luxos desta vida é um homem corrupto: espiritualmente corrupto, politicamente corrupto, financeiramente corrupto.Há uma coisa que tanto Cristo, como os santos cristãos, afirmaram com uma espécie de selvática monotonia: que ser rico é correr um especial risco de naufrágio moral. É difícil demonstrar que matar os ricos, por serem violadores de uma justiça definível, seja uma atitude anticristã. Aquilo que não é certamente uma atitude anticristã é a rebelião contra os ricos e contra a submissão aos ricos.Mas é absolutamente anticristão confiar nos ricos, considerar os ricos moralmente mais fiáveis do que os pobres. Um cristão consistente poderá dizer: «Respeito aquele género de homem, embora ele aceite subornos.»Mas um cristão não pode dizer, como dizem os modernos a torto e a direito: «Um homem daquele género nunca aceitará subornos.» Porque a ideia de que qualquer género de homem pode aceitar subornos é uma componente do dogma cristão. E, para além de ser uma componente do dogma cristão, é também – por curiosa coincidência – uma componente da mais óbvia história humana.Quando as pessoas afirmam que um homem «com aquela posição» é incorruptível, não há necessidade nenhuma de introduzir o cristianismo na discussão. Lord Francis Bacon era engraxador? O Duque de Malborough era varredor de ruas?Na melhor Utopia, tenho de estar preparado para a queda moral de qualquer homem, de qualquer posição, a qualquer momento, em especial para a minha própria queda, da posição que ocupo neste momento."

G. K. Chesterton, in Ortodoxia

terça-feira, 21 de outubro de 2008

As contradições do tempo

Ao passar os olhos pelas notícias de hoje, deparei-me com estas três e… continuamos impávidos, serenos e embalados pela música e pelas iluminações de Natal das grandes superfícies comerciais mais de dois meses antes do Dia de Natal.

  • India

Mais de 60 mortos e 50 mil refugiados em violência contra cristãos
Os ataques sucedem-se, há dois meses, em especial no Estado de Orissa, onde uma freira foi incitada, por cinco mil mulheres hindus, a casar-se com o seu violador.Casas e igrejas são destruídas, as linhas que delimitam os terrenos privados são retiradas, as terras ocupadas e divididas entre os agressores.
Os poucos cristãos que ficam nas aldeias são obrigados, sob ameaça de morte, a converter-se ao hinduísmo.
Para os que se recusam, há um castigo: são obrigados a profanar bíblias, a agredir cristãos e, nalguns casos, a beber urina de vaca, considerada «purificadora» para alguns hindus.
O padre Ajay Singh, um dos poucos a ter acesso aos campos de refugiados, descreveu que «os cristãos estão a ser tratados como animais».
«Recebem um cobertor por família, não existe qualquer sistema sanitário ou de higiene. Mais trágico é que nem sequer lhes é permitido rezar, estão constantemente a ser observados pelas forças de segurança», contou.
Um casal terá sido intimado a rejeitar a religião cristã, o marido aceitou mas a mulher, grávida de sete meses, recusou e pagou um preço: terá sido esquartejada pelos hindus.
Há relatos de pessoas, incluindo crianças, regadas com gasolina e incendiadas. Lusa / SOL

  • Portugal no topo das desigualdades da OCDE

Portugal é um dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) com maiores desigualdades na distribuição dos rendimentos dos cidadãos, ao lado dos Estados Unidos e apenas atrás da Turquia e México.
No seu relatório “Crescimento e Desigualdades”, hoje divulgado, a OCDE afirma que o fosso entre ricos e pobres aumentou em todos os países membros nos últimos 20 anos, à excepção da Espanha, França e Irlanda, e traduziu-se num aumento da pobreza infantil.
(…)Lusa

  • Cavaco promulga nova lei do divórcio mas alerta para "profunda injustiça" que irá desencadear

O Presidente da República promulgou hoje a nova Lei do Divórcio, deixando, contudo, um alerta para as situações de "profunda injustiça" a que este regime jurídico irá conduzir na prática, sobretudo para os mais vulneráveis.
"O novo regime jurídico do divórcio irá conduzir na prática a situações de profunda injustiça, sobretudo para aqueles que se encontram em posição de maior vulnerabilidade, ou seja, como é mais frequente, as mulheres de mais fracos recursos e os filhos menores", lê-se numa mensagem de Cavaco Silva, publicada no 'site' da Presidência da República.
Por outro lado, refere ainda o comunicado, o diploma, incluindo as alterações introduzidas depois do veto presidencial de 20 de Agosto à primeira versão da lei, "padece de graves deficiências técnico-jurídicas".
Além disso, "recorre a conceitos indeterminados que suscitam fundadas dúvidas interpretativas, dificultando a sua aplicação pelos tribunais e, pior ainda, aprofundando situações de tensão e conflito na sociedade portuguesa".
Lusa

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Mudar de vida

Prometo, não toco em nada, na crise que todos falam, prometo passar ao largo, mas se é global como dizem, se não vem da natureza, terei também que assumir a quota parte de culpa que me cabe neste transe, nesta parcela que habito, onde vivo e onde voto, nas coisas que não preciso e que compro sem poder, muitas vezes a dever, mas o pior é que faço do consumo a minha regra, e aumento sem saber a perversão que hoje existe, sem horizonte ou remédio, desligada da memória, desligados uns dos outros, recurvados no umbigo, perdeu a vida o sentido e moralista não sou.
Para obviar ao que digo vou olhar o firmamento, contar as estrelas do céu, descobrir nas madrugadas o cheiro que a terra tem e agradecer a beleza bem criada por Alguém! Faço parte deste todo, sozinho não sou ninguém. Para conseguir tudo isto eu só vejo uma saída – vamos ter que mudar de vida.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A bolsa ou a vida!

Assim de repente, o mundo reduzido a uma escolha tão simples, nem sei que lhes diga, talvez a bolsa! Talvez a vida!

Não tive escolha, como não tinha bolsa tive que dar a vida! Depois levaram-me ao cimo de um monte e ofereceram-me a resignação. Lembro-me bem, estávamos nesse tempo a celebrar as exéquias do comunismo, o muro tinha caído, e diziam-nos que o mercado era a porta da felicidade. Não acreditei, mas já era tarde, executivos e gestores irromperam pela sala, apresentaram-me os números e fizeram-me sentir o inútil que sou. Estava a mais, e por mais contas que fizessem estava sempre a mais! Reagi, falei na produção, que a empresa era antiga e já tinha passado por outras tormentas… Meu Deus, o que eu fui dizer! Alvejado com nova rajada de números ouvi a temível previsão – a continuarmos assim estamos perdidos.
Saí com a noção patriótica de que se não saísse a empresa não se salvava.
Num último gesto de solidariedade despedi-me da telefonista prestes a ser substituída por um gravador de voz.
O mundo girou entretanto, a engenharia e euforia financeiras instalaram-se, os executivos foram enriquecendo mas a empresa foi empobrecendo.
Hoje está mal, não se recomenda. E, como as demais, espera ansiosamente por uma ‘mãozinha’ do Estado!

domingo, 5 de outubro de 2008

5 de Outubro

" Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,"
Fernando Pessoa

A 5 de Outubro de 1143 é assinado o tratado de Zamora.
Há oitocentos e sessenta e cinco anos nasce esta nação sagrada.
Portugal, não te esqueças da tua história!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Católicos perseguidos na India

Pelo seu relevo evangélico, publico o texto de um missionário português na India.
Porque para além da bolsa e do futebol existe o mundo... e os mártires cristãos no mundo...

Índia, 20 de Setembro de 2008.
Ontem, aqui na nossa cidade de Guntur os cristãos de diferentes confissões reuniram-se numa manifestação pública chamada marcha da paz, que era um protesto contra a discriminação e a perseguição.
Os cristãos são martirizados por grupos fanáticos xenófobos hindus. Os números estão sempre em crescimento, porque a actividade não cessa: mais de 50 mortos, milhares de casas queimadas, centenas de veículos, escolas, casas de religiosos paróquias e lugares de culto queimados e vandalizados. Orissa foi o começo, actualmente cinco Estados estão em pé de alarme e pensamos que está a formar-se uma vaga que vai chegar um pouco a toda a parte.
Damos graças a Deus por termos sido poupados até agora, mas a possibilidade de sermos atingidos é bastante alta, se nada mudar o curso dos acontecimentos.
Uma boa notícia foi dada ontem, quando a Presidência declarou o “estado de sítio” e fez passar a segurança para o Governo Central. Uma esperança que o Governo xenófobo dos Estados que protegem os fanáticos se retire. Altas autoridades locais protegem estes fanáticos que se deslocam em camiões durante a noite, chegam às centenas, e por onde passam semeiam o terror e a confusão sem oposição. A polícia recusa-se a intervir e só prendem os cristãos que revoltados manifestam o seu descontentamento.
O objectivo destas perseguições é a criação de estados hindus sob o lema: um só povo, uma religião, uma nação.
As pessoas que abandonaram o hinduísmo têm de se reconverter a custo da própria vida. Os que não aceitam são espancados sem piedade, ou mortos. Milhares de pessoas fogem para as florestas para não serem surpreendidos por estes bandidos que obrigam os cristãos a deixar as localidades e mudar de poiso. “Neste estado não há lugar para vocês”. Milhares de pessoas deixaram tudo e partiram, porque eles não brincam: queimam, violam, destroem e matam. Há um relato de um jovem seminarista que foi enterrado vivo e de irmãs violadas na rua. Cenas da selva instigadas por um fanatismo que cresce…
Segundo um dos chefes do BJP, tudo começou quando o Papa João Paulo II, em visita à Índia, disse que “ a colheita tem que ser abundante”.
Eles interpretaram esta frase como um slogan de proselitismo. Sem distinguir católicos de protestantes ou de seitas evangélicas, tudo o que é cristão é um alvo e o máximo destes sentimentos explodiu em Orissa, quando um pastor protestante australiano foi queimado vivo com os seus dois filhos. A actividade das igrejas cristãs causa inúmeros ciúmes aos hindus. Não suportam a caridade, as escolas, os hospitais e o cuidado dos pobres. O grande mentor dos fanáticos (o Papa dos Hindus) foi assassinado em 23 de Agosto passado pela guerrilha maoista, que reivindicou o acto. Foi a desculpa que faltava para o começo de uma perseguição terrível e bem orquestrada dirigida contra os cristãos.
Ontem, um amigo padre de Goa a trabalhar na fronteira com o nosso Estado, a 100 km daqui, telefonou-me a pedir união de orações, porque os fanáticos anunciaram que iriam atacar a sua igreja durante a noite. Hoje o telefone não responde e não sei o que pode ter acontecido.
Aqui, no nosso Estado de Andhra Pradesh, o partido no poder herdeiro de Gandhi é muito respeitador de todas as religiões e, mesmo nas famílias, há diferenças religiosas sem qualquer tipo de conflitos religiosos. Nós podemos circular livremente e trajar hábito religioso em púbico sem problemas. As Missionárias da Caridade – Irmãs da Madre Teresa, como lhes chamam aqui – são muito apreciadas e os hindus competem para pagar as refeições do hospício para idosos e meninos da rua, que fazem como presente de aniversário. Diga-se de passagem que os hindus não são propensos à violência, praticam a caridade que, para eles, é indispensável para conseguir a vida eterna (mokza) e estima os cristãos.
Portanto, o problema vem dos fanáticos radicais que também são poderosos, porque estiveram no poder até 2003 e saíram porque tudo o que sabiam fazer era construir templos. Continuam a acusar os missionários estrangeiros de fazerem conversões forçadas do hinduísmo a troco de dinheiro.
Ontem, estivemos numa marcha pela paz e hoje a polícia anda à procura de informações sobre nós… na hora em que estou a escrever, eles foram ao nosso Noviciado perguntar por missionários estrangeiros… eles lá sabem para quê.
O nosso relacionamento na cidade é muito cordial e pacífico. Estamos a começar o nosso trabalho pastoral, pois há uma capela que estamos a construir numa zona com trinta famílias católicas. À nossa volta há dois bairros de barracas e estamos a trabalhar com as pessoas, para conseguirem construir as suas casas. Visitamos regularmente e muitas vezes, temos que ir ao hospital ou intervir para conseguir por as crianças na escola. Antes do Natal, vai-nos ser confiada uma pequena paróquia onde os jovens padres indianos poderão fazer pastoral. Portanto, deste lado, tudo boas notícias. O Sagrado Coração tem-nos abençoado pelas vocações e pelo nosso ministério.
Continuem a rezar pela paz e para que cessem as perseguições!
Vivat Cor Iesu!
Um grande abraço,
Pe. Pedro Coutinho, scj

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

CRIANÇA, SABES COMO ME CHAMO


Criança __ sabes como me chamo __
Tens um olhar meigo __ que me atrai __
E que me fala __ de uma entrega pura e simples __
«Quero guiar o teu barquito…» __
Eis o que dizes.

Ó que espanto tremendo
Como consegues __ com a tua mão de criança,
Com a tua voz de criança __ como consegues
Acalmar as vagas __ bramosas __
E o vento?

Se tiveres medo __ ou estiveres cansado __
Enquanto a tempestade __ estronda,
Não hesites __ se quiseres __ em pousar
A tua cabecita loura __
Sobre o meu peito.

Como tens um sorriso espantosamente meigo
Quando dormes __ ou dormitas __ não sei,
Não tenhas medo __ Com o meu doce canto __
Quero embalar-te __ sou um Mudo muito terno __ sabes?
E tu __ uma criança que não esqueço.


escrito por Santa Teresa do Menino Jesus em Dezembro de 1896 - morreu a 30 de Setembro de 1897 celebrando-se em 1 de Outubro a sua festa litúrgica

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A importância de saber chegar a casa




Mário Cordeiro, pediatra, disse na semana passada numa conferência organizadapelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal deOeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados seos pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicareminteiramente aos seus filhos durante dez minutos.'Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativatão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar,largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles,para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmentee voltam para as suas brincadeiras.'Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para elessentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são umaprioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidosou até encurtados conforme as circunstância do momento ou de cada dia. Aideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com osfilhos e dedicar-lhes toda a atenção.Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóveltem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia.Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, osnervos e stress acumulados, e ainda a falta de atenção ou disponibilidadepara estar com os filhos, dá origem a uma espiral negativa de sentimentos,impaciências e birras.Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quandoos vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamara sua atenção da pior forma. Por tudo isto e pelo que fica dito no iníciosobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dosseus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nasnossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor.


in Boletim de Julho da Acreditar

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Revisão da Lei do Aborto

Assine aqui a Petição para a Revisão da Lei do Aborto, se ainda não o fez.

E visite o blog Portugal pro Vida para outras informações sobre este tema.

domingo, 21 de setembro de 2008

Moral de uma história imoral

Gonçalo Portocarrero de Almada - Público, 20080920

Quer uma relação para toda a vida? Faça um contrato de trabalho, mas não case! A disparatada ideia de um matrimónio indissolúvel esteve em voga nos últimos dois mil anos. Modernamente, achou-se que era muito monótono um casamento para sempre e, por isso, inventou-se o casamento a prazo, ou seja, precário.Ao princípio, a lei entendia dever proteger os interesses dos filhos e do cônjuge contra os quais era pedido o divórcio. Mas como um tal conceito de culpa ou de responsabilidade parecia contrário à moralidade laica, entenderam agora os deputados que o matrimónio deve ser revogável em qualquer caso, mesmo a pedido do cônjuge faltoso. Esta moderna liberdade democrática mais não é, portanto, do que uma nova versão do antigo repúdio.A possibilidade do despedimento do cônjuge, sem necessidade de nenhuma razão, não tem contudo paralelo na legislação laboral, onde se exige que a entidade patronal seja mais respeitosa dos direitos dos seus assalariados. Quer isto dizer, em poucas palavras, que o patrão pode agora mandar bugiar a sua patroa sem necessidade de se justificar e até mesmo depois de a ter sovado, mas já não pode despedir com a mesma liberalidade a sua secretária, pois, para um tal desatino, a lei exige-lhe uma justa causa. A incongruência entre os dois regimes legais é de feição a concluir que o Estado prefere as empresas às famílias; ama mais o lucro do que a moral. Mas também ensina que quem quiser uma duradoira relação pessoal deve optar pelo contrato de trabalho e nunca pelo matrimónio, do mesmo modo como quem pretenda um vínculo contratual facilmente rescindível deve casar-se e nunca enveredar por um contrato laboral. Quer estabelecer uma relação estável, com uma pessoa do outro sexo, contando para o efeito com todas as garantias legais? Pois bem, estabeleça com essa pessoa um contrato de trabalho e fique descansado, porque o Estado vai assegurar o fiel cumprimento desse pacto, ao contrário do que aconteceria se com ela casasse, porque o matrimónio é um vínculo tão precário que nem sequer se necessita nenhuma razão para proceder à sua extinção. Se o problema é, pelo contrário, conseguir uma pessoa que assegure o serviço doméstico, sem perder a possibilidade legal de a despedir se a sua prestação não for satisfatória, mesmo que a lei não contemple esse caso para a rescisão do respectivo contrato laboral, a solução é simples: recorra a uma pessoa do outro sexo e case-se com ela, pois mesmo que não tenha qualquer razão que justifique legalmente o seu despedimento, o Estado garantirá a possibilidade de dela se divorciar quando e como quiser. Quer uma relação para toda a vida? Faça um contrato de trabalho, mas não case! Quer uma relação precária, de que se possa desembaraçar quando quiser e sem necessidade de nenhuma causa justa? Case, pois não há vínculo jurídico mais instável no sistema jurídico português! Moral desta história imoral: empregue a pessoa que escolheu para parceiro de toda a sua vida e case com a sua mulher-a-dias!
Sacerdote, licenciado em Direito e doutorado em Filosofia

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Fica-lhes mesmo bem!

Enquanto se procede a obras de melhoramento no hemiciclo em S. Bento, os trabalhos desta legislatura prosseguem provisoriamente na belíssima Sala do Senado que para o efeito foi remodelada. Além da ausência do barrete frígio, compraz-me saber que os nossos depreciados deputados da república actuem, mesmo que temporariamente, sob a vigilante figura do rei D. Luís (o popular) imponentemente representado na cabeceira da sala.

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Fica-lhes mesmo bem!

Enquanto se procedem a obras de melhoramento do hemiciclo em S. Bento, os trabalhos desta legislatura prosseguem provisoriamente na belíssima Sala do Senado que para o efeito foi remodelada. Além da ausência do barrete frígio, compraz-me que os nossos depreciados deputados da republica actuem, mesmo que temporariamente, sob a vigilante figura do rei D. Carlos, um dos nossos últimos grandes chefes de estado, imponentemente representado na cabeceira da sala.

Publicado também aqui

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Uma grande mulher




Sarah Palin foi mayor de Wasilla e governadora do Alaska. Está casada e tem cinco filhos.

Se tivermos em consideração o discurso habitual sobre as dificuldades que as mulheres sentem em conciliar a carreira profissional e a vida familiar, Sarah Palin pode muito bem ser admirada por todas as mulheres como uma mulher modelo.

Curiosamente, a nomeação de Sarah Palin como candidata à vice-presidência não foi bem recebida pelas feministas. E percebe-se porquê. Nas felizes expressões de Harvey Mansfield, Sarah Palin conduziu a sua vida profissional with the force of a man e a sua vida familiar with the grace of a woman.

Sarah Palin está muito próxima de se tornar vice-Presidente dos Estados Unidos da América sem que para isso tenha abdicado da sua condição natural de mulher. Em vez da liberdade sexual, Sarah Palin escolheu um só homem. Em vez do divórcio, Sarah Palin está casada há cerca de duas décadas. Em vez do aborto, Sarah Palin tem 5 filhos (o mais novo com síndrome de Down).

A vida de Sarah Palin revela que é possível a uma mulher ser igual aos homens sem ela mesma se tornar num homem. Poderia e deveria ser um motivo de contentamento para todas as mulheres. Mas para as feministas não é.


(Ver Harvey Mansfield Was Feminism Necessary? Forbes.com)
Publicada por Nuno Lobo em 1:28 AM

sábado, 13 de setembro de 2008

Pedro Hispano Portugalense


A História da Igreja lembra hoje,
no ano de 1276,
a eleição papal de João XXI.

A revista Acção Médica
(órgão oficial da Associação dos Médicos Católicos),
a respeito deste papa português,
dedicou o seu número
de Novembro de 2007
“Pedro Hispano Portucalense – Papa João XXI
no 8.º Centenário do seu Nascimento.

Para uma melhor aproximação
a esta obra de referência,
sugiro aos interessados,
para além da eventual aquisição
da mesma, uma visita ao site
oficial da Acção Médica:
http://amcpporto.no.sapo.pt/index.html

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Começou a escola...


Segunda feira iniciámos uma nova fase da vida da criançada...escolinha!!! Até fomos comprar mochilas do noddy! Cada um escolheu a sua e como "bons manos" que são acabaram por escolher iguais (para mim foi melhor assim... não vá o mano querer a da mana e vice-versa!)Tinha o cuidado de nos ultimos meses passar com eles com muita frequência à porta da escola, dizia-lhes sempre "aqui é a escolinha, depois vocês também vêm para a escolinha brincar com os meninos!!!" ou qualquer coisa do género. Eles próprios já sabiam que era a escola, mas de fcato não percebiam o que era "a escola" propriamente dita...



Posto isto, nunca pensei que fosse tão difícil deixar os miúdos na escola... Bolas, a escola é uma coisa normal, todos os meninos vão para a escola, mais cedo ou mais tarde... Faz bem à saude:) aprendem, brincam! Então... porque é que custa tanto lá deixar os piruças? Porque choram tanto e chamam insistentemente "MAMÃ" "MAMÃ" MAMÃAAAAAAAAAAA" Deixam-nos com uma miscelânia de sentimentos e os mais variados (e tontos também!) pensamentos assombram o nosso cerebro "Será que estou a fazer a coisa certa?" "Será que a escola é uma coisa boa" "Não era melhor ficarem em casa?" "Vão chorar todo o dia?" "Será que vão comer?"


Será que...