sexta-feira, 21 de setembro de 2007
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Aquilino Ribeiro
Aproveitando a deixa pertinente de JSM, acrescento mais duas palavras sobre a trasladação da decência nacional, hoje acontecida.
Nascido no Portugal que se esvaía na degradação política do final do século, Aquilino ganhou direito a um lugar no panteão.
Não porque seja um escritor impar. De facto, porquê ele e não, por exemplo, o príncipe Almada, ou Pascoaes, sempre grandioso, ou, também, o Régio poeta, que despertou para a poesia (quase) todos os que se lhe seguiram. E porque não, ainda, Torga, como nenhum outro entusiasmado com a sua terra, ou Sofia de Melo Breyner, não por rendição ao critério das quotas mas por genuíno mérito da autora? Trata-se de reparar uma injustiça histórica? Então que dizer de Herculano e de Camilo, ausentes do panteão?
Certa vez, pouco antes de 1 de Fevereiro de 1908, dois homens ajustavam o manuseamento de uma bomba. Esta veio a explodir, e aqueles morreram. Nessa circunstância o agora novo inquilino do panteão foi preso. É que era ele o dono do quarto/campo de treinos onde os dois ensaiavam. Acresce que, posteriormente, participou também no regicídio! Por conseguinte, pode dizer-se que se ajeitava bem nesse ambiente hoje só comparável com o mundo do terrorismo.
Portanto, e obviamente, o mérito que trouxe este homem ressentido com a nobreza até ao panteão, este humanista medíocre e pequeno escritor regional até às luzes da ribalta, deve ser encontrado, não nas páginas da literatura, mas por entre os papéis que registam os que se acoitavam na maçonaria. É ai que se encontra a razão de ser da tolerância do regime para com este homem intolerante .
Enfim, é caso para dizer que o panteão está inquinado com a publicidade da Loja.
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Pope
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Coincidências
Arautos bem situados asseguram que o descanso dos portugueses será igual à paz… dos cemitérios!
No mesmo tempo e lugar prepara-se a trasladação dos restos mortais de um escritor para o denominado Panteão Nacional. “Arguido” de ser promotor do crime de regicídio, ou conivente com os regicidas, não deixa de ser uma triste coincidência a sua elevação à categoria de vulto nacional!
Os mortos devem descansar em paz, mas neste caso, são os vivos que não deixam descansar ninguém.
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JSM
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terça-feira, 18 de setembro de 2007
Scolari
(Devidamente autorizado pelo próprio, Pope dá a conhecer ao grande público alguns dos mail’s mais significativos, de entre os vários milhares que ‘atascaram’ a conta pessoal de Scolari nos últimos dias)
Mail enviado pelo DE (não foi possivel decifrar a sigla)
Luís Filipe
Seu sangue italiano teve mais uma erupção.
E depois de ter dado com a mão nele você deu um pontapé na verdade,
nesses esclarecimento que posteriormente prestou, algo nebulosos…
Não foi bonito não!
Mail enviado pela Administração de Portugal dos Pequeninos
Nós, em nome das crianças indefesas de Portugal, vimos expressar o nosso mais veemente protesto, afirmar os nossos direitos e dizer que jamais poderemos tolerar o mau exemplo que V.Exª nos deu. Que se assobie o hino dos visitantes, que o árbitro seja empalado com ordinarices, que se insulte o adversário com palavrões, que se finja durante todo o jogo haver faltas que não existiram, isso são manifestações de tolerância desportiva. Mas saiba que nós mesmos temos um limite: violência não!
Mail enviado, às 02h37 do dia 13/09/07
pelos leitores de A Bola
É só isso.
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
(com a colaboração de Vanessa da Mata)
Mail enviado 72 horas depois dos lastimáveis acontecimentos
pela Presidência da Republica
Maria chocada.
Netos inconsoláveis.
Eu, que tenho pautado a minha magistratura presidencial pela coragem (vide, referendo de 11 de Março último ou a recepção ao Dalai Lama), fiquei deveras en-cavacado (espécie de paralisia facial/institucional, que só me permite afirmar os gestos políticos que são de prever mantenham a minha popularidade em alta).
Conselheiros, que habitualmente me sugerem prudência, dizem que é agora que poderei mostrar que tenho sentimentos viris.
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Pope
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Corpo Humano: Instrumento ou destinação?
A exposição do corpo humano desta forma é a redução do mesmo a uma máquina complexa, com a qual, sabendo-se à partida que gerará curiosidade, se pretende obter proventos – cada entrada na exposição ao fim de semana custa 21 Euros.
Mas o que de mais importante existe no ser humano jamais poderá ser visto ou exposto deste modo.
O corpo representa a vida, nele se encerrando a grandeza do mistério humano. Toda a expressão da vida é corpórea. É pelo corpo que exprimimos a ternura, que construímos intimidade e realizamos todos os gestos.
“Isto é o Meu Corpo que é para vós” – Jesus entregando-nos o Seu Corpo, dá-nos a Sua Vida, o mesmo é dizer dá-nos tudo o que É e o que tem e assim constitui modelo para todos o que O querem seguir. Este doar-se não tem a ver com expor-se, num sentido manipulatório.
O corpo humano tem uma dignidade que não é compatível com a exibição pública e ostentatória do mesmo.
O ser humano é criatura de Deus e o nosso corpo é templo do Espírito Santo. É através dele que exprimimos tudo o que somos – a grandeza e a nobreza da nossa humanidade, mas também a sua fragilidade e contradição.
O corpo de Jesus ressuscitado é o princípio da redenção do nosso próprio corpo e toda a redução deste a mera condição de sistema orgânico é a total perversão do sentido da realização humana.
É a descoberta deste sentido que devia ser o desejo maior da nossa vida e que devia (pre)ocupar a nossa existência, mas assim não acontece…
Continuamos distraídos e longe de querer começar a entender que se Aquele a quem estamos destinados nunca ninguém O viu, “O Unigénito do Pai no-lo revelou”: O destino para o qual o Homem é feito fez-se Um entre nós.
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Anónimo
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domingo, 16 de setembro de 2007
Para que a gratidão abençoe o tempo presente...
Em Agosto desse ano, um frade capuchinho italiano, Marco de Aviano, que virá a ser beatificado por João Paulo II, é nomeado grande-esmoler das armas cristãs. A pequena ‘estória’ vê nele o criador do ‘capucino’, mas a história reconhece-o, sobretudo, como o homem que conseguiu convencer o rei da Polónia a vir em socorro da cidade imperial com os seus 40 000 homens. A cidade estava cercada desde 14 de Julho (!) e a sua rendição estava por horas. A relação de forças era desfavorável aos cristãos, mas Viena confiava-se à intercessão da Virgem Maria sendo a sua imagem erguida em todos os estandartes. Sobre o Kahlenberg, que domina a parte norte da cidade, o pe Marco celebra Missa, servido pelo rei Sobieski e perante o exército disposto em semi-circulo. O capuchinho entusiasma as hostes prevendo uma vitória inaudita. Ao terminar a Missa em vez de dizer as palavras litúrgicas ‘it Missa est’ grita ‘Ioannes vinces’-‘Jan vencerá!
Então, as tropas conduzidas pelo rei da Polónia, João III Sobieski, e pelo duque Carlos de Lorena atacam os otomanos ao romper da aurora de 11 de Setembro (!). Um sol esplêndido espelha-se sobre os dois exércitos de quem depende a sorte da Europa. Os sinos da cidade soam desde a manhã. As mulheres e as crianças rezam nas igrejas, implorando a ajuda de Nossa Senhora. Pela tarde, o estandarte do Grão Vizir cai nas mãos de Sobieski. Na manhã seguinte, entra na cidade em jubilo e vai assistir à Missa e ao Te Deum na Igreja de N. Srª do Loreto a quem atribui a vitória. Mas também o Papa atribui a vitória à intercessão de N. Srª. Como sinal de devoção Inocêncio XI institui assim a festa em honra do Santíssimo Nome de Maria. Esta será estendida a toda a Igreja sendo S. Pio X a fixá-la a 12 de Setembro, dia da celebração do aniversário da vitória. Todavia, tal celebração será retirada do calendário com a reforma litúrgica de 1970. Porém, o Papa polaco, aquando da reedição do Missal Romano, restabelece-a de novo nesta data. Em Março de 2002. Por providencial coincidência, alguns meses depois dos atentados de Nova Iorque.
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Pe Pedro
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sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Justiça em segredo
“Não é permitida, sob pena de desobediência simples, a publicação, por qualquer meio, de conversações ou comunicações interceptadas no âmbito de um processo, salvo se não estiverem sujeitas a segredo de justiça e os intervenientes expressamente consentirem na publicação”.
Aqui está o resultado de um laborioso ‘pacto de justiça’ entre os partidos que nos têm governado desde a revolução dos cravos, a tal que invocava os valores da liberdade, da justiça, da separação dos poderes, em suma, da transparência que gera a confiança entre governantes e governados. Aqui está a cereja que faltava no bolo da terceira república.
A partir de agora vai ser um descanso, processos como o da Casa Pia, Portucale, Apitos, qualquer que seja a cor, e outros, nem do ovo saem, ficam no segredo dos deuses, com letra pequena. Primeiro está o bom nome das pessoas. E assim é que deve ser, porque como diz o ministro da Justiça – “as escutas são para a investigação, não para a divulgação”! Só faltou dizer – confiem em nós!
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JSM
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quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Então... feliz ano novo!
Talvez seja uma ilusão, mas o final do Verão sempre me pareceu demasiado abrupto: no espaço de uma ou duas semanas, os longos e radiosos dias quentes escurecem e minguam vertiginosamente, trazendo consigo uma suave nostalgia, quando não uma recôndita angústia. De repente sentimos saudades do Verão que passou... ainda na semana passada, num fim de tarde na Adraga, com chinelos e poeira, um petisco e uma cerveja, aquela eufórica sensação de liberdade e o coração tão aceso. Confesso que, apesar de trabalhar durante grande parte do Verão, vivo-o com o jovial espírito de “férias grandes” de outrora. São os jantares tardios na varanda, a cidade utopicamente deserta, as coloridas esplanadas para beber um simples café ou as longas saídas de fim-de-semana.
E de repente a rotina doméstica altera-se com a preparação do retorno às aulas. Umas "cópias" e umas leituras forçadas vêm cortar a indolência das tardes de Setembro à pequenota. Há uns amuos e os sonos ainda trocados. Os mais velhos resistem como podem ao fim da época balnear, e numa manhã destas finalmente lá foram, contrafeitos, tomar nota dos horários.
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João Távora
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Madeleine
A Inglaterra campeã do mundo de fair-play. Campeã de cosmopolitanismo. Artifice dos principais jogos que divertem o mundo: whisky, gin e smoking, mais os beatles, os pink floyd e outros, a que acresce o football, o rugby, o poker e o king...
A Inglaterra, também, na linha da frente dos jornais sensacionalistas, de devassa da vida privada das suas estrelas. Despida de preconceitos e do resto da roupa. Exorbitante no consumo de álcool. E de haxixe. E heroína e coca. E massivamente consumidora de televisão & comp.
A Inglaterra que inventou uma princesa que parecia vinda de um enredo da periferia.
A Inglaterra formalmente religiosa: nos concertos dados nas abadias, nas nomes bíblicos das academias universitárias, no enterro solene dos seus personagens e no que mais resta de alguns gestos tradicionais. Stop.
Esta parte do mundo que esquece o resto do mundo e que se chama ocidente.
Esta parte do mundo que se esquece da injustiça no mundo (como, por exemplo, no Darfur, na China esclavagista, na Cuba (ainda) despótica, na África exemplarmente descolonizada…).
Esta parte do mundo que se gaba de ser racional face ao resto do mundo.
Esta parte do mundo a proibir a caça à raposa. A ter horror aos touros de morte. A sofrer com o desumano abandono de animais durante o período de férias. Com medo dos transgénicos. Ferozmente anti-tabaco. Com diferentes ASAE’s da UE inventariando crimes a exterminar.
Esta parte do mundo onde o aborto é legal e que luta pela manipulação genética. E pela eutanásia. Que vulgariza a homosexualidade. Aqui onde as ‘pedofilias’ todas tentam emergir legais. Onde há um medo paranóico do sofrimento. E medo do outro. Onde o medo anda travestido de tudo por medo daquela que, iniludível, nos virá buscar…
A culpa. Essa culpa de existir sem porquê, para nada. A angustia. A culpa por não haver nada a fazer com a culpa, senão compras, umas férias longe, e a tentativa de sermos comunidade na sensação que muita televisão nos dá de nos conhecermos todos bem. A culpa de sermos uma civilização que não o é.
O mundo chamado ocidente a viver a sua peregrinação possível. Obviamente de costas voltadas para a Jerusalém do alto. Obviamente, também, desconfortável face aos sanguinários gestos pré-colombianos. Intrepidamente contra os direitos absurdos da divindade muçulmana. A achar graça, porém, a essa finta que lhe permite voltar a apresentar-se a exame no ano seguinte, na reencarnação seguinte, deixando para depois a sua responsabilidade de hoje…Mas sem deixar nunca de ser racional.
A organização da existência sem Igreja, na posse da existência, dos seus sucessos e culpas, sem ritos sacrificiais. O sacudir da memória cristã, na aflição com a hipotética denúncia que outrem possa fazer reconhecendo vestígios de dogma.
Uma família classe média que aparenta classe. Os pais médicos=modelos de vida saudável e moderna. Férias comuns numa praia do sul. Das suas três crianças indefesas, a mais velha desaparece. Evidentemente raptada, provavelmente em direcção a Marrocos. A imediata identificação de todos com o amor dos pais. Mimetismo afectivo. A convocação automática da comunicação social, para salvar a criança perdida, para interceder, para explicar tudo, para fazer o julgamento sumário dos criminosos. Surge uma grande comunidade na dor, nos gestos sentimentais, como o das velas acesas, e na partilha de alguns trocos em favor de um saco azul de uma benevolência difusa.
A posterior complexidade da coisa. O avolumar de suspeitas sinistras que envolvem a Mãe! e o Pai!...
O relativizar da culpa privada. O eliminar de uma consciência sagrada face à culpa, sem o que o homem mente!! A insignificância da justiça divina face à potência do juízo televisivo. A irrelevância do pudor e do silêncio face à violência. O inferno bíblico considerado ridículo. A necessidade de reparação urgente: eficácia na punição. A comunhão com os que pareciam ser vítimas tornada ódio seminal pois, afinal, parecem ser eles os culpados.
A necessidade de ocupar o lugar que Ele deixou vago e poder dizer: omnisciente vejo tudo. Pornografia seria haver ainda algum segredo. Perscrutar, com os novos sumos sacerdotes da alma, a psique. Sou juiz: tu tens culpa, eu não. Não te esquecerei. Jamais!
Pelo menos até que outro episódio escandaloso me permita passar adiante, esquecendo tudo o que está por resolver, em mim…
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Pe Pedro
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terça-feira, 11 de setembro de 2007
Educação e televisão
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alexandrachumbo
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segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Bons pais precisam-se!
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alexandrachumbo
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Prefiro este.
Num dos habituais inquéritos de verão feitos em França perguntava-se qual era o mais belo desporto do mundo. Tenho para mim que é o râguebi, porque a essência do desporto é um misto de inteligência mental e de bondade para com o outro. Há muitos anos recordo-me de um jogo que assisti na África do Sul. Foi em Pretória e estavam mais de cinquenta mil pessoas a assistir. Os adeptos estavam misturados e cada ensaio era comemorado com contenção, com um grito de alegria sentido mas sem exuberância. Não existiam assobios, nem apupos ostensivos, nem ofensas verbais. Cada decisão do árbitro era respeitada e sentia-se um silêncio nas bancadas que evocava o esforço de cada homem que estava a jogar, a sua dignidade, a sua grandeza, o adversário como um aliado. O acto de jogar era infinitamente mais rico que o de ganhar. Foi o mais belo jogo que alguma vez assisti na vida numa África do Sul assolada pela violência. A partir daí o râguebi tornou-se o "desporto", o mais belo, o que até hoje nunca foi desmentido. Em Portugal o râguebi é um desporto de elite jogado nas universidades e por meia dúzia de equipas e quase sem expressão. Ir ao campeonato do mundo é um feito imenso que o mundo desportivo e político ignora completamente. Sábado joga-se com a Nova Zelândia e o jogo não é transmitido em canal aberto na televisão na terceira prova com mais prestígio no mundo depois dos JO e do Mundial de futebol. Que vergonha, que mediocridade de pensamento, que totalitarismo de gosto.Para que serve o canal 2? Jogar com a Nova Zelândia é uma vitória, é como para quem gosta de literatura estar com Herberto ou de cinema com Resnais. É por isso que o futebol se torna uma adição, uma droga, quase uma violência. Amanhã vão ser horas e horas a falar da vitória sobre a Sérvia, vai-se falar disso como uma conquista do Portugal verdadeiro. Mas isso é curto, demasiado pequeno. A derrota, no sábado, com a Nova Zelândia, transporta a aventura, a solidão de homens que não têm medo, o Adamastor da alma, o gesto épico de um País. Prefiro este. O País fora de estrutura.
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Gito
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A educação dos filhos
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domingo, 9 de setembro de 2007
História de algibeira (18)
O tipo à direita deve ser o “sigurança”.
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João Távora
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quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Missionária da Caridade
(Nos 10 anos da morte da Madre Teresa)
Uma fotografia junto a um moribundo. Outra mostrando-a a sorrir. Uma frase lapidar ligando o aborto e a paz. Algum episódio que ouvimos acerca da sua vida ou qualquer coisa vista à pressa na televisão, transformaram esta freira que, em nome de Jesus, pretendeu enterrar-se nos confins do mundo, numa figura familiar a todos nós, e que todos, mais ou menos, julgávamos conhecer e compreender. Poucos terão deixado de se impressionar com a sua vida, toda dada aos pobres, vida essa que nos aparecia de um modo óbvio e como que sem segredos.
A publicação recente das suas cartas aos padres que ao longo dos anos a acompanharam em direcção espiritual vem por em causa a leitura linear da sua vida: católica-generosa-freira-orações-dedicada aos pobres-santa…
Eis que por detrás de anos de aparente tranquilidade surge a notícia de uma travessia sofridíssima face ao apelo de Deus para fundar as Missionárias da Caridade, na fidelidade intocável a essa vocação e na depuração total de uma noite começada nos anos 50 e que só terminaria a 5 de Setembro de 1997.
Não poucos cristãos, ligeiros na fé, reduzem esta a um sentimento que certifica a existência de Deus, ficando assim o Senhor refém das emoções de cada um. Mais sentimento, mais Deus. Mais sensação, mais certeza. Mais emoção, mais fé. Portanto, mais eu ‘contente’ mais Deus ‘contido’ em mim (donde, alguma razão teriam os que acusam os cristãos de serem gente que confunde a sua transpiração emocional com uma entidade pessoal a que chamam Deus). Como é óbvio, quem assim pensa e vive não deixará de encontrar motivos de desalento nas dúvidas da Madre Teresa.
Enganam-se os que sentem que Deus salva o mundo com bons sentimentos, borbulhas gasosas e outras sensações agradáveis. No âmbito do amor campeia hoje um vocabulário que não vai muito além do umbigo: ‘estar bem’, ‘realizar-se’, ‘ter direito a ser feliz’. Não que o Evangelho agache a promessa de felicidade: 100 vezes mais a promete o Senhor! Todavia, os termos são outros porque a realidade é Mistério que crucifica a pretensão do homem. Mesmo as suas boas intenções religiosas. Este só se abre ao Senhor na oblação da vontade chamada obediência, no esvaziamento de si em pobreza chamado comunhão, na ambição de uma aliança de amor maior chamada sacrifício.
A fé pode emergir dum sentimento, despertado pela Palavra. E quanto consolo não terá recebido a Madre Teresa quando o Senhor quis que ela o recebesse: alegria, alegria, paz, certeza, esperança! Mas a fé afirma-se na travessia do tempo como decisão, escolha, aventura de confiança: ‘mais Te escondes, mais o meu desejo permanece atento como sentinela’. Ou seja, a fé mede-se na fidelidade!
Deus revela-se, diz e diz-Se, apresenta-se como Pai, dá segurança e lei, vem como irmão e amigo, oferece a Sua presença interior, unção suave de gozo e paz e a partilha a Sua fecundidade. Mas o mesmo Deus vem buscar-nos a casa para nos trazer até à Sua Casa: seguem-se dias ou meses, todo o tempo que Ele providenciar, duma travessia sem dia de chegada marcado! Tempo assaltado por provações e tentações no silêncio escuro das estreitas veredas por onde se é chamado a seguir. Às vezes tempo de uma solidão invencível porque o Único que a podia vencer mais a afirma. Esse mesmo que sabe da nossa sede d’Ele e de quanta água temos guardada para o caminho nessa cisterna a que chamamos coração.
Acresce que surgiram a proclamar vitória e vingança os do costume, fardados com as pompas do ateísmo, confirmando a evidência de que a fé começa por ser um fruto da imaginação para terminar numa obsessão fraudulenta: fantasia-se Deus, Ele não se mostra, continua-se a viver fingindo que Ele existe. Daí que a Madre Teresa não fosse mais do que uma espécie de marxista sublimada, em versão católica.
Para o desmentir, bastaria lembrar que as utopias nascem generosas, afirmam-se na violência e morrem ferozes. Não consta que a Madre Teresa tenha pugnado por tribunais populares. Note-se, também, que a santa de Calcutá não deparou, a páginas tantas, na sua vida com o desmentido dos seus ideais: ‘é tudo falso’. O que se passou e que, pelo visto, muito a admirou na heroicidade do seu sofrimento, foi que nela encarnava e se cumpria o Evangelho todo, e também aquela parte em que Jesus sua sangue…
Outros, ainda, que fazem um percurso vivo e aprofundado da sua fé, não deixaram de encontrar nas dúvidas da Madre Teresa argumentos simétricos que justificam as suas próprias dificuldades existenciais que os fazem suspeitar de Deus, da Eucaristia, da alma, do céu e do resto do credo…
Julgam mal os que julgam reconhecer na Madre Teresa uma crise de fé como as suas: porque uma coisa é a suspeita de Deus que nos faz não embarcar e seguir com Ele. Não querer ir mais longe do que o nosso projecto/sonho de vida; e que o Senhor não venha perturbá-lo… Outra coisa é a aventura de quem se fez ao largo e fundo mar, lá onde fala o Adamastor, mantendo firme a face diante da vaga, das muitas vagas. Porque não é a presença de Deus no mar alto que assusta. É a Sua ausência. É o Seu permitir que sobre os justos rebentem ondas que rebentam tudo. ‘De Deus não farás imagens’ diz o mandamento. E que outra graça trouxeram à Madre Teresa todos os anos de deserto no mar alteroso senão aquela mesma que a fez identificar-se com o rosto do Filho na dom da Cruz.
Distinguem-se, ainda, os acontecimentos interiores no coração da Madre Teresa dos que nos ocorre reparar em nós, pelo facto de, nestes, a sua natureza ser vulgar: quantos ‘interesses’ próprios e privados nos que têm interesse em ter dúvidas de fé. Nada de existencial, no sentido de datado e definido pelo séc. XX, na experiência da irmã de Calcutá. Ela sabia-o: ‘não confiar’, ‘não acreditar’, ser paralisada pelo medo, são experiências correntes num tempo adoecido na lassidão da in-certeza do ‘eu’ contra a necessidade de relação disponível com o ‘Tu'.
Na Madre Teresa a raridade da vocação que a fez sofrer o que agora sabemos tem a origem no mesmo dom de excepção da sua força, da extensão da sua generosidade, da evidência do seu testemunho cristão.
Não nos resta senão bendizer a Deus que a provou, incendiou, e deu aos nossos tempos com o heróica vocação de testemunhar até ao fim um amor único, virginal, total, como 'escrava do Senhor'. Como Missionária da Caridade, portanto!
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Pe Pedro
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segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Silêncio
Calma, SILÊNCIO, paz, SILÊNCIO, serenidade, SILÊNCIO, estou só acompanhada, por Aquele SILÊNCIO que me enche e preenche.
Todos precisamos de um tempo, de um espaço, de um espelho? NÃO.
SiLêNcIo. PÁRA Mundo, AcOrDa TU aí, que estás no barulho. Repousa sem dormir, aprende a escutar o Silêncio.
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alexandrachumbo
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Visitas
Visitar a minha terra de lés a lés.
Cansar-me das suas desfigurações: acusá-las, gritá-las.
Coisas minhas -eu- atingidas, tingidas de decadência.
Chegar a cada canto e sofre-lo.
Chegar a cada canto e quere-lo.
Chegar a cada canto e dizer: “Mãe, cheguei!”
Celebrar as paisagens que dão sobre o mar
e as outras sobre a planície
que é também um mar
seco.
Dizer a vivacidade dos rios úberes
ou dos ribeiros rasos,
veias veios que sangram aflições.
Gostar dos pinheiros mansos, sempre de férias.
Reverberar suspeitas sobre os eucaliptos.
Encantar-me com as olaias.
E parar diante de um sobreiro,
soberbo.
Achar graça à pardalada.
Entrar na festa das andorinhas.
Perceber nas gaivotas o gosto pelos voos fúteis,
sempre por perto.
De quando em vez acompanhar a pretensão da águia,
que vê de cima.
Conviver com os seus escultores:
na capela levantada sobre o cabeço inacessível,
num rosto talhado a enxó
ou na face graciosa,
no assomo de carácter percebido no cão de raça
ou na expressão vernácula do dizer.
Seus maiores:
Os que fizeram os muros românicos e os barcos e os socalcos e as cidades
e inventaram sabores e fizeram vinhos e quintas
e as cantigas tristes
mais as outras,
airosas e felizes.
E os pormenores.
Bendizer os que se aventuraram:
a defender muralhas ou a embarcar prá Índia,
os que fizeram caminhos e casas lá onde a fome e a coragem os levou.
Conhecer-lhes o berço. Honrá-los.
Ser abraçado pelos seus.
Ser educado na resistência
só possível aos pobres.
E ter saudades.
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Pe Pedro
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domingo, 2 de setembro de 2007
A barbearia
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João Távora
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sábado, 1 de setembro de 2007
Bebés "irritáveis"
Em cima do teclado do computador tinha uma fotocópia de um mail, enviado para o nosso consultório (www.estimulopraxis.com). O mail era da revista "Crescer" com umas perguntas que deveria responder o mais rápido possível, para um artigo que deveria ter sido feito "ontem" (os jornalistas são todos assim?) sobre bebés "irritáveis". Aqui ficou a folha, esperando o tempo livre desta mãe psicóloga, que geralmente é... lá mais para a noite...
Acontece que o pai hoje veio a casa mais cedo (atípico) e resolveu colaborar... e eu não resisto a partilhar convosco algumas das suas respostas, escritas à mão por baixo das perguntas da jornalista:)
Pergunta 5 - "O que é feito para detectar as causas do choro?" Resposta: Primeiro abana-se o bebé e depois os pais gritam.
Pergunta 7 - "Em relação a esta situação (irritabilidade do bebé), existem alguns mitos que procurem desmistificar junto dos pais? Quais são?" Resposta: O mito do bebé calminho... só se for o bebé do vizinho.
Pergunta 8 - "Segundo a vossa experiência, a maioria das situações de choro irritável e prolongado conhece um final feliz?" Resposta: Sim. O bebé acaba por crescer e os cabelos brancos dos pais aumentam...
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alexandrachumbo
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New age
O moderníssimo aparelho do meu carro lê os CDs em MP3. Neste “formato” cabem quase vinte álbuns num simples CD de 700 megas. A fartura é tanta que o pobre desconfia. Com o ouvido atento, apercebo-me como o processo de compactação digital nos defrauda, prescindindo de tantos “bites e baites”, aparentemente redundantes. Ou eliminando os sons considerados inaudíveis ao ouvido "comum". Confesso que aquele som, redondo e de plástico, ao princípio até soa agradável. Mas ficamos com a ausência da alma, dos sombreados, dos degradés e dos ecos mais subtis da peça. Desvanece-se a profundidade e o relevo, a coloração sonora impressa pelo espaço, pela sala ou pelo estúdio e os seus materiais.
Chegado a casa, cedo à urgência: ligo o amplificador, ponho a rodar o gira-discos, fecho a porta, ajusto o volume, ponho cuidadosamente o vinil a reproduzir o órgão de Tom Koopman, tocando a Tocata e Fuga BWV 565 de Bach. Respiro profundamente e deixo-me ir.
Infelizes os satisfeitos com o que os seus humanos e precários sentidos alcançam. Vendo pouco e crendo pouco. Conformados. Tantas vezes cínicos.
Publicado por:
João Távora
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