quarta-feira, 4 de abril de 2007

Por outra Causa

Com a devida vénia passo a transcrever um belíssimo texto do meu amigo Nuno Pombo, originariamente publicado no Semanário da passada sexta-feira 30 de Março.

Fé na monarquia

Há uns tempos alguém me dizia, do alto do seu incontestado perfil de estudioso, que a querela que opunha monárquicos a republicanos era um capítulo de uma outra batalha, bem mais vasta: a que separava a Fé ou a Religião da Ciência.
Sempre me causou estranheza a atitude dos que aceitam sacrificar a essência de um absoluto anterior e exterior ao Homem (para-humano ou supra-humano, em certo sentido) em nome de uma pretensa auto-suficiência do que é exclusivamente terreno. Pode duvidar-se, é certo, da existência e da magnificência divinas, mas não deve ignorar-se a natureza humana.
Sempre a Instituição Real, entre nós, se afirmou ligada ao catolicismo. Tal não significava que não existissem, num plano estritamente temporal, conflitos sérios entre o Estado português e a Santa Sé. Contudo, a nível espiritual, sempre fomos um Reino fidelíssimo à Igreja de Roma. É por isso que descobrimos, no topo da Coroa real portuguesa, majestosa e triunfal, a Cruz de Cristo.
Ora, os ataques que foram sendo desferidos contra o Trono visavam, em última instância, o Altar. As primeiras vítimas da implantação da república foram, entre nós, não os altos aristocratas de bigodes retorcidos, mas os religiosos, mais ou menos desconhecidos. A mais emblemática medida legislativa do novel regime foi a assanhadíssima Lei da Separação do façanhudo Doutor Afonso Costa, que, como é sabido, dedicava à Igreja Católica um desvelo não menos enternecedor do que aquele que mostra hoje o não menos façanhoso Doutor Vital Moreira.
É por isso estranho que superado que vai sendo o positivismo comtiano continuemos a ruminar acriticamente as verdades que os carbonários e outros cavalheiros de mau porte foram arremessando contra um edifício antiquíssimo, fundador e garante da nossa identidade nacional. Como é evidente, pode haver quem se não reveja nas instituições tradicionais portuguesas, como pode existir quem não leve à paciência o simbolismo real inglês ou escandinavo ou quem abomine a agregação estadual potenciada pela Coroa do Rei dos belgas. Contudo, a modernidade que vivemos, permite-nos já evitar os excessos de uma linguagem que o tempo cristalizou e as falácias de um argumentário que a Lógica condenou.
A Instituição Real permite colocar acima da fraqueza das paixões políticas que tomam conta dos homens que dominam a conjuntura a solidez simbólica de uma representação genuína e pura. Pura porque unificadora, genuína porque umbilical. O Rei, investido de uma legitimidade própria e diferenciada, coloca-se, como árbitro e moderador, acima dos interesses parciais, posto que legítimos, dos actores da vida política, renunciando toda a comunidade às prerrogativas essencialmente régias. E é dessa renúncia que vive a maior riqueza da Monarquia. Não queremos ser o Rei da mesma maneira que aceitamos pacificamente que não somos Deus. E quem não admite que Deus lhe é superior dificilmente aceitará que haja quem respire a liberdade de uma legitimidade que não emane directamente da sua própria auto-suficiência. Há quem se sinta desconfortável por não poder dominar, pela expressão da sua vontade, as manifestações de legitimidades que lhes escapam. Por isso houve quem matasse Cristo. Por isso houve quem matasse o Rei.

Nuno Pombo, In Semanário, 30 de Março de 2007

Era uma vez…

Vou contar-vos hoje a história de um Príncipe católico por nós destronado, que todos os dias colocamos fora de estrutura, na indiferença dos nossos hábitos, na troça dos nossos amigos, no preconceito das nossas infantilidades, na ignorância feita ciência ao serviço e ao sabor dos nossos inimigos!
Dos inimigos de Portugal!
Por isso as vozes que oiço não me consolam, por isso não iluminam o meu caminho, eu que aprendi na infância que não existe Céu sem Deus nem Pátria sem Rei.
Sabendo isto, muitos dos que se afirmam católicos, fingem não ver, escondem-se da política, desculpam-se ou envolvem-se em verdadeiros actos falhados, votam na divisão e esperam que a unidade aconteça por obra e graça do Espírito Santo!!!
“A César o que é de César” é também um desafio para intervirmos politicamente, sem falsos receios, porque se para nós a inspiração vem de Deus, a acção é connosco.
Pergunto-te então: até quando vais consentir que com o teu voto se entronizem regimes laicos, republicanos e socialistas? Sejam de esquerda ou direita?
Por que esperas para fazeres o que tens a fazer, para tomares as decisões que tens que tomar?!
Não te esqueças que o Príncipe, que o Princípio em que acreditas, continua fora de estrutura.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Um Minuto de Silêncio

Chamou-me a atenção a notícia da publicação do livro "Um Minuto de Silêncio", onde a autora, Marisa Moura, pretende através de 60 personalidades a "quem os portugueses dão ouvidos, fazer uma homenagem ao diálogo interior". Bravo! Gostei mesmo da ideia, tão a propósito nesta semana, nesta Semana Santa, que nos chama fundamentalmente ao Silêncio. Depois, na net, corri atentamente cada personalidade e cada resumo da sua reflexão sobre o assunto. No fim, (correndo o risco de alguma injustiça, pois apenas de resumos se trata) ficou-me uma profunda pena: são estas as personalidades do meu querido pais, tão ilustres em tantos saberes, e ainda tão longe do Saber, daquele Saber que só se manifesta no Silêncio!
Claro que há excepções, e claro que há considerações inteligentes sobre o tema. Destaco aqui duas:
“(…) neste início de século onde as próprias democracias se conseguem fazer ouvir com dificuldade, é um luxo e uma necessidade social premente.» Pedro Abrunhosa, Músico. «Mas sobretudo o que LHE agradeci foi que fosse este o SEU modo de falar de comigo.» Maria João Avillez, Jornalista

E atrevo-me a juntá-las apenas numa: É só esta a necessidade premente da nossa democracia – a de O ouvir, no Silêncio!

Por quem os sinos dobram

Poucas pessoas em frente ao palácio de Belém na tarde de sábado passado. Esperávamos a entrega do manifesto pela vida e pela verdade ao Presidente da República. Encontros, trocas de palavras e as crianças acabaram por “semear” flores de papel, com cores vivas, num rectângulo relvado ali ao pé.

Para quê tanta insistência?
É que afinal havia outra…outra redacção da lei do aborto que não a implícita nas afirmações e compromissos dos que se bateram pelo sim no último referendo – ou já se esqueceram que, a uma dada altura da campanha, éramos todos contra o aborto e queríamos muito salvar muitas vidas?

Afinal, era mentira! E aqui é que a “porca torce o rabo”: não nos é muito difícil levantar em favor da verdade e da justiça quando, diluídos numa multidão concordante, percebemos que as consequências serão irrelevantes. Mas, e se as nossas escolhas implicam uma perca? Há um personagem nas celebrações da Semana Santa que, ao lavar as mãos, nos convida a meditar nisto…

E eu vim para casa a pensar nisto, e a desejar que ao fim de um dia de trabalho exaustivo em favor da nossa terra e do nosso povo – e acredito que sim – venha à memória do Professor Cavaco Silva, por quem os sinos dobram!

a ponte de coisa nenhuma

Alguém nos poderá responder porque é que um governo que se afirma socialista e que é manifestamente laico decidiu dar aos senhores deputados, como livre, a quinta-feira de uma semana que para nós católicos é Santa?
Será que o nosso primeiro-ministro se converteu?
Ou será que num gesto de grande solidariedade quer dar a oportunidade aos deputados – na sua maioria católicos, como sabemos! – de se prepararem convenientemente para as celebrações Pascais?
Cidadãos: liberdade, fraternidade, igualdade!!!
Muito obrigado Sr. “engenheiro”.

Voz Dissonante

Numa vontade de dar voz, que não à da rádio, gostaria de entrar neste blog afirmando a minha Fé e vontade de buscar a Verdade com a Luz, o Amor e a presença da entrega de Jesus.

Há uns meses atrás, dois dias antes do referendo acerca da vida, ou da morte, ouviu-se numa rádio, a TSF, talvez das mais pretensiosas na “seriedade” das opiniões e debates, a “humorista” Ana Bola, num suposto momento do dito humor, blasfemar a própria entrega de Jesus na Eucaristia.
Falar da Hóstia Santa como um elemento de um bom regime de emagrecimento é ultrapassar todos os limites da chamada estrutura “democrática e tolerante” que dizem vivermos. Fazer considerações acerca da decisão de deixar continuar a Vida ou optar por matar inocentes, como se de uma ida às compras se tratasse, é baixar demasiado o nível.
Hipocrisia, “paleio da missa” foram algumas das expressões proferidas que mostram o rancor, a raiva, ou melhor, o grito de uma histeria intelectual contra a Igreja e contra os católicos. Terá sido o mesmo “crucifica-O” de há 2000 anos atrás.

O silêncio de Jesus sofredor é o da outra face. A alegria de Jesus é comunhão e a nossa Paz é o encontro. É por isto que afirmo o meu fora de estrutura nesta voz conjunta de procura do Bem e de súplica do perdão.

Dessintonizei a TSF!

segunda-feira, 2 de abril de 2007

A escapadela e a Liberdade

A Semana Santa, para muitos, significa hoje em dia apenas uma ocasião para umas pequenitas mas ansiadas férias. Uma ansiosa escapadela às opressivas tensões rotineiras, com muitas amêndoas e demais comezainas.
Para os católicos praticantes, este deverá ser um período de recolhimento, penitência e oração. Deverá ser um período de reforçada tolerância e entrega aos outros. Deverá ser acima de tudo um tempo de comunhão intensa com Cristo, para uma “travessia interior” que preceda uma sentida redescoberta do “homem novo” em cada um. Homem novo que o cristão empenhado renovadamente deveria alcançar em cada Páscoa. Um homem verdadeiramente amado e assim verdadeiramente livre para viver e amar.
Assim, se Deus quiser, a minha Semana Santa não será ocasião para uma mera escapadela. Será sim uma oportunidade de encetar uma redentora “viagem” na busca de uma verdadeira paz e felicidade, que é o que significa uma Páscoa em comunhão com Jesus.

domingo, 1 de abril de 2007

A ORFANDADE

Com a desfiliação de Maria Nogueira Pinto do CDS/PP morre uma época, um partido, uma matriz. Antes de mais, Maria Nogueira Pinto é um dos políticos mais estimulantes do espaço português. É pragmática, toma decisões, cumpre-as, assuma a autoridade no momento certo, defende veementemente o bem comum. É realista nas análises que faz, tem algum carisma e assume príncipios inatacáveis. Ora, com a sua saída, perde-se uma referência basilar, um elo, uma estaca. O CDS deixa de existir, o que vai nascer é outra coisa. O seu futuro líder ainda não passa de um jocker de casino. É brilhante no jogo de cartas, ganha sempre, mas fora do casino desconhece completamente as virtudes da acção.Vai nascer um espaço em branco, vazio, indeterminado, onde muita gente se reconhece. Muitos não vão querer ser pajem do jocker, nem funcionários de um partido, PSD, a quem lhe faltam fundamentos e princípios.A direita portuguesa está orfã.
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Saída de Maria Nogueira Pinto do CDS/PP

A Palavra

(6º Domingo da Quaresma)

Evangelho segundo S. Lucas 22,14-71.23,1-56.

Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele.
Disse-lhes: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus.»
Tomando uma taça, deu graças e disse: «Tomai e reparti entre vós, pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até chegar o Reino de Deus.»
Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória.»
Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós.» «No entanto, vede: a mão daquele que me vai entregar está comigo à mesa! O Filho do Homem segue o seu caminho, como está determinado; mas ai daquele por meio de quem vai ser entregue!»
Começaram a perguntar uns aos outros qual deles iria fazer semelhante coisa. Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles devia ser considerado o maior.
Jesus disse-lhes: «Os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade são chamados benfeitores. Convosco, não deve ser assim; o que fôr maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve. Pois, quem é maior: o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que está sentado à mesa? Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve». (Continua aqui)

Da Bíblia Sagrada

Bem Haja!

“Participar no Fora de Estrutura, porquê”? Ora, porque sim, por tudo, pelo óbvio. O “porque não” é que teria que ser explicado…
Hoje, Domingo, aconteceu mais uma vez (só que desta vez com alguém que é “nosso”) algo que concretiza este desejo de querer estar Fora de Estrutura. E este é o desejo de quem olha para o Mundo e percebe que o Mundo não está nas nossas mãos; o que acontece não depende nossa eficácia nem a felicidade se encaixa na nossa medida. E o que parece uma catástrofe aos olhos desta Estrutura que o progresso constrói, vai com toda a certeza transformar-se em Bem e Testemunho para quem tem a Alegria de ver mais longe. Sem nunca esquecer que quem tem este desejo de olhar mais longe, entende, aceita e experimenta que o Bem e a Alegria nascem tantas vezes de tanto sofrimento!
É exactamente este “assumir uma outra atitude face à existência” que dá sentido às nossas vidas e à amizade que nos une. E nos faz querer testemunhar tudo isto, também através deste Fora de Estrutura.
Bem haja António!

Nota - O António nasceu com Trissomia 21. Foi para o Céu antes das 24h de vida.

Gand'azar !

Incrível! Uma semana passada sobre o célebre concurso e continuam incansáveis, a botar ridículos e insultuosos discursos sobre a matéria! Não se calam!... O que será que pretendem?!... Não terão percebido ainda que este voto teve o único intuito de os pôr a espumar de raiva? De os fazer expôr as tristes figuras que são?

E, principalmente, não entenderam ainda que caíram que nem uns patinhos?
Ó senhores (e senhoras!), deixem-se mas é de palhaçadas e ganhem juizo!

Grande gente sem dúvida, sempre com “democracia” e “liberdade” na ponta da língua, ao primeiro revés estala-lhes logo o verniz! E de que maneira! Afinal, para quem detém o poder real, podiam esforçar-se um pouco, se mais não conseguem, por mostrar aquele mínimo de dignidade que lhes é exigível!

Mais, se tivessem estado caladinhos desde o princípio, nada disto teria acontecido e estaríamos provavelmente hoje a dar vivas ao nosso fundador. Será que nem isso conseguem entender? Será que não percebem que, quanto mais berram, mais se enterram? Tenham tino!

Mas não se iludam. Podem relativizar, inventar razões ou insultar. Podem manipular a informação e deturpar a verdade. Podem até continuar a tentar amordaçar os que são de opinião contrária. Mas, se tivessem um mínimo de sensatez – alguma esperteza também – conseguiriam a dose suficiente de humildade para perceber que acabaram de apanhar uma valente nota negativa. E duma forma brilhante, diga-se. Sem atropelamentos, sem manifestações, apenas através duma serena e democrática chamada telefónica.

A mensagem é clara: “Olhem-se ao espelho! Pois nem melhores que ele conseguem ser”!

Tristes figuras, sem dúvida!
E é isto que dita e opina as andanças da nossa terra!

sábado, 31 de março de 2007

DO QUE AQUI SE TRATA

“A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade.” - Da encíclica Fides et Ratio, João Paulo II, 1998.

Como propõe Bernard Lonergan, um teólogo jesuíta, in Método na Teologia, Roma, (1971), p. 86, inserindo-se na linha de Sto Agostinho e S. Tomás de Aquino, para se ter uma perspectiva verdadeiramente integrada da realidade é necessário “ser atento, inteligente, razoável, responsável”, sentindo ainda necessidade de acrescentar uma quinta característica – ser “enamorado”, ou seja, homem autêntico.
E ser homem autêntico significa muitas vezes sofrer por ter de viver num mundo marcado pelo pecado, pelos seus efeitos e consequências e dos quais não estamos isentos.
É difícil aceitar as nossas limitações e às vezes somos tentados pelo desânimo e pela frustração, quando a nossa vocação e as nossas convicções mais profundas parecem chocar contra a dura realidade.
Mas, seguindo o exemplo de tantos santos que nos precederam, nunca podemos resignar-nos, nem aceitar facilmente que a realidade, tão imperfeita, seja necessariamente a vontade de Deus. Com as nossas forças, com a luz e a Graça que Deus nos vai dando, precisamos lutar sem desfalecer para que as coisas mudem e melhorem.
Estou consciente que não podemos mudar o mundo, mas que onde quer que estejamos, com os meios que Deus põe ao nosso dispor e com os demais que põe no nosso caminho, devemos contribuir para que o Reino de Amor, Justiça e Paz se realize cada vez mais plenamente.
Exprimo, por outro lado, distância crítica face a qualquer objecção de carácter utópico relativamente aos ideais aqui apresentados. “O Ideal, aquilo que uma coisa deve ser”- Hegel, Carta a Dubock - pauta o ritmo do viver quotidiano daquele que se quer enxertado em cepa rica, enquanto recusa de um status uniformizante, imposto, por exclusão de uma liberdade que se quer iluminada e não tanto iluminante, que se quer guiada porque excentrada – ela conhece o centro que não é ela mesma -, menos centrada e muito menos descentrada.
O dever ser diz de um descontentamento, é um desejo inquieto do que é mais além, é inconformista e sacia-se quando faz repouso em regaço alheio. O descontentamento não é a marca do viver quotidiano. Este tem os seus lugares de fácil realização, mediados por uma métrica que apenas sacia temporariamente – leia-se os lugares de consumo, os lugares de férias paradisíacos, os carros topo de gama, as moradias de luxo, …- uma vez que é habitado por um soberano inclemente e intolerante a que chamamos ego. A mudança de agulha impõe sacrifícios se quisermos deixar-nos invadir pela suavidade de um jugo de uma Alteridade maior. Fora de Estrutura não é ser desestruturado. É ter uma Outra Estrutura.
Será disso que aqui tratarei e é por isso que aqui estou e que com muito gosto aceitei fazer parte deste grupo de amigos Fora de Estrutura, unidos por esta mesma vontade. Hoje, quando mais uma vez em Lisboa, muitos (poucos para a maioria informada) se congregam pela Vida, em defesa da inocência a que os grandes nunca darão voz.
PL

A VERDADE NO ROSTO

Gostava de escrever o primeiro texto no blogue a partir de um rosto. O lugar da relação é a expressão do rosto. N' "o grande silêncio" de Groning, um filme enorme, uma trave suspensa no tempo, tudo se consuma na figuração dos rostos. Os homens do mosteiro de Grenoble amam Jesus a partir do rosto. Sem rosto não existe amor, sofrimento,Deus. Tudo vale, a vida constrói-se porque em cada rosto existe a relação com outro rosto. A vida, limpar a neve no pátio, correr na montanha, rezar, dividir os legumes na cozinha, são a relação. Nisso, está o rosto da paixão suspenso na cruz.E por causa disso existe o amor. No filme nunca vimos o rosto de Jesus no crucifixo na capela do mosteiro,mas sabemos que está lá. Sempre esteve e estará no futuro. Os monges dizem-no, os movimentos são gestos de fidelidade.É nesse momento que a verdade do rosto nos invade. O que vimos já não é um rosto. É o lugar de Deus dentro do coração dos homens.

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" O grande silêncio" Philip Groning Cinema Nimas

estamos aqui

Estamos aqui
Porque não existe nenhum refúgio
onde esconder-nos de nós mesmos. (…)
Aqui, juntos, cada um de nós pode, enfim
manifestar-se abertamente. (…)
Mas como um Homem parte de um Todo, com o seu contributo a dar.
Neste campo todos nós podemos criar raízes e crescer.
Já não sós como na morte,
Mas vivos para nós e para os outros


- da filosofia do Projecto Homem -


Estamos aqui, a dizer sim a este “Fora de Estrutura”!

E aqui estamos para nos afirmar dentro de uma outra História, dentro de uma outra cultura que não esta, a dominante, e a que chamam de modernidade.

Uma História com uma memória antiquíssima, feita de sangue mas também de alegria, de encantos e desencantos, de obediência e de infidelidade, de pecado e santidade, de angústia e dor, feita de Amor.

E este é o nome do Senhor desta História, que, como o prometeu se revelou, fazendo-se Um de nós e de quem um dia, aquele que lavou as mãos no medo, disse: “ECCE HOMO”. Estamos aqui, para dizer Sim a este Homem. Pertencemos à Sua Família, Católica Apostólica Romana e a Ela queremos livremente ser fiéis.

Sim, trazemos connosco esta memória - este passado, este presente, este futuro - que a “moderna e civilizada estrutura” em que vivemos (e a que o Papa João Paulo II chamou cultura de morte) perversamente quer apagar através da falsidade e da mentira, chamando Bem ao Mal. E quantas palavras bonitas como humanismo, liberdade, solidariedade, justiça, são usadas pelos donos e senhores desta estrutura, para justificar guerras e ódios, egoísmos desinteresse pelo outro, sobretudo o mais fraco. São sinais disto a liberalização do aborto, as salas de chuto, a eutanásia, e o mais que aí vem…

E por isso estamos “Fora de Estrutura”.

Não é novo. Este é um combate antigo, que se prolongará até ao fim dos tempos. E este é um tempo, assim o sentimos, em que é necessário “saltar fora” para defender e preservar o que é essencial e queremos esteja dentro. Somos soldados, instrumentos neste combate, como tantos outros o foram: os profetas, os padres do deserto, os santos, os mártires.

Temos consciência da dureza do mesmo, mas temos também a certeza de que no fim quem vence é o Nosso Senhor.

Dizemos "estamos", porque somos dois a participar neste blogue. Mas somos Um porque unidos pelo sacramento do Matrimónio. E somos Família. Numerosa..............................

E também por isso estamos naturalmente “Fora de Estrutura”.

E aqui ficaremos até ser preciso, sabendo-nos pequenos como “grão de mostarda”.

Que o Sopro de Deus nos inspire!

Completamente fora

Estou completamente fora de estrutura, e por isso abracei este blog.
É que estou mesmo fora, sério, fora fora fora e vou explicar-vos porquê, embora procure não me alongar para não esgotar já todos os assuntos que gostaria de ver debatidos neste mundo virtual...
Vejamos hoje mesmo, acabo de chegar de um curso cuja temática abordada visava a sexualidade, perguntaram-me o que achava sobre a existência de educação sexual nas escolas, e com muita verdade respondi "acho que não" depois expliquei o porquê (poderei explicar isto mais tarde se interessar) e depois ouvi o retorno e... fora, senti-me completamente fora.
Dia 11 de fevereiro... fora, senti-me completamente fora de estrutura... e nem vou comentar mais senão gastava já o espaço todo do blog e depois tinha os membros de equipa (!) a cair em cima de mim:)
Salas de chuto... um tema também abordado actualmente em praça pública, estou fora... e...e...
Agora poderia colocar aqui "n" temáticas apelidadas por muitos como "delicadas" e dizer-vos que estou fora, completamente fora desta estrutura que não caminha para a frente, que não caminha para o bem, que olha para o seu umbigo a todo o custo... Estou mesmo fora!
"Tenho 26 anos, graça de Deus e bom humor", sou uma jovem portanto, e queria dizer-vos que apesar destes foras todos ainda consigo sorrir todos os dias e ser feliz, porque valores mais altos se levantam. E digo mais, só quando percebi que o meu umbigo tinha um sinal é que comecei a ficar mesmo fora...
Alexandra Chumbo

Lamentação

Porque o grão feiticeiro ministro preparava ritos ferozes,
Porque vozes altissonantes eram vedetas da injustiça,
Porque dos seus tronos os parlamentares farsavam a democracia,
Porque quatro grandes búzios ecoavam mentiras,
Porque mulheres esqueciam ser mães,
Porque mães desfaziam-se dos filhos,
Porque o nome mãe poderia agora querer dizer perigo,
Porque tantas mães eram as primeiras a mentir,
Porque as próprias mães faziam pacto de agressão com os violadores,
Porque filhos eram atacados no ninho/mãe,
Porque se legalizava a caça nos ninhos,
Porque nas casas vidros-virtudes quebradas diziam desconforto,
Porque as casas eram agora lugares onde viviam mentiras maioritárias,
Porque nas casas mais conforto trouxera mais decadência,
Porque o que fora um povo pobre de marinheiros
era agora um estado de pobres funcionários estéreis,
Porque as causas eram orquestradas por funcionários chefes,
Porque a verdade traficava-se pela visibilidade,
Porque a verdade era abortada para se poder abortar,
Porque a verdade era a única que não tinha direito a ter corpo,
Porque clérigos da ordem de Judas diziam solidárias mentiras,
Porque os do sangue de Judas agora eram príncipes nos jornais,
Porque apareceram muitos à direita a idolatrar soluções eficazes,
Porque na esquerda juravam solidariedade apenas com quem chorasse ao microfone,
Porque embora certos íamos ameaçadamente sozinhos,
chorámos lágrimas de honra:
pelos que nunca experimentariam a segurança de dizer ‘mãe’,
sem abrigo num seio corredor da morte;
pelos grandes que tinham mil razões justas para silenciar os pequeninos;
por um povo que sonhava futuro estar bem, sem abraçar a defesa de seus filhos;
nós, que sob os rios de Babilónia
dissemos a nossa lamentação,
súplica prenhe
de esperança:
Maranathá- Vem Senhor Jesus,
Oh! Vem depressa!

sexta-feira, 30 de março de 2007

Da estéril arrogância

Prometo que tão cedo não voltarei a escrever sobre a sórdida senhora f. Mas acontece que a senhora escreve no jornal que eu costumo ler, o Diário de Notícias, e ultimamente tropecei demasiadas vezes nas suas atoardas. Hoje, no seu artigo de opinião (e os outros são de quê?!), f. esclarece os leitores que à conta da sua recente investigação jornalística sobre a Irmã Lúcia ("dona Lúcia", nas suas palavras) terá descoberto que as aparições de Fátima não estão devidamente escrutinadas cientifica e jornalisticamente. Inclusive a insuspeita investigadora, na sua coluna de opinião, não se poupa a presentear o leitor incauto com as suas históricas e crédulas descobertas. Fique então o ingrato e ignorante cidadão descansado, pois que passados noventa anos, o embuste de Fátima irá finalmente ser desmontado por f. Na sequência dos recentes e ultrapassados anos de obscurantismo democrático, uma ilustre e insuspeita luminária se propõe a colocar ordem na história e nas nossas mentes equivocadas.
Graças a Deus, a arrogância é estéril!

A Igreja que eu conheço

Perante o que a vigente propaganda hedonista e os poderes jacobinos costumeiramente nos querem fazer crer, nunca será demais eu reafirmar publicamente a minha grata experiência de Igreja. Uma igreja Católica com as suas orgânicas fragilidades, mas as mais das vezes actuante, sóbria e valorosa, com leigos de uma generosidade infinita, e clérigos que se têm revelado para mim inspiração e testemunha de um caminho de vida em santidade.
Os exemplos com que me tenho cruzado são tantos que me é impossível listar e com justeza fazer referência a todas as pessoas e obras que conheço. No entanto, nestes tempos de descrença e desconfiança, parece-me importante publicitar todos os exemplos de heroísmo e excelência de cidadania que os “media” bem pensantes, por um ataviante pudor laico, teimam em ignorar. Eu assumo a simpatia por esta igreja peregrina dos dias de hoje. Despojada do poder, mas muito mais consciente, evangelizada e desacomodada. Incómoda até, talvez como no tempo dos primeiros cristãos. Esta Igreja, possuidora de uma mensagem revolucionária de libertação, cresceu e multiplicou-se sem protocolos vazios ou gratuitos formalismos. Hoje a evangelização é mais do que nunca uma dura batalha a encetar por nós cristãos, que teremos que pregar debaixo do ensurdecedor ruído da cultura Neo-liberal do sucesso "a todo o custo" e lucro individual. Contra as trevas e alienação do imediatismo do consumo e do hedonismo individualista. Desagregador e suicidário.
Em prol da felicidade e liberdade do homem, a igreja dos dias de hoje fornece cada vez mais activos grupos e movimentos de diferentes sensibilidades culturais e políticas. Das simples mas dinâmicas paróquias às comunidades de desenvolvimento espiritual e organizações de intervenção social, a igreja de hoje é um sério exemplo de pluralidade democrática e cidadania actuante. No entanto esta acção deverá ser apenas fruto da inspiração que para nós cristãos provém de uma mensagem muito clara: a realidade de Jesus Cristo, filho de Deus que entregando-se à morte por amor fraternal supera as trevas para sempre em favor dos homens. Estabelece-se o lugar da esperança. Esta é para nós a revolução. Paralelamente temos o segundo e fundamental o mandamento que distingue e caracteriza esta religião: Amai-vos uns aos outros como a vós mesmos. É neste exercício de aproximação ao divino que se deverá pautar a vida dos cristãos; acto de libertação só plausível pela relação aprofundada e exercitação espiritual de uma relação verdadeira com Deus.
Como atrás descrevi tenho o privilégio de conhecer bem alguns exemplos vivos de autênticos heróis e heroínas da vida real e quotidiana. Indivíduos de acção, voluntários ou profissionais que num exercício diário de entrega e imitação de Cristo servem com todo o seu amor o próximo e a comunidade em que vivem. Nesse sentido parece-me da minha obrigação elementar dar testemunho em próximos posts de três exemplos que conheço bem de perto: O “Projecto Homem” da Associação Vale de Acór em Almada, instituição criada para a recuperação de toxicodependentes por onde centenas de rapazes e raparigas já tiveram passagem libertadora. Outro será o projecto iniciado pelo nosso Padre Armindo, o sonho da reabilitação do Bairro do Fim do Mundo, na Galiza aqui na paróquia do Estoril, pela construção da Igreja e Centro Social de Nossa Senhora da Boa Hora. Finalmente os Casais de Sta. Isabel, iniciativa apadrinhada pelo Cónego Carlos Paes, prior da paróquia de S. João de Deus para a criação e desenvolvimento de equipas de catequese para casais “recasados”. Um projecto integrador da Igreja que somos nós, já disseminado em muitas “equipas” (uma das quais a minha mulher e eu orgulhosamente integramos) por este país fora.
Conheço estes três projectos de perto assim como algumas das pessoas que aí empregam as suas forças, o seu tempo e vontade, quando não quase toda a sua existência. E sei que há muitos e muitos mais. São milhares de vidas anónimas de pessoas que agem e se entregam diariamente pelos outros. Com muita devoção e oração superam as suas limitações, sem lamentos e sem descanso, numa imitação de Jesus Cristo em prol de um mundo melhor, mais digno, livre e justo. E rezam muitos terços a Nossa Senhora, sim senhor! Como eu os admiro e invejo. Estes que me fazem todos os dias acreditar um pouco mais no homem e na religião que professo.
_
Texto adaptado e originalmente publicado no Corta-Fitas

Pela Vida, Ainda e Sempre

(Clicar na imagem para aceder à página de promoção da caminhada pela vida)

quarta-feira, 28 de março de 2007

Aqui Estou

Estou aqui, porque aqui escrevo ao lado dos que também não têm voz. Porque pertenço também aos que sofrem a tirania exercida por esta espécie de cultura que não é a nossa e que não queremos, mas que nos domina, espezinha e esmaga todos os dias.

Estou com aqueles que contemplam impotentes a tragédia duma sociedade que já foi expoente civilizacional e que corre agora, alegre e irresponsável, para o precipício que teima em não querer ver.

Enfim, estou fora de estrutura!

E é fora de estrutura que irei escrever, com tantos outros como eu.

Porque a Verdade tem de ser dita.
Porque é preciso mostrar o Caminho a quem já não o consegue encontrar.
Porque é necessário que a Vida volte a reinar no coração de cada um.