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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

História de algibeira (26)

Debaixo de grande polémica, Carolina Beatriz Ângelo, médica, viúva e "chefe de família", ousou votar nas primeiras eleições republicanas a 28 de Maio de 1912 aproveitando as indefinições existentes no enunciado da Lei.
Na sequência da controvérsia, é aprovada pelo senado em 1913 a Lei Eleitoral da República (nº 3 de 3 de Julho) onde pela primeira vez num texto legislativo se determina expressamente o sexo dos cidadãos eleitores: “são eleitores dos cargos políticos e administrativos todos os cidadãos portugueses do sexo masculino, maiores de 21 anos, ou que completem essa idade até ao termo das operações de recenseamento, que estejam no gozo dos seus direitos civis e políticos, saibam ler e escrever português e residam no território da República Portuguesa".
O direito de voto às mulheres foi concedido (precariamente) pela primeira vez em Portugal, em 1931 sob o patrocínio legislativo do Estado Novo (lei nº 19:694 de 5 de Maio), restringido àquelas com o curso dos Liceus. Em 1934 nas eleições legislativas foram eleitas pela primeira vez mulheres para a assembleia nacional: Domitília Hormizinda Miranda de Carvalho, Maria dos Santos Guardiola e Maria Cândida Pereira.

Fonte: “A Concessão do Voto às Portuguesas” por Maria Reynolds de Souza, 2006 - Colecção Fio de Ariana editada pela Comissão Para a Igualdade e Para os Direitos das Mulheres.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Regicídio - Em abono da verdade

Foi ontem apresentado no Palácio da Independência ao Rossio o Dossier Regicídio – O Processo Desaparecido, um trabalho de dois anos de investigação coordenado por Mendo Castro henriques e com a colaboração de Maria João Medeiros, João Mendes Rosa, Jaime Regalado e Luiz Alberto Moniz Bandeira. O livro com 348 páginas e 400 ilustrações, resulta de dois anos de investigação que tratou cerca de 1.500 documentos, alguns inéditos, 400 artigos e opúsculos, 60 livros, de arquivos públicos e particulares.
Na falta do processo instaurado na época pelo juízo de instrução criminal e convenientemente sumido depois do cinco de Outubro algures no gabinete de Afonso Costa, a obra centra-se na documentação possível dos factos ocorridos na trágica data, obviamente sem que se possam assacar conclusões cabais.
Sobre o assunto, o Juiz Desembargador Rui Rangel a quem coube a apresentação da obra, salientou a fatídica tradição nacional da incapacidade instituição judicial portuguesa evitar a interferência dos poderes políticos. Como exemplo, o orador referiu alem do regicídio de 1908, o assassinato de Humberto Delgado e o caso Camarate.
Uma obra a não perder, em abono da verdade.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

História de algibeira (25)

Na imagem acima, o Benz da Casa Real, de 1907. Este automóvel foi utilizado pelo Rei D. Carlos e conduzido pelo motorista Luís Francisco, o "Ponta da Unha". O célebre Benz ainda serviu o Rei D. Manuel II. Depois da proclamação da República, com o Presidente Manuel de Arriaga "ainda subia envolto em densa fumarada a Calçada da Ajuda com força e potência do seu motor mas já sem o brilho e o aparato dos bons velhos tempos".

In Apontamentos Memoriais de João Pinto de Carvalho.

Notas e imagem daqui

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

História de algibeira (24)

O Instituto de Socorros a Náufragos foi fundado e presidido por Sua Majestade a Rainha Dona Amélia por Carta de Lei de 21 de Abril de 1892. Ficou célebre a intervenção da Rainha num emocionante e bem sucedido salvamento de um pescador na praia do peixe em Cascais.


Foto daqui

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

História de algibeira (22)

Entre 15 de Outubro de 1910 e 19 de Junho de 1911, a bandeira nacional foi alvo de acérrima contenda entre os republicanos, a chamada Polémica das Bandeiras. Por forma a marcar a mudança de regime urgia mudar o mais importante símbolo nacional. Então estiveram em confronto a facção moderada representada por Guerra Junqueiro, que defendia a manutenção das cores azul e branca, e a facção radical liderada por Teófilo Braga, que defendia a adopção das cores “verde-rubra” da bandeira do PRP como nova bandeira nacional. O culminar da disputa é por todos nós conhecido, e hoje temos a bandeira que temos...


Ilustração gentilmente cedida por Carlos Bobone – Livraria Bizantina

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

História de algibeira (21)

A Rainha D. Amélia (...) foi na opinião dos seus contemporâneos a rainha mais bela do seu tempo. (...) em 1898, aos 33 anos, apareceu ao escritor Eça de Queirós como “terrivelmente linda – e extra-amável”. Foi também uma das rainhas menos afortunadas. Cumpriu o seu papel oficial durante vinte e um anos, apenas para ver o marido e o filho mais velho morrerem à sua frente , assassinados durante um atentado em que ela teve de se defender batendo na cara de um dos pistoleiros com um ramo de flores. Aconteceu a 1 de Fevereiro de 1908, na Praça do Comércio, em Lisboa. Aos 43 anos, D. Amélia vestia-se de negro.
Pouco tempo depois (...) a mulher do representante diplomático de França em Portugal encontrou a rainha no Palácio das Necessidades, em Lisboa. (...) Acabara de enterrar o marido mais velho num país onde ninguém mostrava grande pena pelo destino da família real. O filho mais novo, que tinha sido ferido no atentado e era agora o rei de Portugal parecia ameaçado. Outros talvez se tivessem entregue ao desespero, desistido, fugido. Mas D. Amélia sabia que não era uma pessoa qualquer. Como explicou à mulher do diplomata francês: “Quando on est dans le métier, on ne lâche jamais.” Era uma rainha, nascida de uma família real. Não ia desistir, ia aguentar até ao fim, enfrentar tudo, cumprir o seu dever.


Excerto da introdução de Rui Ramos ao livro Rainha D. Amélia Memórias Inéditas de Lucien Corpechot, Editora Caleidoscópio Abril 2007.
Imagem: D. Amélia em visita ao Dispensário de Alcântara - daqui

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

História de algibeira (20)

Inaugurada a 30 de Setembro de l889 a Linha do Estoril, começou por ter o seu início em Pedrouços e não no Cais do Sodré, como viria a acontecer anos mais tarde. Para apanhar o comboio, o alfacinha, vindo do lado da Baixa Pombalina, tomava um dos vapores da empresa Lisbonense e rumava à estação de Pedrouços, para aí fazer transbordo e seguir viagem em direcção a Cascais. A viagem de omnibus ou de "americano" além de morosa não era muito agradável, pois a estrada municipal que ligava Lisboa aos arredores, para além do Aterro (Santos), era poeirenta e esburacada, sendo o caneiro de Alcântara mais um obstáculo para quem o quisesse fazer por via terrestre.


Texto adaptado de "Memórias da Linha de Cascais" de Branca de Gonta Colaço e Maria Archer

Em directo de Essen, na Renânia do Norte-Vestefália

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O grande equívoco


Na luta pelo poder, o PRP destruíra o inegável liberalismo da Monarquia. A Republica, longe de ser “democrática” (…) sobrevivera graças ao terror popular. (…) para lá da retórica oficial, estabelecera na prática uma ditadura de massas.

Vasco Pulido Valente - O Poder e o Povo, 1976 - Edição Gradiva 2004


Conhecemos, pela história dos últimos anos da monarquia liberal, como foi brutalmente gizado o assalto ao poder por uma minoria urbana do PRP, com o apoio de uma espécie de grupo terrorista, a Carbonária Portuguesa. E conhecemos bem o ciclo caótico e arbitrário que caracterizou a ditadura popular entre 1910 e 1926. Ignorar isto é, como se diz hoje, branquear um crime histórico. Mais, a implantação da república em Portugal resultou em dezasseis anos de estagnação económica, repressão e caos. Dessa forma abriram-se as portas ao regime de Oliveira Salazar, e à história e frustrações que tão bem conhecemos.
Após 97 anos de tantos equívocos, branqueados pela ignorância e cobardia, parece-me que os fundamentos da república se baseiam ainda hoje em ancestrais e recalcados “complexos” sociais. Um enorme entrave ao desenvolvimento e progresso do nosso país.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

História de algibeira (19)


No século XIX, com o desenvolvimento das vias de comunicação, as visitas de estado tornaram-se acontecimentos correntes na gestão das relações entre os países europeus. Atingida (tardiamente) a plena ligação de Portugal à rede europeia de caminhos de ferro, D. Carlos, o rei-diplomata, empreendeu viagens diversas e foi anfitrião em Lisboa dos mais ilustres chefes de estado da época, como o monarca espanhol Afonso XIII e o presidente da França Émile Loubet.
Uma das visitas mais espectaculares terá sido a visita do seu tio Eduardo VII de Inglaterra, em 1903, em promoção da velha aliança, e a caminho de Paris. Além do habitual banquete no Palácio das Necessidades, e do serão no São Carlos, o programa da visita incluiu uma caçada às rolas e uma tourada na praça de touros do Campo Pequeno.
Lisboa esteve em grande festa durante três dias, e o testemunho que guardamos hoje desse grande evento é o conhecido parque de Lisboa, que foi baptizado com o nome do ilustre convidado: Eduardo VII.

Na foto (daqui): Eduardo VII à chegada, no Terreiro do Paço, acompanhado pelo chefe de Estado D. Carlos I

domingo, 9 de setembro de 2007

História de algibeira (18)

1907 - Azedo Gneco discursando num comício republicano realizado no antigo recinto do teatro do Rato, em Lisboa.
O tipo à direita deve ser o “sigurança”.

Foto daqui

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

História de algibeira (16)

D. Carlos I (1863-1908) foi o primeiro rei de Portugal a morrer de morte violenta depois de D. Sebastião, em 1578. Foi também um dos mais inteligentes e capazes reis do seu tempo, quando a Europa era ainda, com excepção da França e da Suíça, um conjunto de monarquias. (…) D. Carlos tinha 26 anos quando foi aclamado rei, a 19 de Outubro de 1889, e apenas 44 quando morreu, a 1 de Fevereiro de 1908. (…) Era um homem independente, sensato e corajoso, capaz de suportar grandes pressões e de tomar decisões arriscadas quando se impunham. Morreu por causa das suas qualidades, não por causa dos seus defeitos.


In: D. Carlos, por Rui Ramos. Colecção Reis de Portugal - Circulo de Leitores 2006

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

História de algibeira (14)

Segundo um relatório de um espião da coroa britânica de serviço em Lisboa ao tempo da “questão inglesa” era nas manobras dos chefes políticos que estava a lógica dos acontecimentos, porque em Portugal “a animosidade dos partidos é mais poderosa do que o patriotismo”.


George Petre, oficio a lord Salsbury, 31.3.1890 In D. Carlos – Rui Ramos, Círculo de Leitores 2006

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O povo e o poder

Durante a Monarquia, as reformas que o PRP tão eloquentemente recomendava tê-lo-iam fortalecido nas grandes cidades e em meia dúzia de capitais de distrito. Com sorte, teriam talvez levado trinta e tal deputados republicanos ao Parlamento e permitido a conquista de outras tantas câmaras. Assentavam, porém, num postulado falso: o de que o país queria a República. Depois do 5 de Outubro, depressa se tomou claro que não queria. E, assim, esquecendo as suas mais solenes promessas, o PRP nunca decretou o sufrágio universal ou lutou pela descentralização eleitoral e administrativa. A longo prazo, o democratismo republicano não podia deixar de se revelar por aquilo que era: a expressão ideológica da vontade revolucionária da pequena burguesia urbana.


Vasco Pulido Valente - O Poder e o Povo, 1976 - Edição Gradiva 2004

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

História de algibeira (13)


Em cima, um precioso instantâneo de Joshua Benoliel, tirado no fatídico dia 1 de Fevereiro de 1908 no Terreiro do Paço onde se encontram D. José de Mello (Sabugosa), Tenente-coronel Alfredo de Albuquerque, Conde de Castro (meu bisavô), Capitão Roçadas e o conde de Mesquitela, aguardando a chegada da família real vinda de Vila Viçosa.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

História de algibeira (12)

Aquando do juramento da carta constitucional, por parte do Rei D. Carlos a 19 de Outubro de 1889 foi inaugurada em Lisboa a avenida com o seu nome (na foto, daqui).

sexta-feira, 20 de julho de 2007

História de algibeira (11)

Na fotografia (daqui), a moderníssima Av. Rainha D. Amélia em 1908. Após a revolução de 5 de Outubro a conhecida artéria Lisboeta foi renomeada Almirante Reis.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

História de algibeira (10)

Sobre a infância do Rei D. Carlos:


Um dos companheiros de D. Carlos e D. Afonso lembrava-se sobretudo, quase sessenta anos depois, de “um barco com rodas, patins e uma caixa cheia de ferramentas com as quais escangalhávamos tudo quanto apanhávamos a jeito”. D. Carlos e o irmão usavam quase todo o Palácio (da Ajuda). Os corredores e as grandes salas do “andar nobre” serviam para deslizar em patins com rodas. No jardim botânico, entretinham-se a arreliar os macacos da enorme colecção de animais do rei.

In “D. Carlos”, por Rui Ramos, da colecção Reis de Portugal (Círculo de Leitores, 2006)

sexta-feira, 6 de julho de 2007

História de Algibeira (9)

Acontece com a biografia de D. Maria II de Maria de Fátima Bonifácio da colecção Reis de Portugal editado pelo Círculo de Leitores: toda a conjuntura política, conspirações e pronunciamentos, manifestos e marchas são devidamente testemunhadas; do Duque de Palmela a Costa Cabral, do Duque de Saldanha a Sá da Bandeira todos os protagonistas dessas salgalhadas são devidamente revisitados. No fim, pouco encontramos da própria D. Maria II, seus amigos, acontecimentos e traços “privados” como seria de desejar numa boa biografia. Será o desprezo pela “pequena história”?Por um estranho vício, sobreavaliamos por sistema o “jogo” do poder político e seus protagonistas. Fica-nos a faltar aquilo que os molda, e os nós de toda uma teia que transforma a realidade. Quase sempre aparentes “faits divers”.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

História de Algibeira (8)

Nos finais do século XIX, a partir de Alcântara, localidade rural para lá da antiga estrada da circunvalação (artéria que delimitava a cidade), usava-se dizer "ir a Lisboa", aquando se empreendia uma viagem à Baixa, ao Bairro Alto ou ao Passeio Público. Por exemplo, em 1870 a Junqueira era um destino de veraneio para a burguesia e fidalguia abastada da cidade.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

História de Algibeira (7)

Entre Outubro e Dezembro de 1910, Afonso Costa, ministro da Justiça e dos Cultos do Governo Provisório, aboliu os feriados católicos excepto o Natal, que passou a chamar-se Dia da Família. Enquanto se substituía afanosamente a ancestral toponímia das cidades com a nova nomenclatura República Cândido dos Reis, Elias Garcia e demais revolucionários, estalou uma polémica com o inconcebível bolo-rei, que passou a chamar-se "democraticamente" bolo-nacional.