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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

A nossa babilónia

A barcaça marroquina abalroou a muralha do oeste “civilizado” com 23 desgraçados párias a bordo. Enquanto isso o bem nutrido e alucinado "consumidor", entretido nos centros comerciais, contrafeito, mal desvia o olhar das montras iluminadas de mil cores.

Construímos a nossa Babilónia e criámos uma grosseira ilusão de realização e auto-suficiência. No fundo, no fundo, todos reconhecemos a grande mentira com que nos sustentamos, mas recusamos indolentemente a corrigir o curso da nossa história, (a individual, que é a verdadeira) alterar um dedo a nossa cómoda perspectiva, desacomodarmo-nos um pouco que seja da nossa existência entretida e conformada.
De resto, ao ver a chocante fotografia de capa do Diário de Notícias de hoje, com um calafrio realizei como Jesus Cristo do Natal que estamos prestes a celebrar, encontra-se definitivamente “escondido” no emigrante repudiado. E como jamais O encontraremos com o barulho da encenação feérica dum qualquer agitado shopping suburbano.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Halloween

Entristece-me intimamente a ingénua adesão dos miúdos pequenos ao estéril folclore da triunfante cultura invasora. É com ou sem a nossa conivência que os seus ritos e liturgia entram sorrateiramente pelas nossas casas adentro.
Ao mesmo tempo que a desgarrada militância laicista promove o esvaziamento das nossas ancestrais tradições cristãs, em nome do progresso e duma presumida superioridade intelectual, os fundamentos da nossa identidade colectiva são sistematicamente ameaçados.
Sem nada para lá pôr no seu lugar, o povo espoliado e confuso agarra-se em desespero às abóboras ocas, luzinhas mágicas, pais natais, pozinhos de perlimpimpim e demais “espiritualices” alternativas.
Enfim, o progresso.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Então... feliz ano novo!

Talvez seja uma ilusão, mas o final do Verão sempre me pareceu demasiado abrupto: no espaço de uma ou duas semanas, os longos e radiosos dias quentes escurecem e minguam vertiginosamente, trazendo consigo uma suave nostalgia, quando não uma recôndita angústia. De repente sentimos saudades do Verão que passou... ainda na semana passada, num fim de tarde na Adraga, com chinelos e poeira, um petisco e uma cerveja, aquela eufórica sensação de liberdade e o coração tão aceso. Confesso que, apesar de trabalhar durante grande parte do Verão, vivo-o com o jovial espírito de “férias grandes” de outrora. São os jantares tardios na varanda, a cidade utopicamente deserta, as coloridas esplanadas para beber um simples café ou as longas saídas de fim-de-semana.
E de repente a rotina doméstica altera-se com a preparação do retorno às aulas. Umas "cópias" e umas leituras forçadas vêm cortar a indolência das tardes de Setembro à pequenota. Há uns amuos e os sonos ainda trocados. Os mais velhos resistem como podem ao fim da época balnear, e numa manhã destas finalmente lá foram, contrafeitos, tomar nota dos horários.

Ontem, a trovoada e uma impiedosa chuva aqui em Lisboa desfizeram definitivamente qualquer veleidade: apesar da praia estar logo ali atrás, começou de vez o ano lectivo, uma nova época de trabalho, aventuras e novas oportunidades. Para todos aproveitarmos com renovadas forças. Afinal, o meu verdadeiro ano novo ainda começa sempre no fim do Verão.

sábado, 1 de setembro de 2007

New age

O moderníssimo aparelho do meu carro lê os CDs em MP3. Neste “formato” cabem quase vinte álbuns num simples CD de 700 megas. A fartura é tanta que o pobre desconfia. Com o ouvido atento, apercebo-me como o processo de compactação digital nos defrauda, prescindindo de tantos “bites e baites”, aparentemente redundantes. Ou eliminando os sons considerados inaudíveis ao ouvido "comum". Confesso que aquele som, redondo e de plástico, ao princípio até soa agradável. Mas ficamos com a ausência da alma, dos sombreados, dos degradés e dos ecos mais subtis da peça. Desvanece-se a profundidade e o relevo, a coloração sonora impressa pelo espaço, pela sala ou pelo estúdio e os seus materiais.
Chegado a casa, cedo à urgência: ligo o amplificador, ponho a rodar o gira-discos, fecho a porta, ajusto o volume, ponho cuidadosamente o vinil a reproduzir o órgão de Tom Koopman, tocando a Tocata e Fuga BWV 565 de Bach. Respiro profundamente e deixo-me ir.
Infelizes os satisfeitos com o que os seus humanos e precários sentidos alcançam. Vendo pouco e crendo pouco. Conformados. Tantas vezes cínicos.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Tomando sempre novas qualidades...

A maior "revolução" operada na sociedade contemporânea, subtil e orgânica, é aquela que aconteceu à relação entre o pai e os seus filhos. Mais até do que as conquistas femininas, de lugares nos estádios ou em promissoras carreiras.
Apercebo-me hoje que o meu pai ainda esboçou uns tímidos esforços, desajeitadas tentativas de intimidade, inspiradas nos inevitáveis sinais de mudança. Mas a rigidez dos "papéis" estava-lhe demasiado impregnada. Assim como aquela solidão.
A maior "revolução" dos tempos modernos, é a "revelação" da plena paternidade. Hoje, conhecemo-nos cedo, com a ajuda da pele e de uma orgânica cumplicidade. Com muitas canções, lenga-lengas, banhos de banheira, de mar e de mundo. Depois de tudo isto, que venha a vida toda, com os seus anunciados terrores e tempestades. Seremos mais fortes, por certo, o que já não é pouco.

domingo, 5 de agosto de 2007

A luta continua

A “soviética” revolução de Outubro, violentíssima génese do mais sanguinário regime conhecido, celebra 90 anos dentro de alguns meses, e é razão para entusiásticas celebrações na próxima festa do “Avante!”, órgão oficial do sistémico Partido Comunista. A inteligenzia apaniguada do regime fechará convenientemente os olhos à ignóbil celebração. Para tanto basta um convite para uma pública passeata no santuário do Seixal que logo o tinto carrascão e umas febras fumegantes, adormecem a sua sensibilidade democrática. A boa propaganda assim aconselha, pois afinal não é tudo tão “relativo”?
Entretanto, à conta do erário público, preparam-se os nacionalíssimos festejos do centenário da velha e caduca república do não menos passado Dr. Vital Moreira. Celebremos então a carbonária, a formiga branca e o camião da morte. Rejubilemos com as perseguições e o ressentimento sanguinário, o assassinato politico, a desregulação democrática, enfim, o completo caos.
A gananciosa fidalguia regimental, em plena posse da máquina de propaganda, rejubila com a previsível festança para o pagode iletrado. Para o povo historicamente analfabeto e acrítico, hoje alienado com as ilusões da fortuna pós-moderna: viagens enlatadas, telemóveis topo de gama, unhas de gel e outros ídolos do jet 7. Uma vertigem de prazer inusitado.
Abaixo da superfície, uma ligeira vibração é perceptível. Sinais de que a história não acaba aqui e de que a luta continua.

domingo, 22 de julho de 2007

Libertinagens de conveniência

Eu por mim até já estou calejado. Em nome da sacro-santa liberdade de expressão alheia, desde sempre e sob o patrocínio do regime, testemunhei conformado nos media, as mais impunes e gratuitas provocações à minha fé e outras minhas causas desalinhadas. E diz-me a experiência que qualquer reacção piora sempre as coisas, é melhor nem ligar. Há muito que conheço o valor da minha liberdade em confronto com a das vozes do regime. Mas com o tempo ganhei imunidade e indiferença. Valem-me as minhas convicções, e também o exemplo de Cristo.
Vem isto a propósito do caso das infames caricaturas dos Príncipes Filipe e Letícia publicadas em Espanha. E não é que a fecunda liberdade de expressão de nuestros hermanos comoveu desde logo alguns nossos tolerantes e laicos republicanos? Foi o caso de Ferreira Fernandes com a sua ironia ao lado de quem, no mesmo DN, o caricaturista porno Vilhena (sem link) quase se revela um sensível conservador.
Mas cá no quintal, só se promove a respeitabilidade num sentido: o devido aos senhores do regime e seus venerandos mitos ou símbolos. Experimentem só xingar da bandeira da republica, ou gozar com a licenciatura do nosso primeiro ministro...
De resto, imagine-se indignação da "inteligenzia regimental", se uma perversa publicação doméstica parodiasse os nossos estimados Aníbal e Maria naqueles realíssimos preparos... Não tinha mesmo graça nenhuma, pois não?!

sábado, 30 de junho de 2007

Gestores de bancada

É um facto relativamente recente e vem na sequência da revolução operada na gestão financeira dos clubes de futebol: hoje em dia, no café ou na rua, o povo comenta animadamente as notícias das contas dos seus clubes do coração. Numa qualquer tasca do Bairro Alto ou café em Amarante, além da jornada desportiva são esgrimidos argumentos como a cotação das SADs, aumentos de capital, activos, passivos, custos com pessoal, produtividade, etc. etc.
Agora resta-nos aguardar com esperança que estes entusiasmados adeptos e conscientes gestores, apliquem nas suas vidas e profissões os princípios que anseiam ver cumpridos nos seus clubes de futebol. Anuncia-se assim um novo realismo nas negociações com o patronato, o fim das greves irresponsáveis, um reforço das noções de produtividade e uma consciente e positiva adesão aos objectivos da empresa. Que bom, prenuncia-se para breve um país de sucesso!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Casamentos de conveniência

Essa coisa dos homossexuais como persistentes vitimas, já foi chão que deu uvas. Antes parecem-me em boa forma, e "recomendam-se" todos os dias. Aliás, na maior parte das vezes, as pessoas são é perseguidas por si próprias, pelos seus medos e fantasmas. A maior parte das vezes, são os olhos de cada um que exorbitam o preconceito alheio, parece-me. E isso, não se resolve com casamentos. A palavra “casamento” que eu saiba refere-se a “casal”. Casal, pela etimologia da palavra significa a união de um homem e uma mulher, mesmo sem um "rancho filhos" - coisa de pretos e católicos.
De resto, a promoção destas confusões e demais relativismos levam-nos aonde? É este afinal o novo rumo do Socialismo? São estas as novas causas, com a eutanásia e o aborto livre? Eu por mim, sei muito bem o que é uma família. E é muito mais do que um par de enamorados.
Mas que venham então os inevitáveis cerimoniais de união entre homossexuais, consumados no Salão Nobre da câmara, ou num cartório mais próximo, com o Dr. Costa e a Dra. Brito como padrinhos. É o preço de 4% do eleitorado na vertigem da corrida ao município. Para mim dou isso de barato, desde que a canalha jamais entre em minha casa a pôr e a dispor. Falo dos novos jacobinos obviamente, não dos homossexuais que esses não têm culpa nenhuma de tanta hipocrisia.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Crónica mal comportada

À conta da latente ou declarada depressão de um exército de inadaptados e excluídos sociais patrocinados pelo inefável regime do sucesso, das aparências e do consumo, vive uma incomensurável trupe de intrépidos profissionais da psiquiatria e psicologia clínica. No topo da pirâmide social, nesta nova classe de obscuros feiticeiros tribais, há-os para todos os gostos e maleitas da telha, da pila e da falta dela. Com a árdua tarefa de justificar o inexplicável, normalizar a excepção, especializados num menu variado de complexos, encontram um manancial inquantificável de freguesia, vítimas do sistema predatorial e materialista do socialismo neo-liberal contemporâneo. Um regime promotor do mais forte, do mais hábil, do chico mais esperto, da degradação da estrutura familiar e da legalíssima ausência de valores. Todos bons rapazes desde que bons contribuintes.
Com mais ou menos resultados, com mais ou menos psicanálise, com mais ou menos químicos e drogas legais, com mais ou menos internamentos, suicídios e demais efeitos adversos, esta nova fidalguia do regime pulula nos mais inúteis institutos e organismos estatais. São os novos inquisidores da nação, moralistas e carniceiros das almas, caridosos oráculos pós-modernos, que se dedicam esmeradamente a debitar as regras da nova moralidade nos órgãos oficiais de comunicação. Encontramo-los a verberar vulgaridades e redundantes lugares comuns sempre politicamente correctos na mais selecta revista feminina ou encarte de entretenimento dominical, ao lado da rubrica de astrologia, num qualquer jornal, rádio ou televisão. Sempre em benemérita promoção das mais radicais e estimáveis minorias. Estes novos e populares cientistas da existência, emitem despudoradamente um discurso sempre redundante e vazio, que não é mais do que a imperativa fórmula de segurar as suas mais suculentas franjas do mercado. Afinal somos todos “porreiros” desde que paguemos a conta da consulta, seja privada ou através da previdência social. Jamais mordas a mão que te dá de comer...
Tragicamente vi passar pelas mãos destes “feiticeiros da psique”, gente boa que nunca mais foi gente, gradualmente enterrada em químicos e relativismos alienantes, psicoterapias e demais placebos. Ironicamente tive a sorte de constatar o seu sucesso na intervenção terapêutica em gente que sempre me parecera saudável. E como tal resistiram úteis cidadãos. Apesar de tudo.

Esta minha crónica foi inspirada por este benevolente texto do João Gonçalves sobre os Sampaios da nossa vida.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Maus sinais

Questionava-me há uns dias à mesa com um grupo de amigos, quais serão a prazo as consequências, os sinais exteriores de uma sociedade progressivamente mais individualista e impiedosa, sem identidade ou "interioridade", dominada pelo hedonismo, pelos predadores sem Deus e pela ilusão das aparências. Alguém me sugeriu que em certas metrópoles dos EUA poderiam ser auscultados esses sinais.Ontem, ao ouvir a noticia sobre o fenomenal crime perpetrado na Universidade Tecnológica da Virgínia, perguntei-me se não será este tipo de loucura parte da resposta.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

A grande entrevista "civilizacional"

O Engenheiro, ou Bacharel, ou licenciado José Sócrates, em resposta televisiva à polémica sobre o seu curso superior brindou-nos com um conjunto de afirmações onde mostrou a sua enorme arte de mentir, manipular e fazer poeira, procurando tentar fazer de nós parvos.

Utilizando uma forma literária em dois tempos: afirmação peremptória seguida de vírgula e, aí vem, o contrário do dito, foi-nos referindo que: Escreve que é engenheiro civil, no registo de deputado mas, acrescenta bacharel para que nós não pensemos que ele queria mostrar o que não é; Intitula-se Engenheiro mas, não tem culpa que normalmente outros assim chamem a quem não o é; Não tem por hábito falar aos jornalistas mas, qual é o Primeiro-ministro que não telefona aos directores dos jornais a dar a sua versão. Afirma que esteve em silêncio porque não queria interferir nas investigações da Universidade Independente mas, já falou e elas ainda estão a decorrer; Não baixará os impostos por razões eleitorais, mas pode ser que a conjuntura seja a ideal para baixar impostos no ano antes das eleições.
O grande Jorge Coelho ficou convencido com o rigor das explicações dadas, milhares de portugueses também, eu porém não acredito no Super-Homem, no que tudo faz bem e sempre penteado…

Enfim, o Senhor … enumerou para finalizar as três grandes marcas civilizacionais conseguidas até agora na sua governação: a liberalização do aborto, a procriação mediamente assistida e a paridade de género.
Senhor … , esqueceu-se, ou nem lhe ocorre falar de outra conquista civilizacional destes dois anos: A Mentira manhosa!

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Que caminho é este?

No seguimento do propalado fim da História, assumimos conformadamente a liberal e democrática segmentação social, das classes que agora se designam como A, B, C, D… com base na capacidade de consumo do indivíduo. Esta perspectiva geométrica, mecânica e utilitária da sociedade torna-se cada vez mais implacável, imperial. Nada é mais importante, nem a felicidade das pessoas.
No "moderníssimo" Portugal de hoje, a felicidade pechisbeque está acessível a (quase) todas as bolsas. Em doses individuais e empacotadas com diferentes cores, calibres ou sabores. Com a chancela dos democráticos poderes neo-liberais e tecnocratas, do novo rotativismo.

A todos os meus sinceros votos de uma Santa Páscoa.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

A escapadela e a Liberdade

A Semana Santa, para muitos, significa hoje em dia apenas uma ocasião para umas pequenitas mas ansiadas férias. Uma ansiosa escapadela às opressivas tensões rotineiras, com muitas amêndoas e demais comezainas.
Para os católicos praticantes, este deverá ser um período de recolhimento, penitência e oração. Deverá ser um período de reforçada tolerância e entrega aos outros. Deverá ser acima de tudo um tempo de comunhão intensa com Cristo, para uma “travessia interior” que preceda uma sentida redescoberta do “homem novo” em cada um. Homem novo que o cristão empenhado renovadamente deveria alcançar em cada Páscoa. Um homem verdadeiramente amado e assim verdadeiramente livre para viver e amar.
Assim, se Deus quiser, a minha Semana Santa não será ocasião para uma mera escapadela. Será sim uma oportunidade de encetar uma redentora “viagem” na busca de uma verdadeira paz e felicidade, que é o que significa uma Páscoa em comunhão com Jesus.