segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Desenvolvimento Fetal

Um video lindissimo sobre o inicio da vida, para iniciar bem o ano:)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Gomorra

Realizador: Matteo Garrone. Argumento: Maurizio Braucci, Ugo Chiti, Gianni Di Gregorio, Matteo Garrone, Massimo Gaudioso, Roberto Saviano. Intérpretes: Salvatore Abruzzese, Simone Sacchettino, Salvatore Ruocco, Vincenzo Fabricino, Vincenzo Altamura, Italo Renda. 137 min. M/16. (VXD) *
Assinado por José Maria Aresté Data: 15 Dezembro 2008

Impressionante olhar sobre a sinistra realidade da Camorra italiana, a partir da novela homónima de Roberto Saviano, ele próprio ameaçado de morte por estes criminosos, a ponto de precisar de contínua protecção policial. Entre as dezenas de histórias incluídas na obra original, o realizador Matteo Garrone escolheu cinco, muito representativas dos trágicos acontecimentos que se vivem em Nápoles e nos seus arredores.As andanças de vários personagens entrecruzam-se como tramas de um tapete. Dom Ciro é um contabilista da máfia que nunca sujou as mãos e que, na complexidade de confrontos de clãs, não sabe a qual se há-de associar para sair ileso. Totó é um adolescente, jovem "cachorro", que aspira a ser considerado pelos mais velhos apto para ser admitido na organização criminosa. Marco e Ciro são dois rapazolas desmiolados, tão indolentes e pouco motivados como tantos outros rapazes honestos da mesma idade, mas que além disso desejam "fazer a guerra por sua conta", isto é, tentar a sorte juntando-se a um gang de narcotraficantes colombianos, saltando a hierarquia da Camorra. Roberto, jovem licenciado e rapaz às ordens de Franco, faz negociatas com indústrias químicas para eliminar resíduos tóxicos de modo a sair mais barato às empresas do que se estas cumprissem as normativas de segurança. Por último aparece Pasquale, um excelente alfaiate, que na iminência de ter de entregar um pedido urgente, é capaz de encomendar o trabalho a ateliers chineses clandestinos, sem conhecimento do chefe.É um filme que retrata sem paliativos o horror do crime organizado da Camorra. Além disso, tem muita actualidade por incluir questões como a exploração de imigrantes ilegais, o desnorteamento de tantos jovens vazios de ideias, e a destruição do ambiente pela contaminação. A abordagem, valente, é de total desmistificação dos problemas: ficam descartados todos os processos mais ou menos românticos ou condescendentes de certo tipo de cinema dos Estados Unidos, que tem por trás pessoas do nível de Francis Ford Coppola, Martin Scorsese ou Brian De Palma (este último explicitamente criticado). Aqui não há lugar para qualquer tipo de fascínio, porque o quadro que Garrone pinta é a rotina mafiosa, absolutamente imoral: negócios corruptos para encher os bolsos, utilização de pessoas para fins horríveis, degradação da sexualidade - explicitamente apresentada -, negação do valor da vida, subjugação de pessoas, incluindo crianças, condenadas a ser párias se não aceitarem determinadas regras do jogo...Com um tempo correctíssimo, como num verdadeiro documentário, real como a própria vida - muitos actores não são profissionais, na linha da tradição neo-realista italiana - o filme faz-nos testemunhas da evolução dos diferentes personagens, num mecanismo muito bem engrenado, onde impera o medo e a hipocrisia e que ninguém parece ter interesse em desmontar, em parte pelos muitos milhões envolvidos, inclusive em negócios legais. No meio deste panorama desolador e terrível que nos é apresentado, e sem mais violência que a estritamente necessária, Garrone tem o acerto de incluir personagens que se revoltam contra a situação, sem que a sua oposição signifique minimamente o fim da Camorra, mas apenas a constatação de que há gente que faz as coisas de forma correcta, embora isso implique ganhar menos dinheiro e ficar fora de jogo.
José María Aresté

Natal


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Asas imensas

‘Nas asas de um sonho rasgaste oceanos com génio e coragem,
E num certo sentido tu foste o primeiro no fim da viagem …’

Aqui estou companheiro na hora triste da poesia, para que o poema se cumpra, e floresça lá longe nos campos verdes de esperança.
Aquele a quem fazias questão de tratar por ‘mestre’, numa singular afirmação de nobreza, não esquece as asas imensas que rasgavam os teus sonhos, órfãos, filhos de outro interregno. Lugares escondidos na alma, frases que o tempo caduca, os versos que em vão buscavas, hás-de encontrá-los agora, acabou a tua luta.

Em memória do Paulo Santos

sábado, 22 de novembro de 2008

Queridos familiares e amigos







Estou a escrever-vos porque o MSV precisa MESMO da ajuda de todos.
O MSV (www.msv.pt) é uma instituição de solidariedade social com quem já fiz vários projectos de voluntariado e de que sou membro da Direcção desde Maio.
Como muitos sabem, depois de 8 anos de muito trabalho e muita, muita persistência o MSV prepara-se para inaugurar a Casa das Cores - um centro de acolhimento para crianças em risco, dos 3 aos 12 anos.
No âmbito do Projecto Swatch Mundo Perfeito, conseguimos reconstruir a casa que a Câmara Municipal de Lisboa nos havia cedido no Parque da Belavista, e vamos inaugurá-la já no próximo dia 20 de Novembro.Saibam tudo sobre a Casa das Cores no site www.casadascores.pt
Terminada esta fase, o nosso grande desafio é angariar os meios necessários para a pôr a Casa das Cores em funcionamento o mais rapidamente possível.As boas notícias são estas:
- Ao nível de condições e equipamento criámos uma casa de topo para este tipo de intervenção social;
- Temos um potencial humano privilegiado para fazer um trabalho fantástico com estas crianças e as suas famílias. As dificuldades que sentimos são estas:
- Temos uma Previsão de Custos de 305.370,50 € / Ano;
- A Segurança Social só financia cerca de 50% destes custos;
- Estamos em crise e as empresas estão a cortar nos apoios sociais;
- O MSV já está a fazer um grande esforço para manter os outros projectos;
- Não temos dinheiro pôr a Casa das Cores a funcionar.
Para tentar abrir portas já em Janeiro de 2009 decidimos então lançar a campanha dos Amigos da Casa das Cores.
É aqui que vocês entram:Peço-vos a todos que se tornem Amigos da Casa das Cores e que se lancem connosco na angariação de mais Amigos.
Se cada um conseguisse angariar 5 AMIGOS até ao fim de Novembro, teríamos o problema resolvido e no princípio do próximo ano estaríamos a acolher as primeiras crianças.
Precisamos de alcançar a meta dos 2.000 Amigos da Casa das Cores. Mas o que é então um Amigo da Casa das Cores?
- É todo aquele que contribui mensalmente para o funcionamento da casa e acompanha regularmente o seu trabalho;
- Esse donativo é feito através do sistema de débitos directos, com quantias que podem ser de 5€, 10€, 15€…Enfim aquilo que cada um puder e quiser dar. Como é que me posso tornar um Amigo da Casa das Cores?
- Basta ir ao site www.casadascores.pt , clicar em Ser Amigo e seguir os passos. Podem fazer tudo on line ou em qualquer Multibanco.
O AMIGO da Casa das Cores recebe:
- O recibo de donativo no final do ano para deduções fiscais;
- A newsletter trimestral que permitirá acompanhar o andamento da Casa;
- O relatório anual de contas e de actividades;
- A satisfação de fazer parte desta Casa.
Isto já vai longo, mas gostava de vos dizer que tenho a consciência de estar a pôr as mãos no fogo por um projecto em que realmente acredito.
É verdade que para nós é uma necessidade, mas acreditem que ao mesmo tempo também é um privilégio poder contar com cada um de vocês neste projecto.



Abraços e beijinhos



Tiago Tavares

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Noticia


quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Conferência


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Exposição no Parlamento Europeu sobre João Paulo II

A exposição reflecte o contributo de João Paulo II para a unidade e o espírito europeu
Bruxelas. No edifício principal da sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas, inaugurou-se a 14 de Outubro uma exposição sobre João Paulo II, que destaca o seu contributo para a unidade e o espírito europeu. "As raízes comuns do espírito europeu. 30 anos depois da eleição de João Paulo II, 20 anos depois da sua visita ao Parlamento Europeu" é o título deste evento situado num espaço muito concorrido de passagem para os outros edifícios. A exposição tinha sido anunciada com grandes cartazes nas esquinas e colunas com uma grande fotografia de João Paulo II.
Assinado por Ana Gonzalo Castellanos Data: 8 Novembro 2008

Atractiva, muito bem planeada, a exposição apresenta grandes painéis com fotografias das visitas de João Paulo II a cada uma das 27 capitais europeias - visitou-as todas pelo menos uma vez - acompanhadas de textos em inglês e na língua em que o Papa as pronunciou, incluindo grego, sobre as raízes cristãs da Europa. Mais seis painéis traçam a vida e a obra dos padroeiros da Europa, S. Cirilo e Metódio, S. Bento de Núrsia, Santa Catarina de Sena, Santa Brígida da Suécia e Edith Stein. Vários painéis reproduzem recortes de jornais de todos os países europeus da época da eleição daquele Papa jovem e alegre. Em idiomas que ainda não estavam incluídos entre os da União Europeia como o letão, o polaco ou o checo, lê-se: "o lutador da liberdade", "o Papa da esperança"...
Nesse momento, 1978, muitos países que hoje fazem parte da União Europeia não existiam sequer como países independentes, ou estavam então muito longe de imaginar que fariam parte dela em tão curto espaço de tempo ou do papel que o Papa desempenharia para fazê-lo realidade. De facto, o Papa visitou muitos deles quando estavam ainda do outro lado da cortina de ferro.
Entre os organizadores da exposição contam-se vários parlamentares europeus, entre eles um dos seus vice-presidentes, Alan Bielan, e o presidente da Comissão dos Assuntos Externos, Jacek Saryusz-Wolski. O Comité honorário é composto por mais 16 euro-deputados, de várias nacionalidades.
Uma grande bandeirola rodeia e une os painéis na parte superior, mostrando a seguinte inscrição em latim e em grego: "Non erit Europa unitas donec ipsa spiritus quadem unitas fiet".


Visita ao Parlamento Europeu em 1988

A 11 de Outubro de 1988 João Paulo II dirigiu-se ao Parlamento Europeu reunido em sessão plenária em Estrasburgo, onde disse: "É meu dever sublinhar com força que se o substrato religioso e cristão deste continente tivesse ficado à margem do seu papel de inspirador da ética e da sua eficácia social, estaríamos a negar não somente toda a herança do passado, mas até a comprometer gravemente um futuro digno de cada homem europeu, crente ou não crente".
João Paulo II visitou nove vezes a sua Polónia natal, sete vezes França, cinco vezes Espanha, quatro vezes Portugal, três vezes a Áustria, a República Checa, a Alemanha e Eslováquia, duas vezes a Bélgica, Hungria, Malta, a Irlanda e a Eslovénia e uma vez a Bulgária, a Dinamarca, a Estónia, a Finlândia, o Reino Unido, a Grécia, a Letónia, a Lituânia, o Luxemburgo, a Holanda, a Roménia e a Suécia.
A exposição reflecte o contributo de João Paulo II ao espírito de unidade e solidariedade, ao espírito europeu e às suas raízes profundamente cristãs.
Eis aqui algumas citações compiladas nos painéis e no rico catálogo publicado por ocasião da exposição:
"Sei que sois fiéis à memória daqueles a quem chamais "pais da Europa", como Jean Monnet, Konrad Adenauer, Alcide De Gasperi, Robert Schuman. Tomarei deste último a concepção de uma intuição central dos fundadores: "Servir a humanidade por fim livre do ódio e do medo, uma humanidade que aprende de novo, após largas rupturas, a fraternidade cristã" (Discurso ao Conselho da Europa, Estrasburgo 8 de Outubro de 1988).
"A Europa tem necessidade de redescobrir e tornar-se consciente dos valores comuns que forjaram a sua identidade e que formam a sua memória histórica. O ponto fulcral da nossa comum herança europeia - religiosa, jurídica e cultural - é a singular e inalienável dignidade da pessoa humana" (Mensagem ao Presidente da Comissão dos Ministros do Conselho da Europa, 5 de Maio de 1999).
"A história do mundo é rica em civilizações perdidas e culturas brilhantes cujo esplendor há muito se extinguiu; enquanto que a cultura europeia se renovou e enriqueceu sem parar no diálogo, às vezes difícil e conflituoso, mas sempre fértil, com o Evangelho. Este diálogo é o fundamento da cultura europeia". "A política e a economia são certamente necessárias mas não suficientes para curar o homem europeu ferido que aparece frágil e vulnerável. A Europa não encontrará o equilíbrio e a força vitais se não se renova com as suas raízes profundas, as raízes cristãs. A Europa, como disse Goethe, fez-se peregrinando e o cristianismo é a sua língua materna" (Discurso aos estudiosos europeus no Simpósio pré-sinodal sobre : O cristianismo na Europa, 31 de Outubro de 1991).
No painel dedicado às cinco visitas que João Paulo II fez a Espanha recolhe-se a seguinte frase pronunciada no aeroporto de Quatro Ventos a 3 de Maio de 2003. "Ela (Maria) vos ensinará a não separar nunca a acção da contemplação, assim contribuireis melhor a fazer realidade um grande sonho: o nascimento da nova Europa do espírito. Uma Europa fiel às suas raízes cristãs, não fechada em si mesma mas sim aberta ao diálogo e à colaboração com os demais povos da Terra, uma Europa consciente de estar chamada a ser farol de civilização e estímulo de progresso para o mundo, decidida a juntar os seus esforços e a sua criatividade no serviço da paz e da solidariedade entre os povos"
Durante a inauguração da exposição, a 14 de Outubro, os organizadores recordaram que este espírito que deu vida à unidade europeia, e o contributo de João Paulo II para revitalizá-lo, não é só uma recordação do passado. Trata-se sobretudo de uma rica herança da qual a Europa se deve alimentar no futuro.

Ana Gonzalo Castellanos

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Viver e trabalhar em casa

o regresso do trabalho em ambiente doméstico

As mudanças que ocorrem actualmente no mundo do trabalho poderão conferir uma nova forma à casa de família, fazendo dela uma escola ideal de vida.
Assinado por www.mercator .com Data: 3 Novembro 2008

O que faz de uma simples casa uma casa de família? E que tipo de casa de família promove hoje com mais acuidade o bem-estar e o desenvolvimento de todos os indivíduos que nela habitam? Estas e outras questões serão discutidas em Novembro, num congresso que terá lugar em Londres, e que é o segundo de uma série de congressos organizados pela Home Renaissance Foundation. O congresso de Novembro terá como título: Excellence in the Home: From House to Home.
Um dos principais intervenientes neste congresso será Charles Handy, filósofo da gestão, cujas obras acerca da forma como o trabalho tem mudado, e dos efeitos que essas mudanças têm na nossa vida e na vida das organizações, são famosas muito para além do Reino Unidos. Charles Handy fará uma comunicação intitulada: «A casa do futuro. O trabalho em casa». Elizabeth Handy, sua mulher, fotógrafa de retrato que recorre a uma técnica muito específica de familiarização, vai montar, nesse mesmo congresso, uma exposição sobre a casa de família e as pessoas que a constituem.
Nesta entrevista a MercatorNet, Catherine McMahon, membro da Home Renaissance Foundation, questionou Charles Handy sobre a visão que ele tem da casa de família como local de trabalho. ***
Há algum tempo que a casa de família é o local onde as pessoas recuperam do dia de trabalho, para no dia seguinte voltarem a sair, a fim de despenderem as horas produtivas num escritório. Como lhe parece que será a casa do futuro?
Para começar, há-de ser mais do que um local onde se dorme, como tem sido, até certo ponto, na última geração: um local aonde as pessoas vão dormir, tomar uma ou outra refeição, para depois voltarem a sair.
Em minha opinião, a casa do futuro será um local onde as pessoas vivem, trabalham, dormem e descansam; será mais um centro de reunião. Isso deve-se, por um lado, ao facto de ser cada vez mais conveniente as pessoas levarem trabalho para casa; e, por outro lado, ao facto de ser mais dispendioso para as organizações albergarem pessoas durante o dia, quando elas podem perfeitamente fazer a maior parte do seu trabalho fora do escritório. Além disso, a circulação de pessoas tem-se tornado cada vez mais dispendiosa e difícil, pelo que se vai tornando natural que cada vez mais pessoas trabalhem mais tempo em casa se puderem.
Há coisas que não se podem fazer em casa; tem de haver quem nos atenda no supermercado. Mesmo aí, contudo, o serviço é cada vez mais autónomo, de maneira que são necessárias cada vez menos pessoas. Se a senhora quiser ir ao cabeleireiro, também terá de sair de casa. Mas grande parte do trabalho do futuro terá por base a informação; e, uma vez que tudo o que tem de ver com a informação pode ser feito em casa, serão cada vez mais as pessoas que ficarão em casa – mas essas pessoas também saem, não estão sempre fechadas, porque têm necessidade de se encontrar com outras pessoas.
Esta tendência já está a ter impacto na arquitectura. No outro dia, falámos com uma arquitecta que nos disse que, actualmente, todas as casas que planeia têm escritório, porque as pessoas que trabalham em casa precisam de um espaço para esse efeito. Mas também é necessária uma área comum, e é cada vez mais corrente as pessoas quererem combinar a área de lazer com a área onde cozinham e onde tomam as refeições. Teremos, portanto, uma zona comum, com uns a cozinhar, outros a comer, outros a ver, uns a gritar, outros a brincar – uma área que será ampla, que será a zona principal da casa.
De momento, o design urbano empurra as pessoas para irem trabalhar fora de casa, e muitas delas passam imenso tempo em transportes. O que podemos fazer para convencer as autoridades a reconhecerem a importância da casa de família na vida das pessoas?
Eu defendo que o tempo gasto em transportes é muito caro; é caro para a organização e é caro para o indivíduo. Quando pensamos que, na sua maioria, os edifícios de escritórios só estão ocupados durante 40 horas por semana – das cerca de 160 horas possíveis –, percebemos que é uma despesa enorme. É portanto, obviamente, do interesse das organizações ter escritórios pequenos, fazendo deles locais de reunião, em vez de serem locais onde as pessoas se sentam a trabalhar. A ideia é mandar as pessoas trabalhar para casa e só as chamar quando têm de trabalhar em conjunto, de colaborar de forma pessoal, em vez de o fazerem por telefone ou por correio electrónico.
Por outras palavras, a economia – que é a principal alavanca das alterações sociais – vai dizer cada vez mais: por favor, não circulem tanto. É mau para a economia, é mau para a bolsa dos indivíduos, é mau para o ambiente, e por aí fora.
É preciso ser muito virtuoso para trabalhar em casa e trabalhar de forma efectivamente estruturada. É de esperar que as pessoas trabalhem bem em casa?
Sim, claro, é necessário aprender a trabalhar em casa, e é necessário aprender a gerir as pessoas que trabalham em casa. Mas tem de se confiar em que farão o trabalho, e deixá-las decidir quando. Nem toda a gente começará a trabalhar às 8.30 da manhã; algumas pessoas hão-de trabalhar noite dentro, porque é nessa altura que os filhos estão a dormir e que há silêncio em casa, e podem muito bem ir às corridas durante o dia. Pois muito bem. Se um empregador começa a telefonar aos empregados de hora a hora, para verificar se eles estão a trabalhar, isso é um disparate. O empregador tem de lhes dizer: “Quero este relatório na segunda-feira; tanto me faz que o faça no sábado, no domingo, ou na sexta-feira.” A meu ver, esse é o melhor tipo de gestão: o trabalho está feito? É de boa qualidade? Foi feito a tempo e horas? Era aquilo que se pedia? O empregado é que decide quando e como o fará, e com quem conversa nos intervalos. Parece-me que isso é substituir a tirania pela liberdade.
As crianças, ou pelo menos os adolescentes, passam cada vez mais tempo ao ar livre, em actividades ou com os amigos, do que em casa com a família. Como transformar a casa da família num local onde os miúdos gostem de estar? É bom andar na rua a fazer coisas; os jovens não gostam de estar permanentemente com os pais. Mas parece-me que as refeições são momentos marcantes na vida, e que os filhos devem estar em casa à hora das refeições, pelo menos de algumas. Acho mesmo que uma família que come em conjunto não se desfaz. O que me entristece na vida moderna é o facto de os miúdos terem mentalidade de nómadas: vão ao frigorífico e levam a comida para o quarto. Tenho estado em casas onde não existe uma mesa de refeições, de maneira que a família não tem sitio onde comer em conjunto. Cada um deles pega num prato, serve-se e senta-se no sofá, diante da televisão, a comer. Não tem mal nenhum fazer isso de vez em quando. Mas parece-me que fazer as refeições em conjunto faz parte da vida familiar.
Para isso, tem de haver uma mesa comum, de preferência na cozinha – e não noutra sala, porque isso torna as coisas excessivamente formais. A cozinha tem de ser o local onde, para além de se cozinhar, também se come; idealmente, será aberta para um espaço comum. Mas as pessoas também precisam de privacidade, para além dos espaços destinados à vida em comum.
Acha que as actuais tendências, em termos de concepção das casas, são em geral boas, más ou indiferentes? O que lhe parece que temos de melhorar? No meu livro, conto que, ao longe de 25 anos, nós fomos mudando a cozinha de lugar em nossa casa, porque a função da cozinha se foi alterando à medida que a família foi aumentando. Tivemos a possibilidade de fazer isso, porque tínhamos uma casa vitoriana, cujos compartimentos não tinham sido concebidos para actividades específicas; eram simples espaços. O problema de grande parte das habitações modernas é o facto de os quartos, as salas, a cozinha, etc., serem determinados à partida, o que não permite grande flexibilidade, de maneira que, quando a família aumenta, ou se altera, torna-se necessário mudar de casa. Parece-me preferível ter compartimentos multifuncionais. As famílias mudam; os filhos saem de casa; os filhos voltam para casa… Temos de ser nós a fazer o espaço; não pode ser o espaço a fazer-nos a nós.
Seja a mãe ou o pai a fazê-lo, é importante alguém tomar conta dos filhos e da casa. Não lhe parece que a sociedade devia reconhecer melhor o valor desse trabalho e – não necessariamente remunerá-lo, mas – valorizá-lo de alguma maneira? Sem dúvida nenhuma. Acabamos de fazer um estudo em Suffolk, em Inglaterra, sobre as pessoas que são as encarregadas da própria família, e chegámos à conclusão de que havia 98.000 pessoas que tinham abandonado a carreira para tomar conta de algum membro da sua família. Recebem um subsídio por isso, um subsídio mínimo, dado pelo governo, por esse trabalho incrivelmente valioso, que poupa imenso dinheiro ao país. Depois, há o trabalho de educar os filhos, de cozinhar, e por aí fora – que são tarefas incrivelmente valiosas. Volta e meia, ouve-se dizer que o trabalho de uma dona de casa, ou de um dono de casa, vale 30.000 euros por ano, mas como é que isso se avalia efectivamente?
Precisamos imenso de encontrar uma maneira de reconhecer formalmente o valor desse trabalho; é uma coisa em que ando a pensar há muitos anos. A verdade é que não sei como fazê-lo. Mas tenho a impressão de que toda a gente reconhece – em particular numa altura em que são cada vez mais os homens que o fazem – que é de facto trabalho, que não se trata de uma espécie de lazer; de maneira que a cultura está a mudar, e são cada vez mais as mulheres, e alguns homens, que dizem: O meu trabalho é cuidar dos miúdos.
Numa das famílias que andámos a fotografar para este congresso, é o marido que fica em casa. Faz uns trabalhos no computador, mas a sua principal actividade é cuidar da casa, dos filhos e cozinhar durante a semana. A mulher cozinha aos fins-de-semana. Parece-me que, quantos mais homens se dedicarem a essa tarefa, mais se reconhecerá que se trata de trabalho a sério.
Para mais informações sobre o congresso Excellence in the Home: From House to Home, ver www.homerenaissancefoundation.org

domingo, 2 de novembro de 2008

Ler os outros

(...) Portugal deixou de olhar para o céu à procura de horizontes e passou a olhar para o chão á procura de migalhas. (...) Hoje ser monárquico é exactamente o mesmo que ser português... pertencer a uma minoria que luta contra a corrente à espera que os ventos da História nos salvem deste triste fado ou que a mente dos homens se lembre de que nem só de pão (que nos escraviza e prende á terra) vive o homem, mas também de horizontes e ideais (que nos libertam e fizeram de Portugal aquilo que um dia foi... um projecto e não uma jangada á deriva. (...)

Ricardo Gomes da Silva na caixa de comentários deste texto de Simão Reis Agostinho no blog do Centenário da república.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A preferência pelo casamento continua vigente

Favorecer o casamento contribui para evitar a desestruturação familiar e a pobreza infantil

A coabitação não substituiu o casamento e quase 80% dos que atravessam essa situação desejariam casar-se, segundo uma pesquisa realizada na Grã- Bretanha e que serviu de base a uma informação do think tank Civitas intitulado "Dúvidas sobre a família". A investigação revela que a preferência pelo casamento continua a vigorar e que o casamento é realmente " mais popular que nunca, com independência do sexo, das ideias políticas ou do estatuto económico", segundo afirma a sua autora, Anastasia de Waal, directora da instituição britânica.Assinado por M. Ángeles Burguera Data: 25 Outubro 2008

De acordo com os dados recolhidos, sete em cada dez cidadãos ,entre os 25 e 35 anos, desejam casar-se e o principal motivo é estabelecer um compromisso estável. No entanto, esta preferência maioritária vê-se travada por circunstâncias económicas, especialmente entre pessoas com baixos níveis de rendimentos.
Com estes resultados, De Waal salienta a necessidade de modificar as políticas familiares actuais, que dão pouca atenção aos efeitos de desestruturação, como a pobreza dos lares monoparentais, e que não tomam medidas para modificar as causas que a provocam. "Conservadores e trabalhistas assumem que a pessoa que não se casa fá-lo simplesmente porque assim o decide", e não por outros motivos, como os económicos. Na sua opinião, a política mais progressista adquiriu uma posição neutral, potenciando a diversidade, sem dar importância ao tipo de família. A consequência é que cada vez se identifica mais a família pobre com o que os progressistas consideram "família moderna".

Maior risco de pobreza infantil

Segundo a informação do think tank Civitas, as políticas falham num dos objectivos principais: erradicar a pobreza infantil. Esta situação concentra-se nas famílias monoparentais, como resultado de situações de desemprego e de ruptura entre progenitores não casados. Os dados da pesquisa revelam que as crianças nascidas de uniões livres têm o dobro de possibilidades de ver a separação de seus pais em relação aos nascidos de pais casados. Assim, o estudo assinala que 70% dos filhos nascidos no casamento vivem com ambos os progenitores até aos 16 anos, percentagem que se reduz a 36% entre os nascidos de pais não casados.De Waal sugere também que tudo o que possa contribuir para dar estabilidade no emprego fortalecerá a família, dado que há maior tendência a separarem-se ou a conviverem entre as pessoas de menos rendimentos ou com falta de trabalho. Na mesma linha , propõe potenciar o cuidado compartilhado dos filhos e estabelecer ajudas para que os progenitores assumam as responsabilidades adquiridas perante os descendentes. "A ênfase política que se põe nas mulheres deveria passar a favorecer a paridade de responsabilidades. Seria muito útil que as políticas familiares incluíssem os homens, começando desde o cuidado dos filhos, para que, inclusive, quando a relação entre os adultos termine, a responsabilidade para com os filhos permaneça". A informação constata, além do mais, que há muita pobreza ligada à tendência, entre os pais separados, a deixar de pagar as pensões que lhes correspondem.A necessidade de aprovar medidas políticas que favoreçam o casamento viu-se reforçada recentemente com os resultados de outra investigação da Universidade de Essex, que analisa as consequências negativas, a longo prazo, para as crianças que cresçam só com um dos seus progenitores. "Os filhos de famílias monoparentais têm menor rendimento escolar, menos possibilidades de conseguir bons empregos e sofrem mais problemas de saúde", assegura o professor responsável da informação, John Ermisch. O estudo oferece alguns dados, classificados como "preocupantes", sobre o crescimento do número de nascimentos fora do casamento: a proporção alcançou 44% do total em 2006, perante os 9% registados em 1975.M. Ángeles Burguera

domingo, 26 de outubro de 2008

Excerto II


"As excentricidades só impressionam as pessoas normais. As excentricidades não impressionam as pessoas excêntricas.É por isso que as pessoas normais vivem vidas muito mais interessantes do que os excêntricos, que estão sempre a queixar-se de que a vida é uma maçada. É também por isto que os romances recentes morrem num instante, enquanto os velhos contos de fadas duram eternamente.Os heróis dos velhos contos de fadas são miúdos normais; as aventuras que esses miúdos vivem é que são espantosas; e espantam-nos porque eles são miúdos normais.No moderno romance psicológico, porém, o herói é fora do vulgar; o centro não se encontra no centro. Daí que nem as mais terríveis aventuras consigam afectá-lo devidamente, e que o livro seja monótono.Pode-se construir uma história com um herói sobrevivendo entre dragões; uma história com um dragão sobrevivendo entre dragões não é história nenhuma.Os contos de fadas retratam o comportamento que uma pessoa sã de mente terá num mundo de doidos; o sóbrio romance realista da actualidade retrata o comportamento que um lunático terá num mundo sem interesse."

Chesterton, in Ortodoxia

Excerto



"O mundo moderno assenta, todo ele e em absoluto, não tanto na ideia de que os ricos são necessários (que é uma ideia sustentável), mas na ideia de que os ricos são dignos de confiança, coisa que (para um cristão) é insustentável.O leitor terá ouvido com frequência, em discussões sobre os jornais, as empresas, as aristocracias e os partidos políticos, o argumento de que os ricos não podem ser subornados.Mas a realidade é que o rico é subornável; ele até já foi subornado. É por isso que é rico.Ora bem, a razão de ser do cristianismo é justamente a tese segundo a qual um homem que está dependente dos luxos desta vida é um homem corrupto: espiritualmente corrupto, politicamente corrupto, financeiramente corrupto.Há uma coisa que tanto Cristo, como os santos cristãos, afirmaram com uma espécie de selvática monotonia: que ser rico é correr um especial risco de naufrágio moral. É difícil demonstrar que matar os ricos, por serem violadores de uma justiça definível, seja uma atitude anticristã. Aquilo que não é certamente uma atitude anticristã é a rebelião contra os ricos e contra a submissão aos ricos.Mas é absolutamente anticristão confiar nos ricos, considerar os ricos moralmente mais fiáveis do que os pobres. Um cristão consistente poderá dizer: «Respeito aquele género de homem, embora ele aceite subornos.»Mas um cristão não pode dizer, como dizem os modernos a torto e a direito: «Um homem daquele género nunca aceitará subornos.» Porque a ideia de que qualquer género de homem pode aceitar subornos é uma componente do dogma cristão. E, para além de ser uma componente do dogma cristão, é também – por curiosa coincidência – uma componente da mais óbvia história humana.Quando as pessoas afirmam que um homem «com aquela posição» é incorruptível, não há necessidade nenhuma de introduzir o cristianismo na discussão. Lord Francis Bacon era engraxador? O Duque de Malborough era varredor de ruas?Na melhor Utopia, tenho de estar preparado para a queda moral de qualquer homem, de qualquer posição, a qualquer momento, em especial para a minha própria queda, da posição que ocupo neste momento."

G. K. Chesterton, in Ortodoxia

terça-feira, 21 de outubro de 2008

As contradições do tempo

Ao passar os olhos pelas notícias de hoje, deparei-me com estas três e… continuamos impávidos, serenos e embalados pela música e pelas iluminações de Natal das grandes superfícies comerciais mais de dois meses antes do Dia de Natal.

  • India

Mais de 60 mortos e 50 mil refugiados em violência contra cristãos
Os ataques sucedem-se, há dois meses, em especial no Estado de Orissa, onde uma freira foi incitada, por cinco mil mulheres hindus, a casar-se com o seu violador.Casas e igrejas são destruídas, as linhas que delimitam os terrenos privados são retiradas, as terras ocupadas e divididas entre os agressores.
Os poucos cristãos que ficam nas aldeias são obrigados, sob ameaça de morte, a converter-se ao hinduísmo.
Para os que se recusam, há um castigo: são obrigados a profanar bíblias, a agredir cristãos e, nalguns casos, a beber urina de vaca, considerada «purificadora» para alguns hindus.
O padre Ajay Singh, um dos poucos a ter acesso aos campos de refugiados, descreveu que «os cristãos estão a ser tratados como animais».
«Recebem um cobertor por família, não existe qualquer sistema sanitário ou de higiene. Mais trágico é que nem sequer lhes é permitido rezar, estão constantemente a ser observados pelas forças de segurança», contou.
Um casal terá sido intimado a rejeitar a religião cristã, o marido aceitou mas a mulher, grávida de sete meses, recusou e pagou um preço: terá sido esquartejada pelos hindus.
Há relatos de pessoas, incluindo crianças, regadas com gasolina e incendiadas. Lusa / SOL

  • Portugal no topo das desigualdades da OCDE

Portugal é um dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) com maiores desigualdades na distribuição dos rendimentos dos cidadãos, ao lado dos Estados Unidos e apenas atrás da Turquia e México.
No seu relatório “Crescimento e Desigualdades”, hoje divulgado, a OCDE afirma que o fosso entre ricos e pobres aumentou em todos os países membros nos últimos 20 anos, à excepção da Espanha, França e Irlanda, e traduziu-se num aumento da pobreza infantil.
(…)Lusa

  • Cavaco promulga nova lei do divórcio mas alerta para "profunda injustiça" que irá desencadear

O Presidente da República promulgou hoje a nova Lei do Divórcio, deixando, contudo, um alerta para as situações de "profunda injustiça" a que este regime jurídico irá conduzir na prática, sobretudo para os mais vulneráveis.
"O novo regime jurídico do divórcio irá conduzir na prática a situações de profunda injustiça, sobretudo para aqueles que se encontram em posição de maior vulnerabilidade, ou seja, como é mais frequente, as mulheres de mais fracos recursos e os filhos menores", lê-se numa mensagem de Cavaco Silva, publicada no 'site' da Presidência da República.
Por outro lado, refere ainda o comunicado, o diploma, incluindo as alterações introduzidas depois do veto presidencial de 20 de Agosto à primeira versão da lei, "padece de graves deficiências técnico-jurídicas".
Além disso, "recorre a conceitos indeterminados que suscitam fundadas dúvidas interpretativas, dificultando a sua aplicação pelos tribunais e, pior ainda, aprofundando situações de tensão e conflito na sociedade portuguesa".
Lusa

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Mudar de vida

Prometo, não toco em nada, na crise que todos falam, prometo passar ao largo, mas se é global como dizem, se não vem da natureza, terei também que assumir a quota parte de culpa que me cabe neste transe, nesta parcela que habito, onde vivo e onde voto, nas coisas que não preciso e que compro sem poder, muitas vezes a dever, mas o pior é que faço do consumo a minha regra, e aumento sem saber a perversão que hoje existe, sem horizonte ou remédio, desligada da memória, desligados uns dos outros, recurvados no umbigo, perdeu a vida o sentido e moralista não sou.
Para obviar ao que digo vou olhar o firmamento, contar as estrelas do céu, descobrir nas madrugadas o cheiro que a terra tem e agradecer a beleza bem criada por Alguém! Faço parte deste todo, sozinho não sou ninguém. Para conseguir tudo isto eu só vejo uma saída – vamos ter que mudar de vida.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A bolsa ou a vida!

Assim de repente, o mundo reduzido a uma escolha tão simples, nem sei que lhes diga, talvez a bolsa! Talvez a vida!

Não tive escolha, como não tinha bolsa tive que dar a vida! Depois levaram-me ao cimo de um monte e ofereceram-me a resignação. Lembro-me bem, estávamos nesse tempo a celebrar as exéquias do comunismo, o muro tinha caído, e diziam-nos que o mercado era a porta da felicidade. Não acreditei, mas já era tarde, executivos e gestores irromperam pela sala, apresentaram-me os números e fizeram-me sentir o inútil que sou. Estava a mais, e por mais contas que fizessem estava sempre a mais! Reagi, falei na produção, que a empresa era antiga e já tinha passado por outras tormentas… Meu Deus, o que eu fui dizer! Alvejado com nova rajada de números ouvi a temível previsão – a continuarmos assim estamos perdidos.
Saí com a noção patriótica de que se não saísse a empresa não se salvava.
Num último gesto de solidariedade despedi-me da telefonista prestes a ser substituída por um gravador de voz.
O mundo girou entretanto, a engenharia e euforia financeiras instalaram-se, os executivos foram enriquecendo mas a empresa foi empobrecendo.
Hoje está mal, não se recomenda. E, como as demais, espera ansiosamente por uma ‘mãozinha’ do Estado!

domingo, 5 de outubro de 2008

5 de Outubro

" Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,"
Fernando Pessoa

A 5 de Outubro de 1143 é assinado o tratado de Zamora.
Há oitocentos e sessenta e cinco anos nasce esta nação sagrada.
Portugal, não te esqueças da tua história!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Católicos perseguidos na India

Pelo seu relevo evangélico, publico o texto de um missionário português na India.
Porque para além da bolsa e do futebol existe o mundo... e os mártires cristãos no mundo...

Índia, 20 de Setembro de 2008.
Ontem, aqui na nossa cidade de Guntur os cristãos de diferentes confissões reuniram-se numa manifestação pública chamada marcha da paz, que era um protesto contra a discriminação e a perseguição.
Os cristãos são martirizados por grupos fanáticos xenófobos hindus. Os números estão sempre em crescimento, porque a actividade não cessa: mais de 50 mortos, milhares de casas queimadas, centenas de veículos, escolas, casas de religiosos paróquias e lugares de culto queimados e vandalizados. Orissa foi o começo, actualmente cinco Estados estão em pé de alarme e pensamos que está a formar-se uma vaga que vai chegar um pouco a toda a parte.
Damos graças a Deus por termos sido poupados até agora, mas a possibilidade de sermos atingidos é bastante alta, se nada mudar o curso dos acontecimentos.
Uma boa notícia foi dada ontem, quando a Presidência declarou o “estado de sítio” e fez passar a segurança para o Governo Central. Uma esperança que o Governo xenófobo dos Estados que protegem os fanáticos se retire. Altas autoridades locais protegem estes fanáticos que se deslocam em camiões durante a noite, chegam às centenas, e por onde passam semeiam o terror e a confusão sem oposição. A polícia recusa-se a intervir e só prendem os cristãos que revoltados manifestam o seu descontentamento.
O objectivo destas perseguições é a criação de estados hindus sob o lema: um só povo, uma religião, uma nação.
As pessoas que abandonaram o hinduísmo têm de se reconverter a custo da própria vida. Os que não aceitam são espancados sem piedade, ou mortos. Milhares de pessoas fogem para as florestas para não serem surpreendidos por estes bandidos que obrigam os cristãos a deixar as localidades e mudar de poiso. “Neste estado não há lugar para vocês”. Milhares de pessoas deixaram tudo e partiram, porque eles não brincam: queimam, violam, destroem e matam. Há um relato de um jovem seminarista que foi enterrado vivo e de irmãs violadas na rua. Cenas da selva instigadas por um fanatismo que cresce…
Segundo um dos chefes do BJP, tudo começou quando o Papa João Paulo II, em visita à Índia, disse que “ a colheita tem que ser abundante”.
Eles interpretaram esta frase como um slogan de proselitismo. Sem distinguir católicos de protestantes ou de seitas evangélicas, tudo o que é cristão é um alvo e o máximo destes sentimentos explodiu em Orissa, quando um pastor protestante australiano foi queimado vivo com os seus dois filhos. A actividade das igrejas cristãs causa inúmeros ciúmes aos hindus. Não suportam a caridade, as escolas, os hospitais e o cuidado dos pobres. O grande mentor dos fanáticos (o Papa dos Hindus) foi assassinado em 23 de Agosto passado pela guerrilha maoista, que reivindicou o acto. Foi a desculpa que faltava para o começo de uma perseguição terrível e bem orquestrada dirigida contra os cristãos.
Ontem, um amigo padre de Goa a trabalhar na fronteira com o nosso Estado, a 100 km daqui, telefonou-me a pedir união de orações, porque os fanáticos anunciaram que iriam atacar a sua igreja durante a noite. Hoje o telefone não responde e não sei o que pode ter acontecido.
Aqui, no nosso Estado de Andhra Pradesh, o partido no poder herdeiro de Gandhi é muito respeitador de todas as religiões e, mesmo nas famílias, há diferenças religiosas sem qualquer tipo de conflitos religiosos. Nós podemos circular livremente e trajar hábito religioso em púbico sem problemas. As Missionárias da Caridade – Irmãs da Madre Teresa, como lhes chamam aqui – são muito apreciadas e os hindus competem para pagar as refeições do hospício para idosos e meninos da rua, que fazem como presente de aniversário. Diga-se de passagem que os hindus não são propensos à violência, praticam a caridade que, para eles, é indispensável para conseguir a vida eterna (mokza) e estima os cristãos.
Portanto, o problema vem dos fanáticos radicais que também são poderosos, porque estiveram no poder até 2003 e saíram porque tudo o que sabiam fazer era construir templos. Continuam a acusar os missionários estrangeiros de fazerem conversões forçadas do hinduísmo a troco de dinheiro.
Ontem, estivemos numa marcha pela paz e hoje a polícia anda à procura de informações sobre nós… na hora em que estou a escrever, eles foram ao nosso Noviciado perguntar por missionários estrangeiros… eles lá sabem para quê.
O nosso relacionamento na cidade é muito cordial e pacífico. Estamos a começar o nosso trabalho pastoral, pois há uma capela que estamos a construir numa zona com trinta famílias católicas. À nossa volta há dois bairros de barracas e estamos a trabalhar com as pessoas, para conseguirem construir as suas casas. Visitamos regularmente e muitas vezes, temos que ir ao hospital ou intervir para conseguir por as crianças na escola. Antes do Natal, vai-nos ser confiada uma pequena paróquia onde os jovens padres indianos poderão fazer pastoral. Portanto, deste lado, tudo boas notícias. O Sagrado Coração tem-nos abençoado pelas vocações e pelo nosso ministério.
Continuem a rezar pela paz e para que cessem as perseguições!
Vivat Cor Iesu!
Um grande abraço,
Pe. Pedro Coutinho, scj

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

CRIANÇA, SABES COMO ME CHAMO


Criança __ sabes como me chamo __
Tens um olhar meigo __ que me atrai __
E que me fala __ de uma entrega pura e simples __
«Quero guiar o teu barquito…» __
Eis o que dizes.

Ó que espanto tremendo
Como consegues __ com a tua mão de criança,
Com a tua voz de criança __ como consegues
Acalmar as vagas __ bramosas __
E o vento?

Se tiveres medo __ ou estiveres cansado __
Enquanto a tempestade __ estronda,
Não hesites __ se quiseres __ em pousar
A tua cabecita loura __
Sobre o meu peito.

Como tens um sorriso espantosamente meigo
Quando dormes __ ou dormitas __ não sei,
Não tenhas medo __ Com o meu doce canto __
Quero embalar-te __ sou um Mudo muito terno __ sabes?
E tu __ uma criança que não esqueço.


escrito por Santa Teresa do Menino Jesus em Dezembro de 1896 - morreu a 30 de Setembro de 1897 celebrando-se em 1 de Outubro a sua festa litúrgica

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A importância de saber chegar a casa




Mário Cordeiro, pediatra, disse na semana passada numa conferência organizadapelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal deOeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados seos pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicareminteiramente aos seus filhos durante dez minutos.'Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativatão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar,largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles,para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmentee voltam para as suas brincadeiras.'Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para elessentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são umaprioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidosou até encurtados conforme as circunstância do momento ou de cada dia. Aideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com osfilhos e dedicar-lhes toda a atenção.Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóveltem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia.Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, osnervos e stress acumulados, e ainda a falta de atenção ou disponibilidadepara estar com os filhos, dá origem a uma espiral negativa de sentimentos,impaciências e birras.Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quandoos vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamara sua atenção da pior forma. Por tudo isto e pelo que fica dito no iníciosobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dosseus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nasnossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor.


in Boletim de Julho da Acreditar

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Revisão da Lei do Aborto

Assine aqui a Petição para a Revisão da Lei do Aborto, se ainda não o fez.

E visite o blog Portugal pro Vida para outras informações sobre este tema.

domingo, 21 de setembro de 2008

Moral de uma história imoral

Gonçalo Portocarrero de Almada - Público, 20080920

Quer uma relação para toda a vida? Faça um contrato de trabalho, mas não case! A disparatada ideia de um matrimónio indissolúvel esteve em voga nos últimos dois mil anos. Modernamente, achou-se que era muito monótono um casamento para sempre e, por isso, inventou-se o casamento a prazo, ou seja, precário.Ao princípio, a lei entendia dever proteger os interesses dos filhos e do cônjuge contra os quais era pedido o divórcio. Mas como um tal conceito de culpa ou de responsabilidade parecia contrário à moralidade laica, entenderam agora os deputados que o matrimónio deve ser revogável em qualquer caso, mesmo a pedido do cônjuge faltoso. Esta moderna liberdade democrática mais não é, portanto, do que uma nova versão do antigo repúdio.A possibilidade do despedimento do cônjuge, sem necessidade de nenhuma razão, não tem contudo paralelo na legislação laboral, onde se exige que a entidade patronal seja mais respeitosa dos direitos dos seus assalariados. Quer isto dizer, em poucas palavras, que o patrão pode agora mandar bugiar a sua patroa sem necessidade de se justificar e até mesmo depois de a ter sovado, mas já não pode despedir com a mesma liberalidade a sua secretária, pois, para um tal desatino, a lei exige-lhe uma justa causa. A incongruência entre os dois regimes legais é de feição a concluir que o Estado prefere as empresas às famílias; ama mais o lucro do que a moral. Mas também ensina que quem quiser uma duradoira relação pessoal deve optar pelo contrato de trabalho e nunca pelo matrimónio, do mesmo modo como quem pretenda um vínculo contratual facilmente rescindível deve casar-se e nunca enveredar por um contrato laboral. Quer estabelecer uma relação estável, com uma pessoa do outro sexo, contando para o efeito com todas as garantias legais? Pois bem, estabeleça com essa pessoa um contrato de trabalho e fique descansado, porque o Estado vai assegurar o fiel cumprimento desse pacto, ao contrário do que aconteceria se com ela casasse, porque o matrimónio é um vínculo tão precário que nem sequer se necessita nenhuma razão para proceder à sua extinção. Se o problema é, pelo contrário, conseguir uma pessoa que assegure o serviço doméstico, sem perder a possibilidade legal de a despedir se a sua prestação não for satisfatória, mesmo que a lei não contemple esse caso para a rescisão do respectivo contrato laboral, a solução é simples: recorra a uma pessoa do outro sexo e case-se com ela, pois mesmo que não tenha qualquer razão que justifique legalmente o seu despedimento, o Estado garantirá a possibilidade de dela se divorciar quando e como quiser. Quer uma relação para toda a vida? Faça um contrato de trabalho, mas não case! Quer uma relação precária, de que se possa desembaraçar quando quiser e sem necessidade de nenhuma causa justa? Case, pois não há vínculo jurídico mais instável no sistema jurídico português! Moral desta história imoral: empregue a pessoa que escolheu para parceiro de toda a sua vida e case com a sua mulher-a-dias!
Sacerdote, licenciado em Direito e doutorado em Filosofia

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Fica-lhes mesmo bem!

Enquanto se procede a obras de melhoramento no hemiciclo em S. Bento, os trabalhos desta legislatura prosseguem provisoriamente na belíssima Sala do Senado que para o efeito foi remodelada. Além da ausência do barrete frígio, compraz-me saber que os nossos depreciados deputados da república actuem, mesmo que temporariamente, sob a vigilante figura do rei D. Luís (o popular) imponentemente representado na cabeceira da sala.

Publicado também aqui

Fica-lhes mesmo bem!

Enquanto se procedem a obras de melhoramento do hemiciclo em S. Bento, os trabalhos desta legislatura prosseguem provisoriamente na belíssima Sala do Senado que para o efeito foi remodelada. Além da ausência do barrete frígio, compraz-me que os nossos depreciados deputados da republica actuem, mesmo que temporariamente, sob a vigilante figura do rei D. Carlos, um dos nossos últimos grandes chefes de estado, imponentemente representado na cabeceira da sala.

Publicado também aqui

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Uma grande mulher




Sarah Palin foi mayor de Wasilla e governadora do Alaska. Está casada e tem cinco filhos.

Se tivermos em consideração o discurso habitual sobre as dificuldades que as mulheres sentem em conciliar a carreira profissional e a vida familiar, Sarah Palin pode muito bem ser admirada por todas as mulheres como uma mulher modelo.

Curiosamente, a nomeação de Sarah Palin como candidata à vice-presidência não foi bem recebida pelas feministas. E percebe-se porquê. Nas felizes expressões de Harvey Mansfield, Sarah Palin conduziu a sua vida profissional with the force of a man e a sua vida familiar with the grace of a woman.

Sarah Palin está muito próxima de se tornar vice-Presidente dos Estados Unidos da América sem que para isso tenha abdicado da sua condição natural de mulher. Em vez da liberdade sexual, Sarah Palin escolheu um só homem. Em vez do divórcio, Sarah Palin está casada há cerca de duas décadas. Em vez do aborto, Sarah Palin tem 5 filhos (o mais novo com síndrome de Down).

A vida de Sarah Palin revela que é possível a uma mulher ser igual aos homens sem ela mesma se tornar num homem. Poderia e deveria ser um motivo de contentamento para todas as mulheres. Mas para as feministas não é.


(Ver Harvey Mansfield Was Feminism Necessary? Forbes.com)
Publicada por Nuno Lobo em 1:28 AM

sábado, 13 de setembro de 2008

Pedro Hispano Portugalense


A História da Igreja lembra hoje,
no ano de 1276,
a eleição papal de João XXI.

A revista Acção Médica
(órgão oficial da Associação dos Médicos Católicos),
a respeito deste papa português,
dedicou o seu número
de Novembro de 2007
“Pedro Hispano Portucalense – Papa João XXI
no 8.º Centenário do seu Nascimento.

Para uma melhor aproximação
a esta obra de referência,
sugiro aos interessados,
para além da eventual aquisição
da mesma, uma visita ao site
oficial da Acção Médica:
http://amcpporto.no.sapo.pt/index.html

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Começou a escola...


Segunda feira iniciámos uma nova fase da vida da criançada...escolinha!!! Até fomos comprar mochilas do noddy! Cada um escolheu a sua e como "bons manos" que são acabaram por escolher iguais (para mim foi melhor assim... não vá o mano querer a da mana e vice-versa!)Tinha o cuidado de nos ultimos meses passar com eles com muita frequência à porta da escola, dizia-lhes sempre "aqui é a escolinha, depois vocês também vêm para a escolinha brincar com os meninos!!!" ou qualquer coisa do género. Eles próprios já sabiam que era a escola, mas de fcato não percebiam o que era "a escola" propriamente dita...



Posto isto, nunca pensei que fosse tão difícil deixar os miúdos na escola... Bolas, a escola é uma coisa normal, todos os meninos vão para a escola, mais cedo ou mais tarde... Faz bem à saude:) aprendem, brincam! Então... porque é que custa tanto lá deixar os piruças? Porque choram tanto e chamam insistentemente "MAMÃ" "MAMÃ" MAMÃAAAAAAAAAAA" Deixam-nos com uma miscelânia de sentimentos e os mais variados (e tontos também!) pensamentos assombram o nosso cerebro "Será que estou a fazer a coisa certa?" "Será que a escola é uma coisa boa" "Não era melhor ficarem em casa?" "Vão chorar todo o dia?" "Será que vão comer?"


Será que...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Aos que Alto vivem!

Pois, que querem?
Não me dá para escrever…
Assim, com a alma um pouco triste.
Se aqueles a quem amamos não estão bem,
como podemos nós estar bem?
E são tantos, Senhor, os que,
por ora, não parecem estar bem!

É preciso, no entanto,
que estejamos por inteiro,
e permaneçamos assim,
não excluindo um átimo de vida,
para podermos,
pelo tudo e pelo nada,
Louvar a Deus,
que nos anima a prosseguir.

Conheço algumas companheiras
e companheiros de viagem
que têm sido bravos,
nisto de se darem por inteiro
ao que Deus lhes dá,
e que acabam por brilhar para nós
(os que vamos ainda, apenas, a ¾ ou outros avos tais):

‘Para ser grande, sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago
A lua toda brilha,
Porque alta vive.’ (Ricardo Reis)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Um filho a qualquer preço no mercado da fertilidade

Há falta de informação sobre a eficácia dos tratamentos e das suas repercussões psíquicas
No ano passado nasceram em Espanha sete mil crianças com técnicas de reprodução assistida. Um facto que começou por ser uma prática isolada está a converter-se num recurso frequente. Enquanto a tecnologia continuar a avançar e os casais estiverem dispostos a dar tudo para terem um filho, vale tudo. A falta de informação sobre a eficácia dos tratamentos e das suas repercussões psíquicas, aliada a uma legislação quase sem limites, jogam a favor de um negócio florescente.
Assinado por M. Ángeles Burguera Data: 23 Agosto 2008


Enquanto nos Estados Unidos já há bastante tempo que se falava de um negócio (cf. Aceprensa 40/07), na Europa começam a ouvir-se mais vozes críticas, trinta anos após o nascimento da primeira bebé-proveta na Grã-Bretanha.
Da pílula ao bebé proveta. Escolhas individuais ou estratégias médicas?: é o título de um estudo apresentado recentemente em Paris e que analisa a dura experiência dos casais submetidos a processos de fecundação in vitro (FIV).
Annie Bachelot, psicossocióloga do Inserm e autora de uma parte desta investigação afirma: "É uma autêntica corrida de obstáculos. A FIV, pelo seu sistema de trabalho, impõe obrigações muito pesadas, tratamentos dolorosos e um alto risco de fracasso; alguns sentem que se está a instrumentalizar o seu corpo: as mulheres porque se convertem numa máquina de produzir ovócitos, e os homens porque se vêem reduzidos a simples dadores. Muitos insurgem-se contra este tipo de medicina, que classificam de veterinária, demasiado estandardizada e anónima".
Mais fracassos que êxitos
As consequências negativas também provêm da falta de informação sobre os índices de fracasso das técnicas. "Depois de cada ciclo de FIV, mais de 25% dos casais abandonam o processo e muito poucos ultrapassam a quarta tentativa". Entre os que continuam, pode dar-se uma espécie de fuga para a frente, às vezes inclusivamente encorajada pelo médico, embora em muitos outros casos também seja refreada. Chegados a este ponto, é habitual orientar os pacientes para a consulta de psiquiatria: porque parece que estão a arriscar mais que o simples desejo de ter um filho", afirma Bachelot.
A realidade francesa, semelhante à espanhola, revela que "há pouca informação sobre a taxa de êxito nas técnicas de fecundação in vitro. As clínicas apresentam percentagens de 20 a 30 por cento", afirma o doutor Guillermo López, director de Ginecologia da Clínica Universitária de Navarra. "Na medicina, uma técnica com um índice de 70% de fracasso não deve ser admitida nem usada. Mas neste sector vale tudo. Como as famílias procuram desesperadamente ter um filho, aceitam tudo o que lhes oferecem: todas as novidades, todos os suplementos que lhes podem dar mais garantias de êxito. E assim, todo o processo técnico se torna mais caro: uma indústria muito rentável e com imensas possibilidades de progresso".
Efeitos psíquicos
Na opinião de Guillermo López, estas técnicas têm repercussões psíquicas nas pessoas que a elas se submetem não só quando não há êxito - com a FIV há muitos abortos espontâneos, que geram sempre grande frustração -, mas até quando existe descendência. "Embora nesta clínica não façamos reprodução assistida por motivos éticos, chegam às nossas consultas bastantes casais com dramas terríveis, tanto pelos fracassos da técnica como pelo facto de saberem - mesmo depois do êxito - que possuem embriões congelados e que, se não quiserem ou não puderem enfrentar uma nova gravidez dentro de cinco anos, têm que decidir o destino a dar-lhes. Outro elemento que também tem influência na dificuldade de ter filhos é a idade dos pais. A média da idade da primeira maternidade entre as mulheres espanholas era de 29,3 anos em 2005 e mais de metade dos primeiros partos (56,1%) correspondia a mães com mais de 30 anos. "Isto é uma brutalidade, porque significa que muitas mulheres têm os filhos depois de fazerem 35 anos ", explica Margarita Delgado, demógrafa do Conselho Superior de Investigações Científicas de Madrid (El País, 24-11-2007).
Depois do boom da contracepção das quatro últimas décadas, segue-se agora o extremo oposto: a reprodução sem sexo e a toda velocidade. A mesma sociedade que atrasa os nascimentos por motivos laborais ou sociais acaba por ver na infertilidade um tipo de limitação e está disposta a pagar a gestação por um alto preço - entre 3 000 e 6 000 euros por ciclo -, desde que se assegurem e se esgotem todas as possibilidades.
A ausência de filhos, mesmo nas mulheres que vivem sós, é vista como uma inferioridade. Impõe-se, portanto, a corrida à gestação, mesmo com a sensação de se estar a converter o próprio corpo num mero instrumento.Em muitos casos falta paciência para esperar a chegada da concepção. E falta também o conhecimento de outras possibilidades. "Em bastantes centros de reprodução assistida oferecem-se técnicas in vitro com prazos breves, seis ou doze meses depois da primeira consulta. A micro cirurgia tubárica, por exemplo, que se usa para a reconstrução de estruturas, tem uma taxa de 70% de êxito na gravidez, muito superior à da FIV. Há muito pouca informação acerca de tudo isto ", comenta o director de Ginecologia da Universidade de Navarra.
E por que não "mães de aluguer"?
Na corrida dos casais à descendência, além das motivações pessoais, há também a influência do marketing das clínicas de fertilidade. Existe um negócio crescente à volta da doação de óvulos, que costuma ser o grande recurso no caso de a mãe ter mais de 40 anos. Apesar de a legislação espanhola não autorizar a venda de óvulos, a compensação à dadora pelos incómodos causados pode chegar a mil euros por processo. Este facto contribui para que em Espanha haja bastante mais doações que noutros países, como em França, onde não é permitido pagar. Além disto, oferecem-se serviços de congelação de espermatozóides e de óvulos.
Também se verifica uma crescente tendência a ampliar o tipo de clientela da fecundação assistida e a admitir técnicas que a princípio se rejeitavam sem qualquer dúvida. Nos começos, a fecundação assistida destinava-se apenas a casais com problemas de fertilidade. Mas rapidamente se estendeu também a mulheres sozinhas, sem nenhum problema reprodutivo, excepto o de não ter parceiro ou de serem lésbicas (é assim em Espanha, embora isto não seja aceite em países vizinhos como França e Itália); na Andaluzia já se anunciou inclusivamente que os serviços de Saúde Pública irão financiar este desejo reprodutivo de mulheres que vivem sozinhas para que nenhuma fique discriminada (ver Aceprensa 69/08).
Um filho a qualquer preço está também a contribuir para dar uma perspectiva favorável a práticas que em princípio eram rejeitadas por se considerarem indignas. Por exemplo, a legislação espanhola não permitia a existência de "mães de aluguer". Mas no início de Julho de 2008, os especialistas europeus reunidos em Barcelona no XXIV Encontro Anual de Medicina Reprodutiva já solicitaram a legalização em Espanha das mães de aluguer. Segundo Anna Veiga, médica do Centro de Medicina Regenerativa de Barcelona, "valeria a pena despenalizar este processo, embora se devesse aplicar de modo pormenorizado", não por motivos estéticos ou utilitários, mas por motivos médicos.
A linha de fronteira é difícil de marcar, tanto aqui como noutras técnicas já generalizadas. Nalguns países recorre-se a barrigas de aluguer quando há células germinais de um casal, mas falta o útero, como consequência de uma extracção cancerosa. Uma vez realizada a fecundação in vitro, o embrião resultante transfere-se para um útero contratado para prosseguir a gestação.O recurso a mães de aluguer já é tolerado na Bélgica e nos Países Baixos, e está autorizado no Reino Unido, Canadá, Grécia e Estados Unidos. É possível encontrar anúncios com ofertas deste tipo na Internet, na área denominada turismo reprodutivo. Com esta prática, acrescenta-se uma condição à busca genérica de descendência: assegurar que a criança tenha os genes dos seus pais.A possível legalização das mães de aluguer, que actualmente se debate no Senado francês, levantou também vozes de alarme. O ginecologista René Frydman, que admite e pratica a fecundação artificial, adverte (Le Monde, 30-06-2008) que se está a valorizar mais o aspecto genético que a paternidade "de intenção", isto é, a que está presente em fórmulas como a adopção, ou inclusivamente na doação de gâmetas.
Os que se opõem à maternidade de aluguer consideram que as mulheres que são pagas para se porem ao serviço de casais inférteis estão a prostituir-se e que os filhos vão ficar prejudicados. "A gravidez não consiste apenas em trazer dentro de si um bebé, é uma experiência fundamental que envolve os dois protagonistas: a futura mãe e o filho em gestação. Ainda estamos nos começos da descoberta da complexidade e riqueza da interacção entre a mãe e o bebé no útero", afirma Frydman, ao mesmo tempo que recorda o esforço psíquico que terá de fazer uma mãe de aluguer para não ficar vinculada pelos laços que se criam entre ambos.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Geografia da Felicidade (I)

A semana passada deparei-me com um programa na SIC Notícias que dava conta da transformação do Convento das Bernardas, em Tavira, num empreendimento residencial de luxo.

O Convento das Bernardas, actualmente em ruínas, foi o único da Ordem de Cister na região Sul. Foi mandado construir, em 1509, por D. Manuel I, como acção de graças pelo insucesso que teve, no "Algarve de além mar, em África", um cerco mouro, à cidade de Arzila. Posteriormente, o edifício terá sido cedido a D. Fernando Coutinho que, em 1530, o concluiu e o entregou às Monjas de Cister, que durante três séculos ali viveram uma vida de oração e de trabalho.

Impressiona que também tenha sido de Tavira, após quase 14 anos de permanência no Algarve, que saiu no dia 10 de Julho último a Irmã Miriam Godinho, regressando à Abadia em França de onde veio com o propósito de fundação da Ordem de Cister em Portugal, o que não foi avante.

Impressiona que aquele que foi o convento de uma Ordem caracterizada pela austeridade, austeridade essa que bem vi nas vezes que estive com a Irmã Miriam em Faro e em Tavira, seja agora, exactamente na mesma altura em que a única Monja Cisterciense de nacionalidade portuguesa regressa a França, transformado num condomínio de luxo, em que o preço médio de construção ronda os 3200 euros por m2, indo os apartamentos T0, com áreas entre os 79,5 metros quadrados e os 99 metros quadrados, ser comercializados por valores entre os 200 e os 300 mil euros.

Não obstante a importância da recuperação do edifício, tudo isto diz bem acerca do valor que os espaços sagrados têm para o pensamento contemporâneo. De norte a sul do país assiste-se a uma transformação/recuperação (degradação) dos lugares outrora consagrados ao culto, à oração, à penitência e à contemplação em modernas (?) unidades cativas do desenvolvimento turístico.
Com aparato desconcertante descartam-se experiências de felicidade verdadeira por hodiernas concepções mais esclarecidas do dever ser de felicidade, bem mais próximas de exacerbado movimento de excitação dos sentidos do que de um sereno apelo ao desenvolvimento de experiências comprometedoras de racionalidade.

O valor comercial das celas de acordo com as tipologias disponíveis seleccionam os candidatos a uma inefável experiência de posse associada a um carrossel de outras benesses que estas coisas sempre trazem, mas há aqui uma ilusão que ofusca a mente dos futuros beneficiários destes lugares: são herdeiros da herança nietzschiana da morte de Deus – por isso adulteram o uso do espaço sagrado – e, porventura, ignoram-no e, por outro lado, admitem ter alcançado um absoluto que os inebria/aliena do sentido da realidade.

No meio deste turbilhão de eventos e de estridente alarido vimos partir, parece que sem retorno, a Irmã Miriam. É difícil não estranharmos e não nos interrogarmos perante este aparente recuo do Céu face à mundaneidade.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Cheira a mar

Não se trata de não fazer nada
Trata-se de mudar,
mudar de ares, mudar de cheiros
brincar e o mar cheirar...

Não se trata de fazer o que se quer
já lá vai o tempo que nada se fazia
é-se feliz sem saber...
a fazer o que ninguém faria...

É o sorriso dos miúdos
as gargalhadas o seu saltar
que fazem a gente grande
sem medos feliz ficar

E ficamos mesmo assim
contemplando a brincadeira
cada conquista cada salto
que enche uma vida inteira

E aqueles momentos há
em que apetece o silêncio
em que apetece a solidão
(no meio da confusão)
e nesses instantes percebo
que não sou eu a escolher
e que isto me descentra
daquilo que é o meu querer.

sábado, 9 de agosto de 2008

«Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus».

Hoje, na festa de Santa Teresa Benedita da Cruz, morta em Auschwitz neste mesmo dia do ano de 1942


“(…) Porque era judia, Edith Stein foi deportada juntamente com a irmã Rosa e muitos outros judeus dos Países Baixos para o campo de concentração de Auschwitz, onde com eles encontrou a morte nas câmaras de gás. (…) Poucos dias antes da sua deportação, a quem lhe oferecia uma possibilidade de salvar a vida, a religiosa respondera: «Não o façais! Por que deveria eu ser excluída? A justiça não consiste acaso no facto de eu não obter vantagem do meu baptismo? Se não posso compartilhar a sorte dos meus irmãos e irmãs, num certo sentido a minha vida é destruída».

(…) O amor de Cristo foi o fogo que ardeu a vida de Teresa Benedita da Cruz. Antes ainda de se dar conta, ela foi completamente arrebatada por ele. No início, o seu ideal foi a liberdade. Durante muito tempo, Edith Stein viveu a experiência da busca. A sua mente não se cansou de investigar e o seu coração de esperar. Percorreu o árduo caminho da filosofia com ardor apaixonado e no fim foi premiada: conquistou a verdade; antes, foi por ela conquistada. De facto, descobriu que a verdade tinha um nome: Jesus Cristo, e a partir daquele momento o Verbo encarnado foi tudo para ela. Olhando como Carmelita para este período da sua vida, escreveu a uma Beneditina: «Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus».

(…) Santa Teresa Benedita da Cruz conseguiu compreender que o amor de Cristo e a liberdade do homem se entretecem, porque o amor e a verdade têm uma relação intrínseca. A busca da verdade e a sua tradução no amor não lhe pareciam ser contrastantes entre si; pelo contrário, compreendeu que estas se interpelam reciprocamente. No nosso tempo, a verdade é com frequência interpretada como a opinião da maioria. Além disso, é difundida a convicção de que se deve usar a verdade também contra o amor, ou vice-versa. Todavia, a verdade e o amor têm necessidade um do outro. A Irmã Teresa Benedita é testemunha disto. «Mártir por amor», ela deu a vida pelos seus amigos e no amor não se fez superar por ninguém. Ao mesmo tempo, procurou com todo o seu ser a verdade, da qual escrevia: «Nenhuma obra espiritual vem ao mundo sem grandes sofrimentos. Ela desafia sempre o homem inteiro». A Irmã Teresa Benedita da Cruz diz a todos nós: Não aceiteis como verdade nada que seja isento de amor. E não aceiteis como amor nada que seja isento de verdade! (…)”

Da Homilia do Papa João Paulo II na Cerimónia de Canonização de Edith Stein - 11 de Outubro de 1998

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A Jornada Mundial da Juventude em Sydney deixa marcas

A imprensa australiana continua impressionada com o êxito da Jornada Mundial da Juventude em Syney, e com as marcas que deixou a religiosidade alegre dos jovens que participaram.

Assinado por Aceprensa Data: 6 Agosto 2008
“Como diria o Antigo Testamento, foi uma semana de Revelações”, escreve The Daily Telegraph (21-07-08), de Sydney. O jornal chama a atenção para “a extraordinária eclosão de boa vontade que vimos nestes dias”, e que afectou tanto os residentes de Sydney como os visitantes.
“Quando peregrinos de todo o mundo chegaram ao estado, os lares e os corações abriram-se à experiência de acolher jovens das mais diferentes culturas e ficar a conhecer os seus costumes. Por sua parte, eles nunca deixaram de mostrar a sua alegria, a sua generosidade e o seu optimismo, tendo presente que também os que partilham a sua fé estavam incluídos nestas celebrações abertas a toda a Austrália”.
Ao falar do ambiente destes dias, o diário assinala que “a ameaça de protestos contra a Jornada nunca se concretizou, a forte presença policial foi desnecessária e por sua vez a politiquice ficou à margem e o estado assumiu o seu papel de ser o anfitrião do mundo.”
Agora que o Papa regressou a Roma, “esperamos que deixe atrás de si um pouco dessa boa vontade que se espalhou durante a sua visita. Esse resultado responderia a todas as nossas orações.”
Um contraste chamativo
A alegria e a amabilidade de milhares de jovens católicos “acabaram por derreter o coração cínico de Sydney”, escreve Miranda Devine no The Sydney Morning Herald (24.07.08), que dá exemplos como os dos condutores dos autocarros, que, apesar de terem acabado o seu turno, recolhiam jovens que tinham ficado sós sem transporte, ou das famílias que espontaneamente ofereciam os chuveiros das suas casas aos visitantes acampados nas escolas da vizinhança.
“Católicos ou não, a grande maioria das pessoas quer encontrar amor e bondade nas suas vidas, e o contraste ente as caras radiantes dos peregrinos e as máscaras crispadas dos difamadores que lançavam preservativos dava nas vistas. Nem tudo é o que parece”.
Para muitos habitantes de Sydney, foi uma descoberta esta nova geração de jovens. “Não era a lendária juventude de bebedeiras, drogas e doenças sexualmente transmissíveis, mas sim um grupo de pessoas sociáveis, maduras e que abraçavam sem complexos o renascer de uma fé ortodoxa no século XXI”.
Num país como a Austrália, que passa por ser um dos mais secularizados, a experiência da Jornada da Juventude demonstrou que a religião interessa. Tony Abbott, que escreve no The Australian (22-7-08), destaca-o assim:
“Aos australianos não nos surpreende que dezenas de milhares de pessoas viagem por meio mundo para ir aos Jogos Olimpícos, porque sempre temos olhado para o desporto com devoção religiosa. Mas rara vez nos entusiasmamos com a religião. Por isso a presença de mais de 100.000 jovens vindos para a Jornada Mundial da Juventude foi um choque cultural. Tinham-nos dito que a religião era para velhos, não para jovens e estudantes universitários”.
A religião interessa
“Nunca até agora uma cidade australiana foi testemunha de tal manifestação de exuberância popular religiosa”, escreve Abbott. “O êxito extraordinário da Jornada Mundial da Juventude surpreendeu muitos (…) Inevitavelmente haverá a tentação de considerar a JMJ como produto de um excesso de turistas religiosos, uma fugaz interrupção do secularismo habitual. Mas creio que seria um erro. Pela primeira vez desde que os australianos de origem irlandesa perderam o sentimento de pessoas desamparadas, a JMJ considerou boa sua paixão de ser católico.” “Por uns dias, os católicos saíram do gueto mental em que muitos se tinham encerrado e é improvável que tornem a estar na defensiva e sem oferecer resistência”.
Abbott pensa que isto poderia ajudar os pragmáticos australianos a “compreender que a religião pode ser importante para seu próprio benefício”; e se “as boas notícias sobre a religião podem monopolizar as primeiras páginas durante uma semana, talvez os meios de comunicação pudessem reconsiderar a quase total supressão do jornalista de informação religiosa”. Ao menos por uma semana, “os australianos parecem ter aceite que o interesse por Deus está ‘gravado nas nossas almas’, como disse Bento XVI. Por uma semana, a religião foi associada ao puxar pelo melhor e não pelo pior das pessoas”.
O articulista assinala que desta vez a imprensa “pôs o foco da atenção nos ensinamentos da Igreja, não nas suas falhas. E não há dúvida que o Papa aproveitou brilhantemente esta oportunidade. As suas intervenções não se centraram em denunciar o pecado, mas sim em celebrar a vida”. A JMJ “foi também o triunfo do cardeal Pell, ainda que “não seja dos que procuram a popularidade destacando o trabalho da Igreja com os pobres e minimizando a necessidade do esforço pessoal e da importância dos sacramentos. Pell é um homem cortês, de oração, um sacerdote com zelo pastoral, mas também com o instinto do chefe guerreiro de que a Igreja necessita numa cultura profundamente secularizada.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Sem título

Há dias assim em que apetece escrever sem motivo ou reflexão levado na corrente das ideias até que o pensamento retenha uma palavra um nome…
Soljenitsine é um nome difícil de pronunciar mais difícil porém foi sobreviver com esse nome!
Depois do exílio depois do livro que desmascarou o paraíso soviético depois de um longínquo ‘gulag’ reservado a dissidentes morreu pacificamente na sua terra.
Morreu sem alarido e nem depois da morte se desvendam os segredos que a mãe Rússia guarda em silêncio – o escritor não reconhecia a sua Pátria nas vestes de um modelo importado, advogava o regresso do Czar, o reencontro com a tradição, mas disso não interessa falar.
Para a posteridade Alexandre Soljenitsine.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O desencontro

Quando pensou que tinha descoberto o tecto do mundo e o centro da terra, aquele povo zangou-se com o seu Deus. De repente estranhou-O, pois no seu sábio parecer, Ele deixara de lhe dar espectáculo: nem aparecia nas revistas nem tinha morada no hi5. Tornara-se assim como que desinteressante, discreto e passivo... um Deus pouco interventivo; para mais sem resposta aos seus interesses imediatos e sem os critérios da pequena verdade instituída. Um Deus que não punha ordem no desacerto e na perversão (por sinal cunhos sempre alheios) tornara-se numa grande desilusão, enfim, uma inutilidade. Insurgiram-se contra Ele, porque afinal desejavam-nO à sua imagem e semelhança. E depois, que fazer com um Deus que não obedece aos homens "evoluídos", que não corresponde às suas expectativas?
Mas isso não era grave, pois afinal, para o equilíbrio da economia, bastavam-lhes os seus modernos pequenos deuses, mais palpáveis e descartáveis, sempre sorrindo nas revistas ou novelas, coleccionáveis como cromos ao gosto de cada um. E como era importante "o gosto de cada um"!
Aquele povo, sôfrego de redenção, acomodou-se então a um novo mundo, apequenado pelas auto-estradas e pela fibra óptica, onde até se vivia mais depressa, muito depressa mesmo, sem silêncios ou pontos mortos. Para um ou outro mal, logo se conceberam pílulas milagrosas, que afinal a química ainda irá a resolver a existência.
Iludindo o espaço e as sensações, criaram-se janelas e mais janelas, interactivas, electrónicas e portáteis. Através delas e dumas teclas podiam espraiar-se por novos caminhos, brilhos e experiências. Mesmo sem espaço, sem relação, sem compromisso e sem silêncio. Fórmula infalível para que a criatura jamais sentisse a vertigem da sua imensidão interior. De modo a nunca arriscar um estranho e diferente encontro.
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Publicado também no Corta-fitas

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Sydney: o maior encontro de jovens crentes confirma a sua vitalidade!


Resposta jubilosa de 400.000 jovens à chamada do Papa

A Jornada Mundial da Juventude de 2008 foi um êxito para a Igreja Católica e para o seu pontífice de 81 anos, o Papa Bento XVI. A 20 de Julho assistiram à missa de encerramento umas 400.000 pessoas, que por umas horas fizeram do hipódromo de Randwick um lugar mais populoso que a capital do país, Camberra. A Jornada Mundial da Juventude converteu-se no maior encontro de jovens no mundo moderno globalizado, uma festa da fé.
Assinado por Michael Cook Data: 26 Julho 2008



Depois de anos a receber assobios nos bastidores, voltou a subir o pano e Deus foi recebido com fortes aplausos. Como disse com toda a naturalidade uma jovem que comentava o facto para a televisão australiana, antes não estava na moda ser católico em Sydney, mas agora "volta a ser cool". Não é de estranhar que o anúncio de que Madrid acolherá as JMJ em 2011 fosse recebido com tanto júbilo.
A resposta dos jovens foi impressionante. Uns 110.000 peregrinos, segundo dados oficiais, atravessaram o mundo para vir à Austrália, apesar do aumento das tarifas aéreas e da enorme distância desde a Europa e a América. Muitos procedentes do estrangeiro tiveram que poupar durante meses e aguentar vinte ou trinta horas de voo até Sydney. E apesar das informações negativas dos meios de comunicação e do apoio escasso de muitas escolas católicas, juntaram-se-lhes 100.000 peregrinos australianos. No último dia, na missa de Bento XVI, no hipódromo de Randwick, juntaram-se mais vários milhares. E tudo sem nenhum incidente de relevo, facto surpreendente para tal concentração de jovens.
O Vaticano e o cardeal George Pell de Sydney tinham pensado a JMJ como uma catequese, um festival de cultura católica, de doutrina e oração. Para os peregrinos que chegaram mais cedo, as dioceses organizaram palestras à volta de assuntos controversos como a doutrina católica sobre sexualidade, ou bioética, ou fé e razão. Durante a semana imediatamente anterior pregaram bispos de todo o mundo.
De facto, um dos aspectos surpreendentes das JMJ em Sydney foi a naturalidade com que os jovens sintonizaram com formas tradicionais da devoção e da doutrina católica que para a geração Woodstock eram relíquias da época pré-conciliar. Mas não, disse a juventude de hoje.
Uma nova era

Durante os dias que culminaram na missa de encerramento, viam-se jovens em fila à espera para se confessar e para passar momento de oração diante da Eucaristia nas igrejas. Vários milhares percorreram a pé os 9 quilómetros até Randwick passando pela emblemática Harbour Bridge - fechada ao trânsito, coisa que só tinha acontecido outras duas vezes na história -, muitos entoando cânticos ou rezando o terço, outros a jogar à bola ou a dizer piadas. Alguns exibiam grandes letreiros onde se podia ler "Gostamos do nosso Pastor Alemão". Depois da vigília de sábado à noite, os jovens ficaram a dormir no hipódromo à espera da missa do dia seguinte. As confissões prosseguiram durante toda a noite e pela madrugada; a tenda onde estava exposto o Santíssimo Sacramento estava cheia de jovens a rezar.
E até os jornalistas mais empedernidos tiveram de reconhecer que os peregrinos eram gente alegre, cheia de vitalidade e normal, e não os sombrios fanáticos desmancha-prazeres que alguns esperavam. Um grupo chamado a "Liga Não ao Papa" - um conjunto de drag queens, homossexuais, ateus (e, acreditem ou não) de raelianas lésbicas - lançou uma chuva de preservativos sobre os peregrinos que cruzavam a ponte. Mas a cena não provocou mais que risos e consternada perplexidade. "Eles têm as suas opiniões - dizia uma rapariga neozelandesa de 18 anos -. Nós temos as nossas crenças e não vamos mudá-las por causa deles".
Está claro que Bento XVI se alegrou com a celebração. Agora responde com mais espontaneidade ao entusiasmo e ao afecto da multidão. Mas ainda que tenha tido umas boas-vindas de uma estrela do rock, tinha vindo como Papa "ao fim do mundo" decidido a dar um novo impulso à Igreja na Austrália e a instar com os jovens para se comprometerem com Deus.
Para prencher o vazio espiritual

O assombroso de Bento XVI é que um homem da sua idade, tímido, modesto e sem carisma especial, convença pela sua perspicácia, rigor e clareza. Os seus discursos na Jornada Mundial da Juventude atingiram um alto nível. Transmitiam ideias, sem floreados de retórica, e iam directos ao coração do conflito entre religião e cultura secularista.
Dirigindo-se a todos os australianos, o Papa lamentou na homilia da missa de encerramento, que "em muitas das nossa sociedades, junto com a prosperidade material, se está a desenvolver o deserto espiritual: um vazio interior, um medo indefinível, um larvar sentido de desespero". E em diversas ocasiões atribuiu este vazio à praga do relativismo, à crença de que não há verdade.
Na cerimónia de acolhimento aos jovens em Barangaroo, o Papa começou por denunciar as "feridas que marcam a superfície da terra: a erosão, a desflorestação, o desperdício dos recursos minerais e marítimos para alimentar um consumismo insaciável".
Mas daí passou à degradação do ambiente "social", "o habitat que criamos nós mesmos". Este também "tem as suas cicatrizes; feridas que indicam que algo não está no seu lugar". Entre os exemplos citou "o abuso do álcool e das drogas, a exaltação da violência e a degradação sexual, apresentados frequentemente na televisão e na Internet como uma diversão". "Como é possível que a violência doméstica atormente tantas mães e crianças? Como é possível que o seio materno, o lugar mais humano mais admirável e sagrado, se tenha convertido num lugar de indizível violência?", continuou a interrogar-se.

Os Erros de Galileo

Se perguntarmos ao comum dos mortais se é a Terra que anda à volta do Sol ou o Sol que anda à volta da Terra, é-nos dada invariavelmente e sem qualquer hesitação a primeira afirmação como certa e a segunda como errada. No entanto, qualquer especialista na matéria confirmará, também sem qualquer hesitação, que isso é falso.

Baseado no sistema de Copérnico, Galileo afirmava que o Sol se encontra imóvel no centro do Universo e qua a Terra, bem como os outros planetas, se movem à sua volta. Ora, não só o Sol não se encontra no centro do Universo, como não existe um único corpo em todo esse Universo que se mova à sua volta.

O que acontece realmente é que a Terra e o Sol giram ambos à volta dum ponto imaginário do espaço, a que se dá o nome de centro de massa do sistema Terra-Sol. A única razão pela qual nos possa parecer que a Terra roda em torno do Sol, deve-se ao facto deste ser muito mais pesado que a Terra, o que coloca o tal centro de massa do sistema muito próximo do centro do Sol. Tivessem os dois um peso (em bom rigor deve dizer-se “uma massa”) semelhante e vê-los-íamos a girar em torno um do outro, como duas pessoas colocadas em pontos opostos dum carrossel.

De facto, a bem do rigor, não nos podemos limitar ao sistema Terra-Sol e teremos de considerar a totalidade do Universo, onde cada corpo se move sob a influência de todos os outros, num bailado de extrema complexidade. É interessante também percebermos que é hoje aceite, com Einstein, que não existe nenhum ponto privilegiado em todo o Universo e é tão verdadeiro (ou falso) dizer que a Terra anda à volta do Sol, como dizer que o Sol anda à volta da Terra.

Temos portanto que a única verdadeira contribuição de Galileo em todo este processo é a de que não há qualquer razão de peso para afirmarmos que a Terra se encontra imóvel no centro do Universo. E isto apenas numa perspectiva puramente mecânica, porque está ainda por determinar se não será a Terra o ponto privilegiado de onde irradiará no futuro toda a vida, inteligência, cultura ou espiritualidade do Universo.

É evidente que à época não se conhecia nada disto e os “erros” de Galileo são absolutamente admissíveis, não invalidando em nada o seu valor como cientista (pese embora o facto de ele se ter aqui apoiado mais numa “grande fezada” do que num verdadeiro trabalho científico).

O que já não considero em nada admissível é que se continue, nos dias de hoje, a afirmar peremptoriamente algo que se sabe ser errado. Porque é que se insiste em transmitir recorrentemente este erro aos alunos da escola, está ainda por esclarecer. Provavelmente só a História o virá a fazer, a seu tempo.

terça-feira, 29 de julho de 2008

A educação dos filhos

Pode parecer "ingrato", pois todos os pais têm apenas uma e só uma oportunidade na vida de educar bem os seus filhos, convém pois que a aproveitem e proporcionem aos seus filhos a melhor educação possível.

É certo que as crianças são também fruto do meio que as rodeia e das relações que estabelecem com outras pessoas que não os pais, mas também não há dúvidas em relação ao papel determinante dos pais na formação do carácter dos filhos.

Bom, proponho-me isto por vários motivos, em primeiro lugar por ser mãe, e como mãe sentir o desejo enorme de formar bem os nossos filhos, não se tratando apenas de preservar o seu carácter mas sim de o formar! Em segundo lugar como psicóloga que trabalha com crianças e seus pais, e que tem constatado sérias dificuldades e pedidos de ajuda por parte destes que aflitos e com razão sentem que a boa vontade e o querer não chegam...


A educação dos filhos é a maior responsabilidade que temos a nosso cargo, sendo que a nossa tarefa é formar "adultos" e não crianças, devemos desde cedo apostar em educar o seu autodominio, ou seja, a capacidade de se negarem a si próprios, de desfrutarem as coisas boas da vida com moderação, de prescindir dos "louros" e gratificações, de ser "senhor/a" de si. Desde cedo também devemos apostar na educação da coragem, coragem em superar as dificuldades, mesmo a falta de conforto físico e a dor. Certamente já reparámos que muitas vezes as crianças caem, e por vezes se ninguém olha para elas continuam a sua brincadeira levantando-se contentes da vida, mas se olhamos ou tecemos qualquer comentário desatam num pranto... Aqui começa a educação da coragem:)!

O ser prudente, ser capaz de fazer bons raciocinios das coisas e das pessoas, de perceber o que é bom e o que é mau o que é feio e o que é bonito, também não pode ser descurado desde a infância, o mesmo acontece com a noção de justiça, que implica a aceitação do outro, esse outro que tem direitos e que também me cabe a mim tratar da sua felicidade.

Como é que nós passamos estas coisas tão importantes às crianças? Bom, em primeiro lugar, passamos pelo exemplo, pelo exemplo que nós pais damos aos nossos filhos e pelos exemplos que proporcionamos que eles vejam dados por outros. As crianças imitam com satisfação os pais e outros adultos! Em segundo lugar passamos estas coisas pela prática dirigida, ou seja, por aquilo que as crianças são levadas a fazer uma e outra vez pelos pais repetidamente, até apreenderem um determinado comportamento. E em terceiro lugar, mas não menos importante, as crianças também aprendem através da explicação verbal que lhes é dada, pois as palavras também são muito importantes na educação.

Para sermos bons pais, como certamente já constataram, temos efectivamente de ser pessoas melhores, devemos esforçar-nos por isso, por ser "pessoas exemplo" - exemplares. Portanto, graças aos nossos filhos, também nós podemos (e devemos) aperfeiçoar o nosso carácter e engrandecer o nosso coração! É também a nossa capacidade de liderança que os ajuda a formar o seu carácter.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A galinha e o ovo

A questão da primazia não se põe em política, mas da política adoptada pelas galinhas depende o futuro do ovo… e da criação. Sabemos que as galinhas não escolhem, são escolhidas, e se as deixarmos cumprirão instintivamente o seu destino. Mas connosco não é assim, somos nós que escolhemos e por isso temos a obrigação de saber que dessas escolhas derivam consequências melhores ou piores para a vida de todos e de cada um.
Por exemplo, quando em nome da igualdade de oportunidades (que não tem correspondência na sociedade) optamos pela eleição do chefe de estado, temos que aceitar que os portugueses que não votaram no eleito não se sintam representados por ele. Como corolário também não podemos esperar que um presidente da república consiga unir ou mobilizar a comunidade, seja para o que for.
Isto vem a propósito das recentes intervenções de Cavaco Silva exortando os portugueses a unirem esforços no combate à crise económica (e social) que nos atrasa e torna cada vez mais periféricos.
Mas a crise é antes do mais política e nessa não se atreve Cavaco a falar. É uma crise de representação, mas é também uma crise de valores, e já não se sabe qual delas começou primeiro! O mais provável é que tenham começado ao mesmo tempo.
Como a história da galinha e do ovo não é tempo para discutir isso agora, pois a realidade está aí e exige soluções. Delas depende o futuro de Portugal.
Neste contexto, Cavaco faz parte do problema, não faz parte da solução.