domingo, 29 de abril de 2007

Uma senhora

Era uma vez uma senhora muito contente.

A vida corria-lhe bem,
pelo menos assim parecia,
pois diante qualquer coisa,
esta senhora sorria.
Sorria na adversidade,
sorria na alegria,
sorria tanto e de vontade,
que sem qualquer caridade,
com ela todos sorriam.

Esta senhora viveu, foi feliz, deixou história.
Dedicou-se de coração, a cada um seu irmão
que pela frente lhe aparecia.

Enfrentou o silêncio, não temeu a solidão
Abraçou o sofrimento, mesmo naquele momento, que ninguém lhe deu a mão...

Rodeada de amizade, sabia estar sossegada,
passava despercebida, (e muito ela fazia!)
e ninguém dava por nada...

No meio da multidão, falava baixinho, segredando
Dizia o essencial, marcava a sua posição
Não se deixava levar por qualquer opinião

Trazia consigo o odor, a essência da Verdade
Transbordava sem esforço, fé, esperança, caridade...

E que bonita ela era, sem causar sensação
Uma beleza discreta, qual janela, porta aberta
onde entra o sol de verão.

Conversão à liberdade

A propósito da leitura do livro dos Actos dos Apóstolos em baixo: o cristão convertido é existencialmente insatisfeito, tem sede de uma verdade maior. Não é feliz por ter, antes por ser. É feliz numa paz interior, de quem é profundamente livre da alienação, porque sabe ao que vem, e a quem serve. Porque aprende a amar. Porque aprende a confiar, porque aprende a entregar-se.
O cristão convertido assume o compromisso de viver em Cristo. Na prossecução da felicidade, no cumprimento desse amor, e porque não é egoísta, procura espalhar a preciosa Palavra redentora. Com humildade aos acomodados e distraídos. Com valentia, não temendo os poderosos do mundo, apregoa a Boa Nova bem alto aos novos fariseus "os de maior categoria". Despreza a sua mundana glória fácil, sendo piedoso e complacente com as modernas “Senhoras devotas”. Porque o cristão convertido acredita no livre arbítrio de toda a criatura de Deus. Acredita que enquanto existir desejo de verdade, enquanto houver um excluído do opulento banquete dos homens, aí encontrará terra fértil para a palavra de Deus. Aí se encontrará Cristo vivo, a felicidade verdadeira e a esperança na ressurreição. Mesmo que ainda tenha de voltar à clandestinidade das catacumbas, e ser humilhado no circo da soberba e da arrogância.
Eu, católico confesso, tenho esperança numa profunda conversão.

A Palavra

Livro dos Actos dos Apóstolos 13,14.43-52.

Quanto àqueles, deixaram Perga e, caminhando sempre, chegaram a Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se.
Depois da reunião, muitos judeus e prosélitos piedosos seguiam Paulo e Barnabé, os quais, nas suas conversas com eles, os exortavam a perseverar na graça de Deus.
No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra do Senhor. A presença da multidão encheu os judeus de inveja, e responderam com blasfémias ao que Paulo dizia.
Então, desassombradamente, Paulo e Barnabé afirmaram: «Era primeiramente a vós que a palavra de Deus devia ser anunciada. Visto que a repelis e vós próprios vos julgais indignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, pois assim nos ordenou o Senhor: Estabeleci-te como luz dos povos, para levares a salvação até aos confins da Terra.»
Ao ouvirem isto, os gentios encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor; e todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé.
Assim, a palavra do Senhor divulgava-se por toda aquela região.
Mas os judeus incitaram as senhoras devotas mais distintas e os de maior categoria da cidade, desencadeando uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e expulsaram-nos do seu território.
Estes, sacudindo contra eles o pó dos pés, foram para Icónio.
Quanto aos discípulos, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

Da Bíblia sagrada

PEREGRINAR

Estamos em época de peregrinações. Ouvi, numa peregrinação, o Sacerdote que peregrinava connosco dizer que peregrinar é regressar a Deus. Não é ir; é voltar.

Fiquei preso a esta ideia. O nosso tempo de caminho é, na maior parte dos dias, uma ida, determinada pelas tempestades da vida, pela programação dos outros, pelos negócios, pelos compromissos, pela rotina…Paramos brevemente em momentos de oração, em especial nas Missas. Mas, fazer durante uns dias um caminho de volta, só mesmo a peregrinação; mesmo mais que os retiros, em que a noção de caminho é mais abstracta.

As peregrinações são ainda um caminho de regresso muito especial, porque desenvolvem a consciência de que voltar para Deus é uma coisa que se faz com os outros, na gratuidade e na desinstalação. É educativo neste sentido, de que associa à volta as capacidades relacionais e a identificação daquilo que é mesmo essencial.

Claro que peregrinar é uma ideia completamente “Fora de Estrutura”, mesmo que venha a ser absorvida pelos mercados sob a forma de Turismo Religioso ou Cultural. Será sempre voltar.

sábado, 28 de abril de 2007

Lidia

Lídia vinha de regresso das praias da costa da Caparica com as suas amigas Fernanda e Catarina quando, a meio da ponte 25 de Abril, se deparou com um carro parado e fora dele um homem mostrando sinais de se querer suicidar.
Lídia pára, sai da viatura e dirige-se ao indivíduo:
- Então bom homem, que se passa ?

Este, numa voz embargada, foi desfiando todo o seu sofrimento e solidão. O seu olhar pedia ajuda, pedia Alguém que lhe desse sentido para o sofrimento. Pedia Comunhão.

Lídia olhou para o homem como se olha para um animal abandonado, e disse:
- Percebo! Tens todo o direito de escolheres a morte. Mas não preferes uma morte menos dolorosa? Comprimidos, gás, sei lá?!...
Veio-lhe então à ideia escrever um texto, poético, sobre o direito à morte.
Voltou apressadamente para o carro, onde a sua amiga Catarina ensaiava ao retrovisor, o seu sorriso mais verdadeiro e Fernanda desesperava, pois o seu-mais-que-tudo ia dar uma entrevista na TV.
Dirigiu-se para casa, onde se pôs de imediato a redigir o texto, concluindo-o assim:
«Onde estiveres serás sempre meu irmão e eu tua irmã».
Depois perguntou-se o que teria de facto acontecido ao coitado do homem: «Ter-se-á mesmo suicidado? Bom, amanhã leio nos jornais. Agora vou dormir, que a praia cansa!».
Guardou o texto na memória do PC. Poderia servir para algum programa da televisão, onde fosse convidada para falar do direito de escolher a morte. E foi dormir…descansadinha.

O homem perdido

Quando a luz se inclina a noite é o deserto. O ritmo das vozes, das conversas, e do ciar dos lobos arruinam a alma. O homem de tez branca, rosto altivo, julga-se inteligente. Tem o farol da descrença, verbo inútil.O cheiro da terra, da infância, o rosto da mãe e a pureza da ameixa jazem no fundo. O homem fala, diz. É inteligente, amargo. No coração tem o erro e a soberba. Mas não sabe, não recorda que lhe falta o silêncio, a escorrência de luz.E o homem fala, diz que sim, adormentado. Não tem nada a dizer,só a ausência, a redundância. Não tem nada dentro dele. Nem as lágrimas. Nem a redenção.

O processo da república

Primeiro foram os cravos, chegou depois a corrupção, modalidade com inúmeros adeptos e praticantes, e hoje, nas páginas de dentro dos jornais, lemos notícias sobre o condicionamento democrático, há mesmo quem afirme que a liberdade de expressão está em risco!
Em pleno Parlamento e nas solenidades de Abril!
Mas a parte de baixo do iceberg é que nos interessa – vivemos numa república de advogados, repleta de ameaças judiciais, onde as leis processuais dão para tudo, porque a Constituição onde assentam, também dá para tudo!
Isto não foi obra do acaso, foi bem pensado, e melhor executado pelo poder político, ou seja, pelos partidos que por estes dias andam de cravo na lapela. Resultado: um universo kafkiano onde quem tem tempo e dinheiro para sustentar processos e sustentar-se dos processos, ganha sempre. O português anónimo, aquele que conta os euros para chegar ao fim do mês, esse, mesmo que tenha razão, recua, aceita, baixa a cerviz. Não tem dinheiro para se defender!
Começa aqui a servidão, acaba aqui a liberdade de expressão, transformada em mera figura de retórica. E nestas circunstâncias... a “claustrofobia democrática” começa a fazer sentido.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O Centro


Nesta vida terrena que temos

Quantas e quantas tentações...

Disparates e afins

Nos passam por ambições!


Tentações de felicidade

Mascarada pelo mal

que parece quase verdade

que ao fim ao cabo a maldade

poderia até quem sabe

elevar a nossa moral...


Como é fácil cair, como é fácil escorregar

em pensamentos que outrora,

mais concentrada que agora,

não me deixaria levar!


E tudo leva ao meu centro, tudo apela ao sentimento

Tudo me centra em mim mesma e me descentra do Centro.


Cada dia recomeço

E peço a Ele que é Centro

que me auxilie nesta luta

de escapar ao sentimento que não passa de momento...

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Em nome da Verdade, não nos resignemos!


“(…) Agora, tudo depende de vós e do vosso inconformismo. Em nome de Portugal, não se resignem!”.
Foi com estas palavras dirigidas aos jovens que o Presidente da República encerrou hoje o seu discurso na Assembleia da República, na 33ª Sessão Comemorativa do 25 de Abril.
Um apelo à não resignação num dia em que se fala de liberdade parece fazer todo o sentido. Mas é preciso mais: a não resignação não pode deixar de ser ligada à Verdade, sendo certo que «somente a liberdade que se submete à Verdade, conduz a pessoa humana ao seu verdadeiro bem. O bem da pessoa é estar na Verdade e praticar a Verdade» - Encíclica Veritatis Splendor citando a Doutrina da Igreja.
E a Verdade ultimamente parece que pouco tem interessado aos portugueses… mas não nos resignemos em nome da Verdade que é muito mais que mera formalidade, mera adequação entre o dizer e o ser.
Isso é apenas coerência. O que nos interessa na Verdade é esse carácter de revelação, desvelação que mostra uma realidade velada.
A nossa inclinação é, portanto, para uma Verdade que aponta para Um Maior a quem ela serve. Neste sentido, falamos de uma Verdade que nos liberta porque nos permite dar conta de uma realidade que nos atrai e na qual procuramos enxertar-nos e que compreendemos como nosso destino.
A liberdade que o mundo nos propõe bem merece o nosso olhar de soslaio, de desconfiança, uma vez que nos querem impor destinos que não são os nossos. Já agora, não deixa de convocar à estranheza que o apelo à mobilização provenha de quem recentemente nos deu uma lição de “verdadeiro” (in)conformismo.
* Pintura - Nossa Senhora dos Peregrinos, Caravaggio, Igreja de Santo Agostinho, Roma

SINAIS

O Presidente da Conferência Episcopal Italiana, D.Angelo Bagnasco, está sob forte protecção policial por ter sido ameaçado de morte, depois de se ter manifestado contra um projecto-lei intitulado ‘uniões livres’.Parece que foram escritas frases como‘Morte a Bagnasco’, ‘Bagnasco atenção ‘ em muros próximos a algumas Igrejas, e em alguns casos apareciam acompanhadas de uma foice e martelo!
Curioso que estes acontecimentos se passem no mesmo local onde, há dois mil anos atrás, pessoas inocentes eram lançadas aos leões, para gáudio do povo e sossego dos poderosos.
Tão longe e tão perto!

Vinte e cinco de Abril de dois mil e sete.

Carta portuguesa

“Está bonita a festa, pá! Fico contente…”!
Estás enganado Chico da Holanda, essa festa nunca existiu, tal como hoje não existe no teu país! E se num primeiro momento recolheu algum consenso, júbilo natural de quem se liberta de um jugo prolongado e sem futuro… a verdade que essa parte de Portugal também guardava, manteve-se silenciosa e pensativa.
Não faças confusões, a verdadeira festa anuncia sempre a unidade, não celebra guerras civis, nessa festa não existem vencedores nem vencidos. Por isso a festa que cantaste não teve eco, emudeceu com o tempo, é hoje um arraial desfeito!
A maioria silenciosa de ontem não a comemora, não usa cravo na lapela, é a mesma que lenta mas seguramente reabilita Salazar. Não são fascistas, adivinhavam o rasto de sangue que deixariam para trás, incomensuravelmente maior do que os treze anos de guerra colonial. Não te esqueças nunca de Timor…onde não havia guerra!
Não eram colonialistas, adivinhavam a Pátria reduzida às fronteiras da primeira dinastia, distante do mar, dependente de Bruxelas, país inviável, região peninsular, tributária de Castela!
Trinta e três anos depois, trinta e três anos apenas, e já existe uma geração disponível para abdicar da independência sem sofismas.
E isto não é preciso adivinhar!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Ateísmo Militante






O que hoje trago ao vosso conhecimento não é uma boa notícia.
Diz-se emergente pela Europa um movimento ateísta que parece estar a robustecer-se, tanto intensa como extensamente.
Tomei conhecimento do facto pelo Jornal de Notícias de Quinta-Feira passada, dia 19 de Abril, no suplemento que esta publicação jornalística dá à estampa do “The Wall Street Journal”. Aí Andrew Higgins expõe a natureza do movimento, bem como a sua emergência e implantação no velho continente.
Ao que parece, segundo o autor, a justificação para o fenómeno assenta em dois pilares básicos.
O primeiro refere-se à pujança numérica dos seguidores de Maomé que, a seu modo, são responsáveis por um revigoramento do fenómeno religioso. Calcula-se que o seu número se estenda aos vinte milhões.

O segundo factor legitimador releva do anterior. Com efeito, a comunidade muçulmana é uma ameaça porque ao contrário das confissões religiosas clássicas – Catolicismo, Protestantismo e Ortodoxia – “…é cada vez mais numerosa, mais palavrosa e, em muitos casos, mais religiosa”.
Em reacção a esta investida do Islão, os ateístas do novo milénio já não se ficam apenas pela produção literária e, portanto, pela mera discussão teórica das ideias. De facto, a mudança a registar é o abandono da velha “Carta sobre a Tolerância” de John Locke, substituindo-a por um activismo transformador. Nas palavras do chamado “alto sacerdote do activismo militante”, Michel Onfray, este afirma que “já não podemos tolerar a neutralidade e a benevolência” (Tratado de Ateologia). E continua, dizendo “…estar para breve uma mudança, e que é tempo de surgir uma nova ordem”.
Este “novo” ateísmo é, de facto, belicoso e está apostado em disputar a identidade da Europa – do zelo milenar da fé passaríamos ao zelo da descrença em Deus.
As metástases da patologia atravessam o continente. O artigo refere não apenas a França, mas também a Inglaterra, a Alemanha e a Itália. Neste último caso, é reportada uma imagem de um ateu atravessando a Praça de S. Pedro no Vaticano empunhando um cartaz onde se lê: “NO GOD – Ateísmo é libertá”. Curiosa é a divulgação no referido cartaz de um site ateu - http://www.nogod.it/ – (Divulgo o site na esperança que um Hacker católico não deixe de realizar o seu dever).
Ainda a propósito de Itália é referido o caso de um ateu que recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos reclamando a culpa da Igreja Católica por fraude. É que a “bendita” criatura afirma que Jesus nunca existiu.
Num estudo realizado recentemente pela União Europeia, relativo aos valores mais representativos da Europa, a religião ocupava o último lugar, atrás dos direitos humanos, da democracia, da paz, da liberdade individual, etc.
O recuo da religião na Europa e, porventura, no mundo já não basta. É necessário passar ao seu extermínio. Não se anunciam tempos promissores para a fé. Mas, para nós cristãos católicos, não é tempo de injustificado desânimo. É tempo de contar armas. Exige-se afirmação da nossa esperança, oração intensa e frequência assídua dos sacramentos. As provações prometem ser muitas. Que S. Paulo, o apóstolo dos gentios, cuja conversão Caravaggio tão bem representou, interceda por nós.

Um armário

Fizeram partilhas lá em casa e tocou-me um armário! Esperava outra coisa, mas foi à sorte!
Preto, enorme, habita no corredor, é armário trabalhado, mas armário, serve para guardar loiça, rimas de pratos, abre-se nos dias de festa para dar à luz o melhor serviço.
Da longa herança, será provavelmente o último companheiro, fiel, impossível de arredar, difícil de vender ou arrumar, irá por certo condicionar o resto da minha vida.
Já não penso em casar, onde teria algum préstimo, mas tem de caber na casa, que mais cedo ou mais tarde, vou ter que alugar! Por causa dele não posso viver na cidade, as duas ou três assoalhadas ao meu alcance, não contam com estes armários. Vou ter que emigrar para a província, sujeitar-me a um desses andares antigos, mais velhos que antigos, com um pé direito razoável, para que o meu armário continue a respirar. Eu ajeito-me em qualquer lado, o armário tem outras exigências.
Ainda pensei em transformá-lo, dividi-lo, dar-lhe outro destino, mas desisti da ideia. Não o quero mutilar, isso seria uma injustiça, hei-de transmiti-lo inteiro. Tal como o recebi.
O meu pai, há muito tempo, adaptou-lhe um pequeno bar, incluso, que ainda existe, e assim continuará. No resto, a função de armário manter-se-á, ali guardarei os meus pertences.
Sei que é de boa madeira, de sucupira, há-de portanto durar mais tempo do que eu, e fico feliz por isso. Foi este armário que me tocou na herança.
Hei-de respeitá-lo e preservá-lo.

domingo, 22 de abril de 2007

A Palavra

Evangelho segundo S. João 21,1-19.

Algum tempo depois, Jesus apareceu outra vez aos discípulos, junto ao lago de Tiberíades, e manifestou-se deste modo: estavam juntos Simão Pedro, Tomé, a quem chamavam o Gémeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar.» Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo.» Saíram e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada.
Ao romper do dia, Jesus apresentou-se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Jesus disse-lhes, então: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam-lhe: «Não.» Disse-lhes Ele: «Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar.» Lançaram-na e, devido à grande quantidade de peixes, já não tinham forças para a arrastar.
Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!» Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a capa, porque estava sem mais roupa, e lançou-se à água. Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede com os peixes; com efeito, não estavam longe da terra, mas apenas a uns noventa metros.
Ao saltarem para terra, viram umas brasas preparadas com peixe em cima e pão. Jesus disse-lhes: «Trazei dos peixes que apanhastes agora.» Simão Pedro subiu à barca e puxou a rede para terra, cheia de peixes grandes: cento e cinquenta e três. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: «Vinde almoçar.» E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe. Esta já foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.
Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.» Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.» E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: 'Tu és deveras meu amigo?' Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu mesmo atavas o cinto e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te há-de atar o cinto e levar para onde não queres.» E disse isto para indicar o género de morte com que ele havia de dar glória a Deus. Depois destas palavras, acrescentou: «Segue-me!»

Da Bíblia Sagrada

sexta-feira, 20 de abril de 2007

História de algibeira (3)

No pico da II Grande Guerra, em relação à qual Portugal com alguma astúcia e ambiguidades se foi mantendo neutro, momentos houve de algum receio e ansiedade de algum ataque ou represália por parte dos contendores. Nesse sentido, a determinada altura “foi decidido camuflar a cidade de Ponta Delgada. (…) A cidade vista do mar – era esse o principal problema – tornou-se irreconhecível a partir de uma certa distância. As torres mais altas das igrejas levaram nuvens e esbateram-se nos céus. Tal empena do hospital virou colina verdejante com casinhas. As fachadas tinham grandes árvores e mais vegetação. Os depósitos de nafta eram ingénuas verdes pastagens com idílicas cabanas.” *

* In “Percurso Solitário” por Augusto de Ataíde – Bertrand Editora, 2006

quinta-feira, 19 de abril de 2007

A diferença

Fomos ver o filme “As vidas dos outros” ( que bonito filme. A não perder! Assim como o post sobre o mesmo, da nossa amiga e colega blogista SIdeias)o no final falavamos sobre a diferença entre o cinema Europeu e Americano. Este, o espectáculo, a aventura a acção, a tecnologia, a representação como uma tentativa de imitação do real.Histórias com “final feliz". E saímos da sala, vamos beber um copo e ter conversas triviais. Do filme apenas um “é giro, t’á bem feito!”. O nosso, a simplicidade, a interioridade, o tempo, o real tantas vezes magistralmente representado.Com ideias. Saímos, talvez em silêncio a pensar, e depois vamos beber um copo e continuamos a pensar.

No dia seguinte assistimos ao debate na tv, entre Paulo Portas e Ribeiro e Castro. No final voltamos a pensar na diferença entre as duas cinematografias....e fomos dormir!

PS: pensando melhor, talvez o cinema americano também tenha ideias, e boas. A diferença é que gosta mais de si próprio do que das suas ideias!!...

A Polónia, o Euro e a Europa



“A organização do Euro 2012 foi atribuída a … Polónia / Ucrânia!”
Por mero acaso, estava mesmo aqui, na praça central de Póznan, rodeada de centenas de polacos, quando após alguns segundos de suspense, cheios nervosismo e ansiedade, a feliz notícia foi anunciada.
Toda a gente gritou, chorou, pulou, e a festa começou. E a festa vai começar mesmo, pois o Euro vai ser muito mais que um acontecimento futebolístico: o Euro vai ajudar a trazer à Polónia progresso, desenvolvimento, auto-estradas, “um Hotel de 5 estrelas aqui em Póznan!” (dizia-me uma polaca comovida). O Euro vai ser o grande empurrão da Polónia para a Europa. Após longos anos de um regime comunista e a poucos anos da entrada na EU é por isto que o povo anseia. E por isto festa é tanta. E tudo isto é bom.
Mas quem visita a Polónia hoje não pode deixar de respirar uma outra realidade, dificilmente encontrada na “Europa” – por todo o lado se sente a vivacidade de um povo crente, transbordante de esperança e de fé.
Querida Polónia, nestes tempos de mudança, aqui fica o meu brinde: que o Euro e a Europa te tragam a riqueza que não tens e por que anseias; mas não deixes que com ela se apaguem as tuas raízes, a tua cultura, os teus valores - a tua maior Riqueza.
Nasgrowie!

A Rusga...

A rusga efectuada esta noite à sede do PNR e outros locais conotados com a chamada "extrema direita", fez-me remontar ao passado, àquele tempo em que volta não volta, lá entrava a polícia de rompante pelas sedes da (na altura) oposição. Lembram-se (os mais velhos)? Já se sabia como era: nas vésperas de algum acontecimento mais "provocatório", arrebanhavam-se os cabecilhas das ditas organizações, garantindo assim o insucesso do mesmo. E também na altura, eram sempre encontradas muitas armas e muitos panfletos subversivos. E também nessa altura faziam-se muitos presos e relatórios a informar a população de que aquela gente não passava de uma grande malandragem.

Então, após mais de 30 anos de "liberdade" e "democracia", o que é que mudou? Pelos vistos, nada! Ou, mais rigorosamente, mudaram apenas as moscas.

Na minha humilde opinião, não considero que este acontecimento seja grave por si só. Agora, tal como nesse tempo distante, ter-se-á muito provavelmente apanhado algum malandro, algum possível terrorista ou, no mínimo, gente mais violenta que convém manter sossegada. Estou convicto portanto que agora, tal como no passado, contas feitas, terá sido tomada a melhor medida.

O que é grave então?

O grave é apercebermo-nos que existem dois pesos e duas medidas. É apercebermo-nos que existem os "Nós" e os "Eles". É apercebermo-nos que, quem é de esquerda, faça o que fizer, está sempre safo.

O que é grave é que membros activos das FP-25 tenham sido branqueados pelo regime.

O que é grave é conhecer-se a história terrorista da esquerda neste país e nesta europa e "ninguém" parecer preocupar-se com o facto de a termos no poder. O que é grave é ter-se branqueado essa mesma história.

O que é grave, é os regimes ocidentais fecharem os olhos às ferozes ditaduras que existem por esse mundo fora, todas de esquerda. É chamarem ditador ao Alberto João enquanto louvam o Sr. Fidel Castro.

O que é mais grave ainda, é que aqueles que pensam diferente tenham de viver amordaçados.


É por reacção contra a ditadura que o povo se radicaliza. Foi assim no passado com recurso à extrema esquerda. É assim agora com recurso à chamada "extrema direita".

A culpa, essa, será sempre do(s) ditador(es). Não se venham depois queixar!

Novas oportunidades

A ideia é boa, partiu do Ministério da Educação e visa “dar resposta aos baixos índices de escolarização dos portugueses através da aposta na qualificação da população”, no fim de contas, um incentivo para uma aprendizagem contínua, independentemente da idade. A promoção desta iniciativa é que não é feliz e enferma de todos os vícios da contracultura dominante – a finalidade parece ser ‘o sucesso pelo sucesso’, ou parafraseando Shakespeare em Ricardo III – ‘o meu reino por um canudo’!
Ainda por cima à custa do aviltamento de algumas profissões!
O deputado Manuel Alegre chamou a atenção para mais esta infelicidade, ‘imprópria de um país democrático’, segundo disse, e eu concordo com ele.
Explico: já repararam nos ‘outdoors’ espalhados pela cidade onde aparecem Judite de Sousa a tomar conta de um quiosque, ou Carlos Queiroz a fazer jardinagem! Pois bem, o que é que isto quer dizer?
Que ser jardineiro é feio, é mau? Que é um castigo para quem não estuda?
Ou que tomar conta de um quiosque é negativo? E que devíamos todos estudar para engenheiro?!
Bem, se eu fosse mauzinho, que não sou, excepto quando o Belenenses perde, diria o seguinte: a Judite de Sousa fica bem no quiosque dos jornais, mas não pode ser, porque os quiosques são por natureza privados e ela gosta muito de ser funcionária pública!
Quanto ao nosso professor Queiroz, também não pode ser, porque o lugar de jardineiro é inacessível para ele, quando muito, adjunto de jardineiro!
Mas eu não sou mau e vou dar-lhes uma nova oportunidade.

Uma Imagem

Terminou a entrevista e Judite de Sousa despede-se. Por trás vê-se o futuro líder do partido a levantar-se em direcção ao adversário. Supostamente foi cumprimentá-lo. Um homem com tantas horas de televisão sabe que isto é um truque. Depois aparece um plano geral e estão novamente os três sentados.Enquanto passa o genérico do final do programa vê-se o mesmo homem levantar-se, dirigir-se a ele, e ir cumprimentá-lo novamente. Em breves instantes diante do país cumprimenta-o duas vezes. Este homem foi o mesmo que obrigou o outro a fazer um Congresso Extraordinário, que lhe tirou o grupo parlamentar, que provocou uma rixa em Óbidos. Esta imagem define um carácter. Vale um homem.
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Entrevista de Paulo Portas e Ribeiro e Castro - Eleições

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Olá amigos visitantes! Talvez muitos de vós tenham já recebido, de algum amigo, nos vossos respectivos mails, e até reenviado, as linhas que se seguem. De qualquer modo, dado o carácter completamente ‘fora de estrutura’ dos intervenientes, pareceu-me adequado que aqui fossem divulgadas as “melhores participações de seguros do ramo automóvel em Portugal (1998) (a própria data é já completamente 'Out'!)”
Dedico-as a todos os que sintam necessidade de se rir um pouco, no dia de hoje! Um Abraço!

1. O falecido apareceu a correr e desapareceu debaixo do meu carro.
(das duas uma: ou era atleta ou mágico!)
2. Para evitar bater de frente no contentor do lixo, atropelei um peão.
(o importante é que não acertou no contentor do lixo!!!)
3. O acidente aconteceu quando a porta direita de um carro apareceu de esquina sem fazer sinal.
(autêntico caso de Ficheiros Secretos!)
4. A culpa do acidente não foi de ninguém, mas não teria acontecido se o outro condutor viesse com atenção.
(desde que a culpa não seja de ninguém...)
5. Aprendi a conduzir sem direcção assistida. Quando girei o volante no meu carro novo, dei comigo na direcção oposta e fora de mão!
(a culpa aqui é do carro ser novo!)
6. O peão bateu-me e foi para baixo do carro.
(estes peões, francamente!)
7. O peão não sabia para onde ia, então eu atropelei-o!
(ao menos assim o caso ficou resolvido...)
8. Vi um velho enrolado, de cara triste, quando ele caiu do tejadilho do meu carro.
(It's raining men...ALELUIA!!!)
9. Eu tinha a certeza que o velho não conseguia chegar ao outro lado da estrada, por isso atropelei-o.
(Cá está a boa acção do dia!)
10. Fui cuspido para fora do carro, quando este saiu da estrada. Mais tarde fui encontrado, numa vala, por umas vacas perdidas.
(não percebo, então se as vacas estavam perdidas, ele foi achado ou perdido?!?)
11. Pensei que o meu vidro estava aberto, mas descobri que estava fechado quando pus a cabeça de fora.
(no coments!!!)
12. Bati contra um carro parado que vinha em direcção contrária.
(ora aqui está uma coisa perigosa! Os carros parados são os piores...sobretudo se vierem em direcção contrária!)
13. Saí do estacionamento, olhei para a cara da minha sogra e caí pela ribanceira abaixo.
(nova campanha da DGV:"Se conduzir, não leve a sogra")
14. O tipo andava aos ziguezagues de um lado para o outro da estrada. Tive que me desviar uma porção de vezes antes de o atropelar.
(mas o importante é que conseguiu! Há que ir tentando sempre e ter orgulho na pontaria!)
15. Já conduzia há 40 anos, quando adormeci ao volante e sofri o acidente.
(isso é perfeitamente normal!)
16. Um carro invisível veio de não sei onde, bateu no meu carro e desapareceu.
(Mais um caso para Mulder e Scully...)
17. O meu carro estava estacionado correctamente, quando foi bater de traseira no outro carro.
(eu bem digo que os parados são os piores!!!)
18. De regresso a casa, entrei com o meu carro na casa errada e bati numa árvore que não é minha.
(Antes fosse!)
19. A camioneta bateu de traseira no meu pára-brisas, em cheio na cabeça da minha mulher.
(e só não foi na cabeça da sogra graças à nova campanha da DGV...)
20. Disse à polícia que não me tinha magoado, mas quando tirei o chapéu percebi que tinha fracturado o crânio.
(vais sempre a tempo, amigo!)

Quase nada

Enquanto subia ainda hesitava, olhei pela porta e estavas sentada na parte de dentro de um trabalho humilde, à espera de nada, que a vida é certeira e não se enganava.
Fui ao teu encontro, não era esperado, não era para vir, brinquei como dantes, mas o teu sorriso pedia um abraço – estou triste, disseste – na rua parada, eu seco por dentro, os braços nos braços, num imenso abraço, perdido no tempo.

Quem me diz onde é a estrada?

Chamaram-me a atenção para o novo video clip do Pedro Abrunhosa, "Quem me leva os meus fantasmas". Lá estive a ver - com muito gosto - e, curiosamente, os rostos e os olhares dos "sem abrigo", filmados uns após outros, fizeram-me lembrar uma sucessão do género - embora para cada rosto mais prolongada - no filme "O grande silêncio", sobre os monges da cartuxa...

Os pobres-indigentes e os pobres-voluntários a deixarem-se olhar pela camâra sem os trejeitos de quem ainda pode ter alguma coisa a perder; uns, com o olhar mais dorido e perdido, incomodam a forma como vivemos; os outros, de olhar sossegado e penetrante incomodam as escolhas que fazemos; os que não têm casa e não parecem esperar nada de ninguém e os que "moram à sombra do Omnipotente" (Sl 90) e sabem bem em quem puseram a sua esperança; para uns, o movimento das ruas do mundo e a solidão; os monges, afastados das nossas cidades acompanham o mundo num silêncio cheio de Presença.

"Quem me leva os meus fantasmas"?

O Pedro Abrunhosa na apresentação do tema diz que, mais importante do que dar respostas, é fazer perguntas e fá-las em nome de todos os pobres, dos que perguntam e dos que não querem perguntar, em seu próprio nome:

"Quem me leva os meus fantasmas?"
"Para onde vamos?"
"Quem nos cura?"
"Quem nos salva da vida que nós próprios contruímos?"

...

"Quem me salva desta espada?"
"Quem me diz onde é a estrada?"





Junto a estas perguntas uma outra, fundamental : " Senhor, para quem havemos de ir...?"

terça-feira, 17 de abril de 2007

VIDINHA

A escuridão ilumina a terra e divide-a em fragmentos, pedaços soltos e movimentos. Só se vê o inantígivel, o rasgo agudo da espiga. A terra é a junção. Dos sulcos e das fibras de torrões que juncam os elementos orgânicos. A palha e a seiva, o girassol e o trevo, o mel e os homens. A terra foi a infância. Dos homens, de todos os homens, quando o trigo ainda não era. Agora habitam a terra cobertos pela noite.Estão aqui, nas gretas escavadas do escuro da meia noite. Somos ambos iguais. A terra é o encontro. Entre os homens que foram e as lágrimas esgotadas pelo orvalho.
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Viagem a Serpa

Os dotôres

Como bons latinos que somos, nós os portugueses adoramos os tratamentos formais e valorizamos incrivelmente um bom “estatuto”, de preferência bem “cristalizado”. Receio que o fenómeno não tenha tanto a ver com vaidades pessoais, mas antes com o anseio secreto de mais uma fórmula de “providência social”, e de amortecedor das agruras da competição profissional. Pouco dados a grandes liberalidades, parece-me que genericamente somos uma gente insegura.
Crescendo no meu mundo bem português, sempre vivi rodeado de doutores e doutoras, a começar com os “Stôres” do ensino preparatório, ao “Doutor” que vinha à nossa casa para receitar um qualquer antibiótico… para mais tarde aprender que também havia “Professores Doutores” (o que não significava que leccionassem obrigatoriamente qualquer cadeira) e depois descobrir que havia um título, “Bacharel”, que não tinha grande sucesso em Portugal.
Assim cresci e assimilei as variadas e distintas formas de tratamento social. Às tantas, tive a sensação que o "dotôr" funcionava como mais um nome próprio, necessário para alguns figurantes da minha vida, quase sempre com um estatuto hierarquicamente superior ao meu.
Agora os tempos mudaram. Desde há alguns anos, com as universidades e escolas superiores a debitarem dezenas de milhares de "dotôres" por ano, e porque não podemos ser todos "dotôres" e assim estragar a panelinha, o título passou a ser atribuído consoante o lugar de cada um na hierarquia. A secretária é licenciada em línguas e literaturas modernas, mas é simplesmente da D. Carolina que se trata. Já o chefe, que frequentou meia dúzia de cadeiras de uma obscura licenciatura, é o "Sôdotôr", literalmente “sem saber ler nem escrever”. Esta foi a lógica que se implantou. O Engenheiro, se é o "manda-chuva", assim é tratado. O outro, o assistente com o mesmo curso da mesma universidade, será, sempre e simplesmente, o Manel. Ai vida dura!
Acontece-me muitas vezes, quando corrijo o meu interlocutor ao telefone informando-o que não sou "dotôr", sentir quão inconveniente eu fui. Apercebo-me nessa altura de um mal-estar do outro lado da linha, como quem me diz que “isso” para o caso não tem importância nenhuma. Que esse tratamento me fora atribuído como mera formalidade reverencial. É então que caio em desgraça e vertiginosamente passo a ser apenas o Xôr. João.
Curiosamente, na indústria hoteleira em que trabalho, um meio extremamente hierarquizado, até há poucos anos pura e simplesmente não havia "dotôres". Talvez por esta carreira nunca ter sido considerada muito prestigiante, antes algo servil.
Mas hoje, ironicamente, integram-se nesta indústria, nas chefias intermédias e cargos técnicos (recepção, comercial etc.), muitos jovens licenciados cujo reconhecimento do título de "dotôr" ainda não tem sentido, nem é valorizado. Têm que ir à luta, conquistar um lugar cimeiro na hierarquia para que o precioso tratamento um dia “conquiste” a luz do dia. E talvez, quem sabe, um lugar no cartão de visita.

Este texto (mais actual que nunca) foi originariamente publicado no Corta-Fitas em Novembro de 2006.

Parabens Santo Padre (atrasados...)


Sua Santidade, o papa Bento XVI completou ontem 80 primaveras. Na impossibilidade de lhe virmos prestar a devida homenagem no dia de ontem aqui ao nosso "fora", não queremos deixar passar mais tempo.
Transcrevemos um excerto do livro "O sal da terra" no qual o Papa então cardeal, responde a algumas questões:
- "Nasceu a 16 de Abril de 1927 em Marktl am Inn, na Alta Baviera. Era Sábado Santo. Isto diz-lhe alguma coisa?
- Sim. Acho que foi muito bem assim, na véspera da Páscoa - já, por assim dizer, a caminho da Páscoa, que ainda não chegou, que ainda está Velada-. Julgo que é um dia muito bom, que sugere a minha concepção da história e a minha própria situação: à porta da Páscoa, sem todavia ainda ter entrado.
- Os seus pais chamavam-se Maria e José. Foi baptizado apenas quatro horas depois de nascer, às oito e meia da manhã. Dizem que era um dia tempestuoso.
- Claro que não me lembro. Os meus irmãos contaram-me que tinha caído muita neve, que estava muito frio, embora fosse o dia 16 de Abril. Mas na Baviera isto não é nada excepcional. (...) Nessa altura ainda não existia a festa da Vigília Pascal. A Ressureição era, portanto, celebrada de manhã, com a benção da água que depois serve de água baptismal durante todo o ano. E porque, em consequência, a liturgia do baptismo se realizava na Igreja, os pais disseram: "Jetzt is er scho do, der Bua" (em dialecto bávaro), "Já cá está o rapazinho", então é claro que ele será baptizado nesta hora liturgica que é a verdadeira hora do baptismo para a Igreja. E a coincidência de, recém-nascido, quando a Igreja preparava a água do baptismo e, por isso, com a primeira água, ter sido o primeiro baptizado da água nova tem significado para mim, porque me coloca de modo especial no contexto pascal e liga o nascimento e o baptismo de modo muito significativo. "
nota: este domingo dia 22 vai ser baptizada a Maria do Carmo nossa filhota. Rezem por ela!

Nandinha

Espero que esta te vá encontrar com saúde.
Tenho sofrido tanto, tanto, que nem sequer consigo enamorar-me doutro assunto que não de mim, da minha carreira e futuro, nacional e internacional. As minhas sentidas desculpas (acredita, estou a ser sincero) por não ir ao teu encontro, Nandinha!
Certamente terás visto a campanha odiosa que me movem. E tu, meu mais que tudo (afora a minha carreira, prestigio, ambições, manipulações, falcatruas, disparates, dislates, etc), estás comigo. Sim, porque vejo no silêncio das tuas crónicas a respeito dos meus estudos (que os fiz!!! Seis anos e meio e média de 14!!!Upa, upa!) não uma omissão, não uma falta de ética ou idoneidade, não duplicidade de critério. Porque tu, Nandinha, a intrépida que não se cansa a denunciar a hipocrisia da sociedade portuguesa face à mentira do aborto, tu que denunciaste a dona Lúcia como embusteira, tu tens consciência, e és dona do teu corpo, e ninguém pode obrigar uma mulher como tu contra a sua consciência, e eu sei reconhecer no teu silêncio a consciência de estares diante de um segredo de estado. Eu sei, aliás, que no teu estado estás por tudo: desde que eu, o teu pri-pri (pri-meiro-ministro de-pri-mente) esteja contigo…
Mas escrevo-te, Amor da minha vida (acredita, estou a ser sincero- afora a minha carreira, o prestigio, as ambições, as manipulações, as falcatruas, os disparates e os dislates, etc), para jurar que, a ti, eu nunca te menti. Nunca, nunca. Bem, menti-te um bocadinho quando disse que era engenheiro mas também não era isso que era importante na nossa relação: havia o amor, a poesia, a fantasia, a ficção, a aberração de não ser importante a verdade do nosso amor! De resto, eu, como ninguém, fiz exame oral numa destas 4ªfeiras à noite: milhões de portugueses a verem e a aprovarem-me com distinção. Porque uma carreira como a minha, ou um amor progressista como o nosso, já não têm nada que ver com a verdade.
Prontus (também não fiz exame de português elementar, portanto não sei bem se é assim que se escreve prontus): uma última confidência! Essa de ser engenheiro sem estudos veio-me à ideia ao ver o Pátio das Cantigas. Se alguém tem a culpa é o Vasco Santana. Ele também enganou as tias mas depois levou-as a passear ao jardim zoológico. Eu também gosto muito de passear. Um destes dias vamos a Itália, que é a terra do nosso idolatrado Pinóquio!

O teu

J. Só/

Maus sinais

Questionava-me há uns dias à mesa com um grupo de amigos, quais serão a prazo as consequências, os sinais exteriores de uma sociedade progressivamente mais individualista e impiedosa, sem identidade ou "interioridade", dominada pelo hedonismo, pelos predadores sem Deus e pela ilusão das aparências. Alguém me sugeriu que em certas metrópoles dos EUA poderiam ser auscultados esses sinais.Ontem, ao ouvir a noticia sobre o fenomenal crime perpetrado na Universidade Tecnológica da Virgínia, perguntei-me se não será este tipo de loucura parte da resposta.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

VIVA O PAPA!


A bênção de Bento

(No 80 aniversário do Papa Bento XVI)

Homem de fé: homem de Jesus.
Homem de Jesus presente ao caos do mundo: sereno.
Homem irritante: sem assessor de imagem.
Homem tímido, talvez a sentir-se a mais nos deveres de representação,
mas sem representar nada mais do que é sua missão.
Suceder a alguém muito grande sem se comparar, devorar, e dar-se contente e agradecido. Homem mestre: falar porque tem qualquer coisa para dizer e saber dizê-lo, exactamente. Homem de uma palavra que desperta nos outros certeza e ambição: discípulos.
Fluir a dizer a beleza:
a verdade a convidar os homens para a comungarem no bailado intenso da vida.
A Igreja: o homem, os homens, alegres e livres porque Deus é amor!

domingo, 15 de abril de 2007

As bruxas

Não há muitos anos, para mim e para a rapaziada daquela obscura época, “bruxa” era uma figura feia, malévola e às vezes assustadora. Quando eu era pequeno, chamar “bruxa” era um insulto muito eficiente para “taquinar” qualquer das minhas queridas irmãzinhas. Sim, bruxa de vassoura na mão com unhas compridas e sujas, cabelos desgrenhados, furúnculo no nariz, vestido preto e chapéu de bico. A imagem mais benevolente do género era a das parceiras Maga Patológica e Mme Mim que juntavam a todos os defeitos o facto de serem desastradas, embirrentas, feias, más e queixinhas. Pior, mais horrenda e má que a bruxa da Branca de Neve, só a terrível madrasta da Aurora (Bela Adormecida) que, de uma elegante e sombria mulher fatal se transformava num pavoroso dragão para combater o bondoso príncipe Filipe, personagem a quem eu aderia, e na minha delirante imaginação incorporava.
Agora, nestes lustrosos e esclarecidos tempos, a moda é outra. Bruxa é outra coisa completamente diferente. A minha filhota pequena mostra-me todos os dias mais e mais simpáticas bruxinhas, de que é fã devota. Na televisão, na Internet e nas revistas, estas novas bruxas são mesmo boas e giras. São as Winx, as Witch, a Sabrina… tudo intrépidas, ágeis e esbeltas adolescentes, namoradeiras heroínas, na luta contra o Mal. Cabelos ondulantes, pernas esguias, olhos insinuantes com longas pestanas, lábios fofos de botox.
E então pergunto-me: afinal, que foi feito das fadas de antigamente? Sobram umas quantas nos bailiados do Tchaikovsky e nos clássicos da Disney em promoção por altura do Natal, e pouco mais. Consta à boca fechada que essas divinas e angelicais senhoras “de bem” estão desempregadas, fora de moda, da alta-roda e da agenda infanto-juvenil. Bom… Não me parece que em desespero e abandonadas se tenham por fim exilado em algum lar ou asilo. Ou então, será que essas jovens e virginais criaturinhas mágicas, deitadas ao desprezo, se tenham feito à vida voando pelos céus e retornaram, anónimas, para novas e contemporâneas ribaltas, para novas audições e concorrendo aos novos papéis? Por que não incarnarem na pele de belas e delicadas bruxinhas, de calças de ganga e sapatos da moda… sem esquecer a velha vassoura e varinha mágica, seu velho e reutilizável adereço?
Mas com estas trocas e baldrocas, a verdade é que fica tudo um pouco confuso e mentiroso para as nossas criancinhas. Fica a faltar um boneco, a figura, a má da fita, a simbologia da Morte e do Mal na vida, que, apesar de todos os relativismos, afinal sempre existe, existiu e existirá, mesmo se representado por uma mulher.

A Palavra

Evangelho segundo S. João 20,19-31.

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!»
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.»
Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.»
Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.»
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto».
Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.

Da Bíblia Sagrada

sábado, 14 de abril de 2007

Ainda o tempo...


Tudo tem o seu tempo, todos temos um tempo, mas afinal o que é o tempo?

O tempo não se define facilmente, e talvez por isso seja tão difícil ocupá-lo com sabedoria... Cada vez há mais convites, mais tentações em ocupar o tempo com coisas tontas e nós tontos, gastamos o tempo com elas.

Se normalmente não temos tempo, porque é que há dias em que subitamente arranjamos esse tempo? A vida muda assim tanto?

E se normalmente temos tempo, porque é que há dias em que deixamos de ter se nada de especial aconteceu? É tão fácil dizer "não tenho tempo", é tão socialmente aceitável dizer "não há tempo", que estas afirmações podem mesmo ser um perigo!

É tudo uma questão de prioridades e as prioridades aqui não se estabelecem por si só, também se aprendem, também se "obedecem", ainda que com o tempo, o "meu tempo" não me apeteça fazer aquilo que sei ser de maior importância.

É tempo de ter esperança, é tempo de ter fé, é tempo de "ser caridade"!

Ainda estamos a tempo, sempre a tempo, porque o tempo Dele não é o nosso tempo e o nosso tempo é Dele!

nota: pintura de Sousa Araujo na capela do vale de acor

Ser ou não ser

Prometo, nos tempos mais próximos, não voltar a falar no nosso 1ºministro…pelo menos durante uma semana. Mas a reacção de uma enorme percentagem de pessoas, e sobretudo os comentários de muitos políticos, mesmo da oposição – se é que existe – e de grande parte da nossa isenta comunicação social, à entrevista de Sócrates, deixa-me completamente “banzado”.
Entendamo-nos. Eis a questão: ser ou não ser mentiroso! Eis a não questão: ser ou não ser engenheiro. Poderia até, só ter a 4ª classe – investiguem, quem sabe!? -era indiferente…desde que o assumisse.
E a resposta é clara e objectiva. José Sócrates tem escolhido ser mentiroso. Digamo-lo com todas as letras: mentiu na entrevista, mentiu no referendo, mentiu nos impostos, mente quando diz que não manipula a comunicação social.
Leio no artigo de Mário Ramires na edição de hoje d’ “O Sol”: «Queixam-se experientes jornalistas de terem recebido chamadas telefónicas do gabinete do primeiro-ministro procurando evitar a publicação de notícias sobre o assunto? Mas não é normal? (…)São pressões? Claro que são. Intoleráveis? Claro que não.» Ai não?!!.. Lembram-se como Santana Lopes foi acusado de tentar manipular a comunicação social? E o que lhe aconteceu, Sr. Presidente? Elementar: o que é “normal” nem sempre é Bem (este foi aliás, um dos argumentos falaciosos dos defensores do sim à liberalização do aborto). E depois,assim também se percebe que as “pressões”, são ou não intoleráveis, conforme as circunstâncias.
Que se passa? Porquê ou para quê este branqueamento? “Rabos” de palha? Conveniências?! E quais?
Só sei que “Algo vai mal no Reino da Dinamarca”!

sreng

Logo que comecei a trabalhar, há muito, muito tempo, fui ao banco abrir uma conta para onde me seria depositado o ordenado. A conversa passou-se mais ou menos assim:
- Sim!
- Desejava abrir uma conta, por favor.
- Um momento.
(10 minutos depois)
- Como é que te chamas?
- Fulano de Tal, respondi.
- Morada?
- Tal e tal...
- Profissão?
- Engenheiro.
...
- Ah! Sr. Engenheiro, se não se importa, depois há-de pôr aqui a sua assinaturazinha, mais aqui e aqui. Deseja o cartão não-sei-quê? Não paga nada por ele e tem estas vantagens assim e assim. Espere só um momentinho que já lhe trago o impresso...

Nesse momento, pela primeira vez, compreendi a tentação de se ser engenheiro!...

Para(os)sócrates*

Sugestão de leitura: “O Livro das Virtudes” de William J. Bennet.Transcreve-se a seguir uma passagem da história ‘Pinóquio’, incluída no livro citado:
“A Fada olhava para ele e ria.
- De que está a rir? – perguntou o Boneco, muito aflito com as proporções fantásticas que o seu nariz estava a tomar.
-Estou a rir das mentiras que você pregou.
- E como pode saber que preguei uma mentira?
-Mentiras meu caro menino, são descobertas facilmente, porque só existem de duas qualidades – mentiras de pernas curtas e mentiras de nariz comprido. A tua mentira, pelo que vejo, é das que têm nariz comprido.
Pinóquio, não sabendo onde se esconder de vergonha, tentou fugir do quarto; mas não conseguiu, pois o seu nariz crescera tanto que não podia mais passar pela porta.”

Este, pelo menos, tinha vergonha!

*(os)sócrates: pessoa que quer parecer o que não é mas vírgula é o que parece.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

História de algibeira (2)

No início do século XIX em Portugal, as únicas cidades ligadas por algo parecido com aquilo a que hoje chamamos “estradas” eram Lisboa e Coimbra. A ligação de Lisboa ao Porto por terra poderia implicar uma semana de viagem. Esta fazia-se mais rapidamente por via marítima, demorando em regra um dia de viagem. Hoje consideramos este facto algo estranho, mas era uma realidade relativamente normal na maior parte dos países europeus.

Sinceramente!

No Museu de Cera, Sócrates de Cera (ou lá o que ele seja – que nós não sabemos, e duvido que, a esta altura do campeonato, ele próprio saiba). Tudo porque, sendo ele bastante encerado – no sentido de ser muito pouco sincero (sem cera, genuíno, autêntico, essencial), seria bastante difícil conseguir uma cópia com mais cera do que o próprio.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Trágico-cómico!

Seria cómico se não fosse trágico!
Sócrates não mente, porque em Portugal ninguém mente!
Sócrates não mente, porque um primeiro-ministro de Portugal nunca mente!
Sócrates não mente, porque a mentira não mente!
Mas Sócrates mente, porque em Portugal todos mentem!
…por necessidade, por abandono, por misericórdia, pela minha saúde, eu seja ceguinho, palavra de honra, por isto e por aquilo, juro que já menti…
Mas Sócrates não mente, porque quem mente todos os dias é o regime que ele representa!
Mente na Casa Pia, mente no Aeroporto, mente no TGV, mente em Bruxelas, mente na constituição, na descolonização, o tribunal constitucional é mentira, mente nas contas, nos impostos, no futebol, em tanta coisa… mentiu na pergunta do referendo… nas promessas do referendo também mentiu!...
Sócrates não mente sozinho, porque neste país ninguém mente sozinho!
Sócrates mente, mas não sabe porque mente!
É um produto irresponsável da nossa deseducação, um ‘pronto a vestir’ das nossas universidades, para servir nos partidos… os partidos!
Foi escolhido pelo regime para fazer o serviço sujo, e com um tropeço ou outro, vai dando conta do recado.
Muitos dos que agora gemem, votaram nele!
E vão continuar a votar no regime que elege o chefe… dele!

As vidas dos outros


As vidas dos outros, decorrem; mas os outros são opacos, são densos, e embatem, e travam-nos, e arrancam-nos, para fora do finito e do tempo.
O outro atinge-nos na fibra da eternidade, se (re)pararmos nele.
Berlin, anos 80. Cenário de conflito e divisão. Verdadeiro local de um combate solitário: a consciência do homem, que faz uma viagem de fora para dentro de si.
Fora estava a regra, dentro a liberdade.
O Caminho?! Abraçar a Verdade! O resultado: a verdadeira Vida!
Ao ver este filme (e também depois das ultimas decisões e entrevistas dos ‘nossos’ dirigentes...), que é bonito porque fala do drama do coração do homem, lembrei-me destas palavras de Sebastião da Gama:
A verdade era bela
mas doía nos olhos
mas doía nos lábios
mas doía no peito
dos que davam por ela!

(O filme ‘As vidas dos outros’ está em exibição nos cinemas Fonte Nova e Monumental)

Tudo Está Consumado

Pronto, está feito! Foi dado o golpe final! A partir de hoje entrámos definitivamente na modernidade, no século XXI. Somos europeus de corpo inteiro. Já não precisamos de nos envergonhar.
Massacre dos Inocentes, Giotto di Bondone, Cappella Scrovegni, Pádua
A partir de hoje Portugal já pode matar os seus filhos.

Não censuro o presidente. Não tenho a pretensão de saber o que teria feito no seu lugar. Talvez me tivesse atrevido ao esperado acto heróico... mas muito provavelmente, a mim também, ter-me-ia faltado a coragem para tal.

Afinal, houve quem mais santo do que ele, e que não logrou fazer melhor, noutros tempos e noutras paragens.

Não! Sejamos honestos! A censura e a vergonha só pertencem a Portugal. Os poderosos da "democracia" dignaram-se conceder-nos, relutantemente, a oportunidade de mostrarmos de que fibra somos feitos. Porém, entre os que gritaram "À morte!" e os que daí lavaram as suas mãos, tudo se consumou. Tudo ruiu.

Quanto ao Resto... resta-nos a oração e a esperança da Ressurreição.

Tempo, tempo tempo


Não tenho tempo, falta-me o tempo, já não há tempo.

Sempre o tempo como impedimento, porque precisamos de tempo...

Tempo para tudo e tempo para nada.

Mas como podemos nós afirmar que não temos tempo? Como podemos nós dizer que não há tempo para o mais importante e desculparmo-nos a nós próprios com ridículas faltas de tempo quando toca a estar com Aquele que nos deu o tempo?

Todos os dias tem de haver tempo, e um tempo razoável, para que Ele nos faça crescer e para que tudo seja mais Dele.

O tempo é Seu, não meu. E tudo é menos importante que Ele ao longo de todo o dia, ao longo de todo o Tempo.

Obrigada pelo tempo e perdão pela falta dele...


nota: foto de um quadro do pintor Sousa Araújo na capela do vale de acor

A grande entrevista "civilizacional"

O Engenheiro, ou Bacharel, ou licenciado José Sócrates, em resposta televisiva à polémica sobre o seu curso superior brindou-nos com um conjunto de afirmações onde mostrou a sua enorme arte de mentir, manipular e fazer poeira, procurando tentar fazer de nós parvos.

Utilizando uma forma literária em dois tempos: afirmação peremptória seguida de vírgula e, aí vem, o contrário do dito, foi-nos referindo que: Escreve que é engenheiro civil, no registo de deputado mas, acrescenta bacharel para que nós não pensemos que ele queria mostrar o que não é; Intitula-se Engenheiro mas, não tem culpa que normalmente outros assim chamem a quem não o é; Não tem por hábito falar aos jornalistas mas, qual é o Primeiro-ministro que não telefona aos directores dos jornais a dar a sua versão. Afirma que esteve em silêncio porque não queria interferir nas investigações da Universidade Independente mas, já falou e elas ainda estão a decorrer; Não baixará os impostos por razões eleitorais, mas pode ser que a conjuntura seja a ideal para baixar impostos no ano antes das eleições.
O grande Jorge Coelho ficou convencido com o rigor das explicações dadas, milhares de portugueses também, eu porém não acredito no Super-Homem, no que tudo faz bem e sempre penteado…

Enfim, o Senhor … enumerou para finalizar as três grandes marcas civilizacionais conseguidas até agora na sua governação: a liberalização do aborto, a procriação mediamente assistida e a paridade de género.
Senhor … , esqueceu-se, ou nem lhe ocorre falar de outra conquista civilizacional destes dois anos: A Mentira manhosa!

quarta-feira, 11 de abril de 2007

A CAUÇÃO

Vêm dos gregos e , por isso, ou se leu mal ou se é ignorante: o acto daquele que cauciona é sempre mais trágico do que daquele que fala em primeiro. Há gente que nunca quis isto e que votou por outra coisa. Que não aceita que a vida se confunda com efeitos de linguagem e disseram-lhe isso durante muito tempo desde a Figueira da Foz. Não ouviu, por autismo ou conveniência. Agora ficou refém do outro e muitos vão deixar de o ouvir.Quem deu a entrevista hoje na televisão? O Original ou o Caucionador? Na parte final falou o da ideia original: é orgulho de todos os partidos da esquerda que o ps tenha feito passar a lei. O Caucionador disse que sim e deu-lhe uns papéis para ler.Até nisto o caucionador é pedante: não sabe o sentido do trágico.

A SABEDORIA PARA AVALIAR QUEM NOS GOVERNA

Face ao disposto no artigo 133º, alínea d) da Constituição da República Portuguesa, compete ao Presidente da República dirigir mensagens à Assembleia da República.
É ao abrigo desta norma constitucional que o Sr. Presidente da República enviou à A.R. a mensagem que entendeu dever acompanhar o acto de promulgação da Lei que regulou a exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez.
Todas as razões ali referidas, poderiam ser invocadas para justificar a não promulgação da lei por parte do Sr. Presidente.
Mas não foi isso que aconteceu. O Sr. Presidente, não podendo desconhecer que na regulamentação não podem vir a ser consagrados procedimentos que a própria lei não quis acolher, promulgou a lei em causa.
E agora de que vale a mensagem do Sr. Presidente?
A mesma não tem qualquer eficácia prática e se o Sr. Presidente quis ficar na História por mostrar que promulga a lei por respeito pela separação de poderes, embora contra as suas convicções, parece-me que não será por esse motivo que o mesmo será lembrado.
Já outros antes, por motivos idênticos, continuam a ser lembrados por nós e pelos nossos filhos como aqueles que, procurando apaziguar as suas consciências, usaram de subterfúgios nulos que apenas serviram para perpetuar os seus interesses mais inconfessáveis. Tempos virão em que o arrependimento, já tardio, os consumirá de angústia e vergonha. Então, não hão-de ousar erguer sequer os olhos para aqueles a quem mortalmente violentaram, mesmo que indirectamente. Vivem-se tempos em que se constrói a paz por medida, emergindo o esquecimento de viver a vida na medida da paz.


Urge a propósito citar o Papa Bento XVI na sua mensagem para a Quaresma de 2006:
“(…) Com a mesma compaixão que tinha Jesus pelas multidões, a Igreja sente hoje também como sua missão pedir, a quem tem responsabilidades políticas e competências no poder económico e financeiro, que promova um desenvolvimento baseado no respeito da dignidade de todo o homem. Um indicador importante deste esforço há-de ser a liberdade religiosa efectiva, entendida como possibilidade não simplesmente de anunciar e celebrar Cristo, mas de contribuir também para a edificação de um mundo animado pela caridade. Há que incluir neste esforço também a efectiva consideração do papel central que desempenham os autênticos valores religiosos na vida do homem enquanto resposta às suas questões mais profundas e motivação ética para as suas responsabilidades pessoais e sociais. Tais são os critérios sobre os quais os cristãos deverão aprender também a avaliar com sabedoria os programas de quem os governa (…)”

Onde é que eu já vi isto???

“Pilatos, tomando água, lavou as mãos diante do povo, dizendo: “Eu sou inocente do sangue deste justo, a vós pertence toda a responsabilidade!" Depois entregou-O para ser crucificado.” (Mat. 27, 24-27)

“O pretor romano pensou que podia subtrair-se à sentença lavando-se as mãos. Pilatos procurava conservar a sua independência, ficar de qualquer modo "de fora". Mas, só na aparência... Trata-se duma Realidade diante da qual é impossível ficar de fora ou à margem. Nós encontramo-nos perante este testemunho e sabemos que não nos é lícito lavar as mãos.” (João Paulo II)


(qualquer semelhança entre o personagem citado e o sr. que ontem promulgou a lei que vai sacrificar milhares de inocentes não passa de pura coincidência)

EIS O HOMEM

Fui confrontado, em mais uma Sexta-Feira Santa, com o “Eis o Homem” de Pilatos. Já antes tinha escutado a leitura de Isaías, que me lembrou a comunhão de misérias que Jesus quis ter connosco.

Olhar para o Homem que Pilatos nos mostra, o Jesus desfeito pela “estrutura”, desperta a nossa condição de filhos de Deus, move o nosso coração e interpela a nossa mente. Faz-nos ver que próximos estamos das outras vítimas radicais das “estruturas” do nosso mundo, não somente das vítimas da violência e da pobreza, mas também das vítimas da cultura consumista, da emulação centrada na futilidade e na preocupação com a imagem e ainda das vítimas da obsessão crescente com uma noção desequilibrada de produtividade.

Lembrei-me do Vale de Acór, das pessoas vítimas da “estrutura” que vivem na sua comunidade terapêutica para toxicodependentes. Quando as vejo ou me lembro delas, muitas vezes sem eu mesmo o saber, o que sinto é “Eis o Homem”. Todos somos aquelas vítimas, até que entreguemos a Deus a nossa fraqueza e Ele nos liberte.

A intensidade e a frequência do convívio com este sentimento – de que naquele sofrimento, em que a humanidade da “estrutura” dificilmente se reconhece, está o Homem que Deus ama, a Sua matéria-prima – fazem crescer. Todos, os que trabalham diariamente na comunidade terapêutica, que a visitam e se lembram dela e os que nela vão caminhando para a sua libertação, são aqueles a quem Pilatos proclamou “Eis o Homem” e não ficaram insensíveis.

Estar “fora de estrutura” é sobretudo ter a capacidade de reconhecer a “estrutura”, o que apenas nos é dado se o nosso coração não for de pedra, porque só reconhecemos a “estrutura” nas vítimas que ela, fria e formal, nos apresenta e de que não nos conseguimos desligar.

História de algibeira (1)

Béra, era o nome de uma fábrica de brilhantes de imitação, ao Chiado em Lisboa, e era a forma de designar essa bijutaria muito popular nos finais do séc. XIX. Hoje a palavra tem o sentido que todos conhecemos.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Outdoors

(Na promulgação pelo Presidente da República da lei do aborto, dois meses depois do atentado de 11 de Fevereiro)

Sócrates

Hipócrates pervertido.
O acaso de uma coincidência com um nome maior da cultura clássica
num zézeta sem classe.
O primeiro foi envenado: o preço injusto da sua grandeza.
O segundo manteve o nome ligado a práticas venenosas.
Goebbelsinho da RTP.
Primeiro sinistro de um milhão e meio que votou ‘sim’ (Uma desgraça nunca vem só!).
Mao Tsé Tung da terceira geração: com imagem desfigurada da justiça!
Convicções democráticas de plástico trocadas nas lojas chinesas.
Mente voluntariosamente simétrica das actualíssimas médias europeias dos espectáculos de vulgaridades: excita-se com as estatísticas.
Também deseja,
depois de capotar na alta velocidade do consumismo,
seguir descapotável, sem qualquer ideia de Bem.
Afora a perseguição intransigente do bem bom!
Mais engenhoso do que engenheiro.
Engenheiro pinoca.
Ou, melhor ainda, engenheiro pinóquio.
Fã da Carmen Miranda: também usa a cabeça para expor a fruta da época
e outros lugares comuns.

Silva Pereira

Embora envergonhado, veste ainda os calções de escuteiro.
Grita aos saltinhos: ‘Também quero entrar! Também quero entrar na fotografia!’.
Boneco sósia do anterior, que o pôs em cima do palco.
Mas tarde ou cedo há-de tombar e a nódoa negra será do tamanho da vida!

Odete Santos

Atiçada visionária em espasmos. Revoltada mental. Rasto de sangue tornado revanche-discurso.

Vital Moreira

Serpente secreta sinuosa serpenteando sibilante sensatez. SS da retórica capciosa.
De quando em vez ouve-se o silvar do ressabiamento: e ei-lo que mordeu, uma vez mais, na memória cristã. Avô cantigas vitima de processo transgénico que o tornou lobo mau.

Gatos Fedorentos

A felicidade de um nome exacto: tal e qual. Facécias dos novos lideres do regime. Parlamento, tribuna, câmara alta onde soam todas as baixezas. Culturalmente correctos.

Catarina Furtado

Enigma, caso de polícia lá no bairro: quem lhe roubou –digo furtou- à nascença
os dois dedinhos de testa que ela, ostensivamente, teima em mostrar que lhe faltam?
Tem muitas colegas.

Miguel Sousa Tavares

Charmoso grand dannois da opinião pública. Muitos gostam de o passear. Fio-de-prumo, pêndulo, burguês-mestre. Não muito à esquerda. Tão pouco conservador.
Antes conversador, nada barato, que funciona como autoridade reguladora dos lugares comuns. Ferido pela raiva anti-católica.

Francisco Louçã

Furor mongol vestido por Ralph Laurent. Genghis Cã das causas fracturantes. Chefe da horda elitista de mentes brilhantes, a pilhas, ou melhor, a ‘charros’. Justiceiro da TSF.
É o apito dourado do regime: especialista em expulsar a humildade democrática
e em marcar penalties contra a verdade.

Bento Domingues, Anselmo Borges
& comp.

Circo-ceia sem cardeais (porque as vedetas somos Nós!).
Caniches velhos que só sabem repetir o mesmo numero: ‘Dá a patinha’, ‘Dá a patinha’!
E eles, amestrados, rechonchudos e contentes, dão!

Pulido Valente

Portugal? Estúpidos!...Católicos? Para além de estúpidos, ridículos! Os outros todos?
Umas bestas! ‘O único tipo lúcido e decente nesta parvónia - e a modéstia não me permite dizer o seu nome- escreve regularmente a lembrar que nesta coisa chamada mundo não há ética, nem futuro, nem nada. Só interesses, jogos, ambições. Pelo que, e obviamente, a única atitude inteligente, moderada e honesta será a legalização do aborto’.

Cavaco Silva

Desta vez, nesta história, o estica vira o gorducho. Anafado, acomodado no sofá, qual almofada bem posta, ali.
De quando em vez espreita à janela para ver o Carnaval, mas por detrás da cortina,
não vá alguém vê-lo.
Dizem que treme de frio nas longas noites do mandato, aflitinho, a pensar nos juros do empréstimo que fez da honra, a quatro anos.
Sabe-se que permanece imune, no seu posto asséptico, às causas da verdade, na farmácia de serviço do regime em Belém. Promulgou a sua impressão digital
na história: “rendo-me!… quer dizer, invisto onde parece que me rende mais!”

Maioria

Por onde passa devasta a cultura.
Muitas vezes confundida com o Povo, realidade que, todavia, tem outra consistência, seja na Grécia clássica, seja, mais ainda, na memória bíblica!
Gafanhotos, praga de gafanhotos.
Ri-te, ri-te! Quando deres por ti até choras! Aliás, baixa o ruído da televisão! Não ouves
os gemidos dos inocentes?

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Era uma vez?!...

E se Jesus Cristo não tivesse ressuscitado? Se de facto tudo não passasse de uma mentira, uma farsa muito bem montada pelas mulheres que, naquele alvorecer, foram visitar o sepulcro?
Vejamos: todos os padres, doutores da Igreja, Antão, Jerónimo, Gregório, Agostinho, Tomás; os santos Bento, Bernardo, Francisco, Inácio, António, as Teresas, João da Cruz; filósofos, artistas, escritores; tanta gente anónima com as suas vidas completamente transformadas, tantos homens e mulheres que tudo largaram, família, amigos, fama, prestígio e riquezas para livremente se tornarem Seus servos; tanto sangue derramado, tantos mártires!
Se fosse mentira, então seriam todos doidos!

E hoje, dois mil e sete anos depois, aquele grito de alegria continua a aquecer os corações dos grandes e dos pequenos – naquela manhã foram as mulheres que receberam e deram a notícia, agora é a Mãe Igreja, que todos os anos, todos os dias nos anuncia: “Está vivo!”.
Se fosse mentira, então seríamos todos esquizofrénicos! E os de amanhã serão o quê?

Há uma mentira objectiva que perdura desde aquele primeiro dia da semana:
“Enquanto elas iam a caminho, alguns guardas foram à cidade participar aos príncipes dos sacerdotes tudo o que havia sucedido. Estes reuniram-se com os anciãos, e depois de terem deliberado, deram muito dinheiro aos soldados, com esta recomendação: «Dizei isto: Os Seus discípulos vieram de noite e roubaram-no enquanto dormíamos (… )
Recebendo o dinheiro, eles fizeram como lhes tinha sido ensinado. E esta mentira
Divulgou-se entre os judeus até aos dias de hoje.” Mt.28,11-15.
O reconhecimento e sobretudo o encontro com a Verdade, é incómodo para aqueles que se instalaram no poder, seja ele qual for. Estão muito cheios de si próprios, das suas ideias e das suas verdades. Mentem para se perpetuarem no poder, mentem com medo de perderem os privilégios as riquezas, talvez a fama. Mentem com medo do sofrimento e da morte!
Há uma mentira que perdura, e que foi tomando variadas formas e rostos – hoje quem são, uns que compram e outros que se vendem? – mas que não conseguiu, não consegue nem conseguirá nunca vencer, calar, apagar a Verdade da história dos Homens.
Porque assim nos foi prometido!

Imagine

Imaginemos um país em fase minguante, cada vez mais pequeno, microscópico, onde a preocupação geral consiste em saber se o primeiro-ministro é ou não licenciado em engenharia, se as equivalências condizem, ou se os carimbos correspondem!
Imaginemos a seguir o mesmo país e sobre o mesmo assunto, completamente ciente que nunca virá a saber a verdade, e ainda assim insiste em preocupar-se!
Imaginemos agora um país paralisado em torno de um aeroporto a construir em cima de um pântano!
Imaginemos a seguir o mesmo país convencido que através de um qualquer aeroporto construído algures, consegue fazer frente ao poderio e à concorrência de Castela!
Imaginemos por fim um país que tem como sonho maior edificar-se em semicírculo à volta de Lisboa, e talvez do Porto, desde que haja uma auto-estrada para ir ao Algarve!
Imagina a seguir que esse país é o teu!

domingo, 8 de abril de 2007

A Palavra

Páscoa

Evangelho segundo S. João 20,1-9.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava.
Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.»
Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição. Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer, pois ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

Da Bíblia Sagrada

Domingo da Ressurreição

Todas as desolações da humanidade de todos os tempos, escrava do pecado e da morte; todos os pedidos e intercessões da história da salvação estão contidos no brado do Verbo encarnado [o grande brado com que expira, entregando o espírito].

E o Pai tudo acolhe.

Para além de toda a esperança, tudo atende, ao ressuscitar o Seu filho.


- Catecismo da Igreja Católica, 2606 -

(por: pe pedro)

sábado, 7 de abril de 2007

Sábado Santo

Sábado Santo: dia da sepultura de Deus.

Não é este de um modo impressionante o nosso dia? Não é o nosso tempo um grande Sábado santo, dia da ausência de Deus? (…)

Deus morreu e nós matámo-lO. Temos consciência de que esta frase é tomada à letra na tradição cristã?

Nós matámo-lO, fechando-O na caixa obsoleta dos pensamentos rotineiros, exilando-O numa forma de piedade sem conteúdo, perdida na formalidade das frases devocionais ou das preciosidades arqueológicas.

Nós matámo-lO através da ambiguidade da nossa vida que estendeu também um véu de ambiguidade sobre Ele. De facto, que outra coisa poderia tornar Deus mais problemático neste mundo senão a problemática da fé e do amor dos seus crentes? (…)

O esconder-se de Deus neste mundo constitui o verdadeiro mistério do Sábado Santo.


- Card J. Ratzinger -

(por: pe pedro)

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Sexta-feira Santa

O contacto real com Deus só é possível na profundidade de mim, na profundidade do coração, porque Deus, como diz Pascal, é sensível ao coração…

De facto, o ateísmo é somente um estar sem coração.(…)

Então Teofano pôde dar este conselho: ‘concentrai a vossa atenção sobre o vosso coração e não mediteis sobre o vosso ‘eu’, mas sob o Senhor, e fazei-o com piedade e contrição. E é tudo’.

- cf T. Spidlik -

(por: pe pedro)

Quinta-feira Santa

Resta o imprevisto.

E o imprevisto nunca é para desprezar.

Estarei eu onde Nosso Senhor quer que eu esteja? Pergunta que me formulo vinte vezes por dia.

O Mestre a quem servimos não se limita a julgar a nossa vida - participa dela, assume-a.

Ser-nos-ia muito mais fácil contentar um deus geómetra e moralista
.

- G. Bernanos -

(por: pe pedro)

quinta-feira, 5 de abril de 2007

A CARNE

Do torso da madeira vê-se a carne. Espetos assados roídos de sal.É depois do meio-dia e antes da noite que chegam as vísceras. São rodelas, bolhas de sangue, caroços vermelhos, tingidas de mal. A carne, ás três horas da tarde, uiva. As pontas e feridas do mal são as lanças, as flechas, as brasas das vísceras.O homem e a carne do animal são as vísceras. Linhas de sangue vivas, fétidas, onde brilho o escopro. O mal é o homem. Animal cadente, prostado na horizontal.Animal rasteiro a lamber o pus. O prego solta-se. Penetra na carne. No eixo da expiação.
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Sexta - feira Santa

Sexta Feira Santa

Dia de penitência.

Dia de jejum. Não só de pão, mas de tudo aquilo que me possa distrair os sentidos. Dia sem televisão, blogosfera, praia ou centro comercial... Hoje não! Hoje é dia de meditação e oração. Quero dedicar-me hoje apenas e plenamente Àquele que se entregou por nós, Amor absoluto, Jesus Cristo crucificado!

Prostro-me a seus pés em adoração e agradecimento!

Na esperança da sua ressurreição!

Pureza

Homem, que mistério o teu que, ainda com o sabor do Pão molhado na boca, és rápido e determinado a abandonar e (a)trair o teu Amigo? Ele que caminhou, Ele que se fez caminho contigo!?

E porque não choras? Não ouves tu também o canto do galo, que três vezes canta?
Não vês o olhar do mestre, doce como mel ? E a Sua mão, que num gesto maternal te afaga e ampara?

Sabes melhor que ninguém que o orgulho mata. Não, não vás por aí!
Inclina antes a tua cabeça no peito do Ressuscitado e segue-o!

Uma Santa Páscoa

Veremos

Enquanto o país político vai a banhos para o Algarve, tem Cavaco na sua mão a vida e a morte de muitos futuros portugueses. O diploma engendrado pelo ‘partido das dez semanas’ ai está, em toda a sua dureza, sem uma vírgula, eliminadas que foram as promessas de alguma benevolência a favor das vítimas!
Tudo parece consumado, falta apenas a promulgação…ou o veto presidencial.
Mas a família cristã não tem representação política, e o que não tem representação não existe, ou se existe, tem os dias contados. E por isso chegámos a estes termos, a família, e a vida gerada no seu seio, estão hoje à mercê de um gesto de polegar de um político!
Aníbal não se atreverá na semana em que muitos católicos vivem a Paixão de Cristo. Há-de esperar por ocasião mais propícia!
A não ser que faça juz ao seu nome e resolva enfrentar o império da áurea mediocridade!
Faria história e ficaria na História.

Que caminho é este?

No seguimento do propalado fim da História, assumimos conformadamente a liberal e democrática segmentação social, das classes que agora se designam como A, B, C, D… com base na capacidade de consumo do indivíduo. Esta perspectiva geométrica, mecânica e utilitária da sociedade torna-se cada vez mais implacável, imperial. Nada é mais importante, nem a felicidade das pessoas.
No "moderníssimo" Portugal de hoje, a felicidade pechisbeque está acessível a (quase) todas as bolsas. Em doses individuais e empacotadas com diferentes cores, calibres ou sabores. Com a chancela dos democráticos poderes neo-liberais e tecnocratas, do novo rotativismo.

A todos os meus sinceros votos de uma Santa Páscoa.

O Encontro!

Tive a oportunidade de assistir na passada 6ª feira a uma conferência do Pe Julián Carrón, responsável internacional do movimento Comunhão e Libertação. Não tendo a pretensão de conseguir reproduzir fielmente aqui a totalidade dessa conferência, penso conseguir focar o centro da mensagem que nos transmitiu.

Com serena simplicidade e objectividade, este homem de grande sabedoria aponta-nos o verdadeiro caminho para fazermos face à actual situação em que se encontra o homem europeu, em especial a juventude, que vive um sentimento de extrema confusão, fruto do relativismo e do nihilismo que se transformaram num hino à modernidade, quando a total falta de referências e objectivos leva à completa desertificação do ser humano.

No entanto, diz-nos o Pe Carrón, no meio deste inferno podemos reconhecer e dar espaço ao que não é inferno. No meio desse inferno podemos ainda apaixonarmo-nos! Podemos viver um acontecimento imprevisto que nos fascina. Porque o nosso coração, inconformado na sua sede de plenitude, tenta resistir como um baluarte contra toda essa confusão e esse vazio que o assolam, e procura urgentemente uma certeza.

O Pe Carrón propõe-nos esse acontecimento fascinante: o verdadeiro encontro com Jesus Cristo. Nada neste mundo pode impedir esse encontro com algo que nos fascina, com Cristo. Não por uma razão intelectual, não por uma questão de ética, mas apenas porque instala no nosso coração o desejo de "voltarmos no dia seguinte".

É este o ponto de partida para a fé cristã. O encontro do eu, do meu coração, com um homem: Jesus. Somos levados a conhecer a natureza do amor através dum acontecimento de amor, dum encontro com um olhar, um rosto, uma pessoa, que nos fazem ver Cristo. No trabalho, na praia, nos transportes, num almoço, num casamento, seremos testemunho de Cristo porque fomos tocados por Ele, através dum olhar, duma palavra, dum gesto.

Esta é uma fé que não é primária mas conseguida duma forma racional, vivida e experimentada conscientemente, e reconhecida como verdadeira. É uma fé que exalta a liberdade e a razão. Só um homem realmente consciente, não um ingénuo, pode aderir a Cristo! Temos apenas de lhe proporcionar esse encontro na sua procura da Verdade.

Perante a complexidade do mundo moderno, tudo isto parece tão pouco! Mas é tanto! Porque nenhuma confusão o pode destruir...

quarta-feira, 4 de abril de 2007

O COMEÇO

E, depois, o pão rasgou por dentro. Penetrou, imolado, nas fendas da terra, feixes de lama, na boçalidade.Entrou em todo o lado, nos lugares esconços, onde habita o erro, a renúncia e a crápula. A alma, aquilo que eu sou, estava lá. Junto ao pão. Inacessível, casulo fechado, esgotado. Á espera do remendo, do golpe e do truque. Esperei por outra coisa.Que o pão não levede, não penetre. Que o gesto seja uma silhueta, um esgar. Que a noite roube o lugar pardo que não deixa ver. Mas o pão rasga. Por dentro um trovão. A dor, a palavra e o trigo pendem. Do pão consagrado.
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Quinta - feira Santa

Triste é que o doido faça escola...

“...todo o esforço sério feito no sentido de convencer os homens que entre o Homem e a coisa há diferenças notáveis e essenciais só pode ser proveitoso à causa do Homem(...) É verdade que as fórmulas aprovadas continuam a considerá-lo como se ele «assim» não fosse, e não resta dúvida que o Homem se dói com a cura que se lhe impõem. Está-se como o doido que descobrisse que o corte da cabeça era o melhor remédio para as suas dores. Triste é que o doido faça escola e crie discípulos e imponha cortes de cabeça até aos que, de impotentes, nem já se queixam de males.”
António Alçada Baptista, 1955


Este texto de 1955, é para mim de uma impressionante actualidade. Leva-me a pensar na dureza das ‘cabeças’ (e dos corações!) que permanecem hoje sob a ameaça de serem cortadas em nome da dita liberdade.

“Triste é que o doido faça escola e crie discípulos e imponha cortes de cabeça até aos que, de impotentes, nem já se queixam de males.”, com estas palavras, como não pensar na ‘loucura’ imposta ao nosso país com o referendo do dia 11 de Fevereiro. É imperativo que contra isso se continue a gritar a Verdade! Não quero que um poder cego me venha (e aos que são meus) cortar a cabeça, para que tenha melhor qualidade de vida (e enunciando todos os refrões apregoados pela cultura dominante...). Não é preciso muita filosofia para perceber que sem cabeça não se vive: Morre-se!

Não tenho intenção de vir aqui criticar só por que sim, para simplesmente ser do contra. Isso acharia um sinal de falta de vitalidade. Também eu quero ser discípula, e venho aqui porque tenho uma Escola, porque tenho Mestres, porque tenho uma Casa! Quero colocar-me “Fora de Estrutura”, porque quero estar com estes que na amizade me têm ensinado que a verdadeira crítica está sempre alicerçada na Verdadeira ‘Estrutura’ da Verdade. Espero deste espaço, que seja proveitoso à causa do Homem! Pelo menos o Homem (Mulher...) que sou eu, e os que estamos juntos nesta aventura bloguista. Que o que aqui se vai passar, faça sempre justiça ao apelo do querido Papa: ‘Homens, sede Homens’!

Ler os outros

Pedro Arroja, com a sua habitual irreverência, remexe “ao de leve” mas despudoradamente nos equívocos da cartilha oficial:

(...) Ao contrário daquilo que geralmente se supõe, os juizes e os outros magistrados dos Tribunais da Inquisição que conduziam os chamados autos-da-fé não eram padres nem bispos da Igreja. Eram juristas formados na Universidade de Coimbra. (…) Ler mais

(Via O Insurgente)

Por outra Causa

Com a devida vénia passo a transcrever um belíssimo texto do meu amigo Nuno Pombo, originariamente publicado no Semanário da passada sexta-feira 30 de Março.

Fé na monarquia

Há uns tempos alguém me dizia, do alto do seu incontestado perfil de estudioso, que a querela que opunha monárquicos a republicanos era um capítulo de uma outra batalha, bem mais vasta: a que separava a Fé ou a Religião da Ciência.
Sempre me causou estranheza a atitude dos que aceitam sacrificar a essência de um absoluto anterior e exterior ao Homem (para-humano ou supra-humano, em certo sentido) em nome de uma pretensa auto-suficiência do que é exclusivamente terreno. Pode duvidar-se, é certo, da existência e da magnificência divinas, mas não deve ignorar-se a natureza humana.
Sempre a Instituição Real, entre nós, se afirmou ligada ao catolicismo. Tal não significava que não existissem, num plano estritamente temporal, conflitos sérios entre o Estado português e a Santa Sé. Contudo, a nível espiritual, sempre fomos um Reino fidelíssimo à Igreja de Roma. É por isso que descobrimos, no topo da Coroa real portuguesa, majestosa e triunfal, a Cruz de Cristo.
Ora, os ataques que foram sendo desferidos contra o Trono visavam, em última instância, o Altar. As primeiras vítimas da implantação da república foram, entre nós, não os altos aristocratas de bigodes retorcidos, mas os religiosos, mais ou menos desconhecidos. A mais emblemática medida legislativa do novel regime foi a assanhadíssima Lei da Separação do façanhudo Doutor Afonso Costa, que, como é sabido, dedicava à Igreja Católica um desvelo não menos enternecedor do que aquele que mostra hoje o não menos façanhoso Doutor Vital Moreira.
É por isso estranho que superado que vai sendo o positivismo comtiano continuemos a ruminar acriticamente as verdades que os carbonários e outros cavalheiros de mau porte foram arremessando contra um edifício antiquíssimo, fundador e garante da nossa identidade nacional. Como é evidente, pode haver quem se não reveja nas instituições tradicionais portuguesas, como pode existir quem não leve à paciência o simbolismo real inglês ou escandinavo ou quem abomine a agregação estadual potenciada pela Coroa do Rei dos belgas. Contudo, a modernidade que vivemos, permite-nos já evitar os excessos de uma linguagem que o tempo cristalizou e as falácias de um argumentário que a Lógica condenou.
A Instituição Real permite colocar acima da fraqueza das paixões políticas que tomam conta dos homens que dominam a conjuntura a solidez simbólica de uma representação genuína e pura. Pura porque unificadora, genuína porque umbilical. O Rei, investido de uma legitimidade própria e diferenciada, coloca-se, como árbitro e moderador, acima dos interesses parciais, posto que legítimos, dos actores da vida política, renunciando toda a comunidade às prerrogativas essencialmente régias. E é dessa renúncia que vive a maior riqueza da Monarquia. Não queremos ser o Rei da mesma maneira que aceitamos pacificamente que não somos Deus. E quem não admite que Deus lhe é superior dificilmente aceitará que haja quem respire a liberdade de uma legitimidade que não emane directamente da sua própria auto-suficiência. Há quem se sinta desconfortável por não poder dominar, pela expressão da sua vontade, as manifestações de legitimidades que lhes escapam. Por isso houve quem matasse Cristo. Por isso houve quem matasse o Rei.

Nuno Pombo, In Semanário, 30 de Março de 2007

Era uma vez…

Vou contar-vos hoje a história de um Príncipe católico por nós destronado, que todos os dias colocamos fora de estrutura, na indiferença dos nossos hábitos, na troça dos nossos amigos, no preconceito das nossas infantilidades, na ignorância feita ciência ao serviço e ao sabor dos nossos inimigos!
Dos inimigos de Portugal!
Por isso as vozes que oiço não me consolam, por isso não iluminam o meu caminho, eu que aprendi na infância que não existe Céu sem Deus nem Pátria sem Rei.
Sabendo isto, muitos dos que se afirmam católicos, fingem não ver, escondem-se da política, desculpam-se ou envolvem-se em verdadeiros actos falhados, votam na divisão e esperam que a unidade aconteça por obra e graça do Espírito Santo!!!
“A César o que é de César” é também um desafio para intervirmos politicamente, sem falsos receios, porque se para nós a inspiração vem de Deus, a acção é connosco.
Pergunto-te então: até quando vais consentir que com o teu voto se entronizem regimes laicos, republicanos e socialistas? Sejam de esquerda ou direita?
Por que esperas para fazeres o que tens a fazer, para tomares as decisões que tens que tomar?!
Não te esqueças que o Príncipe, que o Princípio em que acreditas, continua fora de estrutura.