quinta-feira, 30 de agosto de 2007

As Férias Que Mais Admiro


São as que moem até doer
e que espremem a resistência que pensávamos já não ter.
São as que nos entranham todo o corpo do lodo que trilhamos
e nos ensopam do frio da chuva
que aparece sem ser o seu tempo.
As que têm noites pouco dormidas
no desconforto de um chão duro
e dos zumbidos das melgas
impossíveis de combater no escuro.

E destas férias nasce o descanso mais procurado
(e tão pouco encontrado)

São as que nos põem a andar horas a fio,
secos ou molhados, sem conhecer o fim
mas na certeza que vamos e chegamos contentes,
porque vale a pena arriscar no que mais custa.
Vimos e ouvimos o Belo
e aprendemos a deseja-lo mais nosso.
Com gosto, esforçamo-nos pelos outros,
e percebemos como isso é tão bom.
Muitos, e com vidas tão diferentes,
rimos de coisas simples, e sorrimos por dentro
ao olhar para os risos sinceros de quem nunca assim se riu.
Sentimos a falta dos nossos que não estão,
mas aprendemos a amar mais os que estão.

Acabamos com a alma grande,
admirados com a certeza de que
(como alguém dizia)
O Bem vence.

Entre amigos, são assim as férias que mais me admiram,
as que passamos juntos,
nos acampamentos do Vale de Acór.

3 comentários:

alexandrachumbo disse...

que pena não podermos ter estado presentes...

Sideias disse...

Não quereria ter estado noutro sítio se não neste que descreves de forma tão bonita, tão próxima, tão amiga!!!

Anónimo disse...

Querida Rita,
Identifico-me com o que (d)escreves tão próximo do essencial que aconteceu.
Sublinho uma frase sentida de forma particular - a da ausência daqueles que amamos e que gostaríamos que também tivessem estado presentes!
1 abraço!
CatFons