segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O ano de 2008

2008 é agora. Três grandes eleições vão definir o pensamento político dos próximos anos: Espanha, Itália, EUA, por ordem cronológica.Três testes decisivos que vâo marcar o decénio do século. Em Espanha, vai começar a campanha eleitoral. Rajoy não começou bem. Está a ir atrás de Zapatero. Este colocou a questão no aspecto económico e Rajoy foi a reboque. Ficar dependente de Zapatero é um erro profundo. Rajoy, um político que é uma incógnita, tem de determinar o debate e colocá-lo no plano que lhe interessa: a questão das autonomias das regiões, da abertura do diálogo com a ETA, e da moral pública. A este nível verdadeiramente espantosa a atitude da Conferência Episcopal Espanhola a sugerir que os católicos não deveriam votar neste governo, assunto que falarei no próximo artigo. Em Itália, Berlusconi vai ganhar. Berlusconi pode não ser um grande político mas tem três qualidades fundamentais: é vaidoso, muito vaidoso, e para um italiano esta é uma das mais nobres qualidades; sabe fundir a sua história pessoal com a história pública - na semana passada a mãe morreu, ontem, em Milão, na apresentação da coligação "Casa della libertá" exclamou:"A minha mãe agora no Céu deve estar feliz por ter um filho que ama e luta por Itália"; tem um sentido de "italianidade" que mais ninguém tem: o seu partido chama-se "Forza Itàlia", as cores são azuis, fala da ponte que ligará o continente à Sicília da mesma maneira que aos empresários das pequenas e médias empresas, ainda a coroa da Itália rica e industrial. Outro aspecto decisivo: é presidente do Milan, o grande clube das conquistas internacionais, o Benfica da Itália profunda, dos migrantes que sonham o poder da Lombardia. Nos EUA a vitória republicana de McCain será muito difícil. Tem 71 anos e é herdeiro de Bush. Mas o grande equívoco é Obama. É impressionante como a "inteligência de esquerda" americana e europeia está rendida à sua figura. É afro e isso basta. A sua campanha até agora não disse nada. O slogan" Change we can belive in..." não é nada. "We can", o quê? Ninguém sabe.

2 comentários:

joana disse...

bem ilucidativo, bem visto como sempre. Aproveito para vos avisar que acabo de saber que esta tarde na fnac do chiado vai ser lançado o primeior livro infantil sobre gays e lésbicas!É infame, é mau demais , é nojento e cobarde!
Deus nos dê forças e luz para combatermos, isto não pode ser!

MRC disse...

Apesar de tudo, prefiro Obama a Hillary Clinton que é uma facciosa pró-abortista. Obama não lhe fica atrás, mas tem um estilo menos cínico.