quinta-feira, 13 de março de 2008

Reflexões sobre o tempo que passa…

Não foi apenas um debate, foram os trabalhos preparatórios de um futuro acordo, trabalhos que se iniciaram seguindo o antigo ritual de um medir de forças em que os adversários, agora proponentes, simulam alguma animosidade, esgrimem argumentos, mas sem estocadas perigosas ou fatais. Para isso e por isso lá estavam os melhores floretes da república, e não foi por acaso que do lado monárquico surgiu uma nova face, menos crispada e mais cordata, que não extravasasse a emoção de um aguardado ajuste de contas.
Pois bem, o debate decorreu neste clima e neste clima é mais fácil perceber que a velha república afrancesada, aquela que ainda recita Rousseau e gosta de entoar a marselhesa, essa república está esgotada. Em três horas de debate, durante noventa e oito anos, foi incapaz de explicar, e explicar-se, porque é que nunca se sujeitou a ser sufragada, ela que resiste no último argumento de que tudo o que mexe deve ser sufragado!
Do lado monárquico, também não valia a pena terem invocado os índices de desenvolvimento ou quaisquer rankings europeus ou mundiais que asseguram a superioridade das monarquias sobre as repúblicas, porque o Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano ali presente, sabe melhor que ninguém sobre o declínio da França, que se mede facilmente pelo declínio da língua francesa, como sabe também que o nosso declínio tem a mesma matriz, com uma pequena diferença: a França é mais rica e sempre vai organizando umas ‘uniões europeias’ à sua volta, que a vão sustentando! A nós também nos sustentam... só não sabemos até quando!
E foi por isso que o sempre atento Medeiros Ferreira percebeu que estavam a ‘tocar algumas campainhas’, não apenas no arraial monárquico mas noutro, ou noutros, mais submersos e perigosos, e sendo assim, à cautela, sempre é melhor dialogar com os monárquicos do que com os outros! E escrevo isto sem crítica, valorizando dentro do mesmo clima, e dentro do possível, as preocupações patrióticas sobre o futuro de Portugal.
Não importa quem as exprime.

24 comentários:

Anónimo disse...

Passei agora por aqui, e queria apenas deixar uma pequena consideração. Durante algum tempo nutri alguma simpatia por sistemas monarquicos. Hoje confesso que a perdi por completo. É para mim inaceitavel um regime que atribua privilégios com base no nascimento. Quem são esses condes e duques mais do que eu? Como é possivel o destaque sem nada terem feito de util apenas em nome de serviços outrora feitos e ja bem pagos.
É para mim claro hoje ser a monarquia uma coisa do passado. Quem lá estava a defendê-la parecia ter saido de um museu. Jovens "tios" de fatinho azul escuro com um ar emproado, quase que a dizer-nos que num sistema monarquico eles seriam a elite.
Mais serviu para entender que não os quero lá. Que tenho o direito que me assiste como cidadão que paga os seus impostos a não os querer lá. Que me assiste o direito de ao fim de 5 anos poder por a andar um mau presidente. Que tenho o direito de escolher.
E para não dizerem que sou de esquerda, informo que sou filiado no PP.
E prefiro de longe a Republica. Referendo houvesse e nela votaria.
Bem haja pela paciencia em me lerem.
Claudio

JSM disse...

Agradeço o seu corajoso comentário e permito-me apenas citar uma das suas frases mais eloquentes, a saber: "E prefiro de longe a República, Referendo houvesse e nela votaria"! Nem mais. O problema é que nem todos os republicanos querem ir a votos. A república foi implantada pela força em 1910 numa altura em que o partido republicano dispunha apenas de 5% dos deputados no Parlamento. Desde aí, e já passaram 98 anos, que os portugueses aguardam legitimamente uma oportunidade para referendarem o actual regime!
Continuaremos pacientemente à espera.
Cumprimentos.

Anónimo disse...

JSM:

«Que tenho o direito que me assiste como cidadão que paga os seus impostos a não os querer lá. Que me assiste o direito de ao fim de 5 anos poder por a andar um mau presidente. Que tenho o direito de escolher»
(Claudio)

Estes princípios são incompatíveis com qualquer sistema monárquico, e portanto, por maioria de razão, com qualquer referendo que o ponha como hipótese.

Será que nem raciocínios elementares consegue fazer?

Você sabe perfeitamente, pelas sondagens, que quase ninguém em Portugal vê razões para mudar de regime, nem acredita em qualquer vantagem da monarquia sobre o regime actual. Qual é o problema que a monarquia viria resolver, e que a República não tem condições para?

Você está apenas a utilizar uma muleta de raciocínio quando invoca o referendo.

Sabe também muito bem que, na prática, não há nenhum monárquico em Portugal que não seja católico ultra-conservador. O que me leva a concluir o seguinte: o problema é sobretudo, e fundamentalmente, de ordem religiosa.
Mas também a maioria dos católicos portugueses é republicana, no sentido em que apoia a democracia e acha muito bem que o chefe de estado seja eleito e vá a votos regularmente.

Anónimo disse...

Será preciso fazer um desenho para o JSM?

(Como é que vai a Rita?)

Anónimo disse...

Então e o JSM não cita o VPV de hoje?

Deve estar cansadinho, a cabecinha fez muito esforço hoje!, este JSM!

Anónimo disse...

Levando em consideração que são cerca de 20 os autores desta miséria de blog, não acham estranho não haver mais de meia dúzia de pessoas a defender-vos?

Nem os vossos conhecidos apoiam esta loucura?

Ah!, bem sei que este blog não tem leitores...

Oh!, grupinho minúsculo! Que almas pequenininhas...

JSM disse...

Oh Claúdio, com franqueza, você estava a ir tão bem... e depois é isto! Mas responda-me lá porque é que tem medo de ir a votos?! Se tem essas maiorias todas! Ou ficamo-nos pelas sondagens?! De facto saía mais barato, não havia necessidade de termos um Parlamento com toda aquela gente a botar faladura e a ganhar bons ordenados e reformas! E podiamos aplicar o mesmo sistema ao resto, incluindo a eleição para a chefia de estado! Nem precisávamos de esperar cinco anos para correr com eles, encomendávamos uma sondagem, e pronto. Com a poupança, talvez os seus impostos pudessem baixar! E os meus também porque eu esqueci-me de lhe dizer que também pago impostos e quero ver um rei em vez de um presidente na chefia de estado.
Mas agora esqueça isso e fale-me de si, anda muito distraído, talvez isolado, ainda não reparou que os países mais civilizados optaram pela monarquia?! Porque será que um espanhol, um sueco, um australiano, ou um japonês, por exemplo, não têm as dúvidas democráticas que habitam no seu espírito? Não acha esquisito? Acha mesmo que somos mais inteligentes que esses povos! E se somos porque é que somos menos desenvolvidos! Nunca pensou nisso?
Bem, hoje ficamos por aqui. Mas não desanime, com o tempo, e se continuar a seguir o que escrevo, como constato que o faz, verá que acabará por ficar esclarecido.
Saudações monárquicas.

Anónimo disse...

Não é o Cláudio!

Anónimo disse...

Meu carissimo amigo, eu ja estou mais que esclarecido, nem tenho medo de ir a votos. Acredito num sistema que valorize os meritos de cada um. Não toleraria em Portugal um sistema que valorizasse as pessoas em função de um apelido, ou de um nascimento.
Não vejo qualquer diferença entre mim e o senhor Francisco de Bragança Van Uden por exemplo. Ou um qualquer outro "nobre" para ter mais privilégios do que eu.
Nem sequer é a pessoa do candidato a rei que está em causa. É a prevalencia de um regime de priviligiados pelo nascimento.
Quanto às monarquias serem mais desenvolvidas, meu caro amigo, olhe que pode ser um tiro nos pés, porque teremos que convir que são quase todas protestantes, excluindo a belga e a espanhola.
Se quer enveredar pela tese de Max Weber teremos de aliar o catolicismo ao marasmo economico. E no fundo ambos sabemos que não é verdade.
Termino como iniciei, sem medos de ir a referendo sobre essa questão. Faz parte da minha cultura aceitar a diferença, mas JSM não me consegue convencer.
Claudio

JSM disse...

Assim não nos entendemos, um diz mata e o outro esfola! Mas atenção, eu não me importo, desde que surja alguma ideia e neste último comentário surgiram algumas, por isso vou responder: - em primeiro lugar eu não pretendo convencer ninguém, acredito é que a polémica pode ser útil a quem gosta de ser esclarecido. E nunca sabemos tudo. Mas tem toda a razão quando afirma a superioridade democrática da república sobre a monarquia, simplesmente, a política é a arte do possível e neste caso o bom é inimigo do óptimo. Quero eu dizer que é a própria superioridade da república que a acaba por envenenar! Por exemplo, ninguém se lembraria de propor a eleição dos árbitros para o futebol! Em Portugal, se fosse seguido o sistema, seriam todos do Benfica. O que não teria mal nenhum excepto a desconfiança que geraria entre os adeptos dos outros clubes. Aliás, e nem preciso de citar autores, informo que por causa disso, ou seja por causa da possibilidade de haver vários candidatos para o lugar de César, o império evoluiu da república para a monarquia. E é fácil de imaginar que em Espanha seria muito difícil para um catalão aceitar um presidente castelhano, e vice versa. Chama-se a isto a razão prática.
A outra ideia interessante, e provocatória, tem a ver com a herança jacobina e as suas consequências nalguns países ditos católicos. É assunto que ficará para uma próxima oportunidade, uma vez que o comentário já vai longo. Uma última questão: escreverei em breve um postal sobre as minhas razões em favor de um referendo sobre o regime. Espero que leiam e comentem.
Saudações monárquicas.

Anónimo disse...

Mas eu não sou contra as monarquias, muito pelo contrario. Acho que em Espanha tem desempenhado um papel unificador, no Reino Unido tambem.
Não considero nenhuma superioridade da republica em relação à monarquia. Para um Ingles ter duques e condes é normal... ja sustenta essa gente toda à seculos.
Em Portugal isso acabou. Não tenho desejo de sustentar mais inuteis....Já bastam os politicos que temos de sustentar.
Desculpa a sinseridade.
Claudio

Anónimo disse...

Fantástico... a Républica não produz privilegiados.
Agora os fifis dos senhores políticos não têm vantagens por nascimento...Extraordinário!!!!.

Em monárquia há a decência de identificar quem é ou não é priveligiado e porquê.

Agora o privilégio advém dum serviço partidário, muitas vezes do interesse estrangeiro.

Hoje o estado tem uma classe aristocrática estúpidamente maior, mais cara e incompetente.
No entanto certos meninos ficam muito incomodados com os fidalgos, o descalábro do País isso pouco lhes interessa.

Quanto e esse sujeito que se acha igual ao sr. D. Francisco Van Uden, também deve ter escolhido ser Português aos 20 anos, para servir a Pátria, com duas comissões nos "comandos".

Ou é apenas um burguês gordinho, altruísta já se vê.

SR

Anónimo disse...

Caro Senhor SR
Se o senhor van uden é reconhecido pelas suas comissões nos comandos, apenas vem ao meu encontro quando defendo que ninguém deve ser reconhecido com base no seu nascimento.
Não sei onde é que a classe politica é mais incompetente que certos nobres de meia tijeja que nem trabalhar sabem.
Resta-me o conforto de viver em republica, e de saber que ainda temos uma palavra a dizer sobre quem nos governa.
Não sou nem gordinho nem burguês, mas confesso que os perfiro a um qualquer nobre.
Claudio

JSM disse...

Mas quais nobres?! Mas que nobres é que conhece que pelo facto de terem herdado um nome de família, como Você herdou o seu, beneficiem de algum privilégio ou cargo no Estado? A única excepção poderia ser a famíla real e volto a explicar-lhe: os monárquicos abdicam de ser candidatos à chefia do estado para que o país não se transforme numa guerra civil permanente entre facções, no fundo para que o dito símbolo da unidade e da estabilidade o seja mesmo e não um elemento de fractura social e de instabilidade. E muito importante, porque preferimos sustentar apenas uma família, a família real, em vez do que se passa actualmente em que acabamos por sustentar, como bem dise SR, uma série infindável de famílias que se sucedem dentro da casta republicana. Ou está convencido que se o João Soares não fosse filho de Mário Soares teria as mesmas hipóteses políticas de que tem desfrutado? Sem falar na 'nobreza republicana' que todos os anos é distinguida com comendas a torto e a direito. Portanto não volte a utilizar argumentos filhos da propaganda ou da inveja para que eu não me convença que afinal o que Você pretende é ser rei!
Saudações monárquicas.

JSM disse...

E dou o debate por encerrado. Guardem energias para o próximo postal que eu escrever.

Anónimo disse...

Mas a questão dos privilégios é tão interessante:

Presidente, Ex-Presidentes da républica, Presidentes e Ex-presidentes das 328 Câmaras, vereadores, deputados e ex-deputados, Gestores públicos e ex gestores públicos.
Privilégios?? Não !!!!

Quanto à questão dos nascimento, basta termos nascido em Portugal para sermos priveligiados em relação à maioria da população do planeta. Se o anónimo quer ser coerente e abdicar dos privilégios por nascimento, faça o favor de imigrar, se possivel para lá do Sirilanca.

SR

Anónimo disse...

Confesso que pela primeira vez dou gracas por nunca ter havido referendo. A ver pelos monarquicos que temos...mal ou bem prefiro ter no poder estes que la estao do que os comentadores do blog. Descansem que nao perturbarei a unicidade das vossas ideias.
viva a republica.
claudio

João Amorim disse...

O discurso "medievalista", impreparado e situacionista do opinador Cláudio é confrangedor. Então os "nobres" gozam de estatuto? Têm cargos? Não sabem trabalhar?

... desculpe lá, JSM, mas os repúblicanos não são todos assim!!
abraços, de um repúblicano lúcido...

João Amorim

JSM disse...

Caro João Amorim
Não tem que se desculpar, eu é que insisto em aproveitar as oportunidades para levar um grão de areia para a praia. Uma praia infelizmente contaminada. Faço-o porque acredito que pode ser útil a alguém, e neste caso também acredito que não foi em vão. 'O mundo será salvo por alguns' dirão os filósofos vanguardistas, mas quem já foi redimido, não tem essa preocupação: contenta-se com o pão nosso de cada dia e faz aquilo que pode nesse dia. Será também por isso que respondo aos comentários... esperando que a vaidade não me importune. O que nem sempre acontece.
Um abraço.

João Amorim disse...

Vi o suposto debate, que é isso a que reporta o seu concreto texto, e acho que todos se "portaram bem".
O "ferrolho" (como bem dizem os monárquicos) na constituição é um óbice. Ninguém o pode desmentir.
Mas relacionar monarquia com "nobreza" e culpá-la do mal social, não lembra ao diabo....

Anónimo disse...

Consegue dissociar uma coisa da outra? Olhe que nao vai conseguir caro João Amorim. Um regime monarquico não se define apenas pela herditariedade do chefe de estado. É um regime sustendado por toda uma serie de privelgiados. Dizem-me que a Republica caiu no mesmo, e que eles permanecem. Até posso concordar nalguns casos. Mas ainda assim perfiro estes, que caiem em desgraça e dão lugar a outros.
O factor hereditário é algo que me repugna, não faz sentido filhos beneficiarem de acções dos pais.
Meu caro João... conheço alguns "nobres" que nunca tendo feito nada na vida, vivem de rendas de terras recebidas... e olhe que nao sao tao poucos.
Nao vou escrever mais nada, sobre este topico, porque começam a não respeitar opiniões diferentes.
É um tique ja conhecido...
Claudio

Anónimo disse...

Se ao Claudinho repugna os filhos beneficiarem de acções dos pais, então devia desfiliar-se do PP e ir para o BE ou PCP.

Haja coerência

sr

Anónimo disse...

Quando se perde a compostura senhor sr perde-se tudo.
Apenas me vem dar razão.
Se calhar, nem o referendo deve ser feito. Quem não tem maturiadade para discutir seriamente os assuntos, não deve votar.
É o meu ultimo comentario neste post que ja deu o que tinha a dar.
Rezo por si, para que iluminado pelo Espirito Santo cresça na caridade.
Claudio.

Anónimo disse...

Sr Cláudio,
Então, "quem não tem maturidade para discutir seriamente os assuntos, não deve votar".
Está a excluir muita gente das urnas.
Afinal o sr. é um monárquico Absolutista.
Efectivamente não tenho muita caridade para quem diz que é igual aos melhores.
SR