terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Tempo de Advento

Quanto ao Natal que se aproxima tão rapidamente, lamento profundamente que a mensagem subjacente ao nascimento do nosso Senhor, do Rei dos reis, Deus feito homem, tão equivocamente tenha vingado em dois mil anos de catequização.
É urgente proclamar que o Salvador afinal nasce gloriosamente pobre e indefeso numa manjedoura, numa nação ocupada e reprimida... Que a mais fantástica e bela história do mundo indica-nos inequivocamente um caminho de libertação e de felicidade, justamente na entrega, e não na conquista. No dar e não no receber. E que a redenção se alcança em tudo ao contrário do que ensurdecedoramente nos “vendem” por todo os recantos desta civilização decadente. E que é ao libertarmo-nos do nosso sôfrego e deprimente umbigo que podemos alguma vez realizarmo-nos como homens livres. E que o nosso coração frio e egoísta é a imagem das albergarias de Belém quando se fecharam a Maria e José em vésperas do Grande Acontecimento. E que se vivermos o Natal de Jesus, nem que seja por um dia, seremos indubitavelmente melhores pessoas e mais felizes.
Assim Deus me ajude a viver este Natal.

2 comentários:

João Amorim disse...

Caro João Távora

Louvo este seu pensamento, especialmente nesta quadra tão esvaziada e irreconhecível.
Bem aja.

Anónimo disse...

Também podemos pôr as coisas desta maneira: afinal toda a história é a de um Deus (masculino) que se faz homem (masculino). Já viu que nessa história está faltando feminino? Afinal Maria não passa de um útero, veículo para o masculino.
Sabe qual é mesmo o problema? Excesso de masculino e falta de feminino! Há todo um desequilíbrio que a sua igreja vem sancionando até hoje, e depois queixa-se. É o mundo que se deverá queixa dela!