quarta-feira, 24 de outubro de 2007

P. Monteiro

Um ano como Procurador. O assumir de um cargo decisivo para a promoção da confiança na res-pública. Ter que fazer avançar dossiers complicados como os que envolvem a alta finança e os seus baixos truques, o far-west do futebol e as coboiadas do poder local. Supinamente, sobra-lhe ainda fôlego para interferir no código deontológico dos médicos (o que fez entrar em cena, de novo, o pequeno Kim il Sung dos remédios portugueses, algo agitado e a declamar: ‘ou Hipócrates ou Eu’. Mas sem jamais dar abébias a eles, os não nascidos).

Ainda assim, a pedra de toque do seu consulado é a Casa Pia : julgamento que obriga a um juízo sobre a bondade da república de Abril. Julgamento que julga o regime. Julgamento cujos enviesamentos legitimam o deslizar do poder dos cidadãos para fora do poder das instituições. Julgamento que, se torcido, aborta a legitimidade das instituições. Julgamento que acasalado com a legalização do aborto destrona a autoridade do estado, entretido uma vez mais com o assassínio de Antígona. Julgamento que, se frustrado, imporia a revolução. Assim houvessem revolucionários.

Pinto Monteiro dá uma gorda entrevista no último Sol. Diz não ter medo de ninguém, o que permite por a hipótese de estar a falar debaixo de efeito de substâncias estimulantes.... Para além disso está muito contente, consigo próprio. Jura não ser maçon. Mas deixa o rabo de fora, ajuntando, de cada vez que se volta à pergunta, que também não é da Opus Dei. Grande vitória da agitprop maçónica, esta de conseguir, quase sempre, fazer associar a si mesma a comparação com a Opus Dei.
Quanto à Opus sabe-se dos seus defeitos. Todavia sabe-se também quem manda por lá – em última análise o Papa; conhecem-se os seus textos fundadores e fundamentais (dos Evangelhos ao Catecismo da Igreja, passando pelo Código de Direito Canónico e os escritos do fundador). E a história não assinala que tenha deixado atrás de si um rasto de violência ideológica, secretismo e sangue. Como a maçonaria. Acresce que a Opus Dei se mantém realista e racional. Realidades estas muita queridas ao catolicismo. Ao contrário da maçonaria: ferozmente calculista nas suas estratégias mas algo patusca e idiota no uso do avental para o culto, fazendo deste qualquer coisa mais parecido com uma ‘petiscada’ e não com uma coisa séria.

Enfim, são muitos os dislates e as inconsistências de um homem que deveria representar a circunspecção das instituições.

Pela minha parte, e não querendo faltar ao respeito pelo artista do Estado Novo, sugiro uma pequena alteração no nome do nosso procurador, que respeitaria, no entanto, a sua evolução morfológica. Com efeito, que tal Pardal Monteiro?

12 comentários:

Anónimo disse...

Espero que o Pardal coma o verme chamado Popalvo.

Abraço em Cristo

Anónimo disse...

Anónimo beato, já sabia que eras maçon. A pobre Igreja Católica está cheia deste lixo. Leio o teu abraço como o beijo de Judas.

Popalvo

Mário Góis disse...

Excelente post!
Acho significativo o silêncio da classe política e afins, de quase toda a comunicação social, perante as acusações gravíssimas de Catalina Pestana, o mesmo silêncio depois da publicação das escutas telefónicas que revelaram as pressões para destituir Souto Moura (percebe-se agora como,e porquê lhe 'fizeram a folha'!!), comparativamente ao enorme barulho em relação às afirmações
de P.Monteiro!Será que manipular as leis para proteger amigos criminosos,o abuso continuado das crianças que estão à guarda do Estado, como insinua a ex-Provedora, é menos grave que "os barulhos esquisitos do te-lé-lé do Sr. Procurador Geral da Republica? É este o tal Pacto de Regime!? Algo está podre neste reino à-beira-mar-plantado!

Quanto ao anónimo, desconfio que a
frequência às tais 'mercearias dos
aventais' e às 'petiscadas ou patuscadas' que aí se realizam,lhe tenha afectado gravemente as funções cerebrais, pois continua-se a não vislumbrar qualquer ideia, uma ideiazinha que seja, nos seus comentários(?).
É caso para dizer:
-Óh homem, desampare a Loja!

João disse...

O grande problema de Judas era que tinha um 'eu' muito grande que não deixava espaço nem tempo para 'O Outro'. E isso o levou à solidão!
Por isso, para ti anónimo, dá as trinta moedas aos pobres e ajoelha-te!

Rita LM disse...

Grande comentário, Mário Góis!

Acrescento: anónimos, desamparem a loja ou tenham a coragem de vestir os "aventais"...

JSM disse...

Mais uma pedrada no charco que pelos vistos incomoda muita gente. Este Procurador já andou pelos conselhos de justiça do futebol e foi lançado para o cargo pelas eminências pardas do regime. As queixinhas que veio agora fazer aos jornais escondem, em minha opinião, o propósito de reforçar os seus poderes ( não apenas internos) numa espécie de super-procuradoria, e dando assim um novo fôlego à governamentalização da justiça. É compreensível, se pensarmos nos inconvenientes que processos como o da Casa Pia podem trazer ao regime republicano. A nomenclatura gosta de estar acima da lei. Lembram-se do triunfo dos porcos!

Anónimo disse...

Não, não sou maçon, Poparvo. Nem gosto deles.

Tiro ao lado.

Abraço em Cristo

Anónimo disse...

Sou só lixo e traidor.
Tiro no pé.

Pope disse...

Tendo-lhe sido perguntado se algum dos comentários pertinentes acima publicados eram da sua autoria, Pope esclarece os interessados dizendo que não. Muito dificilmente Pope defender-se-ia anonimamente. Para além do que Pope não caça mosquitos.

Anónimo disse...

O melhor é de hoje em diante pura e simlesmente desprezar-mos os comentários grosseiros do anónimo do costume. Não merecem nem o nosso tempo,nem a nossa atenção, e os falsos abraços em Cristo menos ainda. A única coisa que eventualmente poderá ser útil é rezar por ele,para que se converta. Era melhor para ele e para nós, que não tínhamos que o aturar mais

Anónimo disse...

Ó primo de rivera e companhia, o vosso ódio irracional pelos fora de estrutura só prova que estamos cobertos de razão!Que bom, cada dia que passa fico mais contente por ser um fora de estrutura!

TSh disse...

Mas por que razão o Sr. Pope não assina os seus escritos com o nome?

Por que se não dá a conhecer?