domingo, 20 de maio de 2007

UMA OUTRA ÓPTICA CIVILIZACIONAL (2)

Segundo dados divulgados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a propósito do Dia Internacional da Família e que hoje são notícia de 1ª página no “Público”, os portugueses, além de terem cada vez menos filhos, entre a maioria daqueles que os têm, não faz parte das suas prioridades poder ter mais tempo para lhes dedicar.
É o próprio artigo que o refere – “…os portugueses estão mais individualistas, mais autocentrados e esta é uma tendência que já não é nova, mas que se tem vindo a consolidar…”
Continua aquele jornal “Surpreendentes, contudo, são estas percentagens extraídas do Inquérito ao Emprego de 2005, agora divulgadas: 83,7 por cento da população empregada, com pelo menos um filho ou dependente a quem prestem cuidados, diz que não deseja alterar a sua vida profissional para poder dedicar mais tempo a cuidar deles”.
Nós cá por casa somos quatro - os pais são ambos empregados e as crianças são pequenas – e não imagino como seria a nossa vida e das nossas crianças se não fossemos imensamente privilegiados com grandes ajudas de avós e de amigos, face ao pouquíssimo tempo que dispomos, às muitas horas que estamos fora de casa e a tudo o que temos para fazer.
Mas uma coisa é certa – Não fazemos parte desta grande maioria que não deseja poder dispor de mais tempo para dedicar e dar aos outros, achando muitíssimo estranho, face ao que vamos vendo por onde andamos, que pessoas empregadas e com outros de quem cuidar possam dizer que não desejavam poder dedicar mais tempo a esta tarefa.
Os pais não terem tempo poder-se-á dizer que não espanta, mas agora que não queiram ter mais tempo … é de todo incompreensível.
Que mundo é este ? Que sociedade é esta que estamos a construir ? Qual a ordem das nossas prioridades ?
Face à grande confusão, só nos resta “permanecer na cidade até que sejamos revestidos com a força do alto” – Evangelho de S. Lucas neste Domingo da Ascensão.

3 comentários:

Anónimo disse...

E a nossa quota-parte de responsabilidade?
Grande parte dos administradores e gestores de topo das empresas privadas dizem-se católicos. Muitos são mesmo membros do Opus Dei.

Onde estão as creches e infantários nessas empresas?
Onde estão as licenças de maternidade, paternidade e de acompanhamento familiar?
Por que a progressão na carreira em muitas dessas empresas implica total disponibilidade de tempo, em detrimento do apoio à família?
Quantas delas discriminam grávidas , ou mesmo mulheres, no acesso ao emprego?
Por que continuam baixíssimos os salários dos empregados, obrigando pais e mães a trabalhar 24h por dia?

MRC disse...

Penso que ambas as perspectivas quer a do post, quer a do comentarista anónimo têm a sua razão de ser.
A questão é esta, em termos práticos, ou um dos membros do casal, pelos rendimentos que tem, permite que o outro trabalhe menos e, por isso, tenha mais disponibilidade para acompanhar os filhos; ou então, o casal opta por renunciar a certas qualidades que implicam despesa, reduzindo-a desta forma de maneira a que um deles ou ambos possam dedicar mais tempo aos fins.

Miguel Reis Cunha disse...

digo, aos filhos.